A 4ª Vara do Trabalho de João Pessoa apresenta “um quadro intolerável de descontrole e de morosidade no cumprimento de despachos”. A conclusão é do corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, na correição feita na semana passada no Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região (Paraíba).
A 4ª Vara do Trabalho de João Pessoa, conforme o relatório da correição, está em “situação grave e crônica”. Em 2005, a correição regional já registrava “a situação alarmante nos setores de liquidação e execução”. Entre maio de 2004 e maio de 2005, a Ouvidoria do TRT recebeu 367 reclamações, das mais diversificadas, contra a 4ª Vara.
Diante da situação, o corregedor-geral recomendou ao TRT que institua um “regime de exceção” no órgão, até a regularização dos serviços judiciários, com a mudança dos métodos de trabalho e a designação de juízes do Trabalho substitutos para atuar com jurisdição plena sobre todos os processos.
A correição constatou também que o vitaliciamento de juízes substitutos se dá de forma automática, depois de decorridos dois anos da posse. O corregedor-geral recomendou ao TRT paraibano que “cesse imediatamente tal prática deletéria à instituição” e que crie uma comissão própria de vitaliciamento.
Esta comissão, antes de terminado biênio, deve emitir parecer circunstanciado e fundamentado sobre a avaliação global da conduta funcional de cada juiz substituto. Outra recomendação diz respeito à instituição e operacionalização de uma Escola Oficial de Aperfeiçoamento dos Magistrados do Trabalho da 13ª Região.
Outro aspecto detectado foi a disparidade de movimento processual entre algumas Varas do Trabalho. A Vara de Santa Rita, instalada em dezembro de 2006, recebeu, em seus três primeiros meses de funcionamento, 1.379 processos. A de Taperoá, entre janeiro de 2006 e março de 2007, recebeu apenas 289 novos processos. Diante do quadro, o relatório recomenda a transferência da Vara do Trabalho de Taperoá para Santa Rita.
Apesar de tudo
Um dos destaques positivos do relatório apresentado pelo corregedor foi o Projeto “Conciliar” criado em 2005. De acordo com Dalazen, o projeto trouxe resultados “extraordinariamente auspiciosos”.
“O que se viu foi uma fantástica e empolgante mobilização de todos os juízes e servidores de todas as 27 Varas do Trabalho da Região num dia dedicado exclusivamente à formulação de propostas de conciliação”, registrou o corregedor-geral. Os valores conciliados somente nesse dia foram superiores a R$ 15 milhões.
O TRT-PB tem jurisdição trabalhista em todos os 223 municípios do estado, com 27 Varas do Trabalho distribuídas em 15 municípios –nove na capital, João Pessoa, e cinco em Campina Grande. No ano passado, o TRT da Paraíba julgou 6.509 processos.
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