A cachaça artesanal, que já matou 35 pessoas na região sudoeste da Bahia, continha grande quantidade de álcool metílico – mais conhecido como metanol. O laudo do Departamento de Polícia Técnica do Instituto Médico Legal do estado apurou que, nas sete amostras de cachaça colhidas nos bares da região, a proporção de metanol para cada 100 ml de álcool varia entre 2,85 e 20 ml. A quantidade aceitável seria de 0,25 ml por 100 ml.
Cerca de 400 pessoas já apresentaram sintomas de envenenamento na região e as autoridades já apreenderam cerca de 10 mil litros de aguardente no comércio local.
Para a Secretária de Saúde, há duas hipóteses para a contaminação da bebida. Alguns produtores poderiam ter misturado o metanol ao álcool para aumentar a produção. A segunda forma de contaminação estaria ligada aos vasilhames da aguardente. Os donos de alambiques clandestinos teriam reutilizado vasilhames plásticos para o transporte de produtos químicos, como o metanol ou a acetona.
As autoridades do estado já fecharam diversos alambiques clandestinos na região. O comerciante Carlos Andrade, conhecido como “Araponga”, teve prisão preventiva decretada e está foragido. Ele é dono de um dos alambiques que produziam e forneciam a cachaça artesanal para os bares e mercearias.
Não é a primeira vez que a Bahia enfrenta problemas pela contaminação de bebidas. No ano passado, morreram 11 pessoas no interior do estado pelo mesmo motivo.
Revista Consultor Jurídico, 11 de março de 1999.
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