Militantes políticos foram estigmatizados sem direito a defesa

O escritor e filósofo Jean-Paul Sartre, no conto “O Muro”, mostra um militante da Resistência francesa fazendo uma falsa confissão a torturadores – de que se encontraria com os companheiros no cemitério – e se surpreendendo com o desfecho imprevisível do caso: depois de sua prisão, o local do encontro havia sido realmente mudado… para o cemitério.

Imaginação fértil? Nem tanto. Quando eu estava preso, cruzei com um militante (se bem me lembro, do PCB) que havia sido detido por uma dessas infelizes coincidências. Alguém, sob tortura, inventara um hipotético “ponto” ao meio-dia, diante da Galeria Alasca, em Copacabana. Esse outro coitado, que tinha realmente um encontro marcado naquele lugar, percebeu a presença da repressão e tentou fugir, sendo agarrado.

Fui vítima de uma dessas ironias da História – e precisei de 34 anos para conseguir entender todo o quadro e poder reconstituí-lo neste artigo.

Militante da Vanguarda Popular Revolucionária, eu comandava o setor de Inteligência da organização no Rio de Janeiro, depois de haver exercido a mesma função em São Paulo. No intervalo entre as duas designações, integrara uma equipe precursora incumbida de implantar um campo de treinamento guerrilheiro em Jacupiranga (região de Registro, SP).

Depois de dois meses, nós cinco (Carlos Lamarca, Massafumi Yoshinaga, Yoshitame Fujimori, José Lavecchia e eu) concluímos que a região era impraticável para o que pretendíamos: muito visível, freqüentemente percorrida por caçadores e membros da comunidade local, próxima demais da estrada. Decidimos abandoná-la. Foi quando voltei à cidade, porque não me adequara bem ao trabalho no campo.

Preso pelo DOI-Codi às 6h45 do dia 16 de abril de 1970, fui torturado durante a manhã inteira. À tarde, já muito debilitado, tive de relatar o que fizera durante os 12 meses de militância na VPR. Eu tinha informações importantes que não podia em hipótese nenhuma revelar, mas percebia que a minha resistência não duraria para sempre. Precisava convencer a repressão de que estava revelando o que sabia – e de que sabia bem pouco. Foi quando “abri” a área abandonada, na certeza de que estava entregando aos torturadores apenas terra e capim.

Os acontecimentos subseqüentes agora podem ser reconstituídos, a partir de relatório do II Exército que está disponibilizado no site Resgate Histórico. Só no dia 17 essa informação chegou à Oban em São Paulo, pois o próprio DOI-Codi não lhe deu muita importância. Foram despachadas duas equipes de agentes ao local e voltaram de mãos abanando, com a informação de que a área havia sido mesmo abandonada dois meses antes.

Paralelamente, com o interrogatório de outros presos, o I Exército descobriu que havia uma área ativa nas proximidades daquela que fora efetivamente abandonada. Iniciou-se, então, a operação de cerco, rompido espetacularmente pelo Lamarca.

Um historiador sério como Jacob Gorender estranhou o fato de eu haver ficado na cidade sabendo de informação tão importante; pelas rígidas normas de segurança das organizações guerrilheiras, eu deveria ter sido mandado para o exterior.

O fato é que eu e o Massafumi, ao voltarmos para a cidade, ignorávamos completamente que a área 2 havia sido implantada a apenas alguns quilômetros de distância da área 1. Foi um terrível erro operacional do Lamarca. Como a VPR já estivesse sentindo falta de aliados para levar a cabo as tarefas que se propunha, o Lamarca jogou com a sorte, servindo-se do mesmo aliado (ex-prefeito de Jacupiranga) para intermediar a aquisição da área abandonada e também da que seria desenvolvida em seguida.

Mais: fez-nos crer que, para escolher a nova área, precisava viajar o dia inteiro. Saía numa Rural bem cedinho e voltava à noite. Nas conversas com Fujimori e o motorista “Monteiro”, deixava escapar detalhes que faziam supor que a área 2 se localizasse no Paraná.

Então, embora eu estranhasse a rapidez com que a repressão descobrira a área 2, fiquei um bom tempo acreditando que havia sido um trabalho de investigação policial: da área 1 ao ex-prefeito, do ex-prefeito à área 2. Poderia ter acontecido dessa forma, e eu seria um delator involuntário. Mas, está provado agora, não foi isso que aconteceu. Levei 34 anos para ter a confirmação de que houve mais gente nesse circuito e eu não passei do bode expiatório que estava mais à mão.

As conseqüências vieram em cascata – ruins para todos.

Desrespeitando o compromisso solene de não julgar o comportamento de seus militantes na prisão, negando-lhes o direito de defesa, a VPR me excluiu da lista de prisioneiros trocados pelo embaixador alemão em junho de 1970. Ou seja, já me haviam escolhido como culpado “oficial” da queda do campo de treinamento, ou para que fosse preservada a pessoa que realmente tinha culpa, ou porque, em liberdade, eu poderia expor e questionar os erros operacionais do Lamarca.

Como nunca fui ingênuo, intui o que estava ocorrendo. Para piorar, o seqüestro do embaixador foi executado a partir de um plano que a repressão já conhecia e por uma unidade da VPR (ajudada pelo MR-8) cuja existência eu e outros militantes presos conseguíramos ocultar dos torturadores. Os relapsos agentes do DOI-Codi devem ter sido chamados às falas por seus superiores e se vingaram em mim, passando a espancar-me independentemente dos interrogatórios – por pura vingança.

Transferido para a PE da Vila Militar, continuei sofrendo maus-tratos e acabei tendo o tímpano perfurado. Nessas condições, massacrado pela repressão e sentindo-me traído pelos companheiros, acabei aceitando participar da farsa do arrependimento em rede nacional de TV que me foi imposta pelo tenente Aílton Joaquim como condição para deixar de ser torturado e conservar minha vida.

Em setembro de 1970, um manifesto da VPR sobre os acontecimentos de Registro começou assim: “Delatada por Massafumi e Lungareti, a área de treinamento de guerrilha da VPR sofreu ataque das Forças Armadas…”. Dupla infâmia. A VPR, com certeza, sabia muito bem da minha inocência. Quanto ao Massafumi, coitado, não tinha absolutamente nada a ver com a história. As culpas foram jogadas nas costas de quem já estava na berlinda, pouco importando a verdade dos fatos.

O Massafumi saiu da VPR por não suportar o “militarismo”, a falta do “calor das massas”. Nunca mais o vi com vida, então baseio-me em relatos alheios (confiáveis). De família pobre, procurado intensamente pela repressão, passou dois meses vivendo como mendigo no Mercado Municipal de São Paulo. Finalmente, conseguiu uma “ponte” para consultar um antigo líder dele que já estava preso e foi aconselhado a entregar-se, sob compromisso de que não seria torturado nem teria de delatar ninguém.

Foi rapidamente colocado em liberdade, mas não reencontrou o calor das massas. Discriminado e ridicularizado nos meios que freqüentava, começou a enlouquecer. No final, preferia viver no litoral por acreditar que os pensamentos dele poderiam ser captados pela repressão; estando no nível do mar, ficaria a salvo dos telepatas da Capital. Acabou se matando.

Eu sobrevivi física e moralmente. Em 1986, travei uma luta desesperada para salvar a vida dos “quatro de Salvador”, cuja greve de fome acabaria em tragédia se um dossiê meu não tivesse chegado às mãos do ministro da Justiça Petrônio Portela. Em 1994, numa longa polêmica com Marcello Rubens Paiva nas páginas da Folha de S. Paulo, comecei a esclarecer o episódio de Registro. Solidarizei-me em artigo publicado no Jornal da Tarde ao Paulo de Tarso Venceslau quando ele foi injustamente expulso pelo PT. Lutei contra os favorecimentos praticados pela Comissão de Anistia, mas também defendi a essência desse programa da ofensiva da direita para implodí-lo a partir da má repercussão das indenizações milionárias. E, agora, pude finalmente esclarecer o que ocorreu em 1970.

Torço para que nunca mais um militante revolucionário seja estigmatizado sem direito a defesa, nem tenha de lutar tanto para resgatar seu nome e sua dignidade.

Celso Lungaretti

é jornalista

O Martini disse:
12 de dezembro de 2004 às 09:35

O texto só comprova uma regra, com honrosas excessões: toda revolução "engole" seus militantes e abre espaço para oportunistas. A francesa foi mais radical - degolou seus militantes!

Jose Antonio Schitini disse:
12 de dezembro de 2004 às 10:28

O país já está cansado de lamber o passado.
Deve ser da índole de qualquer um que se diga revolucionário ou, que queira mudar o sistema que adote o lema "doar sem esperar nada receber no momento ou no futuro" talvez os louros e reconhecimento moral já que o material não combina com o ideal.
Alguns morreram jovens e tinham ou lhes foi criado aura que nos chega até agora e ao que parece serão apontadas talvez em mais alguns séculos. Nessa categoria está "Guevara" ou mesmo "Lawrence da Arábia". Nem se diga que o último estáva a serviço de impérios coloniais e o primeiro não.
De um prisma ou outro, todos procuravam atingir um tipo de dominação do que entendiam ser a revelação do eldorado de um bem comum.

Apenas os chamados revolucionários brasileiros, a maior parte que não pereceu( já que ao que se revela foram poucos) , hoje alguns sentados no braço direito do governo, ou outros com grandes retornos em carreira política e mesmo intelectual, todos eles ou seus descendentes, com honrosas exceções querem reparações morais, leia se pecuniárias, de preferência ad aeternum, que um país já sobrecarregado de privilegiados que levam o futuro de gerações de miseráveis, ainda querem beneficiar os vencidos de então e vencedores de agora.

Naquela época meados dos sessenta e integra década de setenta, no auge da repressão, havia como recompensa a glória de ser rebelde. Ao que parece isso não foi suficiente e hoje temos sobreviventes dos anos rebeldes, já com a barriga avantajada, auferindo alguns quase cem salários mínimos, onde a maioria não tem nenhum.
Muitos desses contestadores do regime, procuraram as matizes romanticas para fazer a sua lenda, que só os iniciados conhecem, e se auto asilaram em Roma, Paris, ou seja no circuito da moda, na vitrine do mundo e hoje escrevem suas biografias, para poucos lerem já que o que temos no país é a miséria não só atingindo a mente como o corpo. Outros procuraram Londres e lá compuseram canções.
Canções não curam os doentes nem alimentam os esfomeados.
Nas batalhas há os vencedores e os perdedores. Muitos perdedores de ontem são os vencedores de hoje. Que esses vencedores não usem suas atuais vitórias, frutos de sua paciência, para obter vantagem e benefícios, num país cansado e exaurido de virtudes, que a maioria da população não tem.

Não se é contra a reparação para os necessitados. Aliás todos tem direito uma vez que vítimas do sistema.

Crie-se reparações para as vítimas da globalização!

Dr. Francisco Rodrigues disse:
12 de dezembro de 2004 às 11:18

Parabenizo o colega José Antionio Schitini. Mostra uma realidade que a maioria não não vê nem entende - ou faz de conta. Realmente, a sociedade como um todo é a grande vítima sem as devidas reparações: somente os que gritaram e gritam, com relatos dramáticos dignos de um romance épico, é que têm se saído bem, nos exatos termos do exposto pelo colega.
Com o devido respeito ao ilustre Jornalista, pode se afirmar que, de há muito, foi chegada a hora de virar a página da história

Marco Nunez disse:
12 de dezembro de 2004 às 19:22

Querido e sofrido Lungaretti,

Aqui vim a teu convite, e não irei comentar teu texto. Registro, sim, a satisfação de ver que o Márcio Chaer te deu um espaço com dignidade, pois comigo, como já sabem (até aqui postei, há tempos) comigo ele só fez "canalhice". Se aliou à grande-Mídia e ajudou a denegrir minha imagem, ao mesmo tempo que ele e um agente lá do sul, dos árabes, plagiavam coisas da minha lista e pages. E ao mesmo tempo, o Márcio me dizia que iria fazer um livro denunciando vocês todos, jornalistas. - Chorei mágoas? Nada, pois se a Justiça existir, ele, como torturadores em teu caso, ele e outros "torturadores da dor alheia e do trabalho intelectual de terceiros", eles ainda chorarão mais do que, um dia! - Parabéns e Felicidades, você bem merece!!! Meu Amigo.

CPS-Celso disse:
12 de dezembro de 2004 às 22:31

Gostaria que o articulista fizesse uma matéria específica e esclarecedora sobre as indenizações milionárias. Eu fiquei sabendo que o Dias Gomes, aquinhoado pela sorte de ser um dos melhores escritories de novelas teria obtido um salário mensal de R$ 12.000,00 (doze mil reais), só porque durante um tempo a Globo ou outras emissoras não o contratou.

Pelo menos eu, quando estudante ingressei no PCB tinha claro que poderia ser preso e torturado, mas me sentiria indigno de receber uma indenização por ter sido "molhado" por conscientemente ter entrado na "chuva".

CPS-Celso disse:
12 de dezembro de 2004 às 22:36

Em tempo: não sou contra o pagamento de estipêndio a quem absolutamente necessita e cuja situação foi provocada por justa ação em pról da sociedade, sendo vitima de indignidade que o levou a faltar o sustento, desde que absolutamente adequado.

CPS-Celso disse:
12 de dezembro de 2004 às 23:53

Marco Nunez, fale claro e nao por enigma. Já que está falando num espaço púplico esclareça. Voce esta mandando uma missiva enigmática ao articulista, que nós leitores não sabemos.

Alessandro disse:
13 de dezembro de 2004 às 08:20

Qual a diferença entre GUERRILHEIRO e TERRORISTA?!?!...
...acredito que nenhuma !!!!!!
Vamos parar com esta onda de "coitadinhos" pois, como foi muito bem dito:
Quem está na chuva é para se molhar!!!!

Paulo Gomes de Freitas disse:
13 de dezembro de 2004 às 09:34

Sempre defendi a pena de vida. Sempre que escrevi tentei defender as pessoas que cometiam crimes. Tentava ver o lado do criminoso e entender sua mente doentia. Entretanto, acredito que chegou o momento de aplicar a pena de morte no Brasil para quem comete crime doloso contra a vida e a pena de castração para quem comete estupro. Não estou sendo sensacionalista e muito menos perdi a esperança no ser humano. Mas estou triste, angustiado, ao ver que um assassino como o que matou friamente a jovem universitária do Lago Sul, Maria Cláudia Siqueira Del Isola, 19 anos. Quero que o caseiro que matou essa menina morra, pois não é possível uma pessoa desta pegar apenas uma pena de doze anos pelo assassinato e mais quatro pelo estupro. NÃO PODEMOS DESPREZAR A VTÍMA DESSA FORMA VINTE ANOS NO MÁXIMO DE PRISÃO PARA ESSA BANDIDO É POUCO!!! Ele merece a pena de morte. Chega de demagogia e vamos instituir a pena de porte para os crimes de latrocínio e para os crimes dolosos contra a vida.
Hoje estou triste, sem esperança com vontade de vingança. Já estudei várias teorias, mas vejo que a única que funciona é a pena de morte. Não gosto de bandidos e chegou a hora de mudar a nossa Constituição se as autoridades de hoje não conseguem aplicar tal pena que faça concursos e contrate novos juízes e promotores, estou magoado, pois alguém que NUNCA fez mal algum a qualquer pessoa morreu. Uma morte ingrata, por alguém que confiava. MEU DEUS quanta crueldade. Vou ser presidente um dia e quando for a primeira coisa que vou fazer é expulsar os funcionários da ONU e destituir a comissão de direito humanos que defende bandidos, que apoia esse assassinos.
Quero a pena de morte no Brasil já, por isso votarei e darei parte de minha mesada a todos políticos que querem defender tal pena.
De hoje em diante irei disputar todas a eleições do Diretório Estudantil e sempre irei defender a pena de morte neste país.
Morte já a todos os bandidos
Ou o Estado faça a vontade a maioria da população, ou a população fará justiça por si mesma.
Pena de morte para os bandidos já
Que Deus nos ajude!!
http://noticias.correioweb.com.br/ultimas.htm?codigo=2623685

Victor Sarfatis Metta disse:
13 de dezembro de 2004 às 11:28

A vulgaridade e a falta de vergonha do autor são enojantes!

Como guerrilheiro (= terrorista), que visava transformar o Brasil em ditadura comunista (Cuba, Canboja, etc), ele ainda se arvora em "coitado" e perseguido! É o cúmulo da inversão de valores. Se a "repressão", como ele se refere, se utilizava de métodos ilegais é algo que não justifica a carreira assassina do autor.

Lembre-se que seu companheiro, o "heróico" Lamarca nada mais foi do que um desertor e assassino a sangue frio. Lembro do caso de um tenente da PM paulista, que havia aceitado trocar de lugar com seus subordinados, feitos reféns pelo desetor e seu bando. Lamarca matou-o a coronhadas, por atrasar a fuga do bando.

Nesse período não houve heróis. A ditadura foi ilegal, mas a guerrilha terrorista tinha desígnios muito piores!! Comparem os 300 mortos pelo governo (dentre terroristas e subversivos comunistas) e os 200 mortos pelos "perseguidos" (dentre vigias de banco, policiais, pais de família, trabalhadores....).

Agora lembrem que o triplo disso foi fuzilada pelo Cubanos (modelos de inspiração dos guerrilheiros de então e de hoje, como o MST), só nos primeiros dias da Revolução!!

Chega de farsa! E um grande cala-a-boca ao autor, Celso Lugaretti: tenha vergonha!

Alex Wolf disse:
13 de dezembro de 2004 às 14:01

Sr. Celso Lungaretti: Quando a esquerda pegou em armas contra a ditadura, ela não o fez em nome da liberdade e da democracia, mas em nome de suas propostas de instauração de um regime totalitário no país. Um pouco de história não nos fará mal. Quando do chamado golpe de 1964, havia, sim, uma tentativa em curso de instalação de um regime de tipo comunista no Brasil. Embora essas ações estivessem se aproveitando das instituições democráticas vigentes, não é menos verdadeiro que o seu propósito consistia na abolição pura e simples dessas mesmas instituições. A sociedade vinha sendo convulsionada por atividades subversivas que acompanhavam os diferentes modelos comunistas nessa época vigentes, do soviético ao maoísta, passando pelas diferentes versões trotskistas, guevaristas, castristas, albanesas e outras. O zoológico ideológico era aterrador, sobretudo pelos crimes que ocultava. Acrescentemos, ademais, que a sociedade brasileira em geral clamava por uma participação militar, consubstanciada em apoios dos mais importantes e influentes jornais da época, além de representantes da Igreja e da sociedade civil em geral. Muitos dos que depois se tornaram críticos do regime militar quando do seu fechamento e da prática que então começou a corroer a própria instituição militar apoiaram, em nome da democracia e da liberdade, que se desse um basta a essas tentativas que se tornavam cada vez mais insurrecionais.
Os que hoje se apresentam como "combatentes da liberdade" nada mais eram que os representantes do totalitarismo. Que pretendam agora se colocar como vítimas é um contra-senso histórico, uma imoralidade, que se faz às expensas dos contribuintes que devem pagar vultuosas indenizações aos que tinham como propósito a eliminação da liberdade no Brasil. A guerrilha do Araguaia seguia uma orientação maoísta que tinha entre os seus ícones assassinos como o Secretário Geral do Partido Comunista da Albânia e Mao-Tse-Tung e seu grupo da China. De repente, surgem nos meios de comunicação novas notícias relativas à abertura dos arquivos com um propósito que não é apenas humano, concernente ao direito, por exemplo, dos familiares enterrarem os seus mortos, mas político, de desqualificação de toda uma instituição, no caso, das Foças Armadas. Da mesma maneira, não se fala dos assassinados pelos guerrilheiros, mas de indenizações polpudas de pessoas que vão muito bem, obrigado". (Denis Rosenfield). Crie vergonha na cara!

Zaira Pernambuco disse:
13 de dezembro de 2004 às 16:11

Como há gente mesquinha e ignorante no mundo... O articulista foi um gurrilheiro sim, possivelmente queria transformar o país numa didatura do proletariano, pegou em armas contra o regime, podemos até considerar que houve uma guerra, mas, por isso é justo que ele e vários outros tenham sido privados de seus direitos e torturados nos porões da ditadura?
Convenhamos, até prisioneiros de guerra tem direitos e os militares também não pensavam bem em democracia quando tomaram o poder e nele permaneceram a custa de mentiras, manipulações e repressão a toda a população por vinte anos!
Não havia santos ou democratas em nenhum dos lados, é certo, mas o Estado, que é o poder constituído, não deve se rebaixar ao nível daqueles que combate, pois senão a coisa toda descamba, como ocorreu.
Não é preciso ser a favor ou contra o regime militar, é preciso ser coerente.
Leiam os livros de Élio Gaspari da série "Ditadura" e depois reflitam, se continuarem achando que o regime foi bom e que tortura é um bom método de obter informações, então que Deus tenha piedade de suas almas...

Victor Sarfatis Metta disse:
13 de dezembro de 2004 às 16:28

Cara Zaira,
se um erro não justifica o outro, pq será q vc utiliza-se das ilegalidades praticadas pelo regime de exceção para justificar os atos do terrorista que escreveu o texto?

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
13 de dezembro de 2004 às 20:22

Engraçado, tudo o que foi narrado está acontecendo hoje.

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