Jornais de São Paulo contestam premiação de O Globo

Os jornais Folha S.Paulo e O Estado de S.Paulo contestaram em carta conjunta para a Esso Brasileira de Petróleo e para a RP Consultoria de Comunicação, responsáveis pela organização do Prêmio Esso de Jornalismo, os critérios que deram às reportagens de O Globo o prêmio deste ano.

A série contemplada, intitulada “Os homens de bens da Alerj”, relatou a variação patrimonial de 70 dos 113 deputados da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). As notícias foram assinadas por sete repórteres do jornal do Rio.

A reclamação é assinada pelos diretores de Redação da Folha e do Estado, Otavio Frias Filho e Sandro Vaia, respectivamente. Nela, eles criticam a composição do corpo de jurados do prêmio que “não é representativa do mercado editorial do país e tende a favorecer determinados grupos de mídia”.

Frias e Vaia também afirmam que a estrutura atual do prêmio “conspira contra a análise do mérito jornalístico dos trabalhos” concorrentes. Alegam estarem inconformados com “os atuais processos de funcionamento do prêmio e sugerem a discussão de mudanças substantivas para que a premiação recupere o grau de excelência” que imaginam ser também o objetivo da companhia”.

Notícia publicada nesta quinta-feira (16/12) na Folha destaca declaração de Otávio Frias, de que “existe a percepção, em São Paulo e em outros centros importantes do país, que a premiação está por demais sujeita a pressões da mídia estabelecida no Rio”. Já Vaia declarou ter “informações reiteradas da existência de sistemas viciados de votação, que acabam provocando resultados distorcidos”.

O diretor de redação de O Estado de S. Paulo informou ainda que já teria alertado os organizadores do prêmio para a necessidade de que “seja estabelecido o equilíbrio entre a mídia de todas as regiões do país”.

Outro diretor de redação, Eurípedes Alcântara, da revista Veja, acusou o prêmio de “falta de credibilidade” e disse que “não acrescenta nada ao trabalho jornalístico dos nossos repórteres”. As razões seriam “a fraqueza do júri” e a “fraqueza dos critérios”, além da “falta de transparência”. A Veja não participa da premiação.

Em resposta, o diretor da RP Consultoria, Ruy Portilho, disse que o Prêmio Esso vem alterando sua sistemática de julgamento, tendo separado a comissão de seleção da comissão de premiação. Ele declarou ainda que, “se dúvidas persistirem ou sugestões de aperfeiçoamento forem apresentadas”, elas serão examinadas com vistas ao seu esclarecimento e acolhimento.

Este é o terceiro ano seguido em que O Globo é contemplado com o prêmio na categoria principal. O jornal recebeu também outras três premiações, consagrando-se o maior vencedor da noite. A série de reportagens “Morte anunciada: Paraíba do Sul agoniza”, venceu na categoria Regional Sudeste, o caderno “Órfãos da violência” recebeu a premiação de Criação Gráfica – Jornal e a seção “Defesa do Consumidor” recebeu a premiação de Melhor Contribuição à Imprensa.

Foi uma grande surpresa a não premiação da reportagem sobre o caso Waldomiro Diniz feita pela revista Época.

Maria Lima Maciel disse:
17 de dezembro de 2004 às 17:31

Sim, senhores!

acabo de instituir o PRÊMIO SANATÓRIO GERAL, e a ganhadora é a revista Época. O critério para a premiação, justíssimo e claramente aferível, é o seguinte: o PRÊMIO SANATÓRIO GERAL vai para o órgão de imprensa que, em razão da preocupação com a corrupção, sob todas as suas formas - o mal que assola o Brasil, desde que Cabral botou suas tamancas por aqui - 'ganha, mas não leva'.
À primeira ganhadora de tão honroso Prêmio, deixo a letra que o explicita, fruto do gênio Chico Buarque, orgulho do Brasil:

VAI PASSAR

Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Esta noite vai
Se arrepiar
Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada da memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa Pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais

E um dia, afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O carnaval , o carnaval (vai passar)
Palmas pra nossa ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear

Ai , que vida boa, olerê
Ai , que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai, que vida boa, olerê
Ai , que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral
Vai passar

Sandro Angelo Vaia disse:
20 de dezembro de 2004 às 14:12

Para esclarecer:
A carta minha e de Otavio Frias Filho
foi enviada à Esso e à RP Consultoria de Comunicação 24 horas
antes do anúncio do resultado do Prêmio Esso de 2004.Portanto,nada tem a ver especificamente com o prêmio concedido ao jornal O Globo ou a qualquer outro prêmio concedido este ano.É um questionamento a respeito de critérios aplicados pelos organizadores do Prêmio no decorrer destes últimos anos.
Sandro Vaia
Diretor de Redação de O Estado de S.Paulo

Ivson Alves disse:
20 de dezembro de 2004 às 14:19

1. Para Observador Atento

Os jornalistas que ganham se importam porque o prêmio é um reforço e tanto para seus magros orçamentos. O pessoal do mkt das empresas também se importam muito porque podem usar a láurea como atestado de excelência do "produto".

2. Para Sandro:
"existe a percepção, em São Paulo e em outros centros importantes do país, que a premiação está por demais sujeita a pressões da mídia estabelecida no Rio".

Caramba, cara! Além de bom jornalista, você vidente também? :)

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também