Juiz que pendurou espelhos em fórum é considerado normal

Após ser examinado pelo Sistema Estadual de Perícia Médica, o juiz José Carlos de Souza, titular da 2ª Vara Cível de Dourados (MS), foi considerado “lúcido de consciência” pelos peritos. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a avaliação por desconfiar do comportamento do juiz. Souza pendurou espelhos em seu gabinete, imaginando refletir a Justiça, e fez um relatório de correição, onde apontou falhas no cartório da vara em que atua. A informação está publicada na reportagem especial do jornalista Percival de Souza, no jornal Tribuna do Direito (www.tribunadodireito.com.br).

No relatório, o juiz mencionou “tráfico de influência; falta de profissionalismo de juízes e funcionários; que os juízes só estariam preocupados com seus vencimentos e que, apesar de serem honestos, na maioria, não saberiam a que vieram”.

Segundo a representação feita pelo desembargador Atapoã da Costa Feliz, corregedor de Justiça de Mato Grosso do Sul, o relatório do juiz parecia “preocupante”. Ele considerou “prudente a reavaliação quanto a sua inteligência e capacidade mental”.

Na representação, afirma-se que o juiz “demonstrou estar obcecado por idéias fixas, cultuando espelhos no fórum, nos quais quando se olha, alega que vê a Justiça”. O juiz foi afastado de suas funções e submetido a uma série de exames psicológicos.

Após os exames, os peritos chegaram a conclusão de que “o juiz encontra-se bem orientado no tempo, no lugar e em suas relações com as pessoas do ambiente”. Eles afirmaram que o juiz não apresenta sinais ou sintomas de transtornos mentais e de comportamento. Portanto, “não existe nenhum motivo que o impeça de exercer suas atividades profissionais”.

Desde dezembro, o laudo está em poder do TJ-MS. Foi encaminhado originalmente ao desembargador relator Claudionor Miguel Abss Duarte. Agora, o TJ-MS deve apresentar uma conclusão formal para o caso.

Robson Reckziegel disse:
04 de fevereiro de 2004 às 18:13

me assustou a noticia de que um tribunal requer exame de sanidade para alguém que demonstra tanto empenho pela justiça e pelo bom funcionamento da mesma.
de um lado, afasta-se da função um juiz que tenta diminuir a currupção e a falta de profissionalismo e de outro temos exemplos juizes que exercendo sua função apresentam sinais muito mais evidentes de problemas mentais...

Maria Lima disse:
04 de fevereiro de 2004 às 18:49

É duro: vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade de vencimentos, e... "despersonalização". A "dignidade da função" equivale a algo como a inscrição, na porta do "Inferno", de Dante: "Abandonai todas as esperanças, ó vós, que entrais".
O relato do juiz é longo, e aborda aspectos sérios relativos à atuação de servidores.
Mas, a história do "espelho", é que incomodou.
É preciso ser cego, surdo e mudo, para ser juiz.
Ora, o importante era saber se o juiz falou verdades, em relação às graves imputações feitas aos serventuários da justiça, em seu "relatório" (só no texto acima, duas delas, penalmente tipificadas); saber do teor de suas sentenças, de seu comportamento com as partes e os advogados.
E, se era bom juiz, aceitar-se que pusesse espelhos onde bem entendesse, o que, em si, não é mal algum.
Conheci e conheço pessoas maravilhosas (juízes, inclusive), que, sob uma ótica mais rigorosa de, digamos, aquele "verniz" de infalibilidade, impessoalidade, despersonalização, de uns, em nome da deificação de outros, são "peixes fora d´água".
Espero que, ao fim de tudo, o juiz possa receber uma bela e merecida indenização por dano moral.
Vou esperar.
Maria Lima

Helder B Paulo de Oliveira disse:
04 de fevereiro de 2004 às 20:43

Juiz cego mudo e surdo soa mais estranho que colocar espelhos no fórum, ou no gabinete, ou na sala de audiências, para ser enxergar a procurada justiça...hehe... mas que é engraçado é.

Luís Eduardo disse:
04 de fevereiro de 2004 às 23:12

Meu Deus do céu!
Em mais de 17 anos no meio jurídico esse Juiz José Carlos de Souza, se a mania for só se olhar nos espelhos e se ver como a Justiça, é o mais lúcido que eu tomei conhecimento.
A maioria dos juízes pensam que são "Deus" na terra, e nem por isso são submetidos a exames psicológicos.
Deixem o Magistrado trabalhar!

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