Filha de Bellini quer transferência de delegado preso na PF

Bruna, filha de José Augusto Bellini, em nome da família, procurou a revista Consultor Jurídico para dizer que o delegado federal está sendo mantido preso com a sua saúde deteriorada, em estado grave, mas que a Justiça despreza o fato. Em carta enviada a este site, Bruna diz que seu pai não tem tido o mesmo tratamento que outras pessoas presas nas mesmas condições de acusação tiveram quando na custódia da PF — como, por exemplo, o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto.

Na carta afirma-se que a juíza no comando do caso Anaconda, Therezinha Cazerta, estaria fazendo vista grossa às solicitações da família. “A Sra Desembargadora está passando por cima da dignidade e do direito de um ser humano”, diz. A desembargadora, contudo, baseia-se no parecer dos médicos que fazem o acompanhamento dos presos.

“Perguntamos: o que querem que ocorra? Uma morte na custódia da PF? O que querem criar, um “depositário para todas as culpas”? Sim, porque o quadro é de assassinato gradual-proposital. Sucessivas vezes foi solicitada a transferência dele para um local onde possa ser cuidado, assistido em suas questões físicas e psicológicas”, afirma.

A família atribui as condições em que Bellini se encontra, bem como o seu envolvimento com uma quadrilha acusada de vender sentenças, a uma recidiva de álcool, que se arrastaria há anos.

Bellini era um ícone na Polícia Federal. Fez nos anos 80 as maiores apreensões de cocaína da América Latina. Tanto que em 1988 recebeu uma capa do Caderno Cidades, da Folha de S. Paulo, em que a jornalista Júnia Nogueira de Sá o chamava de “o Elliott Ness brasileiro”, em referência ao implacável e incorruptível agente da série “Os Intocáveis”. Depois de angariada essa fama, Bellini foi secretário da segurança pública do Espírito Santo.

Nos anos 80, Bellini comandou uma equipe conhecida como “os meninos de ouro do combate ao pó, em São Paulo”. Entre seus comandados estavam, por exemplo, o atual superintendente da PF no Rio de Janeiro, Roberto Precioso Junior — para quem o juiz Nicolau resolveu se entregar; o atual presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Francisco Carlos Garisto — único policial federal do país com 42 elogios em seus registros funcionais; e o ex-porta-voz da PF paulista, delegado Gilberto Tadeu Vieira Cezar, que chegou a morar em Nova York para combater os cartéis colombianos, conectados à máfia italiana e com conexões no Brasil.

Leia a carta da família Bellini

Tomando conhecimento da existência do endereço www.consultorjuridico.com.br, resolvemos escrever para fazer o que poderia ser chamado de “denúncia” ou então de “solicitação de orientação” ou talvez de “pedido de ajuda”, visto que os canais legais encontram-se absolutamente “surdos e mudos”.

Trata-se da situação em que se encontra um homem com mais de 34 anos de serviços prestados ao Departamento de Polícia Federal. Um homem que ajudou a dar lastro e elevar o nome do DPF nacional e internacionalmente, o que, certamente, encontra-se documentado na instituição e na mídia.

Trata-se do Dr. José Augusto Bellini, que no transcorrer de sua caminhada, por motivos que não cabe descorrer aqui, mas que esbarram na natureza do trabalho que sempre desenvolveu, acabou por se tornar um dependente químico do álcool, o que veio agravar, grandiosamente a sua condição de portador de diabetes. Uma doença que solapa silenciosamente, mexe com o metabolismo, altera o estado emocional, debilita e mata, caso não seja tratada a contento.

Como todos sabem o Dr. Bellini, encontra-se a mais de 100 dias na custódia do DFP-SP. Dizem os advogados que ilegalmente, visto que leis óbvias estão sendo desrespeitadas, o que também acreditamos pois vemos assassinos confessos soltos, em liberdade, esperando julgamento, porém não é este o foco deste texto. O Dr. Bellini está sendo solapado física, mental e emocionalmente. Vários laudos médicos foram encaminhados a Sra. Desembargadora que insiste em não ouvir ou respeitar os pareceres e o direito humano à vida.

Perguntamos: o que querem que ocorra? Uma morte na custódia da PF? O que querem criar, um “depositário para todas as culpas”? Sim, porque o quadro é de assassinato gradual-proposital.

Sucessivas vezes foi solicitada a transferência dele para um local onde possa ser cuidado, assistido em suas questões físicas e psicológicas.

A Sra Desembargadora está passando por cima da dignidade e do direito de um ser humano.

Não sabemos mais a quem recorrer; a cada visita, de um mês para cá, as condições visivelmente pioram, sendo que há uma semana ele não conseguia levantar o talher para colocar a comida na boca, não conseguia levantar da cadeira, não podia se locomover, tendo que se arrastar apoiando-se na parede, estava com o rosto e as mãos com manchas avermelhadas e chorava seguida e convulsivamente, num estado lastimável.

Apelamos ao Consultor Jurídico para nos orientar: que canais podemos acionar? Que outro caminho poderíamos trilhar? Isso pode estar acontecendo?

O Dr Bellini tem ou não o direito a essa assistência? Onde fica o direito à vida? Agradecemos o espaço e esperamos aflitos um parecer, uma orientação, uma ajuda.

Obrigada

Bruna, em nome da família Bellini

Marco disse:
14 de fevereiro de 2004 às 09:52

Para início de conversa, esse cidadão jamais deveria ser chamado de doutor... doutor em quê, pergunto eu... só se for em "planejamento estratégico em estupro à cidadania."
Um policial corrupto, que, sabe-se lá quantas vezes prejudicou inocentes para atingir objetivos ilícitos, clama agora por direitos??? Quais direitos???
O Brasil ouviu estarrecido às gravações onde ele (Belini) e o Rocha Mattos trocavam informações típicas de bandidos da pior espécie...
A familia do Belini tem que entender uma coisa:
Ele (Belini) está sendo tratado como merce. Lugar de bandido é na cadeia!!!
Parabéns à Sra. Dra. Desembargadora!

Edith Roitburd disse:
14 de fevereiro de 2004 às 16:47

Edith - aadvogada

Sr. Marco: o Sr. está igual a Da. Gloria Peres, nunca fez campanha em prol da filha de ninguem que tivesse morrido nas condiçoes que a dela morrreu.
Nunca se sabe o que pode acontecer conosco ou mesmo com alguem de nossa familia.
Atirar pedra é facil. Mas nao se deixe levar somente pelo noticiario jornalistico, procure saber o que está inserido nos autos.
Alem do mais, que nós saibamos, a pena de morte ainda nao foi instituida no País.
Nao julgueis para nao serdes julgados!!!

Antônio José Teixeira Soares disse:
14 de fevereiro de 2004 às 18:12

A desonra, que o "ELLIOTT NESS BRASILEIRO" teve para com o Dep. de PF. tira-lhe toda e qualquer pré-rogativa de elogios que tenha tido no passado, ou a sua família penssa realmente que ele é um dos "INTOCAVEIS"???
AS LEIS DEVERIAM TER SUAS PENAS DOBRADAS, qundo tratar-se de agente público ou alguém que fosse incubido de cúmpri-las ou mante-las só assim talvês tivessimos a justiça feita na sua integra.
Por ventura a filha do acusado não sabe como vive a maioria dos condenados doentes desse Brasil???
Deveria saber! parabens! Desembargadora, pela sua firmeza, o povo brasileiro urge por medidas desta natureza mostrando que nem tudo está perdido.

Renato Silva de Almeida disse:
14 de fevereiro de 2004 às 19:56

A desisão da Desdra. Therezinha Cazerta está certissima. Me solidarizo com a família do Sr. Bellini, porém ainda que haja comoção, a justiça tem que ser cumprida independentemente de questões emotivas. O Sr. Bellini, pelo comportamento conivente e servil ao crime organizado deve continuar preso. E repito as palavras do Sr. Marco Moresi: Lugar de bandido é na cadeia!

André Luiz Santos Britto disse:
15 de fevereiro de 2004 às 17:22

Não importa o que o Sr. Bellini fez ou deixou de fazer, até mesmo porque ele ainda não foi julgado sob o crivo do contraditório. Não se deve olvidar que o princípio da dignidade da pessoa humana encontra-se no vértice de nosso ordenamento constitucional, assim se as afirmações de sua filha forem verdadeiras e comprovadas por laudos médicos, impõe-se reconhecer-lhe o direito a assistência médica devida. Ademais, a própria Lei de execuções penais, aplicada também aos presos provisórios, dispõe que o preso tem o direito a assistência à sua saúde, não sendo lícito ao Estado, através de seus agentes, descurar desse dever.

Valdecir Trindade disse:
15 de fevereiro de 2004 às 18:59

Outro dia já me manifestei a respeito de condições carcerárias. Foi em relação a ex-mulher do Juiz Rocha Matos. Segundo seus advogados ela estava custodiada em ambiente degradante e desumano. Francamente sou contra a dupla pena. O acusado, que se encontre sob prisão preventiva ou o condenado que se encontre cumprindo pena não pode ser tratado como um animal. Ainda que infrator é nosso semelhante, e como tal merece ser tratado com dignidade e respeito. Ou será que devemos fazer letra morta do mandamento constitucional inserto no artigo 5º, XLIX - É ASSEGURADO AOS PRESOS O RESPEITO À INTEGRIDADE FÍSICA E MORAL? Concito, pois, a filha do Dr. Belini a prosseguir em sua luta pelos direitos de seu pai, independentemente dos percalços que irá enfrentar. J.Flósculo da Nóbrega já lecionou um dia: "O direito é filho da luta e só poderá ser mantida pela luta. Àqueles que não tiverem disposição para lutar por seus direitos não são dignos de merecê-los. Há mais dignidade num animal que luta por sua liberdade que num homem que se resigna sem protestos diante de uma injustiça".

Valdecir Carlos Trindade
Advogado em Londrina/Pr

Antonio da Costa disse:
16 de fevereiro de 2004 às 09:01

Certamente, por ser policial ha mais de 34 anos como afirma a subscritora da carta, ele tinha mais do que conhecimento das condiçoes carcerárias brasileiras. Ainda assim ele debandou para o lado do crime, em total prejuizo para a sociedade. Alguma vez ele interfiriu para que algum preso tivesse outras melhores condiçoes. Na verdade ele sempre se utilizou da condiçao de policial para se enveredar para o crime, onde, certamtne, amealhou seu patrimônio. Primeiro ele deveria devolver o que ganhou de maneira ilicita para a sociedade, para depois pleitear lago. Ele sempre contou com a inimputabilidade própria dos homens que mandam e desmandam neste país para alcançar seus objetivos ilicitos. Antes de termos "pena"dos criminosos, vamos cuidar dos doentes de maneira digna; do povo verdadeiramente honesto e trabalhador. Estes sim, têm que ter preferência para uma vida melhor. Se sobrar alguma coisa, ai sim, cuidaremos da escória.

Alphalux disse:
16 de fevereiro de 2004 às 17:24

O interessante é que, da mesma forma que o sr. Nicolau "Lalau", o Sr. Bellini tb adoeceu quando estava devidamente encarcerado... O mesmo aconteceu com Jorgina de Freitas - uma das maiores advogadas e ladra de benefícios do INSS de que este país já teve notícia - pois foi espalhado que ela desenvolveu uma grave neoplasia. Não me recordo em qual regime a dita cuja está presa, é verdade... Mas, o que estou querendo dizer com isso ? Quando tais "distintos" cavalheiros e a dita cuja madame supra citada resolveram roubar milhões e milhões dos cofres públicos e enganando a nós, povo brasileiro, parece que, nestas ocasiões, a doença não os incomodava. E agora querem misericórdia a troco de quê ??? Ora, que morram apodrecendo na cadeia ! Que colham o que plantaram !!! DIREITOS HUMANOS PARA OS HUMANOS DIREITOS !!! Quanta gente honesta e trabalhadora, cumpridora de seus deveres, não foi prejudicada por estes três marginais e vcs ainda querem "Direitos Humanos" para eles ??? Francamente!

Edvaldo Noronha Heltz disse:
17 de fevereiro de 2004 às 02:50

Bruna,

Não desanime, nem se desespere com alguns comentários (de alguns vestais, santos) inseridos nesta página.
Sugiro que procure, pela internet mesmo, alguns sites referentes a proteção de direitos humanos, inclusive internacionais, e faça sua representação.

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