O filme “Caso dos Irmãos Naves” foi exibido, no Clube Alto de Pinheiros, em São Paulo, na noite de sexta-feira (13/2). O longa brasileiro — assistido por estudantes e advogados — foi comentado por José Tadeu Picollo Zanoni, juiz da 1ª Vara Cível Central de São Paulo.
A história narrada no filme é real e aconteceu em 1937, na cidade de Araguari (MG). Benedito Pereira Caetano teria fugido com dinheiro equivalente a uma safra de arroz. Os irmãos Joaquim e Sebastião Naves, sócios e primos do fugitivo, denunciaram o caso à Polícia. Os irmãos, então, passaram a ser acusados de latrocínio.
Durante meses, eles foram torturados e acabaram confessando um crime que não cometeram. Ambos foram condenados pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais e cumpriram pena de oito anos. Até que, em 1952, Caetano reapareceu vivo.
Segundo o juiz, o filme deve ser visto por jurados pela lição de moral e também pelo público em geral “porque mostra a justiça brasileira como ela realmente é”.
“Estamos acostumados aos julgamentos americanos por causa do cinema. O filme é bom porque mostra o júri dentro da nossa realidade. Além disso, mostra bem o lado do advogado”, disse Zanoni.
Para ele, o caso é “o maior erro do Judiciário do país”. Segundo o juiz, atualmente, essa cena não se repetiria jamais. “Para haver latrocínio, é necessário a presença de um corpo. No caso em questão, a polícia não encontrou o corpo. Sem isso não há crime. Não imagino um processo como esse nos dias de hoje”, afirmou.
De acordo com o juiz, não há estatísticas de quantos erros judiciários acontecem por ano no Brasil.
O filme tem o roteiro de Jean-Claude Bernardet e direção de Luís Sérgio Person. Os atores do longa são Anselmo Duarte, Juca de Oliveira e Raul Cortez. “Caso dos Irmãos Naves” foi considerado o melhor filme quando houve o lançamento. Em 1972, fez sucesso em Nova Iorque.
Dizer que este caso é uma excessão e que o equivalente não ocorreu ou ocorre em outros casos é justamente ignorar a mensagem que o filme brilhantemente traz.
A tortura para obtenção de confissões em inquéritos policiais infelizmente é tão comum que os operadores do direito até já a acham normal e raramente desconsideram as confissões assim obtidas.
Os naves tiveram é sorte de a vítima ter aparecido viva.
O prblema para assistir a este filme é que não está disponível em nenhuma vídeolocadora. Onde encontrá-lo, então?
O filme exibido encontra-se para locação na 2001 (Av. Sumaré, Av Paulista e Pedroso de Moraes). É um VHS do tempo da Globo Vídeo.
Ninguém disse que casos como o do filme não aconteceram. Tanto aconteceram que o filme, feito de forma brilhante, permite a perpetuação daquele drama na tela. O problema da tortura continua existente e sendo enfrentado. O caso em si, em que dois irmãos foram processados por um latrocínio no qual não havia cadáver, em que foram eles que comunicaram o "desaparecimento" da vítima, em que eles foram absolvidos duas vezes pelo Tribunal do Júri, mas isso foi reformado pelo Tribunal de Justiça, é praticamente impossível ser repetido hoje em dia. Isso foi salientado nos comentários feitos ao filme.
Os Naves tiveram sorte da "vítima" ter aparecido, diz o Dr. Ricardo. Quando isso aconteceu eles já estavam no gozo de liberdade provisória. O irmão sobrevivente recebeu uma indenização de onze milhões de cruzeiros por conta da prisão indevida. Ele mesmo disse, como aparece no finalzinho do filme, que não voltaria para a cadeia (e quem voltaria?) para receber a indenização. A indenização foi apenas uma pequena compensação para cerca de quinze anos de injustiça.A rigor, não tem dinheiro que pague o dano a eles causado, com a tortura de esposa e mãe, que também foram detidas ilegalmente, para obtenção de confissões.
Caro Dr. José Tadeu Picolo Zanoni,
Em primeiro lugar quero agradecer a gentileza pela informação de que o filme poderia ser alugado na 2001. No entanto, depois de ter procurado pela Internet no site da 2001 e não ter encontrado, liguei para a loja da Av. Sumaré e fui informado de que eles não possuem o filme, pelo menos com o título "Caso dos Irmãos Naves", será que o título é esse mesmo?
Antecipadamente peço escusas por importuná-lo.
Minhas respeitosas considerações,
(a) Sérgio Niemeyer
Um caso brutal.
Pensar no caso, saber como tudo ocorreu, é algo que mexe com a alma, despertando sentimentos de piedade para com as vítimas, e revolta, irresignação, em relação aos seus algozes.
Certamente, é um fato que enluta nossa Justiça e nossa Nação.
Os irmãos Naves eram simples, gente da roça; este dado deve ter sido causador de maior sofrimento, pois não entendiam o que estava acontecendo.
Hoje, no entanto, o tenebroso episódio é lembrado por pessoas cultas, ricas e poderosas, quando são indiciadas em inquérito policial, ou rés em processo-crime; tenho dó dos Juízes criminais - no Júri -, obrigados a ouvir uma infindável arenga: os Naves, Sacco e Vanzetti, o caso isto, o caso aquilo...
São casos de sanha injustificada, perseguição e vontade de condenar, único objetivo do "processo".
...
O réu inocente e o mau Juiz:
Disse o réu inocente para o mau Juiz:
"Excelência, jamais fiz mal a alguém; jamais matei uma mosca, sequer".
Disse o Juiz: "Por isto, condeno-te! A mosca que deixaste de matar matou de peste milhares de pessoas!".
(Edgar Allan Poe, "Maravilhas do Conto Fantástico" Ed. Cultrix).
...
Felizmente, hoje, não é preciso temer um processo-crime (o inquérito policial é outra história).
Muitas vezes, o réu tem o DEVER (para com a sociedade) de deixar-se processar.
...
Que nunca mais sejamos aviltados em nossa condição de seres humanos, com ocorrência de tão irreparável crime, em que as vítimas foram os irmãos naves - e, por extensão, e por óbvio, toda a sociedade.
Maria Lima
Moro em Araguari, e conheço bem o Caso dos Irmãos Naves, e considero o pior e mais grosseiro erro do judiciário brasileiro. Infelizmente ainda acho que erros grosseiros ainda existem atualmente no BRasil, talvez em proporção menos divulgada.
Atualmente os descendentes dos Irmãos Naves nem ao menos são lembrados e reconhecidos em Araguari.
É simplesmente, lastimável
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