É esta para pedir o desembranhamento do documento

Morte morrida

“Assim, requeiro a expedição de formal de partilha para comprovar ao de cujus que faleceu”. (De uma petição em inventário de bens, na comarca de Florianópolis).

Substantivo raro

“É esta para pedir o desembranhamento do documento”. (De uma petição em ação revisional, na 7ª Vara Cível de Porto Alegre).

Direito de ir e vir

“O presidente subseccional está me perseguindo e porque não gosta de mim, acha que eu não posso mudar de endereço. Tenho o direito de vir e ir”. (De uma petição de advogada, em Subseção da OAB/RS, cujo presidente estranhou que uma profissional da Advocacia – que está respondendo a processo ético – tivesse mudado de endereço seis vezes, em 12 meses).

*Pérolas Processuais são produzidas pelo site Espaço Vital – www.espacovital.com.br

Marco Antonio Birnfeld

é advogado, editor do site Espaço Vital e articulista da revista Consultor Jurídico.

Cirovisk disse:
09 de julho de 2004 às 12:20

Mais de 80% de reprovação para a prova da OAB/SP
No restante do Brasil nao esta diferente.

Esta aí a prova de tanta reprovação.
Culpa do governo e MEC na proliferação de faculdades de direito no país que aprovam o curso mesmo sem o consentimento da OAB.
Nem queiramos saber quem esta ganhando com isso...

Celso Santina disse:
09 de julho de 2004 às 13:06

Infelizmente, o colega Dr. Ciro tem razão, pois tenho colegas Advogados que concluiram o curso em 1997 e até agora não conseguiram passar no exame da OAB/SP.
Acredito na força da Ordem dos Advogados para melhorar esse quadro.
Srs Governantes, sem estudo e bom senso não se chega a lugar nenhum!!!

Spartacus disse:
09 de julho de 2004 às 14:39

Outro dia ouvi de um advogado que essa "é uma luta em vã" (sic), ao que respondi jocosamente que “nenhuma luta será em vão se for travada em campo aberto, mas dentro de uma pequena ‘van’ certamente seus reflexos se não farão sentir pelo resto da sociedade.” E ele insistiu: "eu continuo achando que não vale a pena participar de uma luta em vã"(sic).
Confesso que tive vontade de ensiná-lo que "em vão" é locução adverbial e por isso invariável, embora "vão" possa ser classificado tanto como substantivo quanto como adjetivo, hipótese esta em que admite variação pelo gênero para concordar com o substantivo a que se prende. Mas contive-me pois o colega poderia sentir-se humilhado e pensar-me arrogante, o que foi suficiente para dissuadir-me da idéia de correção.
(a) Sérgio Niemeyer

Juacilio Pereira Lima disse:
09 de julho de 2004 às 20:42

Meu comentário é curto. Os Drs. que comentaram anteriormente estão cobertos de razão; é isso mesmo o nível é muito baixo, não só dos professores, mas, muito mais dos alunos. O intelecto é baixo e o conhecimento geral ou social é quase nenhum, a não ser quando o mesmo se trata da violência no RJ.

JB. disse:
10 de julho de 2004 às 23:10

O desembranhamento dos documentos realmente é hilário. Não daria nem mesmo para alegar simples erro de digitação. Quanto ao comentário do Dr. Sérgio Niemeyer, respeitosamente discordo da expressão "resto da sociedade". Referindo-se a seres humanos, o uso da palavra "resto" não cai bem. Melhor seria dizer: "os demais membros da sociedade", "as demais pessoas"....

Maria Lima Maciel disse:
14 de julho de 2004 às 22:15

Advogados que não sabem escrever são tragédia indizível. Nosso instrumento de trabalho é nosso idioma. Temos que verbalizar a dor moral de nosso cliente, de tal forma, que o juiz, se não se emocionar, a sinta plausível, pelo menos; temos que minorar, quanto possamos, a dor da parte contrária; arrazoar, articular, sintetizar. Nosso idioma é muito difícil, e, infelizmente, nem todos os que advogam puderam ler Machado de Assis - quem dera escrever uma linha igual a ele! Só me conformo porque o Dalton Trevisan passou a vida tentando, e também não conseguiu.***Mas, há um outro lado, o do comportamento do advogado. Certa vez, fiz uma audiência em Registro/SP; a causa era simples, prova robusta, a lei aplicável aos fatos, inequívoca; do contrário, eu teria optado pelos memoriais, escritos, o que sempre faço; enquanto eu falava, no debate final, o advogado da parte contrária ficou de pé, e, firme na voz, dirigiu-se ao juiz: "Eu protesto!!!"
Esperei ele se acalmar, continuei. O juiz, impassível e respeitoso. "Eu não sei o que isto quer dizer/e aconteceu comigo" (Fernando Pessoa).
Não foi ignorância, ou excesso de filme americano; foi de uma pureza tal, que nunca esqueci; lembro-me com ternura daquele advogado, de seu comportamento inusual - o momento me pertencia -.
E há outros casos, e outros...
Maria Lima

Maria Lima Maciel disse:
14 de julho de 2004 às 22:19

FLOR DO LÁCIO

JÁ corrigindo, antes que o façam...
Não foi ignorância, ou excesso de filme americano; foi de uma pureza tal, que nunca esqueci; lembro-me com ternura daquele advogado, de seu comportamento inusual - o momento me pertencia.
E há outros casos, e outros...
Maria Lima

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