*Texto do verbete “Medalhão”, extraído da Enciclopédia Jurídica Soibelman, cuja versão em CD-ROM pode ser adquirida no site www.elfez.com.br
Medalhão. Figurão. Homem que atingiu importantes posições e cujo nome por si só é capaz de abrir portas com mais facilidades que outros, profissional liberal cujo renome é maior que o mérito real de que dispõe.
O medalhão, até chegar a ser, em geral deu muito duro, estudou, trabalhou, fez: concursos, foi ambicioso, e depois de atingir grandes posições e grande reputação, deixou de estudar, deixou de se atualizar, e passou a confiar única e exclusivamente nas suas próprias opiniões. O foro está cheio deles, advogados, professores universitários e magistrados.
Os professores universitários, quando medalhões, em geral advogam pessimamente, pois pensam que impressionam a todos porque subscrevem uma petição mal feita, e não têm em geral a mínima idéia das tricas e futricas da vida forense. Podem impressionar muito ao cliente, mas muito pouco ao juiz ou ao adversário. Anda que nem um pavão, sorri benevolamente quando alguém tenta discutir com ele, assoalha que a causa X não devia estar nas mãos de fulano, mas “aqui nas mãos do professor”. Conheci um, grande professor de direito penal, que não conseguia mais de trinta anos de cadeia para o réu que defendia, porque a lei não permite mais, pois do contrário, ele conseguiria sem dúvida alguma, não fazia por menos.
Não nos devemos impressionar quando enfrentarmos um tipo desses, deixe para ele a oportunidade de pavonear-se nos autos ou fora deles, conteste pura e simplesmente o seu pretenso saber enciclopédico, cite tanto quanto ele, e nunca se fie na honestidade das citações que ele faz, porque em geral acham que os outros não conhecem nada e deturpam os autores, certos de que ninguém vai conferir. Utilize todos os recursos processuais, porque é em matéria de prática processual onde o medalhão se afunda.
Dê todas as oportunidades a ele de sustentar uma nova tese, que infalivelmente ele vai sacrificar o interesse de seu cliente ao brilho da tese que vai desenvolver. Se for autor de livro, ataque-o com o próprio livro, pois é comuníssimo esquecer o que escreveu, para sustentar a tese contrária. Dê oportunidade a todos eles de satisfazer a vaidade pessoal, e terá toda a chance de levá-los a lutar no terreno que lhes é contrário. Não tenha o mínimo receio de aceitar causa cujo adversário é patrocinado por medalhão.
O medalhão se considera um dono do assunto, o que é uma grande ilusão, porque, com esforço, interesse, estudo e paciência, qualquer pessoa medianamente preparada, consegue atingir o mesmo conhecimento da matéria. Um velho medalhão me disse uma vez: “O meu sucesso se deve a que dez por cento dos meus adversários eram estudiosos, noventa por cento não sabia nada e quase sempre o juiz estava com a maioria”. Pelo menos este era um medalhão consciente e inteligente, o que não acontece com todos.
O medalhão que tem mais presunção que inteligência, é de conduta imprevisível, nunca se pode prever como reagirá, nem sempre é possível trazê-lo para o nosso terreno de luta.
Este tipo é, em geral, partidário dos “grandes clássicos”, acha que quem vai resolver a parada são os livros, o juiz está no foro só para homologar o que os autores disseram.
Faz de seu nome argumento de defesa, pois acha que se aceitou a causa, é porque a verdade está com ele e ele está com o próprio Deus. Procure sempre investigar se o medalhão ainda mantém a biblioteca que o acompanhou até a fama, porque muitos a primeira coisa que fazem é vendê-la e logo após usar um fichário feito ao correr dos anos, quando muito atualizado por um estagiário bisonho.
Trate-o sempre com grande urbanidade, não ironize e não se atemorize. Investigue se ele realmente conhece os idiomas estrangeiros em que faz citações e se estas não estão truncadas. Golpe mortal no medalhão é provar que ele cita de segunda mão sem revelar a fonte.
O artigo acima do iluminado articulista, é didático! E o que há de se falar do que faz de tudo para ser indicado "conselheiro da OAB" ? Este após ser nomeado, pavoneia-se de letrado e sábio jurisconsulto. Trata os demais colegas, como se fosse o Pontes de Miranda da Advocacia! Aqui em Minas (BHZ), conheço vários. Há, como conheço... A rigor, tais pavões, advogam pessimamente. Iludem o cliente, que com sua posição dentro da OAB, a causa lhe será mais palatável. Há poucos dias tive audiência com um desses, e vi de cara, que de processo nada entendia. O negócio dele, era alardeiar para as partes que era "conselheiro" da OAB/MG. E, o que dizer do juiz do tribunal, que tem banca de advocacia e daqueles que mandam seus irmãos tocar causas? Já não digo nem os filhos! Estes, novidade nenhuma tem mais pelo país afora.
Leib, parabens pelo artigo. Disse somente a verdade.
Professor Leib , o artigo é inteligente sob o ponto de vista prático pois é comum o MEDALHÃO tratar seus colegas , no fórum , com a galhardia típica de um barão em declínio . Normalmente , desfaz dos colegas NÃO TÃO GLORIFICADOS porém , quando encara um humilde advogado e para este perde a ação , em regra , o MEDALHÃO ou joga a culpa no juiz ou joga a culpa nas provas . Triste país , parafraseando RUI BARBOSA ...
Agora que cheguei ao final do texto, fico me perguntando: como é que fui perder meus preciosos minutos lendo isto?
Parabéns pelo artigo! Parabéns pela coragem de dizer escrevendo o que a gente verifica diariamente em Juízo e fora dele.
Bastante oportuno o artigo. Vem a servir de alerta para que todos os profissionaios da área jurídica estejam sempre se atualizando e estudando, vez que o saber não é propriedade de ninguém.
É este tipo de verbete, com este tipo de abordagem, que se espera de uma Enciclopédia Jurídica? Que texto mais sem sentido...
Que falta de contéudo científico da tal "enciclopédia". Realmente Nelson Rodrigues estava certo - É a revolução dos idiotas.
Péssimo texto.
Deus me livre de ter um dos meus mestres patrocinando a causa do opositor do meu cliente!
Pois é...e essa foi a enciclopédia que o Conjur anunciou que foi dada aos Ministros do STJ...curiosamente, omitiu da página de arquivo os comentários, que lhes eram desfavoráveis
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login