Presidente da Ordem apóia a criação de controle externo

Neste domingo (7/7), o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, apoiou a proposta do ministro da Educação, Tarso Genro de criar o chamado controle externo para acompanhar o ensino universitário no Brasil.

Busato considera a postura de Tarso Genro um “avanço muito grande” e aproveitou para defender a transformação do parecer da OAB na criação de novos cursos jurídicos em vinculante.

“A Ordem seria o chamado controle externo dentro da criação dos cursos de Direito. Um controle externo com profissionais competentes, descomprometidos em relação à mercantilização que está ocorrendo com o ensino jurídico no país”, disse.

Leia o comentário de Roberto Busato

“O ministro Tarso Genro, da Educação, defendeu neste final de semana no Rio de Janeiro, a criação de um controle externo para o ensino universitário no Brasil.

A OAB considera a posição um avanço muito grande. Na verdade, ele está referendando aquilo que o Conselho Federal da OAB solicitou na audiência ocorrida no dia 12 de fevereiro último, quando se tratou da proibição de novos cursos de Direito no país: a opinião da OAB passaria a ser vinculante com relação à instalação de novos cursos jurídicos. A Ordem seria o chamado controle externo dentro da criação dos cursos de Direito.

Um controle externo com profissionais competentes, descomprometidos em relação à mercantilização que está ocorrendo com o ensino jurídico no país. É o controle externo adequado, estruturado e sem qualquer custo para o Ministério da Educação e, principalmente, atenderia aos anseios da população brasileira.

Não posso deixar de lembrar que, até o encontro da OAB com o Ministro Tarso Genro estava ocorrendo uma proliferação indiscriminada de cursos jurídicos, sem que se levasse em conta nas autorizações deferidas para a sua instalação o critério da necessidade social. O Conselho Nacional de Educação (CNE) estava extremamente liberal nas autorizações de novos cursos. O que preocupa a OAB com quantidade de faculdades de Direito existentes hoje no País (763) e a qualidade do ensino jurídico”.

Vinicius Miguel disse:
08 de março de 2004 às 03:31

Nosso competente Ministro se esquece que a proliferação do curso de Direito não é decorrência apenas da mercantilização do ensino, mas também o preenchimento de uma enorme lacuna da ineficiência estatal, da maior busca por conhecimentos, visto que o curso oferece um grande senso crítico e ampla visão (com matérias que vão desde Economia, Ciência Política, Psicologia, à Relações Internacionais e Direito do Consumidor).
Se esquece também que o bacharel em Direito pode optar por uma vasta gama de opções, ou até, não optar, visto que boa parte dos alunos não pretendem mudar de emprego...
Tarso Genro, além de favorecer as barganhas e jogos de influência no MEC, irá assinar seu atestado de imcopetência e comprovar que é muito mal assessorado...
Mais um minuto de silêncio em memória ao assassinato das liberdades individuais e a árdua trilha que leva ao saber...

Leandro Loiola disse:
08 de março de 2004 às 11:28

Na verdade, podemos aventar que esse "controle externo" acarretará apenas a mudança do "balcão de negócios" atual, que é o Conselho Nacional de Educação, para o Conselho Federal da OAB...Espero estar enganado. Só posso concordar com o argumento de que o inchaço dos cursos jurídicos no país se deve mesmo à falta de perspectiva e futuro profissional de outras carreiras, pelo menos do ponto de vista salarial. Dada a absurda demanda pelo "produto", os magnatas da educação não pensam duas vezes...Que tal substituírmos de vez o 2ºGrau pela "Iniciação ao Direito I, II e III"? Só teremos advogados por aí daqui a algum tempo...

Leonardo Maia disse:
08 de março de 2004 às 12:26

SÁBIO, SENSATO, PERTINENTE, CORRETO e ADEQUADO o comentário da colega Silvia Bellandi Paes de Figueiredo.

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