O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) defendeu, nesta sexta-feira (8/4), na tribuna do Senado, o afastamento do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, até que sejam esclarecidas as denúncias da Procuradoria-Geral da República de sonegação, lavagem de dinheiro e crime eleitoral.
“O senhor Meirelles precisa agir com grandeza e pedir demissão. As denúncias tornaram a sua posição insustentável. O governo finge que está tudo bem, mas não está”, afirmou o senador mato-grossense.
O pronunciamento de Antero provocou um debate no plenário do Senado. Em nome do governo, o senador Tião Viana (PT-AC) defendeu o presidente do Banco Central e disse acreditar na inocência dele.
“Eu também acho que o presidente do Banco Central tem o direito de se defender. Por isso é que proponho o seu afastamento do cargo até que sejam realizadas as investigações. Se eu acreditasse que ele é culpado das acusações que pesam contra ele, eu estaria recomendando a sua prisão e não a demissão”, respondeu o senador tucano.
Antero lembrou que desde julho do ano passado circulam na imprensa denúncias de que Henrique Meirelles teria sonegado impostos e omitido em suas declarações de renda a propriedade das empresas Silvânia Empreendimentos, Silvânia One, Silvânia Two e outras sociedades abertas em paraísos fiscais.
“Num país sério, ele já teria sido afastado de suas funções. Mas aqui no Brasil não acontece nada. Em lugar de demiti-lo ou de exigir as explicações necessárias, o governo preferiu blindá-lo com o status de ministro, através de uma medida provisória, para protegê-lo das investigações”, acrescentou o senador.
O senador disse que desde que a PGR pediu ao STF a abertura de inquérito, Meirelles não deu nenhuma declaração. Limitou-se a divulgar apenas uma nota oficial na qual afirma que encara com “tranqüilidade e serenidade” o pedido do Ministério Público.
O Procurador Geral da República é um homem probo, decente, inteligente e experimentado. Assim, jamais solicitaria a instauração de inquérito policial sem dispor de indícios ou provas convincentes.
O sr. Meirelles, assim como outros ministros do sr. Lula, precisa ser defenestrado de imediato até para o bem estar do bolso dos cidadãos brasileiros. Eu nunca vi um devedor, sem qualquer exigência do credor, aumentar pela própria vontade os juros incidentes sobre seus empréstimos. O mais interessante é que poucos políticos se insurgem contra tal absurdo. Muitos deles, consoante os jornais noticiam, são parte interessada visto que remetem ao exterior o produto de suas atividades escusas e, através de fundos montados em paraísos fiscais por supostos gênios das finanças, tornam-se nossos credores "internacionais". Talvez, até por isso, muitos propugnem pela independência do Banco Central.
Gilberto Aparecido Américo
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