“Certifico e dou fé que deixei de fazer a formal separação de corpos, com a retirada da mulher da residência do casal, porque tanto ela, quanto o cônjuge me afirmaram que, mesmo estando brigados, desejam continuar morando juntos na mesma casa, embora em quartos separados, pois estão em dificuldades financeiras e um dos dois não têm para onde ir”. (De uma certidão de oficial de justiça, em ação de separação de corpos, em Porto Alegre)
Conciliação inconciliada
“As partes conciliaram da seguinte forma: pelo conciliador foi dito que, proposta a conciliação, não conciliaram”. (Do termo de uma audiência no Juizado Especial Cível de Igrejinha/RS)
Cavaleiro fujão
“O veículo, durante o acidente, teve amassamento no pára-choques e nos pára-lamas dianteiros, sendo quem não pudemos colher melhores dados, devido à vítima haver fugido a galope”. (De um boletim de ocorrência da Polícia Rodoviária Federal, sobre um abalroamento automóvel x cavalo, em Sarandi/RS)
O carro enguiçou e a petição inicial também
“Foi várias tentativas junto à requerida que vendeu o carro, e sempre a mesma conversa, ou seja a mesma enrrolação, e nunca uma solução, vale ressaltar que o tempo de garantia foi por 20 mil KM, o carro praticamente não andou, agora mesmo a requerente queria aproveitar as férias mas não conseguiu, porque o carro não está em condições de viajar, a requerente tentou de várias formas para solucionar o problema, mas não foi possível, restou esta alternativa entrar em juízo, para tentar remediar esta situação, porque viu-se ludibriada na sua boa fé, comprando um carro todo detonado, que era para ser combustível a gasolina, e no entanto é a álcool, encontra-se fazendo um esforço danado para pagar o financiamento do carro, e não pode utilizar o carro para o seu laser com a sua família, também para salvaguardar o seu direito conforme em anexo, ingressou com uma reclamação no DEPOP – DECON/DEIC”. (De uma ação de indenização do JEC Cível – proc. nº 001/3050135697-3 – em que há uma frase, em 12 longas linhas, com uma só pontuação).
*Pérolas Processuais são publicadas no site Espaço Vital
Diante dessas aberrações comunicativas, em que o vernáculo é simplesmente reduzido a pó, a AMB e a OAB ainda querem que juízes, promotores e advogados passem a usar um linguajar menos erudito, menos culto. Resumindo, pretendem nivelar a Justiça pelo nível mais rasteiro que se pode imaginar. Em minha opinião, essa iniciativa da AMB e da OAB reveste-se de populismo insano, a par de representar um desrespeito aos que levam a sério a profissão e buscam atuá-la com galhardia e denodo, aperfeiçoando-se e aculturando-se porque somente assim é que se consegue enaltecer o espírito, a razão e a própria condição humana. A prevalecer o desejo da AMB e da OAB, não demorará e os cultores do direito estarão mais distantes da civilidade e mais próximos da bestialidade, num retrocesso total da história evolutiva do ser humano. Nem mesmo os vetustos e imemoráveis autores dos livros sagrados que compõem a Bíblia apresentavam tanta pobreza em sua comunicação. Ao revés, em se tratando de comunicação pela escrita e de língua falada, os antigos em muito suplantaram os modernos, pois as línguas que desenvolveram e falavam, algumas já mortas (v.g. latim, sânscrito, aramaico etc.), primavam por conseguir associar lógica à praticidade (como ainda fazem o alemão, o grego etc.), por isso que exceliam. As profissões que lidam com o Direito exigem um domínio do vernáculo tendente à perfeição. Quem se não apresenta versado na própria língua não pode aspirar à defesa dos direitos alheios no fórum, porquanto a oratória exige elegância, serenidade e precisão para ser convincente e não provocar reações de escárnio.
(a) Sérgio Niemeyer
Como dizia um amigo:"Como uma faculdade dá um diproma de doutô pru homi como esse" É Seu Nogueira, é por essas e outras é que os advogados tem a fama....
Realmente, os profissionais que lidam com a palavra escrita, deveriam lezar mais pela lisura e clareza no trato da língua pátria.
Agora, não entendi a colocação do comentarista Alexander Aguiar Rocha, quando afirma que casos como esses e a posição da AMB e da OAB , quando defendem o uso de linguajar menos erudito, menos culto, por parte dos juizes, promotores e advogados, representam um derespeito aos que levam a sério a profissão aculturando-se.
Acultura-se é adaptar-se à cultura alienígena.
Quem critica deve está a altura de sua crítica.
Antonio Fernando M. de Oliveira.
Correção: O comentarista aculturado é Sérgio Niemayer e não Alexander Aguiar Rocha, que por sinal é aculturado, também, se não seria Alexandre.
Antonio Fernando M. Oliveira.
Ilmo. Dr. Antonio Fernando Medeiros de Oliveira,
Seria bom participar de um debate com um colega que dispusesse de uma bagagem mais qualificada de argumentos do que V.Sa. apresenta em seus patéticos comentários.
Já me manifestei alhures, o debate é engrandecedor quando os participantes mantêm o nível mínimo de respeito entre si. E esse respeito decorre de dois fatores: o primeiro, a educação que ostentam; o segundo, o fato de saberem que o conhecimento pessoal de cada qual se distingue dos demais debatedores, no mínimo porque se tratam de pessoas diferentes, com experiências de vida diferentes, e percepções da vida igualmente distintas. É sob essa perspectiva que se consegue galgar alguns degraus no amadurecimento das idéias.
As críticas, do mesmo modo, quando os debatedores são honestos, dirigem-se ao pensamento, e não ao debatedor. No entanto, pessoas como V.Sa., que não sabe sequer escrever português, escrevendo o próprio nome “Antonio”, sem acento, donde, a julgar pelas regras de ortoépia regentes da língua portuguesa, deve ser pronunciado “Antonío”, que mesmo lendo o meu nome mais de uma vez, ainda assim o escreve erroneamente — é Niemeyer, com “e”, e não Niemayer —, e ainda demonstrando não saber consultar um dicionário para apreender as diversas acepções da palavra aculturar, à guisa de compreendê-la em seu sentido semântico preciso, tal como lançada no meu comentário, não são dignas da minha atenção, a não ser por estas poucas palavras em que procuro deixar claro o quanto desprezo sua crítica pífia e insignificante.
Para manter um debate V.Sa. deverá, antes de tudo, aprender a não desferir ataques gratuitos às pessoas com quem quer debater, mormente quando as não conhece. Agora, se o meu comentário o atingiu, saiba que não foi intencional, não o conheço e nunca ouvi falar de sua patética existência. Mas uma coisa me parece evidente: V.Sa. vestiu a carapuça das críticas que lancei em meu comentário, e quanto a isso, sinto muito, mas não há nada que eu possa fazer senão aconselhá-lo a fazer um curso de português e outro de lógica por correspondência. Se tiver boa vontade, disciplina e dedicação, talvez algum dia V.Sa. consiga entender o bem que esta réplica lhe terá trazido.
(a) Sérgio Niemeyer
Caro Sérgio Niemeyer, gostaria de me acostar à teu primeiro comentário acerca da importância do uso da linguagem rebuscada em nosso meio jurídico, bem como da tua réplica no debate com o "Antonio" Fernando M. de Oliveira.
Na minha humilde opinião de simples estudante do Direito, talvez a ciência mais fascinante e intrigante das ciências, eu vejo o uso da boa linguagem escrita e falada, antes de uma característica intrínseca deste ramo científico, um dever inerente à todos os seus operadores, e toda e qualquer manifestação de diminuição de sua importância deve ser repudiada.
Linguagem rebuscada não é sinônimo de cultura.
Não é nada demais se expressar em palavras de uso coloquial, que o povo entenda, uso uma linguagem clara e simples.
O que se quer é aproximar a Justiça do povo, o que se quer é que o povo entenda as decisões judiciais.
Muitas vezes a linguagem rebuscadas e o uso de palavras difíceis e o uso de expressões em latim podem esconder a falta de conteúdo, é possível falar asneira em latim!!!!!!.
Em segundo lugar: Direito não é ciência, isso é um mito arraigado na cultura jurídica, todo mundo quer pegar uma carona no prestígio da ciência. Até a Teologia com suas especulações metafísicas se diz ciência.
A Ciência de verdade estuda o mundo natural através de uma metodologia e precisa provar o que afirma, as afirmações da ciência precisam ser demonstradas, têm de estar sujeita à verificação.
Os princípios do Direito são criados pelo homem, o Direito é uma convenção, não uma ciência.
Mesmo na ciência se está criando uma conscientização de que é preciso se expressar em linguagem de fácil compreensão, quem não se lembra da série Cosmos de Carl Sagan, outros cientista de renome, como por exemplo Richard Dawkins na área da Evolução Biológica procuram escrever livros em linguagem mais simples.
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