Palocci nega acusação, diz que fica e critica promotores

Em entrevista coletiva para explicar-se sobre as acusações de seu ex-asessore Rogério Buratti, de que teria recebido um mensalão enquanto era prefeito de Ribeirão Prefeito, o ministro da Fazenda, Antônio palocci voltou a negar que tenha feito algo ilícito. Na entrevista Palocci afirmou que não deixa o Ministério da Fazenda por iniciativa própria e que o presidente Lula manifestou a disposição de mantê-lo no cargo.

Na entrevista, Palocci voltou a criticar a atitude do Ministério Público do Estado de São Paulo, que, segundo ele, teria sido afoito no afã de divulgar acusações sem provas.”Não achei correto o procedimento que se adotou para falar do caso. Se apressaram em divulgar informações de forma prematura. Promotores divulgaram as declarações antes de concluídas” ,disse o ministro.

Nas sexta-feira, em nota oficial do Ministério da Fazenda, Palocci já havia contestado o comportamento do Ministério Público. Na entrevista, Palocci disse que “colocaram um depoente em uma situação de completo constrangimento e lhe apresentaram os benefícios da delação premiada”. O ministro garantiu também que o procedimento dos promotores, que iam dando informações à imprensa à medida que o depoimento de seu ex-assessor acontecia, contraria as leis.

Na sexta-feira (10/8), o advogado Rogério Buratti, ex-secretário de governo da prefeitura de Ribeirão Preto na gestão de Antonio Palocci, declarou em depoimento à Polícia Civil e ao Ministério Público de São Paulo, que quando era prefeito, Palocci recebeu uma mesada de R$ 50 mil da empresa Leão Leão, empresa contratada parafazera coleta de lixo da cidade. Segundo Buratti, o dinheiro recebido por Palocci era encaminhado ao diretório nacional do Partido dos Trabalhadores.

Em sua entrevista Palocci voltou a negar “com veemência”, que tenha recebido ou autorizado o recebimento de qualquer propina. Disse também que não é insubstituível no Ministério da Fazenda, mas que não pretende se afastar do governo. Assegurou também que o presidente Luis Inácio Lula da Costa garantiu sua permanência à frente do Ministério da Fazenda.

Rogério Buratti deu o depoimento com acusações a Palocci depois de aceder a uma proposta de delação premiada. O promotor Aroldo Costa Filho, que acompanhou o depoimento de Buratti, afirmou que as denúncias do advogado precisam ser investigadas, já que ele não apresentou provas. “Alguns documentos apreendidos na empresa Leão Leão são indicativos de que Buratti falou a verdade, mas entendemos que os fatos devem ser mais bem investigados. Deverão ser encaminhados ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria Geral da República para prosseguimento”, disse o promotor ao site Globo Online.

O procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinho, dá entrevista, às 17 horas, deste domingo (21/8), para contestar as críticas do ministro da Fazenda e justificar a conduta do Ministério Publico paulista.

Comentarista disse:
21 de agosto de 2005 às 16:51

Todos sabem da pretensão do governador de SP em concorrer à presidência da república, bem como a pretensão do secretário da justiça de SP em concorrer ao governo de SP.

E que a divulgação do caso Palocci foi orquestrada e precipitada, ninguém mais duvida...

Por fim, restam o imbróglio e a lei, e esta última é clara a respeito do imbróglio.

Se forem provadas as acusações, que se processem os envolvidos, punindo-os exemplarmente.

Por outro lado, se as acusações não forem cabalmente comprovadas, que se processem os delatores (advogado e promotor público) por denunciação caluniosa.

Denunciação caluniosa: pena - reclusão de 2 a 8 anos, e multa (artigo 339 do CP).

A denunciação caluniosa, queiram ou não, é o ônus do bônus (delação premiada), e deve ser aplicada com severidade em caso de alegações levianas.

Band disse:
21 de agosto de 2005 às 17:58

O que se viu na televisão foi um homem calmo, coerente, indignado, respondendo com calma e lógica todas as perguntas livremente formuladas. Comportou-se como um estadista que não é. Enquanto o verdadeiro Presidente se esconde atrás de notas e porta voz oficial, uma indignação não convincente e considerando-se um traído que não ousa mencionar quem, deixando dúvidas se foi por Roberto Jefferson, Marcos Valério ou Duda Mendonça que abriram o jogo.

Ottoni disse:
21 de agosto de 2005 às 18:09

A delação premiada, instituto ainda desconhecido entre nós, é instrumento válido para quebrar tradicionais antros de impunidade, através da colaboração interessada de paricipantes das atividades criminosas. A própria natureza da operação está a conselhar muita cautela na aceitação da colaboração e muito comedimento por parte dos agentes oficiais que da investigaçao participam, mormente reservas extremas com relação às informações recebidas. A condenação pública de pessoas investigadas por parte de investigadores despreparados e através da divulgação de dados colhidos no início das investigações revela um comporftamento tão, ou mais, pernicioso do que o próprio fato investigado. Troca-se o interesse público e o direito individual por alguns minutos de holofote. De remédio contra a corrupção passaremos a ter um odioso instrumento destinado a vilipendiar a cidadania.

Nado disse:
21 de agosto de 2005 às 20:53

Não mexam no Palocci! O queridinho do FMI, dos EUA e da Europa!
O Brasil não tem presidência e, sim, gerência de filial.
Prova testemunhal de quem divia o trabalho em comum não é prova, não?
Só pobre é condenado por prova testemunhal.
E rico sabe burlar documentos, por isso fica pedindo prova documental.
E o MP não deixou vasar, porque toda produção de prova é publica e a imprensa deve ter acesso. É de lei.
Viram a pressão dos EUA? Até o PSDB começou a pegar leve e a defender a manutenção de Lula!
O povo tem que entender que só ele é vítima. Quem mandou e manda no Brasil sempre ganhou junto com os estrangeiros.

Nado disse:
21 de agosto de 2005 às 20:53

"Vazar" é com "z" - foi erro de digitação.

Nado disse:
21 de agosto de 2005 às 20:56

Só por conta do superávit e da completa liberdade à entrada e à saída (sem qualquer restrição) de capital no Brasil - que o Governo Lula mantém em favor dos opressores estrangeiros e seus adeptos - estes tais favorecidos sanguessugas estão pressionando para que não Lula não caia e que, assim, não haja ruptura com tal esquema de parasitismo e rapinagem, que lhes favorece com o mais grosso da riqueza do Brasil (a maior parte do PIB), enquanto vai asfixiando a nação e minando as energias e a esperança do povo.

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
22 de agosto de 2005 às 12:22

Colocaram o cidadão preso, escancararam na imprensa que o Ministro era ladrão, fizeram a reunião secreta para oferecer o instituto do "caguetão" e por certo vão deixar o delator na mão.
Parabéns, senhores promotores. Não basta aplicar o rigor da lei, é necessário desgraçar a vida dos outros também. Orgulhem-se!
Em tempo: será que algum membro (ou órgão?) do parquet vaí lançar uma monografia com as "novidades" doutrinárias ou mesmo a banca questionar as "perolas" no concurso para ingresso na carreira?

Samir disse:
22 de agosto de 2005 às 14:08

Receita para satisfazer o ego de um promotor "de justiça": 1) holofotes. 2) câmeras (de preferência, da Globo). 3) microfones aos montes. Assim, conseguem-se 15 minutos de fama. Senhores promotores, reponsabilidade, responsabilidade...

Nado disse:
23 de agosto de 2005 às 10:27

Esses grandes "doutores da lei", não conseguem enxergar o jogo do poder, que é comandado lá de fora do país, inclusive, por sobre e por detrás da lei, a qual é interpretada e aplicada conforme as conveniências políticas por imposição dos dominadores.
Nem sabem do certeiro jargão de um antigo político mineiro: "aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei"!

Nado disse:
23 de agosto de 2005 às 11:01

O que importa é que o Brasil tem sido sugado a 500 anos. E nunca tanto como agora. Temos riquezas naturais como ninguém e por que não crescemos como a Austrália, por exemplo, que tem um imenso e terrível deserto e estava muito atrás de nós nos tempos da ditadura? Por que Lula defendia auditoria na dívida externa, e com Palocci, libera, para um gigante como o Brasil, a entrada e a saída de capital sem nenhuma restrição? Vocês já viram ou ouviram falar dos contratos e tratados sobre a dívida externa? Qual o tratamento sobre os juros? Quem manipula e quem fiscaliza quem? Quais as causas e as regras no papel? Será que a dívida existe no tamanho que falam? E como é multiplicada automaticamente?
Não será que é porque têm receio de uma nova grande economia ou potência aos seus pés? Por que vivem falando que seremos uma potência no futuro (mas que nunca se inicia)? E por que, por outro lado, nos asfixiam como pela discussão na OMC acerca de suas tarifas com protecionismo?
A elite que domina o Brasil, mesmo a de dentro do Brasil, não tem nada de brasileira. Tem residência em Miami e gasta na Europa. E não tem identidade e nenhuma compaixão para com nosso povo. Acreditam que nosso povo não tem condições de conduzir a nação. E zelam mais pelo bem e pelo alto conforto de seus cachorrinhos.
Os dominantes de fora e os de dentro são aliados para que continuemos subnutridos.
Ou nos identificamos integralmente entre e com todos nós e reagimos, o povo voltado para dentro do umbigo do país, ou seremos eternamente uma filial sugada, contida e bem controlada.

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