Secretário tira doleiro da cadeia sem autorização judicial

O doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho Barcelona, foi transferido da penitenciária de segurança máxima de Avaré, no interior de São Paulo, para prestar depoimento na CPI dos Correios, sem autorização judicial. O responsável pela transferência foi o secretário estadual da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho.

O juiz corregedor do Departamento de Execuções Criminais, Pedro Paulo Ferronato, abriu sindicância para apurar se houve irregularidades. Além dos desdobramentos na esfera judicial, o episódio deverá ter repercussão política. O PT acusa Saulo de participar de uma operação considerada “precipitada”. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

O doleiro, condenado a 25 anos de prisão, foi transferido em helicóptero do governo da prisão em Avaré, a 250. quilômetros da capital, para um prédio da Polícia Civil em São Paulo. A solicitude do secretário de Segurança do governo tucano alimenta a suspeita de que haveria interesse partidário em facilitar revelações do doleiro sobre lavagem de dinheiro que pudessem comprometer o PT.

No depoimento feito num acordo de delação premiada, Toninho da Barcelona afirmou haver feito “algumas operações com políticos do PT entre 2002 e 2003”. Citou, entre outros, o ex-ministro da Casa Civil e deputado federal José Dirceu e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, como seus clientes. O doleiro não apresentou provas.

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
23 de agosto de 2005 às 13:27

Ora, isso ja era esperado, ou melhor, a atitude não é nenhuma novidade! Pudera, se Promotor e Juiz podem tudo, Secretário também pode!

Agora a moda é delação premiada, acabou o mensalão e vão introduzir o caguetão, nova moeda de troca no meio político.

Estão transformando os institutos de direito em mecanismos desmoralizados. Meus pesames!.

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
23 de agosto de 2005 às 13:34

A investigação de Ribeirão Preto agora corre em sigilo. Ordem superior.
Curioso que o MP estadual esteja "apurando" fatos que envolvem, ao menos em tese um Ministro, o que torna atribuição do MPFederal.

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
23 de agosto de 2005 às 13:49

Saliento a propósito: A assessoria de imprensa (expontânea e extra-oficial), em outras palavras, levou para a sociedade que o Ministro era ladrão. Depois amenizou, chegando ao ponto de o Chefe do MP dizer não haver nada contra o Ministro.
O quê é isso? Virou festa? Se é festa, cadê as garotas de programa? É necessário mais respeito ao cidadão!
E mais: Armar cenas para a imprensa e não cobrar nada pela "produção" é muito suspeito, especialmente quando alguns veículos são privilegiados.

Comentarista disse:
23 de agosto de 2005 às 19:30

Caro Dr. Francisco Lobo da Costa Ruiz,

O citado "caguetão" é realmente hilário.

Mais hilário ainda é a situação da oposição, que depende de trapalhadas como essa (do "caguetão" e dos promotores de "furos") para tentar atingir o governo.

No máximo, essa turma vai conseguir desmoralizar ainda mais o poder judiciário e as instituições até hoje vistas como sérias pelo povo, como é o caso do MP, que já começa a sofrer o desgaste de seu envolvimento com os tucanos.

Aliás, perguntar não ofende: se o MP paulista não tem medo do Palocci, quem tem medo do MP hoje?

Com a palavra, o Ilustre Secretário candidato à principal cadeira do Palácio dos Bandeirantes (obs.: se como Secretário já transferiu preso sem ordem judicial, imaginem se um dia ocupar o cargo de Governador...).

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