Para o ministro Jacques Wagner, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva errou ao não ter feito a reforma política logo no início de sua gestão. O tema agora é prioritário com a crise que atinge governo, partidos e o Congresso. Wagner participou nesta segunda-feira (12/9), de debate sobre a Reforma Política na sede da Fiesp — Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Wagner disse, ainda, que o governo pretende apoiar a tramitação da proposta de mudança para vigorar já nas próximas eleições. Segundo o ministro, apenas punir os culpados pelos crimes de corrupção será oferecer pouco à sociedade. Também estiveram presentes no debate deputados, senadores e especialistas.
“A primeira reforma (que deveria ter sido feita) era a política, com a força da urna (de que Lula dispunha)”, disse Wagner. A mesma opinião havia sido emitida momentos antes pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), durante exposição inflamada, na qual defendeu urgência na mudança das regras eleitorais para o pleito de 2006: “Se o governo vinha trazendo um nova mensagem, uma nova esperança, que se iniciasse com uma reforma política”.
O senador também fez comentários e críticas ao governo e ao PT: “O PT era nossa esperança, ainda é se vocês (petistas) fizerem uma limpeza no partido, se tiverem coragem”. Simon poupou Lula, dizendo que o considera o “menos culpado” pela crise, mas atacou o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, a quem se referiu como “primeiro-ministro”.
Simon ainda questionou o fato de Banco Rural continuar aberto e atacou Henrique Meirelles: “Como é que esse presidente do Banco Central ainda não está na cadeia?”.
Ronaldo Caiado (PFL-GO), relator do projeto elaborado pela comissão especial da Câmara dos Deputados sobre reforma política, apresentou alguns dos principais pontos do texto: financiamento público e exclusivo de campanhas, voto em lista partidária e restrições a mudanças de legenda. Caiado destacou que muitos parlamentares resistem às mudanças.
Próximas eleições
A iniciativa de alterar regras eleitorais corre contra o tempo. O prazo para que as mudanças sejam efetivadas vai até 30 de setembro. O ministro Wagner adiantou que o governo está disposto a retirar da pauta da Câmara algumas medidas provisórias e projetos enviados pelo governo para abrir caminho para o projeto da reforma.
Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o país não pode chegar às próximas eleições com as mesmas regras de hoje. Ele defende a reforma agora: “Não vai ser uma ampla reforma, aquela que talvez toda a sociedade gostaria que acontecesse, pois não há tempo para isso, mas alguns pontos básicos precisam ser alterados sim, e nós vamos fazer toda a pressão necessária para ajudar nessa direção.”
O debate contou também com a presença da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), o deputado João Almeida (PSDB-BA), o senador José Jorge (PFL-PE) e Sydney Sanches, presidente do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos da Fiesp, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.
Seja o primeiro a comentar.
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login