Busato crítica os políticos na frente dos políticos

Em discurso na posse da ministra Ellen Gracie na presidência do Supremo Tribunal Federal, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, dedicou 240 palavras de elogios à homenageada e 2.100 de críticas à classe política brasileira.

“O comportamento indecoroso de alguns agentes públicos expôs ao desgaste as instituições do Estado, aprofundando o descrédito que já as fragilizava perante a sociedade”, disse Busato, diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos presidentes do Senado e da Câmara, senador Renan Calheiros e deputado Aldo Rebelo, bem como do ex-presidente da República, José Sarney. “O Brasil não pode perder a compostura”

Para Roberto Busato, a ação da Justiça é fundamental para reverter o quadro de desencanto crescente que vai tomando conta da sociedade brasileira diante da crise. “Precisamos pôr termo à sensação de que este é o País da impunidade”, proclamou, acrescentando que essa providência reclama não apenas investimentos materiais e estruturais no Judiciário, “mas também – e sobretudo – determinação moral dos agentes políticos em cortar na própria carne”.

Busato voltou a recomendar a excepcionalização do andamento no STF dos processos dos 40 envolvidos no mensalão, denunciados pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. Para ele, essa decisão seria importante para que o processo tramite com maior rapidez “e se dê uma satisfação à sociedade brasileira, atenuando a sensação de impunidade”.

Ele criticou o espírito corporativista no Poder Público e atacou a série de absolvições, pelo Plenário da Câmara dos Deputados, de parlamentares que tiveram suas cassações por corrupção recomendadas pelo Conselho de Ética da Casa. Para ele, essa atitude “soa à população brasileira como desprezo, escárnio à Justiça”.

Leia o discurso do presidente nacional da OAB:

“Senhoras e senhores,

É com grande honra que a Ordem dos Advogados do Brasil participa desta cerimônia de posse na mais alta Corte de Justiça do País.

Não bastasse a alta significação institucional deste ato, há ainda a circunstância, que lhe acentua o relevo, de, pela primeira vez em nossa história, a titularidade desse cargo caber a uma mulher – a eminente ministra Ellen Gracie Northfleet.

Não é um detalhe irrelevante. Ao contrário, é auspicioso. Mostra a trajetória ascendente da mulher em nossa sociedade, a realidade de sua presença nos mais altos escalões decisórios – no topo de um dos Poderes da República: a presidência do Supremo Tribunal Federal.

O ganho, sem dúvida, é de todos nós, já que o ponto de vista feminino expressa uma sabedoria da qual não podemos prescindir.

Não é casual que a representação figurativa da Justiça seja a de uma mulher, indicando argúcia e sensibilidade especiais para a complexa tarefa de avaliar condutas.

Só temos, pois, a ganhar com a presença cada vez mais expressiva de mulheres em nossas instituições – sobretudo no Poder Judiciário.

Em nome do Conselho Federal da OAB, e em nome da sociedade civil brasileira – que aqui temos a honra de representar -, saudamos a nova presidente do Supremo Tribunal Federal, bem como seu vice-presidente, ministro Gilmar Mendes, eleitos para o próximo biênio.

Desejamos a ambos sabedoria, serenidade e determinação no enfrentamento dos múltiplos desafios que presentemente se colocam ao Judiciário em nosso país.

Vive o Brasil instante delicado de sua trajetória político-institucional, em que o papel da Justiça ganha destaque ainda maior.

É para ela que se voltam os olhos da sociedade neste momento em que nossa República padece da pior das crises: a crise de credibilidade. Crise de confiança.

O comportamento indecoroso de alguns agentes públicos expôs ao desgaste as instituições do Estado, aprofundando o descrédito que já as fragilizava perante a sociedade.

O desafio conjunto que nos deve unir, acima de quaisquer outras eventuais divergências, é a reconstrução da credibilidade das instituições republicanas. Sem ela, a credibilidade, nada subsiste.

E o descrédito é o fermento de que se nutre a serpente do autoritarismo, na sua luta nociva e obsessiva contra a consolidação do Estado democrático de Direito.

Luta da barbárie contra a civilização. Registro, no entanto, que felizmente há homens de bem na vida pública, empenhados em reagir com destemor a esse processo de corrosão das instituições, resistindo a pressões e cumprindo seu dever, indiferentes a ameaças ou a quaisquer outros tipos de acenos e agravos.

São cultores da Verdade, servidores públicos na plena acepção do termo.

Cito, a propósito, o orador que me antecedeu, o eminente procurador-geral da República, dr. Antonio Fernando de Souza, cuja recente denúncia a esta Corte, a respeito da crise política que há quase um ano se abateu sobre o país, fez com que a sociedade brasileira voltasse a nutrir esperanças em seus homens públicos.


Não nos iludamos: apenas a Verdade poderá resgatar a credibilidade, que é o oxigênio moral das instituições. E esse oxigênio nos tem faltado.

Como resultado, constata-se a tendência de grande parte de nossa sociedade em generalizar conceitos negativos em relação aos homens públicos.

É um gesto preocupante que revela desencanto e precisa ser revertido. E o modo de fazê-lo é por meio de Justiça.

Precisamos pôr termo à sensação de que este é o País da impunidade. E isso reclama não apenas os indispensáveis investimentos materiais e estruturais para favorecer a operacionalidade do Judiciário, mas também – e sobretudo – determinação moral dos agentes políticos em cortar na própria carne.

Não pode prevalecer o espírito de corpo em nenhuma circunstância – muito menos quando o que está em pauta é a produção de justiça, correção de condutas nocivas ao bem comum. Condutas nocivas de homens públicos, lesando a coletividade.

A absolvição pelo plenário da Câmara dos Deputados de parlamentares condenados por corrupção pelo Conselho de Ética da própria Câmara soa à população brasileira como desprezo, escárnio à Justiça.

A pergunta que ecoa da voz das ruas é uma só: perdemos a compostura?

Justiça não depende apenas do Poder Judiciário. É tarefa dos três Poderes e da cidadania ativa e organizada.

Depende menos de palavras e mais de atos. De exemplos. É uma construção conjunta, constante, que repele corporativismos e espertezas.

É compromisso moral com a coletividade, com a História – e nada pode a ela se sobrepor.

O Brasil tem fome e sede de Justiça!

E de nossa determinação e capacidade em saciá-lo depende fundamentalmente o destino de nosso Estado democrático de Direito. O destino de nossa civilização.

Quanto a isso, a advocacia está a postos. Tem sido, por isso mesmo, alvo de seguidos atos de violência por parte dos que, dentro e fora do Estado, cultivam a intolerância e desconhecem regras elementares de convívio – já não digo democrático, mas civilizado.

Há alguns meses, protestávamos contra prisões arbitrárias de advogados e invasões de escritórios de advocacia, por parte da Polícia Federal, ferindo prerrogativas e direitos elementares da cidadania.

Neste mês de abril, num único estado da federação – Mato Grosso do Sul – registraram-se quatro assassinatos de advogados em face do legítimo e destemido exercício da profissão.

Assassinato por pistolagem, a soldo de pessoas influentes e intolerantes, incapazes de assimilar o jogo limpo e transparente da democracia, e de submeterem seus atos ao Judiciário.

Diversos outros casos semelhantes foram registrados no curso deste ano, em outros estados, o que indica a ação sistemática de predadores da democracia, a cercear direitos civis, a cercear a cidadania.

Ano passado, apenas no estado de São Paulo, registraram-se mais de duas dezenas de assassinatos de advogados, no exercício legítimo da função.

Diz a Constituição, em seu artigo 133, que o advogado é indispensável à administração da Justiça. Quando se perseguem advogados – pior: quando se assassinam advogados no exercício da função -, o que se está agredindo, o que se está pondo em risco é a Justiça. Daí nosso empenho em denunciá-lo e em pedir providências enérgicas.

Apelamos mais uma vez à pronta ação do Estado, para que nos garanta a segurança do exercício profissional e propicie à sociedade brasileira desfrutar de nossa contribuição na administração da justiça, nos termos do que determina a Constituição.

Somos, afinal, a única classe, no âmbito do Poder Judiciário, que sistematicamente tem seus membros tombados mortos pelo simples fato de estarem exercendo seu ofício.

O quadro político brasileiro, conturbado por uma série de escândalos que sobre ele se abateram, põe neste momento em relevo o papel institucional da OAB.

Nem todos o compreendem. Uns nos acusam de vínculos partidários, outros nos acusam de porta-vozes de correntes ideológicas. Nem uma coisa, nem outra – e isso não é novidade.

Historicamente, sempre que a República sofre abalos, somos chamados a exercer um protagonismo na cena política que não postulamos, mas ao qual não podemos fugir.

Foi assim ao tempo da ditadura do Estado Novo; ao longo do regime militar pós-64; na campanha pelo restabelecimento das eleições diretas; no processo de impedimento do presidente Fernando Collor.

Agimos sempre a chamado da sociedade civil. Se havia partidos políticos circunstancialmente engajados naquelas causas, não significa – e o tempo o comprovou – que tivéssemos qualquer interesse faccioso. Não tivemos e não temos.

Não somos partido político, nem corrente ideológica, nem temos qualquer compromisso que não o de defender a cidadania. Já o disse e repito: não subimos em palanques.


Temos, sim, trincheira de luta – e é a da Constituição, da defesa da República e de suas instituições (sobretudo as instituições jurídicas), do Estado democrático de Direito, conforme nos determina o Estatuto da Advocacia – lei federal nº 8.906, de 4 de julho de 1994 -, em seu artigo 44, inciso I.

Hoje, como ontem, estamos sendo mais uma vez chamados a intervir na cena político-institucional, de modo a nos posicionar em face da crise.

Sabemos da delicadeza do momento, dos interesses que em torno dele se instalaram. Alguns não hesitam em nos ameaçar, em nos chamar de golpistas, buscando constranger nossa decisão.

Grupos radicais nos hostilizam, temendo que nosso posicionamento favoreça a oposição. Outros grupos, ligados à oposição, temem que nossa decisão preserve o governo.

Enganam-se ambos a nosso respeito. Agiremos – como sempre o fizemos – movidos apenas pelos superiores interesses da sociedade civil, tendo a Verdade e a ética como guias.

O noticiário da imprensa informa que lideranças que manipulam movimentos populares – mas que se mostram populistas e autoritários em seu perfil e conduta – ameaçam reproduzir em nosso país estratégia de divisão da sociedade caso a crise política brasileira tenha desfecho que lhes desagrade.

Ameaçam colocar nas ruas, em franca hostilidade contra as classes média e alta, massas de trabalhadores desempregados e subempregados.

Ameaçam, em suma, a paz pública e tentam intimidar a sociedade civil, sonegando-lhe o direito à livre manifestação. Agem como golpistas e têm o desplante de querer imputar a nós essa pecha, que cabe apenas a eles.

Mas a Ordem está vacinada contra esses truques baixos. Tem ampla vivência histórica, de couro curtido, na luta contra o obscurantismo. E continua onde sempre esteve: na luta a favor da ética e da moral na vida pública.

E lamenta a ação antidemocrática de alguns líderes desses movimentos sociais que sempre apoiamos a hostilizá-la e a tachá-la de “tresloucada e neoliberal”, o que é um atentado a tudo que a entidade construiu, em seus 76 anos de história.

Não tememos ameaças. Nós, advogados e dirigentes da OAB, estamos habituados a enfrentá-las. Nosso passado em defesa da República e da democracia dá consistência ao que afirmo.

Nosso propósito é contribuir para o aprimoramento das instituições, para a paz social e a produção de justiça neste país. E nada nos impedirá de cumprir nosso dever.

Sr. Presidente da República, sra. Presidente desta Corte, srs. Ministros,

Há pouco, a propósito da denúncia do procurador-geral da República a esta Corte, insinuou-se na mídia que nós, os advogados, seríamos instrumentos procrastinadores da justiça. Que funcionaríamos como freios na tramitação dos processos do Mensalão.

Repelimos com veemência essa pecha, que revela preconceito contra o advogado, má fé e desconhecimento dos fatos.

Quando o eminente ministro Joaquim Barbosa previu, com total razão, que, em face das dificuldades operacionais do Judiciário, aqueles processos poderiam durar até dois anos, nós, da OAB, pedimos a excepcionalização de seu andamento, para que se dê com maior rapidez uma satisfação à sociedade brasileira, atenuando a sensação de impunidade.

Cabe aqui deixar claro: a nós, advogados, não interessa a morosidade da Justiça. Sob nenhum ponto de vista – nem moral, nem político, nem corporativo. Justiça célere, sem prejuízo do devido processo legal e do amplo direito de defesa, é o que queremos.

Mesmo do ponto de vista estritamente corporativo, será sempre mais atraente para a advocacia uma Justiça eficaz.

Não podemos, no entanto, confundir celeridade com fobia ao devido processo legal, tal como hoje ocorre, a pretexto da luta contra o terrorismo, nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Seria um desserviço à justiça.

Confunde-se muitas vezes absolvição com impunidade. Absolvição é justiça também. E o advogado, respeitados os princípios éticos, com os quais nós, da OAB, temos sido implacáveis, deve se empenhar na defesa de seu cliente.

Não podemos eliminar o direito de defesa porque o processo é lento, porque é demorado. Temos que preservar a ampla defesa do acusado, pois isso é princípio fundamental do Estado Democrático de Direito. Isso é direito humano essencial.

E é preciso verificar quem é o vilão do colapso do sistema judiciário. Aqui, desta tribuna, a advocacia repele essa pecha.

Sabemos que são diversos os fatores que tornam a Justiça morosa – e já os apontamos à exaustão quando dos debates em torno da reforma do Judiciário, que deflagramos há 14 anos e que só há pouco mais de um ano foi parcialmente aprovada pelo Congresso Nacional.

A estrutura do Judiciário brasileiro, sabemos todos, é insuficiente para as demandas da sociedade.

Como agravante, há o cipoal das leis processuais, que permitem recursos em excesso, principalmente os regimentais, produzidos pelos próprios tribunais.

E é o Estado o que mais se serve do anacronismo estrutural do Judiciário para torná-lo mais inoperante. É o Estado também que mais recorre das decisões, mesmo quando sabe a causa perdida.

Friso que não estou me referindo ao advogado público, mas ao Estado.

O que justifica que o Poder Público tenha, por exemplo, prazos excepcionais, prazos dobrados, às vezes quadruplicados dentro de um processo – e a cidadania não?

O Estado já submete o cidadão de forma cruel pelo não cumprimento das decisões judiciais, quando, por exemplo, não arca com o pagamento dos precatórios fixados pelo Judiciário.

Ter, além disso, em pleno 2006, privilégio processual é distorção insustentável, intolerável, que merece nossa mais veemente reprovação.

Diante de tais fatos, repito, é inadmissível jogar nas costas da advocacia a responsabilidade pela morosidade da Justiça. Não é justo.

É preciso, sem prejuízo, repito, da ampla defesa, um processo mais ágil e célere, que estabeleça equilíbrio entre a expectativa da sociedade e a qualidade da prestação jurisdicional. Não podemos nos conformar com a paralisia processualística e burocrática que nos tem infelicitado.

A reforma do Judiciário, nesse sentido, precisar avançar mais – e muito mais.

Ela gerou, sem dúvida, inovações importantes, como a criação do Conselho Nacional de Justiça, que pôs fim ao nepotismo no Judiciário, mas é preciso dar seqüência às mudanças. Sem perda de tempo.

É, afinal, de Justiça a grande carência da sociedade brasileira.

E essa dívida social, que é também – e sobretudo – moral, cabe a todos nós.

Jean de La Bruyère, o grande moralista francês do século XVII, advertia que (aspas) “onde há pouca justiça é um grande perigo ter razão”. E é a esse extremo que tememos chegar: a um país em que a carência de justiça – no sentido amplo do termo: justiça social, moral e política – ponha em risco o império da razão.

Ou cuidamos disso agora ou talvez já não seja possível fazê-lo mais tarde.

Senhoras e senhores:

O Brasil não pode perder a compostura!

Que a posse da ministra Ellen Gracie Northfleet, pelo que simboliza de renovação e de esperança, favoreça uma profunda reflexão e conduza a efetivas e positivas mudanças na vida pública brasileira.

Que Deus a ilumine, sra. Presidente.

Muito obrigado.”

MARIO disse:
27 de abril de 2006 às 22:57

Prezado Dr. Roberto Busato

Expresso aqui minha apreciação por sua postura, em seu discurso proferido na posse da Ministra Ellen Gracie, o Senhor falou pela sociedade brasileira, exatamente tudo aquilo que desejamos expressar diante dos tres poderes da Republica, que infelizmente nos deixa sem perspectivas por um Brasil melhor.
O Senhor foi corajoso, destemido e mostrou aquilo que a sociedade vem sentindo nestes ultimos tempos.
O nosso querido Brasil está mais pobre naquilo no âmbito MORAL,o povo realmente não merece isto que esta acontecento.
Meus sinceros parabens

Mario Jorge Castelani

Carlos Bianco disse:
28 de abril de 2006 às 09:11

Felicio o Dr Roberto Busato, pelo pronunciamento.
Todo brasileiro, que esta assistindo esta "pitifaria" dos politicos, infelizmente nao tem voz ativa, pois o congresso, se "vedou" para nao ouvir a verdade, la se falam muito, rouba se muito e nenhum brasileiro tem o direito de contestaçao ou criticas.
****ISTO É UMA DEMOCRACIA???******
Saudaçoes Dr Roberto, estou contigo.

Francisco de Assis Souza disse:
28 de abril de 2006 às 09:15

Sr Busato,
Seu discurso foi inflamado, semelhante a inflamação típica da Sr Heloisa Helena. Contudo ao analisar o conteúdo, da mesma forma salta aos olhos o viés. A OAB, esta entidade construida pela sociedade brasileira, deveria ser cuidadosamente colocada a parte da luta política partidária que leva a oportunismos constantes, não preservando até mesmo eventos tão grandiosos como foi a posse da primeira mulher no STF.

Francisco.

Dr.Cicero de Oliveira disse:
28 de abril de 2006 às 09:34

Parabéns ao Dr.Roberto Busato pela coragem e franqueza perante as maiores autoridades deste País. Sou formado em advocacia há há mais de 20 anos mas não atuo pois optei por administração hospitalar.Meus 02 filhos estão seguindo carreira nesta profissão e quando ouvi seu discurso, senti imenso orgulho de ser Brasileiro pois tenho certeza que todo povo deste País, tem vontade de se manifestar desta maneira, mas ainda não tem coragem por falta de uma educação moral e cívica, principalmente porque os políticos deste País não se preocupam e nem investem neste setor.
Que Deus continue lhe abençoando.

Cícero de Oliveira

allmirante disse:
28 de abril de 2006 às 09:52

Cumprimentos ao destemido Presidente. Mantém acesa a chama da inconformidade não só de sua classe, mas de toda a cidadania. Numa democracia, não que que se contar com subservientes, nem com pelegos, aduladores e papagaios-de-pirata. Mister líderes que saibam ser porta-vozes do povo altivo, honesto, trabalhador e, principalmente, titular de todos os poderes. Não somos todos tolos ainda qua a hipocrisia suponha.

Rubens disse:
28 de abril de 2006 às 10:34

Muito bem, Dr. Busato.
Desejo que os políticos aproveitem pelo menos 10% de suas palavras.

Comentarista disse:
28 de abril de 2006 às 10:52

Se a mesma "inflamação" do referido discurso fosse usada na defesa dos advogados injustamente atacados no exercício de suas profissões (como, por exemplo, os advogados de Suzane, os advogados vítimas de invasões policiais em seus escritórios, etc), a classe agradeceria.

Mas esperar por isso, infelizmente, parece ser exceço de ingenuidade!

Ricardo Cubas disse:
28 de abril de 2006 às 13:25

A OAB deveria era puxar um movimento sério e cívico pelo voto nulo nas próximas eleições, propondo, dentre outras medidas, que para ocupar uma cadeira no legislativo qualquer cidadão deveria observar os seguintes requisitos :
- não ter estar presente no pólo passivo de ação penal, de ação civil pública ou de ação de improbidade, nos últimos 10 anos;
- nível secundário como requisito de escolaridade;
- reputação ilibada.
Só a partir da depuração do legislativo, extirpando as maças podres de lá é que o Brasil daria um salto qualitativo sem precedentes.

JCláudio disse:
28 de abril de 2006 às 16:40

Será que os políticos ficaram um pouquinho constrangido? Eu mesmo respondo: que nada, este discurso não foi para eles, o Dr. Busato está totalmente equivocado em seu discurso.
O apedeuta(Lula)deve ter dado muitas gargalhadas, pois ele não viu e nem ouviu nada em seu governo relacionado do discurso do Dr. Busado.

Armando do Prado disse:
28 de abril de 2006 às 18:45

A OAB, na figura de certos dirigentes, está vendo o sol nascer à meia-noite. Vão defender os advogados pisados por magistrados com juízite ou por promotores prepotentes. O que os dirigentes da OAB querem? Querem a condenação sem provas? Desaprenderam que o ônus da prova é de quem acusa? Querem "provas diabólicas"? Já julgaram e condenaram os políticos denunciados? Por enquanto, tudo contraria a prova dos "autos".

JPLima disse:
29 de abril de 2006 às 00:21

É nossas Instituições estão abaladas. Mas Democraticamente, infelizmente, o Lulla está com mais de 40% das intenções de voto para reeleição. É o jogo Democrátivo.

Valdir Assef disse:
29 de abril de 2006 às 01:33

Dr. Bussato, o Sr. verbalizou o que a grande maioria dos Brasileiros pensa, no entanto, faltou-lhe coragem suficiente ou os atributos atribuídos à Ministra pelo Ex Min. Nelson Jobim o deixaram constrangido. Mas que fique bem claro que o "Poder" é exercido não só por agentes Políticos, mas por todos agentes públicos, legalmente ou não, investidos em cargos e funções que decidem sobre o destino e a vida do sofrido povo Brasileiro, pois o Povo não é educado para reagir a tanto desrespeito e agressões a que é submetido. Nossa Constituição é rasgada diariamente, não existe mais respeito à hierarquia das Leis, acostumamos a aceitar desde uma Lei ordinária, até uma ordem de serviço violentando direitos consagrados ao exercício da Cidadania num verdadeiro Estado Democrático. Quando o Sr. se referiu às Autoridades Políticas, obviamente estão aí inseridos os dois Poderes, Legislativo e Executivo, e creio em todas as esferas, mas e como fica o Poder Judiciário nesse contexto, tenho para mim que o Sr. o tenha excluído propositadamente, todo profissional que exerce ou não a nobre missão Judicante, sabe perfeitamente a que estou me referindo. O Poder Judiciário é fatiado em tantas Justiças, e o que se vê no dia a dia é uma verdadeira afronta a princípios mínimos de Diretos do Cidadão. O Poder Judiciário, talvez seja o que precise de maior urgência na Postura, Formação, Conhecimento, Dignidade, Respeito, Probidade, e tantos outros adjetivos dignificantes aos que o integram, mesmo porque eles não são eleitos para ocuparem seus cargos, mas sim, concursados, empossados ou investidos, e efetivados, daí então se tornam quase que (como diria o Magri) imexíveis.
Mas num ponto concordo em gênero, numero e grau, só com a Sociedade Mobilizada é que evitaremos a catástrofe iminente.
E, portanto, sugiro ao Sr. que utilize o acesso à mídia que a nossa Gloriosa Ordem possuí, e deflagre uma Campanha para mobilização de nossa Sofrida e Oprimida sociedade. Porque o Sr. sabe muito bem que a parte visível da corrupção é grande, mas a invisível é muito maior e mais perniciosa. Mas mesmo assim acho que o Sr. fez a sua parte.
No meu meio, sou uma voz que ninguém consegue calar, pois apesar da minha vida ser um livro aberto (e sem páginas arrancadas), sofro dia a dia as mazelas do Judiciário, as minhas amizades são todas derivadas do Labor, e o que vejo no dia a dia, é que as amizades que nascem do Ócio, Lazer e porque não dizer da Gazetagem, muitas das vezes influenciam, e muito as decisões e ações em todos os Três Poderes.`
Lamento, pois gostaria de estar aqui elogiando nossas Autoridades, mas não é possível e se o fizesse seria Hipocrisia.

Valdir Assef
Empresário e Advogado

Ruberval, de Apiacás, MT disse:
29 de abril de 2006 às 02:14

Parabéns presidente Busato!!!
Agora, apenas falta o senhor encampar uma campanha para diminuir o valor das anuidades e permitir que o TCU fiscalize as contas da entidade que Vossa Senhoria representa.
Democracia é fiscalizar e deixar ser fiscalizado.

Lord Tupiniquim - http://lordtupiniquim.blogspot.com disse:
29 de abril de 2006 às 16:19

Se a crise servir para diminuir o Leviata estatal, entao teremos colhido algum resultado positivo. Se ficarmos so com a conversinha de credibilidade das instituicoes, mudando so as moscas as custas de conveniencia politica ou ainda porque alguns tombaram em razao de impedimentos legais, e so um de umas serie de outros escandalos.

Armando do Prado disse:
29 de abril de 2006 às 17:25

A fala do doutor Busato no STF soa como a descoberta de “areia no deserto”, ou o grito de “abaixo a ditadura” em plena vigência do Estado Democrático de Direito. O doutor presidente perdeu o bonde da história, ou pensa que é Prado Kelly, Nunes Leal, Fagundes, ou Faoro, com a diferença que estes tinham a coragem cívica e, principalmente, física. Arrombar portas escancaradas é a especialidade desses dirigentes, inclusive quando se alinharam com a Globo e a bem nutrida classe média apelidada de caras pintadas no impedimento da própria cria em 1992. Para não gastar muita vela com defunto ruim, faço rápido comentário sobre sua provocação a alguém que não podia responder, naquele momento e local. Elogios à ascensão de uma mulher e sabedoria feminina. Reforça a diferença, o machismo, o paternalismo com chavões gongóricos que só destacam o papel de mãe, dona de casa, fragilidade, etc. Melhor seria elogiar sua capacidade e sensibilidade, independente de sexo, cor e raça como comanda a Constituição. Quando Joaquim Barbosa chegar à presidência do STF, vão elogiar sua origem africana como motivo do atingimento? Crise de credibilidade. A exposição dessa instituição que deveria ser apartidária, mostra quem está em crise. Pergunte-se à maioria dos advogados. Autoritarismo. É mais honesto dizer que o autoritarismo se alimenta, também, de instituições que pregam o golpe sistematicamente fugindo de sua missão. Luta de bárbaros contra a civilização. Hoje a luta contra a barbárie é a inclusão, redimindo miseráveis num país com a maior concentração de renda do mundo. Procurador-Geral da República. O Procurador cumpriu o seu papel. O candidato à Faoro do século XXI esqueceu de dizer quem nomeou o Procurador. Esqueceu de dizer que denunciar não significa julgar e condenar como já fez o presidente da OAB. Aliás, o CNJ já mostrou que 80% das denuncias são arquivadas ou não dão em nada por inépcia ou falta de provas. Será o caso atual. Desencanto a ser revertido por meio da justiça. Doutor Busato, o desencanto será revertido com a diminuição da desigualdade (art.3º,III, CF). Isso está acontecendo, na medida que se elevou o rendimento médio da população, que estava em queda desde 1977. País da impunidade. Sim, apenas o doutor presidente “esquece” de dizer para quem existe a impunidade, ou seja, no andar de cima, o dos privilegiados que sonegam, que “lavam” ou ensinam como “lavar”, que manipulam e ainda reclamam que foram “invadidos” ou presos. Para os do andar de baixo e subsolo, não existe impunidade. Um pote de manteiga é motivo para 4 meses de cadeia. Voz das ruas. Incrível, mas o doutor presidente não aprendeu que clamor das ruas é o conduto mais rápido para fascismo. É o caminho para injustiças irreparáveis. O Brasil tem fome e sede de justiça. De novo o gongorismo. “É só começar a distribuir renda, pronto, lá vêm os banqueiros, jornalistas, políticos, inocentes úteis e bacharéis discursivos para golpear”. Doutor, Pindorama tem fome e sede de comida mesmo. Quando tinha a fome que o senhor cita, os que pensam como o senhor, estavam alegremente dando pareceres ou ajudando a escrever a “constituição” de 69. Lembram-se? Ameaçam colocar na rua... O povo não pode ir para as ruas? Só a classe média alta e os bem nascidos? Na verdade, o doutor gostaria de dizer “que história é essa! Ninguém respeita mais os donos desse país?” Ordem? Para o progresso de quem?
O doutor presidente precisa lembrar que a democracia que temos é o resultado de muitas lutas democráticas dos setores populares, progressistas, de esquerda e de parcelas esclarecidas da direita. Não foi monopólio de nenhuma entidade. Não lutamos para que os arenistas de anteontem e os travestidos de social-democratas de hoje joguem a “criança com a bacia d’água”. Não lutamos para que Imeldas paulistas e gerentes da “gestão da responsabilidade” (sic), candidatos de certos dirigentes da OAB, façam o país regredir aos idos dos 80 do século passado.
Armando Rodrigues Silva do Prado

Comentarista disse:
29 de abril de 2006 às 21:10

Caro Dr. Armando do Prado (Professor),

Parabéns pelo seu comentário, digno do endosso de qualquer pessoa que preze a democracia e o bom senso.

Poucas vezes tive a oportunidade de ler um texto tão profundo e tão esclarecedor quanto o vosso, que faz reviver a esperança de que nem tudo está perdido na nossa republiqueta das bananas. Afinal de contas, ainda há algo de lúcido dentre a enchente de insanidades a que somos obrigados a ler, ver e ouvir diuturnamente neste país...

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