“O papel do departamento jurídico está se tornando cada vez mais importante. Suas crescentes responsabilidades são o resultado de um maior envolvimento em todo o negócio e da sua participação na tomada de decisões estratégicas.” A opinião é de José Carlos Buechem, diretor jurídico da Astrazeneca do Brasil, e foi compartilhada pelos demais congressistas e participantes do seminário Juris — Gestão Estratégica para Líderes Jurídicos promovido pelo IRR — Institute for International Research. O evento acontece nesta terça (20/6) e quarta-feira (21/6).
De olho no planejamento estratégico, Adriana Albanez, diretora jurídica de operações farmacêuticas para a América Latina do grupo Sanofi-Aventis, ressalta que, além do conhecimento minucioso do negócio, o departamento deve buscar uma identidade de valores com a empresa. Para ela, também são necessários sólidos conhecimento técnicos e o trabalho em conjunto com os Recursos Humanos.
“O objetivo é agregar valor ao negócio e fazer um trabalho diferenciado para ter mais apoio, reconhecimento e mais recurso. É conseguir identificar, antes da maioria do ramo, que aquela solução será um benefício para a empresa.”
Para atingir esses objetivos, Adriana investe suas fichas na qualidade dos advogados do departamento. “O advogado que faz apenas pareceres e contratos faz parte do passado. O profissional deve ter uma visão crítica norteada por princípios jurídicos e estratégias criativas, além de ter um bom conhecimento sobre negócios.”
Quanto à divisão de trabalhos com os escritórios externos, a diretora jurídica acredita que se deve manter as áreas mais complicadas para serem analisadas internamente. Para ela, o advogado interno consegue entender melhor a realidade da empresa e isso faz diferença. Adriana conta que o departamento jurídico deu um grande salto ao contratar um advogado especialista em patentes.
Já Isabel Gomes, gerente-geral de negócios jurídicos da 3M do Brasil, faz um planejamento minucioso das atividades anuais do departamento. Ela promove, junto com sua equipe, visitas periódicas em cada área da empresa para ver quais são as necessidades do cliente. Também faz pesquisas sobre os anseios do cliente e quais as expectativas e o desempenho da área jurídica na visão de cada área. Ainda participa de reuniões de planejamento com a área de negócios e a diretoria para saber quais são os próximos planos da empresa e planejar novas estratégias.
As próximas metas do departamento são colocadas em uma tabela para avaliar o que é prioridade e o que está ou não sendo cumprido. Segundo Isabel, a idéia é aproximar o jurídico das demais áreas, agregar valor ao negócio e diminuir o tempo de resposta aos problemas apresentados.
Alexandre Dalmasso, diretor de compliance da indústria farmacêutica Bristol Myers Squibb Brasil, também investe em uma maior proximidade com os demais departamentos da empresa. Ele organiza a visita de membros do jurídico, que podem durar de um dia a uma semana, em outra área da empresa para conhecer melhor o negócio e a rotina e facilitar a busca na solução de problemas.
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