O ex-presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, foi encontrado morto na sua cela em Haia, na Holanda, neste sábado (11/3). Processado por crimes de guerra, Milosevic tinha 64 anos e sofria de problemas cardíacos.
A morte poderá criar uma polêmica na Corte Internacional em Haia, já que o tribunal negou autorização para que Milosevic fosse tratado em Moscou há um mês.
Acusado de genocídio durante a guerra civil na Bósnia (década de 90), o ex-líder iugoslavo fazia a própria defesa e chegou a arrolar como testemunha o ex-presidente americano Bill Clinton e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. As informações são do Portal do Estadão .
Líderes dos Balcãs lamentaram que o ex-presidente iugoslavo tenha morrido sem ter sido julgado e condenado pelos seus crimes. A Europa pediu que o fato seja considerado como uma oportunidade para que a região supere seu passado e que os demais autores de crimes sejam entregues ao Tribunal Penal Internacional.
“É uma pena que Milosevic não tenha vivido para passar por seu julgamento e que não tenha tido a sentença que merecia”, afirmou Stjepan Mesic, presidente da Croácia. No Kosovo, última guerra promovida por Milosevic, vários políticos também gostariam de ter visto uma condenação.
A União Européia alertou que a morte do ex-presidente não absolve a Sérvia de entregar outros acusados de crimes durante os anos 90. A UE, acusada de imobilismo enquanto a região entrava em guerra na década de 90, pede que o fato seja encarado como uma necessidade de que os Balcãs encarem seu passado e pensem no futuro. “Espero que esse fato ajude os sérvios a olhar definitivamente para o futuro”, afirmou Javier Solana, chefe da diplomacia européia.
A Áustria, que ocupa a presidência da UE e que faz fronteira com os balcãs, tentou garantir que a morte de Milosevic não afetará os processos no tribunal de Haia envolvendo outros acusados. “Isso não muda a necessidade de a região resolver seu passado, com o legado do qual Milosevic fez parte”, afirmou Ursula Plassnik, ministra das Relações Exteriores da Áustria.
Paddy Ashdown, ex-representante da UE na Bósnia, alerta que a morte do líder pode gerar certa instabilidade na região por algum tempo, já que simpatizantes de Milosevic podem querer mostrar que ainda existem.
Péssimo exemplo do TPI, que - a partir desse triste episódio - terá sua credibilidade ainda mais arranhada e contestada pela comunidade internacional, pois a morte de um ex-presidente da república em uma de suas celas é algo gravíssimo e sem precedentes na história moderna.
Que ele queime eternamente no fogo do inferno.
O TPI nunca foi realmente reconhecido por grande parte dos países do mundo, principalmente pelos não-ocidentais, que jamais acreditaram na sua imparcialidade.
Também pudera! Mesmo com as atrocidades cometidas contra o povo iraquiano (para se citar apenas um simples exemplo), não houve um estadunidense sequer processado pelo referido Trinunal.
E mais essa agora! Diante das últimas notícias a respeito da "morte" do ex-presidente, aliada à pressa em que um ministro de estado holandês teve em divulgar que a morte teria sido "natural" (antes mesmo da autópsia!), nenhuma pessoa de inteligência mediana seria capaz de duvidar que a morte do ex-presidente iugoslavo não passou de um covarde assassinado de alguém preso sob a custória do polêmico "Tribunal".
Diante disso, uma coisa é certa. Já está mais que na hora desse tribunalzinho de araque ser extinto, bem como algum país realmente independente e comprometido com a defesa da vida denunciar o governo holandês perante o Conselho de Segurança da ONU para que sejam aplicadas as sanções necessárias para se coibir esse tipo de comportamento, censurável sob todos os ângulos e de todas as formas.
Finalmente, resta a decepção de todas as pessoas que acreditam (ou acreditavam) na seriedade do TPI e na possibilidade de ver o ex-presidente realmente processado e condenado pelos erros e crimes cometidos, o que, com sua morte (ou assassinato covarde), não será mais possível, infelizmente.
Essa é, data vênia, a minha opinião.
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