O cidadão Ubiratan Guimarães merece respeito na morte. A cidadã Carla Cepollina merece respeito na vida. Ubiratan era coronel da reserva da Polícia Militar e deputado estadual em São Paulo. Carla é advogada formada pela Faculdade do Largo de São Francisco e doutora em administração pública diplomada pela Fundação Getúlio Vargas. Não são os títulos de ambos que lhes impõem respeito — é, isso sim, a exigência ética inerente à condição humana da mulher que está viva e a exigência ética inerente à lembrança do homem que está morto. Mais que isso: Carla e Ubiratan merecem respeito porque se amavam e namoravam. E é aí que começa a falta a atuação desrespeitosa daqueles que insistem em acusar e, sumariamente, condenar Carla Cepollina.
Ubiratan Guimarães foi assassinado em seu apartamento em São Paulo no dia 9 de setembro último. Como namorada de mais de dois anos, e como sempre fazia, Carla atravessou aquele sábado com ele, compartilhou a manhã (compromissos de campanha política), compartilhou a tarde (almoço na hípica) e compartilhou o início da noite (lazer, momento de relaxamento e de amor). O coronel Ubiratan morreu com um tiro no abdome. Pois bem, bastaram o tiro e a morte para que autoridades e parte da mídia declarassem sem o menor fundamento que Carla e Ubitaran não estavam mais namorando.
É desrespeito com Carla porque, até os últimos momentos de vida do coronel, era ela quem cuidava dele, a ponto de lhe comprar praticamente todas as coisas das quais ele necessitava — o coronel a reembolsava. Por qual motivo ele preferia assim, isso é outra história. O fato, porém, é que ela comprava com os seus cartões de crédito (Visa e American Express), guardava os comprovantes de despesas e sempre foi ressarcida. Há quem diga que isso é mentira. Bobagem. Atestam a verdade, por exemplo, uma série de notas fiscais. Uma delas: nota da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (farmácia, rua Benjamin Constant, número 55). Valor da nota fiscal: R$ 60,66 (nota número 000003). Valor do comprovante da via do cliente do cartão Visa: R$ 60,66 (comprovante número 493490-7011-07/09). Nessa ocasião, Carla gastou, com ela, R$ 22,76 (condicionador de cabelos tingidos, fita dental, Dove tingido 250 ml, Trisorb oftalmológico). Carla gastou, com Ubiratan, R$ 37,90 (Dorflex, gilete Mach 3, Maxiden suspensão, Therapsor creme). Outro comprovante: R$ 40,00 gastos em DVDs para a campanha política de Ubiratan (Visa, número 493490-7011-08/06).
Há uma infinidade de notas que vão da compra de uniforme para a empregada doméstica (dele) que está grávida (e mesmo grávida foi demitida, não por Carla, sem ter seus direitos trabalhistas pagos) até a compra de medicamentos para cuidar do cateterismo e do tratamento de catarata aos quais o namorado se submetera. Pois bem: Carla, a namorada, cuidava do namorado com o desvelo que até algumas esposas não têm pelos maridos. Por isso, é desrespeito e injustiça em relação a Carla quando dizem que eles não estavam mais namorando.
Falou-se do desrespeito com a ela. Mas também se desrespeita a memória do coronel ao se afirmar que o namoro terminara ou, então, que ele queria colocar um ponto final na relação. Uma indagação: seria o coronel Ubiratan o tipo de homem que, mesmo querendo pôr fim a um relacionamento, continuaria a aceitar favores da mulher que ele pretendia abandonar? Outra pergunta: o coronel continuaria a se relacionar nesse modelo tão íntimo do “você compra e depois eu ressarço” com alguém que ele não queria mais intimamente ao seu lado? Avancemos para uma terceira questão: o coronel seria homem que continuaria se relacionando com uma mulher que ele pretendia abandonar? O signatário desse artigo tem certeza que não. O coronel, segundo todos que o cercaram profissionalmente e particularmente, era um gentleman. Um cavalheiro. Não agiria assim.
Por que então há quem afirme que eles não estavam mais namorando? A resposta é simples: para empurrar para Carla a pecha da culpa — e, nesse ponto, chega-se até a falar em vingança e em premeditação. Quem conhece Carla Cepollina sabe que ela não é mulher talhada psiquicamente (na química de seu cérebro) e nem é mulher talhada comportamentalmente (nos estímulos ambientais de sua emoção) para insistir numa relação com um homem que sinalize que não a quer mais. Carla é dona da rara inteligência bem humorada daqueles que riem de si próprios quando levam um fora. Ela não é impertinente nem é mulher dotada de temperamento de forçar a barra.
Carla Cepollina não é o tipo de mulher que diz: ou você fica comigo ou não fica com ninguém. Ela é feita de outra matéria e de outro espírito, não da matéria do ciúme, nem do espírito da possessividade. Por outro lado, o coronel, pelo que se sabe publicamente, também não era homem instável nas relações e, muito menos, mantinha casos amorosos simultaneamente. Segundo a mídia, houve um esboço de romance entre ele e uma delegada federal. Segundo o signatário desse artigo, em apuração própria, houve um concreto romance entre ele e a advogada Patrícia Piazzaroli, quando ela era muito jovem. Patrícia mora atualmente em Curitiba. Em conversa telefônica, ela contou sobre esse romance iniciado num passado longínquo. Segundo Patrícia, ela e o coronel Ubiratan Guimarães mantiveram, após o fim do namoro, uma sólida amizade, tanto que, diz Patrícia, planejaram se ver em Ilhabela no réveillon de 2005. Foi apenas plano de amigos, porque Ubiratan optou mesmo pela companhia da namorada, Carla, e foi com Carla que ele esteve em Ilhabela — com direito a fotos nas quais aparecem felizes.
Quis o destino, no formato de um projétil calibre 38, afastar Carla de Ubiratan. Desejar agora separá-los também no amor, somente para culpar Carla, é arma de calibre mais pesado. A cidadã Carla não matou o cidadão Ubiratan. A namorada Carla não matou o namorado Ubiratan. Não há contra Carla uma única prova material, há apenas a prova fácil das conjecturas. O revólver desapareceu. Carla sumiria com ele? Não. Carla não é uma psicopata que tenha passado a vida atirando em pessoas e evaporando armas — e olha que ela já tem 40 anos de idade. Quem tem o mínimo conhecimento de psiquiatria, no campo do transtorno da personalidade anti-social ou na área de transtorno do controle dos impulsos, sabe que uma pessoa não debuta na carreira de criminosa fria, calculista e perversa somente aos 40 anos de idade. Psicopatas não perseveram em nenhuma atividade.
Convém aqui lembrar: Carla Cepollina tem dois diplomas de duas das melhores, mais rigorosas e mais difíceis faculdades do Brasil — ou seja, é perseverante. Psicopatas não trabalham. Carla deu aulas em faculdade e atuou no mercado de capitais, sempre com sucesso — ou seja, ela trabalha e persevera. Psicopatas têm a afetividade embotada. Carla ama Ubiratan. Falou-se também que Carla lavou com soda cáustica a roupa que trajava naquele fatídico 9 de setembro. Mas não gastemos tempo com isso, os que defendem essa tese é que devem apresentar a roupa carcomida e esburacada pela soda.
Faço aqui uma viagem no tempo. E viajo para falar um pouco da mídia. Década de 50, Estados Unidos. Uma mulher chamada Barbara Graham (magistralmente interpretada no filme Want to Live por Susan Hayward) foi injustamente acusada de homicídio. O jornalista Edward Montgomery, do Examiner San Francisco, a julgou e a condenou à câmara de gás antes mesmo que a Justiça o fizesse. Sem provas concretas contra Barbara Graham, ele escrevia seus editoriais e chegou a confidenciar a uma colega: “ela tem tudo que interessa: é bonita, é inteligente e é mulher. Logo, é culpada”.
Ao longo do calvário de Barbara no corredor da morte, enquanto aguardava a execução por quase uma década, Montgomery percebeu o seu equívoco e passou a defendê-la em seus artigos. Tarde demais. Barbara foi executada. Não é diferente o que parte da mídia vem fazendo com Carla Cepollina: Montgomery só ouvia fontes policiais, o mesmo ocorreu no caso de Carla. Dizem que as provas estão no inquérito e no processo, e que não podem ser reveladas porque tudo tramita em segredo de Justiça. Mas se não sabemos das provas, como acusá-la? Carla é inocente, mesmo porque a presunção da inocência é cláusula pétrea da Constituição do Brasil. Não há provas. E a verdade é que não haverá porque se está acusando uma mulher inocente.
Sempre que personalidades policiais morrem em situações suspeitas e a própria polícia despreza procedimentos básicos, paira o fantasma da dúvida e inocentes podem pagar o pato — um duro pato. Quando o delegado Sérgio Fleury morreu no feriado de 1º de maio de 1979, no mar de Ilhabela, ao passar de um iate para outro, não se fez a necropsia do corpo. Temia-se encontrar álcool em seu sangue e isso desmoralizaria um dos símbolos da repressão política da época, além de poder prejudicar a família num eventual resgate de seguro. Passou-se então a falar em envenenamento, passou-se a falar que o pobre marinheiro, que mergulhara nas águas geladas para tentar salvá-lo, seria o responsável pela morte. Investiguei durante três anos, como jornalista, esse caso (isso já na década de 90). Conversei com todos que estiveram com Fleury segundos antes de ele cair na água e morrer. Conversei com todos que presenciaram a sua queda. Foi assim, e somente pela queda, que ele morreu.
No caso de Carla Cepollina, não fizeram exame de resíduo de pólvora em suas mãos (ela se ofereceu duas vezes). Não o fizeram pelo temor do resultado negativo — o que implicaria investigar em outras direções, e o coronel Ubiratan era um homem controverso demais: na questão dos 111 presos do massacre do Carandiru, na questão de funcionários que ele foi obrigado a demitir, pelo fato de ser policial e político polêmico. Conversei com pessoas do prédio em que o coronel morava. Um zelador me contou que ele não depôs à polícia, mas que outro zelador comentou que se “embananou” e se “confundiu todo” no horário de saída de Carla do prédio do namorado — afirmou inicialmente que foi por volta das 22h30. Detalhe: Carla (comprovadamente por vídeo) estava na garagem de seu edifício às 21h06. Esse zelador depois voltou atrás e disse que Carla saíra do prédio de Ubiratan entre 20h e 20h30.
A questão de horários merece atenção. As autoridades estimaram o horário da morte do coronel entre 19h e 20h20. É uma janela de tempo escancarada que não diz absolutamente nada. Ao mesmo tempo, tiveram a precisão (precisão?) de cravar seis minutos de um lado e um minuto do outro: entre 19h06 e 20h21. Quem consegue fixar minutos dessa forma não consegue diminuir a enorme janela de período de tempo de 1h20? Outro ponto. O coronel Ubiratan não subia em palanques com o temor de atentados e vivia cercado de armas em seu apartamento. Como um homem, preocupado assim com a própria segurança, deixaria aberta a porta de entrada da cozinha (porta de serviço)? Todos no prédio me confirmaram que essa porta estava aberta quando a polícia chegou. E nela não há impressões digitais de Carla.
Carla Cepollina tinha de ser investigada, e isso é óbvio. Mas não somente ela, e isso também é óbvio. Barbara Graham pediu para ser submetida ao detector de mentiras (maior avanço tecnológico na década de 50, espécie de DNA da época), mas lhe negaram esse direito. Carla Cepollina pediu (duas vezes) para ser submetida a exame residuográfico de pólvora, mas não lhe fizeram a vontade. Barbara caminhou altiva para a morte e hoje os EUA reconhecem que executaram uma inocente porque as investigações que a condenaram foram frágeis e não exaustivas. Carla caminha altiva para a liberdade e para a reparação de sua execração pública porque é inocente. Caminhará altiva como ela sempre foi, e com o pescoço ereto. Altivez e pescoço que lhe permitem usar a gola rolê que ela tanto gosta, sem que pareça uma tartaruga ninja. Aliás, Carla não esconde a cabeça. Motivo: a inocência não se porta como tartarugas.
Belo artigo. É reconfortante ver que ainda há jornalistas que não condenam por antecipação; que examinam as provas contrárias à tese acusatória; que apontam as falhas da investigação. Seria mais cômodo e lucrativo seguir o rolo compressor do espetáculo. Dane-se o suposto inocente.
Prezado jornalista. Inocente ou culpada, não acredito que o processo contra Carla Cepollina terá uma breve conclusão. Melhor para ela, que está viva. A morte de Suzana Marcolino, namorada de PC Farias, ocorrida em 1996 e a da modelo mineira Cristiana Ferreira, que teve relacionamento com políticos importantes, ocorrida em 2000, ainda não foram devidamente esclarecidas. Acredito que sempre que há o envolvimento de autoridades ou altas personalidades da vida nacional, as coisas caminhem assim. Ou será que estou enganado?
MUITO BONITO O TEXTO, MAS NA VERDADE TRATA-SE DE MAIS UM CASO DE PSICOPATA COM PEDIGREE.
Ora, suspeito que oferece as mãos para exame de resquícios é porque já os removeu. Algo "lombrosiano" esse artigo ao concluir pela existência de pessoas incapazes de cometer crimes com base na aparência, formação, cultura, modos, etc. Com certeza o jornalista Pimenta Neves é inocente. E quem sabe também Suzane Richtoffen.
Até a condenação presume-se a inocência. Portanto, nem ao mar nem à terra. Agora, que o jornalista caprichou, isso não podemos negar, até o assassino covarde do Fleury ele foi buscar. Aguardemos o lento caminhar da justiça. Se fossem as Marias pobres, pretas e periféricas, que tentam furtar margarina ou shammpoo, já estariam devidamente trancafiadas e quase condenadas.
Muito bom, CSI Brasil...Mas, ainda não foi julgado. Gostaria de ver seus comentários sobre pessoas e casos não famosos. Como disse Luismar, Pimenta Neves e Suzane tambem são inocentes? Posso guardar o texto?
O jornalista Prado demonstra de maneira clarividente o seu desconhecimento jurírido;não diria má-fé de seu artigo,ou excessiva passionalidade em abordar confusa tese, mas, uma ingênua e famaliá defesa de uma ré(será, porque somente é mulher?) que apresenta - como em exame de DNA, 99,9% - uma insuperável posição de única e absoluta suspeita pelo torpe homicídio.Sugiro ao jornalista Prado que frequente urgentemente uma boa faculdade de Direito, pública de preferência.
Até prova e julgamento presume-se realmente a inocência. O Sr.Prado foi veemente em sua posição.
Lembro entretanto o caso do Promotor Igor que foi julgado e condenado pelo assasinato da mulher. Acompanhou o julgamento à distância e que eu saiba até o momento não cumpre a pena.
Possuía carreira. O exercício profissional de qualquer atividade lícita não impede que a pessoa cometa um desatino. Muitas vezes a experiência profissional pode facilitar atuações não dignas...
Como mulher espero que ela de fato não seja responsável pela morte da pessoa que dizia amar.
Ironias em comentários demonstram a falta de argumentos minimamente razoáveis, então, se o jornalista fez análise séria e isenta, de acordo com o que pode colher de provas no sentido literal do termo, a tática da discordância é a ironia. Percebe-se também, em névoa que mal disfarça a intenção, que a maioria das mulheres que "condena" a acusada, o faz com certo ranço de inveja da sua formosura em vários aspectos: bonita, bem-sucedida, bem-nascida e disponível para se relacionar com quem quiser. Nossa sociedade cheira a môfo e os maiores fascínoras estão dentro de gabinetes mal arejados e embolorados, que só sabem se relacionar entre si em pequenos grupos que funcionam como um sistema entrópico. Causa náuseas essa história de irmandade, onde um encobre por dever de consciência no agrupamento hermético, os erros do outro. Assim, se a acusada matou ou não matou nosso amigo Ubiratan, o fato é que muitos ganharam alguns "minutinhos de fama" com a correria defronte aos prédios em que se desenrolou uma parte da trama. Pessoalmente, fico, primeiro, com o caso quase recente do delegado Di Rissio, claramente alvo de orquestração ainda que deva responder por algum delito de menor potencial ofensivo. Ou com o triste episódio da última sexta-feira quando um filho de 42 anos foi duramente envolvido por TODOS, eu disse TODOS, os noticiários do país e até do Exterior como assassino dos pais. Luzes, Câmera, Ação! Quem será o próximo? Sandra Paulino
O horário provável da morte e a negativa em fornecer as peças corretas de vestuário, são os elementos que podem demonstrar pela promotoria, a tese de crime minimamente passional.
Acredito na inocência de Carla. O Coronel tinha inumeros inimigos e dentre eles pessoas bem próximas e para essas pessoas a Carla estava atrapalhando.Ela era um incomodo que precisaria ser extirpada assim como o Coronel. Matando o Coronel e acusando a Carla tiraram os dois do caminho de uma só vez. Evidente que é o que eles pensam porque a Carla vai provar sua inocência.
Caro Articulista,
Valorosos os diplomadas da ACUSADA, mas não a exclui da trama. Poderia citar inúmeros graduados acusados e condenados por homicidio. Seus argumentos tornam-se inválidos a partir do momento em que o elemento passional soma-se aos fatos. A ACUSADA, foi a única e última pessoa a estar junto com a vítima, justamente no provável horário da morte. Basta explicar isso e o crime certamente estará esclarecido. AH! e ao que sabe, essa parte não esta explicada. Agora notas fiscais, ressarcimentos financeiros.......pura BALELA
Caro Jornalista,
Seus comentários são perfeitamente lógicos e conferem com aquilo que temos visto no dia a dia. Lembra-se do absurdo acontecido nestes dias, em que um filho foi acusado por TODOS de ter assassinado seus pais? Pois é, agora sabem quem matou pela confissão feita de forma espontânea pelo assassíno. Onde estão os rastilhos de prova, as roupa carcomida de pólvora ou as impressões digitais dela? A Polícia nada apurou quanto a isto e agora conclui, por presunção absurda, que ela é a crimnosa. Por último, como sempre faz, esconde as provas que diz ter. Sinceramente, não acredito em tais conclusões, preferindo dizer que até agora, pelo própria e natural incompetência da Polícia, ela é inocente. Estou com suas razões.
O articulista evoca o caso da bela Bárbara Graham, injustamente executada na década de 50. Evoco, por minha parte, o caso de O. J. Simpson, ex-astro da National Football League (NFL), que por todas as evidências possíveis e imagináveis matou a esposa e o amigo. Simpson foi absolvido por uma decisão política da magistratura americana, que preferiu não enfrentar um provável conflito racial de conseqüências imprevisíveis. Cinicamente, pretendia publicar um livro, que acabou rejeitado pelo editor, no qual explicaria: “se eu os tivesse matado, como o teria feito”. E isso aí, prezado jornalista. Não adianta tomarmos partido a favor ou contra este ou aquele acusado, jurando sua inocência ou culpa. A Justiça que temos é imperfeita – algumas vezes, inocentes são condenados e culpados são absolvidos. Sejamos realistas.
O articulista evoca o caso da bela Bárbara Graham, injustamente executada na década de 50. Evoco, por minha parte, o caso de O. J. Simpson, ex-astro da National Football League (NFL), que por todas as evidências possíveis e imagináveis matou a esposa e o amigo. Simpson foi absolvido por uma decisão política da magistratura americana, que preferiu não enfrentar um provável conflito racial de conseqüências imprevisíveis. Cinicamente, pretendia publicar um livro, que acabou rejeitado pelo editor, no qual explicaria: “se eu os tivesse matado, como o teria feito”. E isso aí, prezado jornalista. Não adianta tomarmos partido a favor ou contra este ou aquele acusado, jurando sua inocência ou culpa. A Justiça que temos é imperfeita – algumas vezes, inocentes são condenados e culpados são absolvidos. Sejamos realistas.
Não. Não acredito mesmo que um jornalista — e mais do que isso, um editor da revista Istoé — tenha sido o autor desse texto. Com certeza, alguém escreveu e, gentilmente, ele permitiu que usasse seu nome. Quem sabe para imprimir mais força à mensagem, lhe dar credibilidade, distingui-la com status.
O texto é desconexo, inutilmente longo e despreza técnicas primárias de redação jornalística. Como a concisão, por exemplo. O autor faz prejulgamento: “a inocente Carla Capolina...” Seria o mesmo que alguém dissesse “a criminosa Carla Capolina....”. Ela ainda não foi julgada. Hoje a Justiça aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra Carla. A audiência para o interrogatório, se não houver adiamento, vai ser dia 5 de fevereiro de 2007, às 14h30, no Fórum Criminal da Barra Funda.
Outra coisa: o autor é psiquiatra? Pois declara, sem citar fontes: “...uma pessoa não debuta na carreira de criminosa fria, calculista e perversa somente aos 40 anos de idade”. Baseado em quê diz isso? E volta a ensinar: “Psicopatas não perseveram em nenhuma atividade”. Nem consta que Carla tenha sofrido esse tipo de acusação.
Finalmente, um editor da IstoÉ (revista de minha preferência) não recorre a expressões dúbias. “Pode usar gola rolê”, dá para acreditar? A imagem sugere que a vestimenta serviria, num momento de aperto, para, repuxada, encobrir a cabeça. Não mostrá-la.
E aqui para nós: a figura da tartaruga é menos associada à retratilidade do crânio do que à lentidão. E, convenhamos, as características conhecidas da advogada são diferentes. São de uma pessoa muito rápida.
Concordo!
Nunca vi esse coronel na vida,mas acho que um homem ,ao que tudo indica,machista,não iria ficar "subjulgado" por uma mulher que não mais queria.
Mas o que mais me dá a convicção da inocência da dra.Carla , são os depoimentos dela: mais de trinta horas...Carla depôs(o articulista não mencionou),por mais de trinta horas perante os delegados e MP:não confessou...Ou a Polícia é incompetente civil (e sabemos que não é!) ou é inocente.
E,digo: o fato do MP ter ofertado a denúncia perante a Mídia é pq ELE MP não tem provas,se tivesse teria feito um arrazoado e encaminhado ao órgão competente,e não convocar uma entrevista coletiva. A oferta da denúncia perante a Mídia demonstra que ele MP não tem provas contra a Carla,e a denúncia é para fazer,perante a mídia o convencimento da população,posto o crime ser da alçada do Júri e quando for à Júri a cabeça dos jurados já estará feita.
Friso-me nos depoimentos dela não existem contradições,nas mais de trinta horas que depôs perante os Delegados e membros do Ministério Público(se existissem contradições nos depoimentos,o MP teria os usados como argumentos na denúncia televisiva!),assim sendo: creio em sua inocência e a polícia civil deveria buscar o verdadeiro assassino que está por aí gargalhando ao ver acusada uma inocente.
A Justiça pelo jeito vai ser feita de modo diverso.
A acusada de matar o Coronel do Carandirú vai ser absolivda da mesma forma que o Coronel foi quando foi Julgado pelo Massacre.
Coisas do destino!!!
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