Editora é condenada por erros de português em livro

A Editora Sagra Luzzatto foi condenada pela 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a pagar R$ 30 mil por danos morais ao professor Édison Oliveira. Em sua 6ª edição, o livro, que pretendia tirar dúvidas de português, foi publicado com vários erros de impressão e gramaticais. Cabe recurso. A informação é do site Espaço Vital.

O livro Todo o mundo tem dúvidas, inclusive você foi colocado à venda em novembro de 2004. No começo do ano seguinte, o professor conseguiu, em tutela antecipada, a retirada dos livros publicados que ainda estivessem nas livrarias.

Na primeira instância, a juíza Elisabete Corrêa Hoeveler, da 12ª Vara Cível de Porto Alegre, determinou a apreensão dos livros e entendeu que os erros causaram constrangimento ao autor. Estabeleceu o valor da indenização em R$ 100 mil. A editora contestou. Alegou que “erros na edição de livros geralmente ocorrem”.

O TJ gaúcho manteve a determinação, mas reduziu a quantia para R$ 30 mil com correções e juros legais. Para o relator, desembargador Paulo Antonio Kretzmann, o valor foi estabelecido levando-se em conta vários aspectos como “as circunstâncias gerais e especiais do caso em concreto, a gravidade do dano, o comportamento do ofensor e do ofendido – dolo ou culpa -, sua posição social e econômica, a repercussão do fato, à vista da maior ou menor publicidade, a capacidade absorção por parte da vítima etc”.

Processo 70.018.223.735

Embira disse:
03 de abril de 2007 às 17:23

Curioso, no governo FHC o Ministério da Educação mandou editar a coleção “Letras do Brasil”, que pretendia buscar em 400 anos de produção literária os nomes mais representativos das letras do país. Eram textos integrais, com adendo crítico e pequena biografia do autor. A Editora escolhida foi a Edelbra, também gaúcha, de Erechim. Os livros eram destinados a apoio didático para o 1º e 2º graus e vestibular. Depois de distribuídos pelo governo, constatou-se que continham muitos erros de português. Acho que não foram recolhidos, mas, descartados pelas escolas, porque ainda são encontráveis nos sebos da cidade de São Paulo.

Guilherme G. Pícolo disse:
03 de abril de 2007 às 20:58

Retirar o livro do mercado é legítimo para resguardar o interesse público. Quanto à indenização ao tal professor, para mim não passa de enriquecimento ilícito legitimado. Qual é o dano? O professor não é capaz de refutar o livro se considera inadequado? Quanto é o seu salário? Por essas e outras, o Brasil vai seguindo o exemplo dos EUA nas indenizações desproporcionais. Tanto que já tem muito espertalhão vivendo de indenizações dos JECS a pretexto de consumidor lesado moralmente pelas coisas mais banais do mundo.

Banalizaram o dano moral. Cuidado ao olhar torto com alguém do outro lado da rua...

maria luísa disse:
04 de abril de 2007 às 12:56

1. O professor está repleto de razão.
2. A indenização é irrisória, levando-se em conta o dano que pode causar a sua imagem.
3. Nossa língua,infelizmente, não é levada a sério, não é respeitada.
Maria Luísa

Ana Só disse:
05 de abril de 2007 às 10:29

Entendo que um livro com um ÚNICO erro de português é um livro COM DEFEITO. A extensão do dano é muito maior do que se supõe: as pessoas aprendem a escrever errado!
E aí, algumas curiosidades:
1. Na Bienal do Livro em que foi lançado o Monte Cinco, de Paulo Coelho, eu estava também autografando (não importa aqui o que seja) e saí do meu stand para conhecer enfim o autor pessoalmente.
Para isso, tive de aquirir o livro. Quando abri, caí de costas. Não vou entrar no mérito da obra em si, mas só dos erros que continha. Em cada página havia mais de 20 erros de todos os tipos!
Eu via aquela fila de pessoas, eram mais de 600, e Paulo Coelho atendendo a todas com o maior sorriso.
Chegou a minha vez, falei para ele que o livro estava REPLETO de erros e que ele deveria suspender a fila e fazer alguma coisa. Ele sorriu, muito delicado, e disse "que iria ver". E continuou autografando!!!
Até hoje o livro está nas livrarias, tal como foi (apressadamente) editado, para dar tempo de entrar na Bienal e faturar.
Comentários? Acho que nem precisa.

2. As editoras, ultimamente, quase não contratam mais revisores. Também o revisor que conhece bem português é uma raça em franca extinção. As editoras utilizam o próprio pessoal de escritório para revisar... e o resultado é catastrófico. Se todos os livros que contêm erros fossem tirados das livrarias, restariam uns 30% à venda, quando muito.

3. A nossa Constituição Federal, pelo que me lembro, tem uns 3 ou 4 erros (pontuação etc). Certa vez, comentei com o fato com dr. Alexandre de Moraes, na então Secretaria de Justiça em SP, e ele me disse que, para consertar esses mínimos erros seria preciso como que... proceder a uma nova Constituição, pois nada nela pode ser modificado.
Até hoje não me conformo com isso... mas é um fato.

4. Para Caroline (jornlista): não é o caso de enriquecimento ilícito, e nem é o caso de enriquecimento sem causa (o termo correto), pois existe uma causa. Um livro não deve ter erros de português. Aliás, se todos que comprassem um livro com erros o devolvessem, essa situação já teria melhorado.

5. Muitos erros são importados, no momento da tradução. Inclusive coisas como uma vírgula antes do "e", que em inglês é regra e em português é errado (e com razão). Ou "que refere-se a", pode parecer mais chique mas é errado, pois o "que" atrai o se, então é: "que se refere a".

6. Muitas editoras (principalmente as grandes) têm um contato precário com o autor e não submetem a ele o livro depois de digitado ou "revisado". O autor põe as mãos na cabeça quando vê o livro pronto e com defeitos, isso para o autor que escreveu corretamente sua obra.

7. Minha experiência como tradutora também me mostrou que o livro, depois de "revisado", contém mais erros do que os originais que eu enviei à editora, mas também nesse caso as editoras quase nunca contatam o tradutor, e não põem revisor e tradutor em contato.
O tradutor só tem acesso ao seu trabalho depois que o livro está pronto, e aí não há mais o que fazer. O erro fica como se fosse do tradutor. Isso é muito frequente.

8. Felizmente, com os livros que escrevi não tive problemas, pois o contato com as editoras foi muito bom.
Estou lançando um livro pela Russel Editores, em Campinas, "Assédio Moral - Um Manual de Sobrevivência".
Se houver algum erro, não poderei culpar a Russell, pois eles são ótimos nesse sentido, deixam que o autor participe do livro até o final, inclusive capa, e aceitam o que o autor tem a dizer. Inclusive orientam o autor com uma paciência e uma disposição que até hoje eu não vi igual. Se tiver algum erro (e isso não é impossível) de distração, terá sido mais "mea culpa". O livro sai no fim de abril.
Um livro deve ser revisado no mínimo 5 vezes, ainda assim sujeito a distrações. Não é uma redação... é um trabalho muito maior. O nosso idioma merece mais carinho do que vem tendo agora.
A professora tem razão.

Bira disse:
11 de abril de 2007 às 18:16

Impensável...lembro de certo livro de matemática aonde o autor afirmava que as retas paralelas se encontravam no infinito...sic

Neli disse:
09 de junho de 2007 às 16:14

Dias atrás,conversando com uma estagiária,descobrimos que em seu livro de Direito Civil há um erro crasso do próprio direito civil,depois o aluno em um exame erra e não pode ser chamado de apedeuta...Aqui atribuo falha ao próprio autor que deveria sempre fazer revisão minuciosa em sua obra.

Neli disse:
09 de junho de 2007 às 16:21

Ana: graças a deus apareceu mais uma pessoa para falar dos absurdos erros na obra de Paulo Coelho...qualquer criança com razoável conhecimento na matéria jamais erraria o que consta nos livros de PC...

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