A proibição da queimada da palha de cana-de-açúcar em Limeira (SP), determinada pela Justiça paulista recentemente, contraria uma lei estadual que prevê a eliminação gradativa das queimadas, abrindo espaço à colheita mecanizada. Como a cidade, que fica a 156 quilômetros da capital paulista, é um pólo do cultivo da cana-de-açúcar, a decisão poderá ser rapidamente copiada por outros municípios do estado. A conseqüência imediata será o enxugamento dos postos de trabalho, deixando centenas de milhares de cortadores sem ocupação.
Entendemos e apoiamos a proteção ambiental. No entanto, as autoridades devem ficar atentas ao grave problema social que vão causar com a questão do desemprego, sem que haja tempo necessário para que os cortadores de cana sejam realocados.
Em São Paulo, a queima da palha de cana é regulamentada pela Lei 11.241 e pelo Decreto 47.700, de março de 2003, que determinam que a queima seja totalmente substituída em 30 anos. Apenas a partir desse prazo será obrigatório o cultivo mecanizado de cana crua. Porém, as secretarias estaduais da Agricultura e do Meio Ambiente trabalham em conjunto para eliminar em dez anos a queimada que antecede o corte de cana.
Tentar antecipar o prazo é temeroso e inviável. Sempre pensando no impacto social, não há condições de proibir essa prática e mecanizar a colheita em tão curto espaço de tempo. As autoridades argumentam que a atividade da queima da palha é prejudicial também para a saúde do trabalhador. No entanto, em nenhum momento apresentam soluções de como capacitar essa mão-de-obra e gerar novas frentes de trabalho.
Na prática, a questão é mais profunda do que se imagina. Estamos falando de uma geração inteira, que passou a vida nas plantações, desenvolvendo a habilidade e as técnicas do corte da cana com a queimada da palha. A pergunta que fazemos às autoridades é: do que viverão esses jovens e pais de família que utilizam da atividade de corte da cana como principal fonte de renda? Eles serão simplesmente substituídos pelas máquinas, como exige a lei?
Vamos ao exemplo de Cândido Mota, cidade a 451 quilômetros de São Paulo, com 32 mil habitantes, onde quase metade da população é de cortadores de cana. Essa medida lá seria, no mínimo, uma tragédia.
A colheita mecanizada é uma tendência irreversível no processo de aumento da produção de açúcar e álcool, seguindo a explosão da demanda mundial por novas fontes de combustíveis. Mas há o temor das conseqüências disso. Não basta criar leis que consigam amenizar um problema — como a difícil questão ambiental. O que não pode acontecer é o agravamento da tão complexa questão do desemprego, um dos causadores da pobreza e da violência.
Problema social é a queima, a poluição e as doenças causadas. Ora, se tem máquinas que colhem a cana sem precisar queimar, não há motivo nenhum de ficar queimando e poluindo.
Por outro lado, não se pode esquecer que os "trabalhadores" estão vindo de outros Estados, portanto, não há problema social algum!
Problema social é o emprego inútil e insalubre.
Eu acho que deveriamos tirar os caminhões e trens em atividade e dar emprego para carroceiros.
O Brasil inteiro ficaria empregado inclusive o diretor desta entidade.
Parar de queimar somente daqui há 30 anos?
Pode ser que até lá não tenhamos mais nada para queimar não é mesmo?
Para resolver o problema do desemprego, que tal oferecer educação adequada e compatível com o progresso tecnológico? Quer dizer que o ilustre autor prefere a degradação do meio ambiente e da saúde do trabalhador a oferecer melhores condições de vida e inclusão social adequada por meio da educação? O falso fundamento do desemprego é uma tentativa lamentável de manter a exploração da camada social menos favorecida.
Tomo a liberdade de colar meu comentário feito anteriormente:
Os cortadores de cana que fazem um trabalho artesanal perigoso, extenuante e de baixa produtividade, que só é possível ser realizado mediante queimada preliminar. O custo é alto, o serviço é demorado e caro, o efeito colateral é o pior possível: é muita fumaça, são acidentes e mais acidentes em razão da falta de visibilidade, incêndios nas propriedades vizinhas, os hospitais ficam lotados de crianças, idosos e também adultos com problemas respiratórios. A sociedade se acovardou diante dos reclamos dos sindicatos dos cortadores de cana então os grandes produtores rurais foram obrigados a deixar paradas as suas máquinas modernas - que funcionam sem a necessidade de colocar fogo na palhada (que colhem por dia o equivalente a 100 homens). Além de não precisar de incêndios as máquinas incorporam a palhada ao solo, o que é extremamente ecológico e benéfico. Até quando vai esse acordo com os sindicatos que impedem as máquinas de cortar a cana de forma racional, segura e sem fogo???? Está na hora de avisar para os cortador que estamos no século XXI, que não há mais emprego para eles. Por outro lado, seria mais barato pagá-los para não trabalhar, ou seja, o trabalho deles é realizado de forma prejudicial a saúde da população. É preciso coragem para acabar com as queimadas, é mais barato pagar para os cortadores ficarem em casa, ou melhor, que recebam e aprendam uma nova profissão. Não se pode perder de vista que muitos são analfabetos, então antes de qualquer coisa, o governo precisa ensiná-los a ler e escrever. Estamos diante de dois problemas a saúde da população e o desemprego de alguns milhares de cortadores,QUE SÃO PESSOAS VINDAS DE OUTROS ESTADOS ESPECIALMENTE CONTRATADAS PARA ISSO, é possível encontrar solução para ambos.
O que vão queimar daqui 30 anos? Os papeis cujas besteiras os políticos insanos deixam de herança para o povo que, parece-me, perdeu sua capacidade de protestar por cidadania, por uma vida melhor...
Concordo com tudo o que foi dito acima pelos missivistas, mas gostaria de destacar o seguinte:
Como afirmado, se a proibição da "queima da palha de cana-de-açucar" gera um problema social decorrente da falta de emprego que acabará gerando, a "PERMISSÃO DESSA QUEIMA" também não gera um outro gravíssimo problema social e a meu ver muito maior, que é de "SAÚDE PÚBLICA" em decorrência das doenças respiratórias largamente conhecidas e decorrentes da poluição do ar, câncer de pulmão, etc., além da sujeira que provoca e dos gastos impostos a todos os contribuintes com uso constante de "ÁGUA EM EXCESSO" que têm de usar para limpar a sujeira feita pelos usineiros que buscam apenas seus lucros astronômicos e fáceis?
E o problema ambiental, não será considerado? Há necessidade de se gastar tanta água - o bem mais valioso em vias de acabar - para que usineiros secularmente gananciosos assegurem suas riquizas, explorem trabalho escravo e exportem açucar para o mundo?
O que nós, que nunca fomos consultados sobre isso, temos a ver com tudo isso?
Eu pergunto, não caberia uma gama de "AÇÕES INDENIZATÓRIAS" para sermos ressarcidos pelos usineiros dos gastos que nos são anualmente (quase o ano todo) impostos, para nos protegermos da sujeira que eles causam em benefício próprio?
Pensem nisso com carinho...
Novamente as mesmas afirmações e acusações sobre a cana-de-açúca, do tipo que a cana-de-açúcar causa problemas respiratórios, que a cana-de-açúcar causa problemas ambientais, em fim, afirmações infundadas que de tanto serem repetidas acabaram se tornando verdade para a sociedade.
Primeiro, o agronegócio da cana-de-açúcar é o setor onde mais se respeitam e se preservam as distâncias de rios, lagos e nascentes, onde se criam e mantém APP's e matas ciliares, ao contrários das lavouras brancas, como trigo, soja, feijão, onde tais cuidados não são fiscalizados com intensidade necessária.
Também, que as tais doenças respiratórias não são causadas única e exclusivamente pela queimadas de cana. Devemos nos lembrar que temos safra de cana-de-açúcar durante os meses de abril à novembro, é so verificamos esse aumento no número de doenças respiratórios nos meses de junho à agosto, meses esses que representam a época mais árido do ano em nosso estado. Para provar tal alegação, pode-se citar o exemplo de Atibaia, cidade que não produz/queima cana-de-açúcar e não tem cidades que queimam cana-de-açúcar em um raio de aproximadamente 100 km. Nessa cidade tais problemas respiratórios acontecem com a mesma intensidade do que acontecem em cidades como Piracicaba, apesar de não haver qualquer queima de cana-de-açúcar a um raio de 100 km daquele local.
Também, devemos considerar que, além do impacto social negativo que causará a parada repentina na queimada da cana-de-açúcar, deixando milhares de desempregados, ninguém se lembra dos benefícios trazidos pela cana-de-açúcar, através do combustível renovável álcool, principalmente no ambito da redução de poluentes emitidos por veículos automotores movidos a combustíveis fósseis, que são comprovadamente nocivos a saúde.
Ainda, para que a cana-de-açúcar, cultura cultivada em nosso país desde o tempo do Brasil colônia, possa se adaptar ao fim das queimadas, já existe um prazo estabelecido: 30 anos.
Por final, devemos nos lembrar que nada se muda em um instante, sendo que a sociedade leva um tempo natural para se adaptar a novas realidades, sendo imprecendivel respeitar esse lapso de tempo estabelecido pela legislação do estado de São Paulo.
Nossa!
Ou fica-se sem emprego ou morre-se pela ação do fogo, fumaça ou dano ambiental.
Interessante.
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