Veja o noticiário jurídico dos jornais deste domingo

É grande a expectativa para o julgamento do mensalão, que acontece esta semana no Supremo Tribunal Federal. O processo será um desafio para o tribunal, o governo e a imprensa.

No Supremo, o anseio cristaliza-se na defesa externalizada em reportagem da revista Veja. Cinco ministros afirmam categoricamente que têm os telefones grampeados. Três dão nome ao responsável: Polícia Federal.

Os ministros são Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello e Carlos Ayres Britto. Eros Grau e Cármen Lúcia também foram entrevistados, mas afirmaram que não acreditam que estejam grampeados. Neste domingo (19/8), Joaquim Barbosa, como relator do inquérito do mensalão, também mostra preocupação e afirma que suspeita que está sendo monitorado.

Já os jornalistas mostram a dificuldade em lidar com o Judiciário. Ao contrário do Congresso, onde não faltam fontes com informações em off, no Supremo as notícias são mais difíceis de serem apuradas devido a discrição da maioria dos ministros. Sem informações certas, repórteres e colunistas dão tiros para todo lado. Neste domingo (19/8), as reportagens afirmam que “relator irá votar a favor da denúncia do procurador” a até “ministros fazem debate informal sobre mensalão”.

Se no campo jurídico as novidades são raras, os jornais tentam então levantar histórias paralelas. Na Folha de S. Paulo, o mensalão ocupa praticamente todo caderno de política. Um time de repórteres foi escalado para fazer um levantamento de como vivem os principais acusados. Em uma cobertura que se assemelha ao do mundo de celebridades, o jornal mostra fotografias da casa de José Dirceu e Marcos Valério.

No O Estado de S. Paulo, a questão continua política. O jornal lembra que os petistas envolvidos no processo não serão punidos pelo PT. Diz ainda que para o governo o julgamento causa apreensão. Reportagem afirma que o julgamento desta semana “pode vir a ser a única discussão longa e pública sobre o maior escândalo do governo Lula no plenário da corte suprema até as eleições de 2008 e 2010”.

Em O Globo, a informação é que o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, tem em mãos novas provas para reforçar as acusações contra os 40 integrantes do esquema em questão. Relatórios da Receita Federal deu ao procurador uma estimativa do tamanho do mensalão: R$ 284 milhões.

Igualdade

O ministro Marco Aurélio Mello assina artigo na Folha sobre a questão da homofobia. Para o ministro, a igualdade é colorida. “A melhor notícia parece ser a censura social: hoje em dia é politicamente incorreto defender qualquer causa que se mostre preconceituosa. Se a discriminação racial e a de gênero já são crimes, por que não a homofobia?”

180 anos das Arcadas

Celso Lafer, professor titular da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Brasileira de Letras, escreve artigo no Estadão comemorando os 180 anos da criação dos cursos de Direito no país e da faculdade do Largo São Francisco, completados no dia 11 de agosto.

“Concluo observando que a celebração dos 180 anos confirma que a Faculdade de São Paulo tem a característica de um local de memória, para recorrer à formulação de Pierre Nora. Locais de memória nascem e vivem de um sentimento de relevância dos fatos passados com os do presente e da sua importância para o futuro. Num país como o nosso, no qual a tradição é fraca, a memória é pouca e as instituições são frágeis, cabe comemorar o alcance da Faculdade como um local de memória da vida nacional”, diz o professor.

Patrulha urinária

Elio Gaspari, na Folha e Globo, lembra a história da atendente de telemarketing que ganhou na Justiça do Trabalho uma ação porque a empresa Contax (um ramo da Telemar) permitia que ela fosse ao banheiro apenas cinco minutos por dia. O colunista cita dez clientes da empresa: Banco Itaú, Banco Real ABN Amro, Bradesco, Banco HSBC, Citibank, Correios, iG, Net, Unibanco e UOL.

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