Em artigo publicado na Folha de S. Paulo no último domingo (26/8), o diretor da Faculdade de Direito da USP, João Grandino Rodas, procurou justificar suas atitudes em relação ao ocorrido entre os dias 22 e 24 deste mês. Primeiro, a ocupação simbólica da instituição pelos movimentos sociais. Depois, a truculenta desocupação pela Tropa de Choque da Polícia Militar. Por fim, o fechamento da faculdade por dois dias, com suspensão das aulas.
O desembargador evoca o Estado Democrático de Direito, os bons índices acadêmicos e de pesquisa da universidade pública brasileira e dispara: “É aceitável que grupos alheios à universidade a usem como palco privilegiado de suas reivindicações, por mais justas que possam ser?”.
Nossa resposta: o objetivo, ao adentrar simbolicamente as centenárias arcadas, foi provocar a reflexão sobre os graves problemas que afetam a educação em nosso país e dizer que queremos, sim, cada vez mais, ver pobres, negros e sem-terra, “os alheios”, ocupando as carteiras das universidades brasileiras.
Ao longo dos anos, o sistema público de ensino inverteu a sua lógica de ser instrumento de inclusão, promoção social e desenvolvimento nacional. Sofreu intenso processo de desmonte e se transformou em mais um mecanismo de exclusão e marginalização de alguns setores da sociedade.
Sem contar que a faculdade de direito, ao longo da história, se consagrou como guarida, porto seguro, o que lhe garantiu a alcunha de “Território Livre” para todos que enfrentavam anos difíceis nas ruas do país. Podemos lembrar a resistência ao Estado Novo e à ditadura militar, a greve dos metalúrgicos em 1978, as campanhas pela anistia e as Diretas-Já!.
A ocupação não desacreditava ou solapava a instituição, como sugere o diretor. Sem a dramatização que carrega o seu texto, o protesto contava, sim, com elementos ligados à universidade: estudantes da USP e de outras instituições organizados pela UNE (União Nacional dos Estudantes).
O diretor soube desse fato desde o princípio, pois enviou o professor Nestor Duarte para representar a diretoria e conversar com os manifestantes. Além disso, foi informada a presença do Centro Acadêmico XI de Agosto, que, apesar de não ter participado do ato, queria garantir que a ocupação ocorresse pacificamente.
A manifestação era simbólica e integrava a Jornada de Lutas em Defesa da Educação, série de protestos que mobilizaram mais de 100 mil pessoas em diversas cidades e que promoveram outras ocupações de caráter pacífico e sem incidentes com a polícia.
Símbolo desse sistema excludente, a Faculdade de Direito da USP deveria ficar ocupada por um prazo determinado e amplamente divulgado de menos de 24 horas. O músico Tom Zé esteve presente ao ato, realizou show improvisado e declarou apoio à ocupação. A proposta, desde o início, era realizar até às 15h do dia seguinte outras atividades culturais, debates e grupos de discussão.
Em nenhum momento houve intenção de esbulho possessório, já que por esta prática se entende o “ato de despojar o possuidor da sua posse injustamente, ou seja, de forma clandestina, violenta ou por abuso de confiança”. Não se configurou -e isso quem fala são representantes que estavam dentro da ocupação até as 2h, quando a Tropa de Choque chegou batendo os cacetetes em seus escudos — nada que justifique a acusação.
Não foi um ato clandestino. Não houve violência. A entrada e a saída do prédio não foram impedidas. As aulas não foram interrompidas e ocorreriam normalmente no dia seguinte. Não abusamos da confiança do diretor — muito pelo contrário—, ele é que o fez, enviando representantes para negociar enquanto solicitava a intervenção da PM.
A entrada do choque no “sagrado solo de são Francisco”, em especial na Sala dos Estudantes, mancha a história da instituição, pois a fere em sua conceituação de território livre, algo tão caro para várias gerações. Reforça ainda a visão dominante de que a universidade pública é feita somente para os que conseguem ter acesso a ela.
No caso da USP, em particular no curso de direito, ingressam, na maioria, filhos de uma elite nacional sustentados, como lembra o professor Grandino Rodas ao final de seu artigo, “pelos impostos de todos os paulistas”. Uma parcela representativa desses contribuintes, inconformados com a atual situação, estava se manifestando na universidade. Como nos anos de chumbo, saíram de lá no camburão da polícia.
Artigo publicado originalmente, nesta terça-feira (28/8), pela Folha de S. Paulo.

Mas vejam que interessante!
A propósito de "elites", vagabundos ramelentos e intelectualmente desonestos como os autores do texto, queiram ler a transcrição abaixo (um pouco longa) do blog de REINALDO AZEVEDO ainda do dia de hoje:
Banco dos réus, elites e intelectuais de esquerda
Vejam abaixo o panteão dos réus do mensalão. Ali está a cúpula do partido que está no poder. Hoje, eles não detêm mais o poder formal na legenda e no governo, mas ainda são autoridades incontestes do petismo e do estado paralelo. Sua influência se espalha de forma tentacular pela administração pública. Não é um telefonema de Zé Dirceu apenas que é “UM TELEFONEMA”, como ele próprio definiu. Todos ali ainda têm grande influência. Quando menos porque representam, entendo, a nova classe social que chegou ao poder junto com Luiz Inácio Lula da Silva, o Grande Chefe do réus. Hoje, é bem provável que o publicitário Duda Mendonça dê mais peso ao banco — ele, o homem que traduziu o petismo para os simples de espírito. Mas como éi que chegamos aqui? Como é que o país foi entregue a isto que o procurador-geral chama “uma quadrilha”? Acreditem: parte da resposta, eu vi ontem, no programa Roda Viva, que entrevistou o sociólogo Alberto Carlos Almeida, autor do livro A Cabeça do Brasileiro, publicado pela Editora Record . Mas, antes que fale do programa, farei uma pequena digressão.
Depois da redemocratização, desde Fernando Collor, governa o Brasil quem obtém a maioria nas urnas. Não sei se notam: a esquerda tenta fazer crer que apenas Lula obteve os votos dos pobres, o que lhe conferiria especial legitimidade — ou, pior, lhe permitiria ir além da legitimidade de seu cargo e da legalidade também. Atribuir a eleição do Apedeuta aos pobres obriga a atribuir-lhes também a eleição de FHC e Collor. A resposta tristemente óbvia dos petistas, eu já conheço: “Ah, mas só agora os miseráveis votaram em alguém do seu grupo social”. Trata-se de uma mentira não-autorizada pelos números e pela história. Ou, na hipótese de o PT perder a próxima disputa, forçoso será admitir que os pobres terão votado contra si mesmos. No fundo, é isso mesmo o que a esquerda acha, razão por que a sua adesão às urnas é, em termos históricos, recente. Só respeita disputa que ela vença.
O que Lula conseguiu foi outra coisa: estabeleceu uma divisão na sociedade brasileira entre o que o PT chama “ricos” e “pobres” como nunca houve. Aí, sim, o petista introduziu uma novidade — péssima novidade — na política. Resulta dessa divisão algum benefício para os menos favorecidos? Absolutamente nada. No que diz respeito ao futuro, as escolhas, ao contrário, os condenam à mendicância. Tornou-se tabu, por exemplo, questionar os fundamentos do Bolsa Família, um programa emergencial e compensatório surgido no governo FHC e tornado a única política social relevante do governo Lula, ampliado como indústria do voto. Quanto ao mais, perguntem como vai a saúde no Nordeste, por exemplo. Assim, concluo essa digressão afirmando o óbvio: em termos estritamente numéricos, serão sempre os pobres a eleger o presidente da República. A razão é simples: são a maioria.
Na roda viva
Agora volto ao Roda Viva e à minha indagação inicial: como chegamos aqui? Como é que um país é obrigado a pôr no banco dos réus a cúpula de um partido e de um governo? Quem elegeu responde, é certo, pela escolha que fez. Mas boa parte da elite intelectual brasileira — especialmente a de esquerda — divide essa responsabilidade com a massa menos informada. Esta foi, vá lá, culposa; aquela é dolosa. Um dolo ético, que nasce da suposição de que os horizontes gloriosos com os quais um governo de esquerda acena justificam os meios criminosos. Não é maquiavelismo; é marxismo tosco; não é realismo; é stalinismo criminoso.
A TV Cultura convidou as seguintes personalidades para entrevistar Alberto Carlos Almeida: Roberto Damatta, antropólogo; Claudio Weber Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil; Alon Feuerwerker, editor de política do jornal Correio Braziliense; Francisco Alambert, professor de história contemporânea da USP, e o cantor e compositor Lobão. Almeida estava lá para falar de seu livro. Duvido que a esquerda tenha remotamente produzido um texto tão contundente mostrando a importância que tem a educação na formação do caráter de um povo. Com base em dados empíricos, colhidos numa pesquisa, ele descobriu que a educação torna, na média, as pessoas menos tolerantes com os desmandos e mais tolerantes com a diferença; menos tolerantes com as incompetências do estado e do governo; mais tolerantes com a individualidade — sua e alheia.
Assim VEJA sintetizou na revista da semana passada o seu estudo: “A parcela mais educada da população é menos preconceituosa, menos estatizante e tem valores sociais mais sólidos. Se todas as pessoas em idade escolar estivessem em sala de aula hoje, a pleno vapor, o Brasil acordaria uma nação moderna no dia 1º de janeiro de 2025 – depois de um ciclo completo de educação. Os brasileiros passariam a ter baixíssima tolerância à corrupção e esperariam menos benesses de um estado protetor. Funcionários públicos ineficientes e aproveitadores seriam uma raça em extinção. Os cidadãos lutariam mais por seu futuro, em vez de se entregar distraidamente à loteria do destino. Nesse país, as pessoas de qualquer credo ou classe social se veriam como portadoras de direitos iguais. As diferenças sexuais seriam mais respeitadas. Provavelmente pouquíssimos endossariam a frase estampada no alto da página 87 – ‘Se alguém é eleito para um cargo público, deve usá-lo em benefício próprio’.”
Mas foi o que bastou. O uspiano Francisco Alambert, que, visivelmente não havia lido o livro, ficou a pouco de ter um ataque de apoplexia no programa, virando os olhinhos nervosos e impacientes, enquanto o entrevistado falava. Não fazia propriamente perguntas, mas lançava quase reptos no limite da civilidade, como se ignorante fosse o outro. Santo Deus! O que dizia de tão espantoso Alberto Carlos de Almeida? Resumo assim: ética e tolerância são valores que podem ser ensinados e podem ser aprendidos na escola. A baixa educação é compatível com um padrão de maior relativismo. Isso, ele colheu em sua pesquisa. Os menos educados tendem, por exemplo, a condescender com o “rouba, mas faz” e com a idéia de que é normal um político tentar se arrumar e beneficiar parentes.
Ah, acontece que a pesquisa mexe com duas taras das nossas esquerdas: 1) as elites (palavra que nem está no livro) brasileiras são especialmente malvadas, perversas mesmo; 2) o povo é dono de um saber que vai se formando na luta: o saber do oprimido. Ora, o livro demole os dois mitos, que alimentam teses vagabundas, universitários vagabundos e políticos vagabundos, que terminam no banco dos réus — quando o desfecho é bom. É mentira. A elite brasileira (quem empregou este termo foi a VEJA e estou empregando agora) cultiva, na média, os melhores valores da democracia, sendo certo que existem comportamentos fora do padrão. À medida que diminui a escolaridade, o que costuma ser coincidente com a pobreza, cai o apreço pelos valores democráticos.
Alambert se contorcia na cadeira. Ele entendia o que Almeida achou na pesquisa como uma tese: “o povo não sabe nada; os ricos brasileiros é que é bacanas”. E isso, em absoluto, não está no livro; não está na fala do autor; não está nem mesmo no debate. Numa de suas intervenções, o uspiano deixou claro que via as nossas elites (como se ele próprio não pertencesse a seus quadros) como fonte de todos os males do país. Estava nervoso. Ner-vo-sís-si-mo!!!, eu diria. Quando o entrevistado afirmou que elas são menos tolerantes com as ditaduras do que o povo, ele quase cai da cadeira. Tivesse menos opiniões e fosse mais dedicado, deveria levantar o traseiro da cadeira uspiana e fazer pesquisa: por que não vai perguntar o que o seu amado “povo” acha de coisas como linchamento, fechamento do Congresso e homossexualismo?
Insisto
Sim, perguntemos sempre: “Como foi que chegamos ao ponto de ter a cúpula do governo no banco dos réus?” Sem dúvida, os pobre que Alambert conhece de seu provável manual marxista — um marxismo pobrinho, tudo indica — elegem presidentes da República, mas são as elites intelectuais, às quais ele pertence, que os justificam e os explicam. No Brasil, infelizmente, elas são de esquerda — tão de esquerda, que se mostram incapazes de entrevistar um sociólogo que não seja alinhado com o seu pensamento sem que reste no ar a suspeição de má-fé. Vejam o programa: em certos momentos, quase se podia tocar em tal esfera. Parecia que Almeida estava ali para chicotear o povo e propor a beatificação dos ricos.
Num péssimo momento do programa, Paulo Markun fez ao entrevistado uma pergunta delinqüente de um espectador: se as nossas elites são tão boas, como se explica que jovens de classe média tenham espancado uma doméstica? Aposto que houve perguntas melhores do que esta. Porque esta é puro gangsterismo da rede petralha, que aparelha até programa de televisão. É tão legítimo atribuir o espancamento da doméstica à classe média quanto atribuir aos pobres o assassinato do menino João Hélio. Esses cretinos conhecem a rotina de violência nas periferias, onde o “povo mata o povo?” Mais um pouco, e alguém acusaria os garotos de pertencer ao movimento Cansei...
A cúpula de um partido e de um poder está no banco dos réus (uma prova, por enquanto, da vitalidade das nossas instituições, que ela ainda não conseguiu destruir) porque cometeu crimes. E os cometeu com o incentivo e o patrocínio teóricos da esquerda intelectual brasileira. Essa gente tem o mesmo DNA moral daqueles que, no passado, justificaram todos os crimes do stalinismo e do maoísmo.
No meu artigo de estréia na VEJA, há um ano, escrevi o que segue em azul:
“(...) a democracia é um regime legitimado pela maioria, mas sustentado pelas elites, de que a imprensa faz parte. As esquerdas se arrepiam diante dessa afirmação. Entendo.
A alternativa histórica às elites esclarecidas é o déspota esclarecido. Se, no passado, ele podia ser um homem, no presente, tem de ser um "partido", um ente de razão com poder de se sobrepor às leis, embora não dispense o demiurgo. Lula é o Tirano de Siracusa (aquele que Platão tentou converter à filosofia, coitado!) dos intelectuais petistas. A decana do delírio é a filósofa Marilena Chaui. No livro Simulacro e Poder: uma Análise da Mídia, ela afirma que o discurso da direita se sustenta no senso comum. À esquerda caberia desmontá-lo para criar uma "nova fala".
Marilena é a Tati Quebra-Barraco da academia. Seu funk filosófico apela à barbárie, mas tem o charme da resistência, a exemplo de certas canções de Chico – Lula é o "meu guri" que chegou lá. Ela ressuscita a tara do marxismo vagabundo de que o senso comum existe como falsa consciência, a ser superada pela iluminação de uma razão transformadora. Conclui-se que o povo, deixado à própria sorte, vai para a direita. Se educado pela militância, pode atravessar os umbrais da liberdade. Na China de Mao Tse-tung, 70 milhões morreram sob o efeito dessa luz.”
A pesquisa de Almeida acaba com esses falsos dilemas e essas falsas dicotomias, e a academia, como sempre, será o último bastião de resistência do atraso. Boa parte de nossos intelectuais está muito ocupada justificando crimes para que possa pensar numa sociedade mais ética.
Richard,
Esse cara morreu para mim... Falou uma besteira tão grande no calor da discussão, que seus textos perderam um bom sentido. Recuso-me a ler esse maluco... Que volte Roberto Campos.
“Como nos anos de chumbo, saíram de lá no camburão da polícia”. Céus! Tenho o “dever amaríssimo” de fazer uma defesa dos anos de chumbo. Em 1968 ingressei na São Francisco. Em junho daquele ano, houve uma assembléia no centro acadêmico. Disseram que era para discutir a ocupação da faculdade, como protesto contra a morte de um estudante no Rio de Janeiro. Eu e mais três colegas, dois rapazes e uma garota, ficamos na rua, defronte da faculdade, enquanto os demais foram discutir a possível ocupação. Nisso chegou um caminhão carregado de tijolos baianos, aqueles de barro, com seis ou oito furos e o motorista insistia que o local da entrega era ali. Um dos colegas, que morava na Casa do Estudante (eu morava no Crusp), disse: é aqui mesmo, foi o Alfredo Buzaid que pediu. Então, descarregamos metade da carga na frente da faculdade. A outra parte, descarregamos na porta dos fundos. O colega da Casa do Estudante assinou a nota fiscal como Alfredo Buzaid. Quando o pessoal saiu da assembléia, pela porta do centro acadêmico, a ocupação já estava consumada. Ou o script havia sido combinado sem que todo o quarteto soubesse, ou tratou-se, de fato, de um ato de genuína porra-louquice. Ou todo o quarteto foi porra-louca, ou metade dele, pelo menos, foi inocente útil. O fato teve tremenda repercussão. Ocupada a faculdade de Direito: ninguém que passava lá acreditava no que estava vendo. A ocupação durou cerca de quarenta dias. Dormíamos na faculdade. No dia da desocupação eu não estava lá, mas, ninguém sofreu violência. Todo mundo saiu numa boa. Ninguém foi, sequer, fichado na polícia. Um dos integrantes do referido quarteto tornou-se juiz de direito e já aposentou. Na época, havia elite e pobreza na faculdade. A elite estudava de manhã. Se agora só existe elite é porque a qualidade do ensino público decaiu muito. Eu entrei na faculdade sem cursinho e fiz somente escola pública, no interior. O ensino público era ótimo e, na minha opinião, decaiu por um fator fundamental: a falta de disciplina nas escolas. No meu tempo, temíamos o inspetor de alunos; hoje, são eles que morrem de medo do corpo discente. O problema do ensino público é esse: falta de disciplina. Como iremos resolvê-lo, se todas as teorias psicológicas em moda apontam no sentido de que se deve passar a mão na cabecinha do aluno?
O artigo tenta justificar a atitude irresponsável de alguns “gatos pingados” que desastradamente invadiram a Faculdade Direito do Largo de São Francisco, trazendo, no final, uma afirmação falaciosa, repetitiva e inconsistente: a maioria dos que estudam na faculdade de direito da USP são oriundos da elite.
Falo isso porque minha situação discrepa desse argumento falacioso, bem assim porque conheci várias pessoas que igualmente nele não se encaixam. Vários colegas lá estavam pela sua determinação e autodomínio, bem assim pelo esforço dos pais, da família toda, que se esforçaram conjuntamente para ter um filho, um irmão, um sobrinho ali estudando. Sim, conheci muitos cujos pais eram pasteleiros, feirantes, pequenos comerciantes, etc.,
Meus pais: genitor - analfabeto, profissão: lavrador. Genitora: semi-analfabeta (analfabeta funcional), aprendeu a ler e a escrever na década de 70 graças ao extinto MOBRAL, profissão: empregada doméstica.
Meu perfil ensino fundamental e médio: escola pública. Tempo decorrido entre o término do ensino médio (nomenclatura antiga) e aprovação na Fuvest para cursar Direito no Largo de São Francisco: 12 anos (motivo: necessidade de trabalhar - desde os 14 anos de idade, para auxiliar no orçamento familiar).
Algumas profissões exercidas (com muito orgulho): empacotador de supermercado(aos 14 anos de idade), promovido para repositor de supermercado; ingresso no exército como conscrito; escriturário na Secretaria de Estado da Saúde – SP (concurso público); supervisor de compras Escola de Enfermagem da USP (concurso público); Comprador da Comgás (concurso público); Técnico Judiciário TRF(concurso público).
A USP não é lugar para despreparados intelectualmente nem para pessoas indolentes, é, sim, para negros, brancos, amarelos, ricos e pobres, desde tenham força de vontade e capacidade intelectual.
Assim sendo, não se pode atribuir outros adjetivos a esse infausto artigo a não ser os seguintes: tendencioso, parcial, fraco e mentiroso.
Interessante seu relato, Caldeira. Tem muito a ensinar a esses tiranetes do "pobrismo".
Nunca fui filho de elite e entrei - e saí - das Arcadas. Quem não tem a compreensão da exata importância do Lgo. S. Francisco para a democracia, essa mesma que permite que imbecis queiram "invadir as Arcadas", NUNCA entrará lá ppor outro meio senão a invasão, mediante força. "Aqui só entra quem prestou vestibular" - sem cotas.
Só estudei em escolas públicas, inclusive na São Francisco. É evidente que, atualmente, o ensino público não dá conhecimentos suficientes a quem pretende ingressar em boas faculdades, o que é lamentável. No entanto, nada disso justifica a BADERNA que politiqueiros inescrupulosos e alunos mal preparados, sectários por aventura, promoveram naquelas solenes Arcadas. Nada do que vimos ali recentemente se compara aos movimentos gloriosos mencionados no absurdo texto.
Já que nas Arcadas só ingressam os filhos da elite o presidente Ricardo "Sapeca" Ribeiro bem poderia convidar os manifestantes removidos pela PM para ingressar em sua humilde morada, no bairro proletário de Higienópolis (São Paulo/SP).
O XI já teve melhores presidentes do que esse ai. Aliás o XI não costumava ir a reboque nas manifestaçoes politicas. Era a vanguarda e sempre respeitado.
A esse presidente e sua presidenta sugiro uma proposta para discutirem na proxima reunião deles: invadir qualquer outra faculdade e deixar a São Francisco produzindo talentos e sendo nacionalmente ouvida.
Parabens ao Diretor das Arcadas pelas providências.
Ricardo Nicolau
Artigo ridículo.
Aliás, o que é a UNE mesmo?
Quem representa?
E quem é esse ilustre desconhecido presidentezinho do XI?
Exemplar a decisão do Diretor da Faculdade.
Deveria a reitora da USP ter feito o mesmo com a cambada de vagabundos que invadiu recentemente a reitoria.
Elite ou não, só deveria entrar quem é aprovado em vestibular. Nem na época dos covardes de 64, ousaram tanto. O senhor Rodas (sic) rodará na história que costuma ser implacável.
As viúvas da ditadura militar podem continuar sonhando com "os bons tempos", mas eles não voltarão, apesar dos Rodas que tentam facilitar e aplaninar esse caminho.
Não se deixe intimidar por quem não conhece os fatos e só faz manifestações de natureza política, Dr. João Grandino Rodas. Manter a ordem faz parte do estado de direito, da democracia. Esse seu gesto de autoridade - e não de autoritarismo - engrandecerá ainda mais a sua história.
O "tio" não consegue controlar sua verborragia imprestável.
Impressionante como alguém mais, além do Lulla, consegue falar tanta bobagem.
O subsubscritor do artigo é presidente do XI.
Que coisa, heim?
Belo besteirol. Essa turminha deve se preocupar em estudar. Já não chega a discriminação que está tendo com a imposição de reservas de vagas (que sou contra, diga-se de passagem)?
Mas que interessante.
Duas situações absolutamente paradigmáticas: em uma, um bando de ramelentos e mafaldinhas, instrumentalizados pelo SINTUSP, pelo PSTU, PCO, PCdoB e outros "bichos" (desculpem-me os bichos pela má comparação), INVADE com violência a reitoria da Universidade formada e sustentada pelo suor do povo paulista - a grande maioria do qual jamais poderá cruzar os seus portões para estudar - e, após absurda e vexaminosa atuação, a abandona vandalizada e espoliada.
Na outra: um outro bando de vagabundos agitadores, das mesmas siglas e de outras também (MST, EDUCAFRO, etc.) de igual forma INVADE a Faculdade de Direito da mesma USP, porém localizada fora da Cidade Universitária e o seu Diretor, homem de verdade e com culhões, chama a polícia, avisa ao governador e aquela retira os VAGABUNDOS, conduzindo-os ao distrito para qualificação.
OH! Grande atrabília! Magna arbitrariedade! Somente comparável às invasões de Gengis Khan ou de Átila, o "Flagelo de Deus", não é mesmo?!!!
Só na cabeça de um PeTralha, fujão, borra-cuecas, mistificador, anti-clerical, mentiroso, abortista,
escroto e infantil. (essas duas últimas qualificações são novas, devidamente conquistadas pelo "fessô", pela sua recusa em pedir-me desculpas por envolver a minha mãe nas suas boquirrotices).
É por essas e por mais tantas outras, que as "opiniões" obradas pelo "fessô" gozam de tanto respeito e prestígio neste democrático espaço, não acham?
Um viva e parabéns ao Professor João Grandino Rodas, a demonstrar que ainda existem homens, nesta tão sofrida e devastada terra.
Quanto aos dois ramelentos pascácios...una "pernacchia" para eles, como dizem na "bella Itália"!
CONCLAMO TODOS OS ALUNOS DAS ARCADAS A PROMOVEREM UM "RECALL" CONTRA O ATUAL PRESIDENTE DO XI. COMO É ELE SE PRESTA A SERVIR DE MASSA DE MANOBRA EM BENEFÍCIO DESSES PETELHOS,FILHOTES DO "SÉ DYRCEL", E QUE VIVEM DO DINHEIRO DE ONG'S E DA VENDA DE CARTEIRINHAS DE ESTUDANTE? A TAL UNE TEVE O MÉRITO DE DESTRUIR A CREDIBILIDADE DO MOVIMENTO ESTUDANTIL, TAL QUAL O PT FEZ COM A POLÍTICA.
FAÇAM UMA ASSEMBLÉIA E CASSEM O MANDATO DESSE RAPAZ.
Vivi nos anos da Ditadura e sei o que é repressão!
Infelizmente,hoje em dia, o Brasil que nós lutamos tanto pela democracia, vai se descambando para a anarquia.
Os autores estão equivocados.
O que se fez na FADUSP foi preservar o patrimônio e,pq não,a autoridade.
Parabéns,Senhor Diretor.
Pelo fim do ensino gratuíto.
Como se vê pelos comentários, o preconceito continua imperando entre as classes média e alta da sociedade.
A despeito de casos excepcionais e depoimentos de vida comoventes de um e outro, o fato empiricamente constatável, estatítico, histórico, é que as Arcadas são predominantemente compostas por uma elite social, sim. Falácia é afirmar o contrário porque o Fulano de tal estudou em escola pública e passou na Fuvest para o Largo.
A criminalização dos movimentos sociais também persiste. Foi o que vi nos últimos dias nas Arcadas - uma série de colegas franciscanos preconceituosos, chocados em se deparar com uma realidade que não é a deles, em ver abalada a ilha de calmaria em que estudam no centro da cidade, cercada de miséria e sujeira.
Ainda, apoiar a conduta do Diretor em acionar a PM é mais uma mostra das intolerância em relação às minorias.
O Sr. Rodas só ratificou sua postura autoritária e preconceituosa, afirmando, na Sala dos Estudantes, dois dias depois, que assim agiu por imaginar que o movimento não contava com apoio de estudantes.
Episódio lamentável, que poderia ter sido melhor resolvido através do diálogo e da compreensão. Como disse o prof. Orione (na mesma conversa na Sala dos Estudantes): os movimentos sociais vieram à Faculdade do Largo, e nós os recebemos com a Tropa de Choque.
A verdade é que a universidade pública brasileira não é pública coisa nenhuma. Só entra alunos de escolas particulares, ou seja, os ricos e a classe média. O pobre não tem acesso à universidade. É uma inversão de valores. Não sou a favor das cotas, sou a favor de que nas universidades públicas SÓ entrem quem não pode arcar com uma particular.
E daí?
E se essa gente é melhor preparada e consegue passar no vestibular?
O que está errado é o filho do pobre não ter as mesmas oportunidades de estar preparado para também disputar, e isto sim.
Tem escola pública por aí que nem professor tem.
Professor da rede pública ganha uma merreca, e ainda se subordina à total falta de respeito que hoje grassa no ensino. Quem se anima?
Por outro lado, para que investir no ensino público, na educação, na saúde, e "com que roupa" (Noel), já que com um programa social de quase dez bilhões ao ano , que inclui Sus,Luz para todos, gás , subsídios no consumo, Bolsa Família (esta com quase quarenta milhões de beneficiados contando os indiretos). etc. etc., o PT tem garantido o número de votos de que precisa para se perpetuar no poder?
O Ministro da Saúde chiou, e Guido Mântega o recebeu a muito contragosto (geralmente ne recebe), e sabe a verba que foi combinada? A merreca de quinhentos milhões, numero bem distante dos dez bilhões gastos com Bolsa Família, etc. etc.
Tem muita gente nesse país que se senta na porta da casa só esperando o mês passar para passar o cartão magnético. Chique né! Para que estudar, para que se dedicar?
O que tem de gente aposentada por invalidez nesse país, é brincadeira. Há cidades por aí - o Brasil é grande - que quase cinqüenta por cento da população é aposentada.
A CPMF foi instituída para que 100% de sua receita fosse destinada à saúde. Querem rir? Hoje nem 10% vão para a saúde.
Sabem quem paga a conta disso tudo?
Justamente aqueles que são jocosamente chamados de elite.
Leiam na última Veja a reportagem de Dória Júnior. O homem é elite sim, só que trabalha 17 horas por dia, e oolha que saiu do nada porque seu pai foi exilado político e perdeu tudo no exílio. Enfim...
Discordo, doutor. Acho que universidade pública não é instituição assistencial para acolher os menos favorecidos. O que é necessário, não sei como, é restabelecer a qualidade do ensino primário e médio na área pública. Esse ensino era muito bom e penso que o principal fator que fez com ele ficasse como está foi o fim da disciplina. Alunos já não respeitam professor, inspetor de alunos, diretor e as famílias entendem que isso está correto. Antes, as famílias apoiavam os diretores e professores que eram enérgicos com os alunos. O professor podia colocar o aluno de castigo que os pais apoiavam: o importante era a formação do aluno. A ausência de valores na família concorreu para a derrocada do ensino público. O problema não é da escola que é, apenas, um microcosmo da sociedade.
Como primeiro ponto, tem-se que deve haver uma melhora na qualidade do ensino público, que se dê mais valores a professores, não se permitindo que sejam eles agredidos pelos vagabundos, desculpem, alunos.
Por segundo, dão a entender, nos comentários abaixo, que há preconceitos imperando entre as classes média e alta da sociedade. Ora, não é só vagabundo e desocupado que tem o direito de reclamar. Quem paga a conta também (e com mais veemência).
Como ex-aluno da São Francisco, agradeço, honrado, ter sido chamado de "filho da elite"!!
Mas é realmente verdade que a maior parte dos alunos das universidades públicas são das classes mais favorecidas, por razões que todos já conhecemos.
Felizmente, o governo Lula tem trabalhado para mudar esse panorama, proporcionando diversos mecanismos para reduzir a desigualdade social no país e, assim, possibilitar que alunos pobres possam ingressar em boas escolas.
Obs. Não sou filiado ao PT nem faço parte do governo Lula.
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