Depois de mais de 24 horas de julgamento, Simone Cassiano da Silva foi condenada a oito anos e quatro meses de prisão pelo 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte por ter jogado a filha recém-nascida na Lagoa da Pampulha. O advogado de defesa Mateus Vergara vai pedir a anulação do julgamento. Segundo ele, houve comunicação entre as testemunhas e os jurados dormiram. As informações são do portal de notícia G1, da Globo.com.
O julgamento começou às 9 horas de sexta-feira (19/1), se estendeu pela madrugada e terminou na manhã deste sábado (20/1). Na avaliação dos jurados, há provas suficientes contra a mãe da criança. Simone está presa desde janeiro de 2006 no presídio de Estevão Pinto, na capital mineira.
Durante o julgamento, a defesa alegou que a promotoria não apresentou provas periciais ou testemunhais capazes de comprovar que Simone jogou a filha na lagoa. De acordo com o advogado Mateus Vergara, a acusação se baseou apenas em indícios. A promotoria justificou o pedido de prisão por tentativa de homicídio triplamente qualificado afirmando que Simone mentiu em vários depoimentos prestados à polícia e à Justiça.
Entre os fatos sobre os quais Simone teria mentido está a alegação de que ela só descobriu a gravidez pouco antes de dar a luz. Segundo o promotor Luciano França da Silveira Júnior, ela já sabia da gestação meses antes do nascimento do bebê.
Durante o interrogatório, Simone afirmou ter se arrependido por abandonar a criança. Ela afirma que deu o bebê a um casal que passava próximo à Lagoa da Pampulha e desconfia que um deles tenha jogado a criança na água. “Eu amo minhas filhas e eu me considero uma ótima mãe. Eu jamais imaginaria que minha filha seria jogada na água. Se quisesse me desfazer dela, não seria dessa forma”, afirmou.
A sessão foi presidida pelo juiz Leopoldo Mameluque. Ele decidiu fazer o julgamento sem interrupções, justificando que seria benéfico ao júri, pois permitiria aos jurados voltar mais cedo para casa. A medida, entretanto, pode ter sido tomada porque não há no Fórum Lafayette uma estrutura adequada para abrigar os jurados, que precisam ficar incomunicáveis.
A História
O inquérito policial aponta que Simone escondeu a gravidez de toda a família e do namorado. A menina nasceu em novembro de 2005, mas, por problemas de saúde, permaneceu internada por dois meses.
Assim que a mãe e a criança tiveram alta da Maternidade Odete Valadares, em 28 de janeiro de 2006, a promotora de vendas teria jogado a filha na lagoa, na Região Norte de Belo Horizonte. Um casal e um vigia que passavam pelo local resgataram a menina, que estava boiando em um saco de lixo preto.
O bebê vive atualmente com uma família adotiva, escolhida pela Justiça. Os responsáveis estavam cadastrados em um programa chamado Pais de Plantão e passaram por avaliação social e psicológica antes da acolhida. Eles têm a guarda provisória da criança.
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