Modelo espanhol de entrada na magistratura é ideal

O modelo espanhol de ingresso na magistratura deveria ser copiado no Brasil. A tese é defendida pelo ministro Rider Nogueira de Brito, presidente do Tribunal Superior do Trabalho. O ministro recebeu, nesta terça-feira (17/7), a visita do príncipe da Astúrias, D. Felipe de Borbón e Grecia.

Ambos comemoraram o sucesso do convênio de cooperação firmado com o governo da Espanha para a troca de experiências entre juízes espanhóis e brasileiros. Eles disseram que o convênio é um incentivo para que outros projetos desse tipo sejam assinados com outros países.

De acordo com especialistas, a média de idade dos que são aprovados no concurso para juiz na Espanha é de mais ou menos 31 anos. Há provas escritas e orais, que exigem que o candidato passe seis ou sete anos estudando. O trabalho e a preparação para a prova são incompatíveis. E, depois que é aprovado, o candidato ainda precisa passar por um período de dois anos na Escola Judicial, que inclui aulas teóricas e uma espécie de estágio com juízes que já têm experiência. Só depois é que ele estará apto para atuar na Justiça.

A Escola da Magistratura da Espanha tem em sua grade o que é considerado um dos melhores cursos de aperfeiçoamento de magistrados do mundo, equiparado aos oferecidos na França e em Portugal. Lá são formados professores e gestores de escolas judiciais, envolvendo o novo direito social espanhol, além das relações sociais, entre elas, as trabalhistas.

No TST, D. Felipe de Borbón e Grécia foi recepcionado também pelo presidente da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat), ministro Carlos Alberto Reis de Paula. O príncipe falou de sua satisfação com o projeto de cooperação e do resultado apresentado pelo convênio firmado com a Enamat. Reafirmou, também, o interesse em ampliar a colaboração com a Justiça do Trabalho.

Estiveram presentes à cerimônia o ministro do Superior Tribunal de Justiça Otávio Noronha, o ministro do Superior Tribunal Militar Olympio Pereira da Silva Júnior, ministros aposentados do TST e a presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (Distrito Federal e Tocantins), juíza Flávia Simões Falcão, entre outras autoridades.

Armando do Prado disse:
18 de julho de 2007 às 13:36

O que não dá para engolir mais é o ultrapassado, subjetivo e suspeito exame oral.

Luke Kage disse:
18 de julho de 2007 às 15:32

Caro Professor Armando,

O exame oral até daria para engolir se as perguntas fossem previamente elaboradas e sorteadas pelo candidato no momento de sua argüição.
Apesar de mesmo assim poder existir algum subjetivismo do examinador, ao menos evitaria a vergonha dos exames atuais, onde um mesmo examinador, dependendo do sobrenome do candidato, pergunta a diferença entre ato nulo e anulável e, quando quer eliminar o sujeito a todo custo, indaga qual a natureza jurídica da aluvião imprópria e qual era seu regime jurídico nas institutas romanas e/ou nas ordenações filipinas e manoelinas.

Láurence Raulino disse:
18 de julho de 2007 às 17:06

O modelo de magistratura espanhol pode ser muito bom, mas não é o melhor do mundo, muito menos o mais adequado para paradigmatizar o brasileiro.
Essa visita do representante da monarquia espanhola, no entanto, serviu apenas para entendermos melhor, no que tange ao deslumbramento de certos juízes com o tal "modelo espanhol", porque a magistratura brasileira apega-se tanto à vitaliciedade, garantia originária dos tempos imperiais, uma peça de museu, portanto, esdrúxula e ridícula para o nosso tempo, mas que cai bem ao gosto tupiniquim.

Ramiro. disse:
18 de julho de 2007 às 21:51

Eu vinha me propondo a não comentar mais nada, mas uma não dá para deixar passar, na reportagem explícito: "...O trabalho e a preparação para a prova são incompatíveis.";
Se é para criar um estamento, então vamos ao modelo que deu certo para criar uma nobreza de toga, o da França antes da revolução de 1789, os cargos na magistratura eram comprados, dependia de aceitação prévia com muita bajulação nas cortes ao qual o endinheirado se candidatava, e depois o cargo era mais que vitalício, hereditário.

Deste modelo de magistratura a única referência boa que me lembro foi Fermat, mais por suas conjecturas que foram se tornando teoremas, o último levou uns 365 anos até que fosse demonstrado.

Num país de uma tremenda desigualdade social, colocar juízes que por certo viriam de uma elite econômica, e não trabalhando como saberiam o que é a espera angustiante de um processo judicial? Uma limpeza de classes sociais nos Tribunais, para alguns seria interessante.

O Governo Brasileiro oferece quantas bolsas de doutorado para Direito? Já compararam o valor da bolsa de doutorado com a de um médico residente? Perde. E a bolsa de médico residente é pífia diante dos salários de muitos advogados com menos de dois anos de formados e de Exame de OAB.

Eu já vi essa limpeza social, limpeza de classes social em setores da biologia experimental, em determinados lugares, "só os privilegiados financeiramente poderiam ser cientistas", e o resultado, sem comentários... O ingresso na docência superior pública em imensa parcela das universidades virou questão hereditária ou venérea. É isso que estão propondo para Magistratura no Brasil?
Agora que a OAB é parte obrigatória nas bancas dos concursos para MP e Magistratura vê o que se vê...

Ramiro. disse:
18 de julho de 2007 às 22:12

inversão de números, digo uns 356 anos. Quanto ao tema, o MP do Rio de Janeiro se sabe que após o vitaliciamente oferece todas as vantagens para seus membros irem cursar doutorado no exterior. A questão é, os Tribunais de Justiça fazem algum incentivo desta natureza a seus Magistrados?
Reafirmo minha crítica, isso tem fumaça de limpeza social, pensamento de limpeza social. Quem tem que trabalhar em processos no Fórum fica de fora? Por que razão? É a única maneira de medir a capacidade cognitiva e aptidão para o pensamento jurídico tal método?

Denilson Marques Lopes Evangelista disse:
19 de julho de 2007 às 08:43

Caro amigo Ramiro. Realmente não dá pra ficar quieto. Faço minhas as suas palavras.

Luiz Eduardo Osse disse:
19 de julho de 2007 às 11:10

Um juiz deveria ser um sábio! Portanto, não poderia ter menos que três diplomas de curso superior: um na área jurídica, um em área técnica (engenharia) e um em área biológica (eu mesmo, por exemplo, tenho esses diplomas todos!) E a idade mínima para sentar-se em uma cadeira de juiz, deveria ser 45 anos, e máxima, 70 anos! Aí sim, é provável que passássemos a ter julgados decentes neste país! Enqüanto continuar essa onda de juizinhos imberbes, vamos continuar com essa meleca de Poder Judiciário!

Cavv disse:
19 de julho de 2007 às 11:36

Na minha opinião o maior problema da atualidade é a tenra idade e pouca (ou nehuma) experiência "de vida" e profissional dos novos Juízes. A serenidade e o bom senso são predicados que se adquirem com a maturidade, e o conhecimento é fruto do binômio estudo + experiência. Uma sugestão seria a exigência de 10 anos de advocacia e 35 anos de idade mínima. Assim teríamos candidatos que conheceriam o outro lado do balcão dos cartórios e pela idade acumulariam uma maior experiência de vida e profissional (administração de negócio próprio, casamento, filhos, separação, pagto de pensão, etc...). Diferentemente dos demais funcionários públicos, um candidato a Juíz não pode ser seduzido apenas pelas vantagens do serviço público, como bom salário inicial e estabilidade. Do Juiz se exige vocação, e sua identificação demanda tempo, pois a obrigação em "bem" decidir é um dos mais penosos fardos da carreira jurídica.

DUDU disse:
22 de julho de 2007 às 12:47

Luiz Eduardo, data vênia, dicordo completamente da sua posição.
Claro que todo juiz deveria ser o mais sábio possível, mas suas afirmações são baseadas em que??
Por que três diplomas superiores e não dois ou quatro?? Por que 45 anos e não 40 ou 50?? Por que no máximo setenta, se a idade, como vocês afirmam, é elemento essencial pra o exercício de uma melhor magistratura?? Há pessoas com 80 anos que possuem inteligência e disposição incríveis!!! Assim como há pessoas de trinta com mais senso de responsabilidade e sensiblidade do que outros de 50, 60 !!
Juízes, por serem HOMENS, falham, mas não acho que esta falha se deve à idade, ou ao número de diplomas, mas por diversas outras razões. Ter diploma e ter conhecimento são coisas tão distantes como o céu e o inferno!!

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