Nesta semana foi publicado o último relatório 2006-2007 sobre o terrorismo do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, que apresenta os principais impactos do terrorismo no mundo, seus números, e as relações de Estados em contrapartida à chamada Guerra contra o Terror.
O relatório apresenta impactos surpreendentes em relação à Guerra contra o Terror, e ao mesmo tempo demonstra um avanço do terrorismo, em contrapartida às ações tomadas pelos EUA e seus aliados nesta guerra, inclusive o Brasil.
Em 2006 ocorreram 14.338 ataques conforme o relatório, 25% a mais em relação a 2005, onde boa parte destes ataques esteve concentrado no Iraque e no Afeganistão. O mais problemático da questão e do relatório, está na vertente voltada ao Brasil.
O Departamento de Estado dos EUA aparenta preocupação em relação ao Brasil, conforme sua atuação política no combate ao terrorismo. O Brasil é um país que abomina o terrorismo, mas na prática as ações ainda estão de forma distante do processo e do combate claro ao terrorismo.
O relatório afirma: o Brasil “não deu o apoio político e material necessário para fortalecer as instituições nacionais de luta contra o terrorismo”. E vai mais além, ao demonstrar a preocupação do EUA em relação ao Brasil, pois estão “preocupados com atividades de recolhimento de fundos do Hamas (palestino) e do Hizbollah (libanês) na Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai”.
A preocupação tem ampliação, pois o mesmo departamento de Estado entende que o Brasil “considera o Hizbollah um partido político no Líbano e também exerce dificuldades na extradição de estrangeiros”.
A questão do apoio político está de forma clara, pois não existe uma atividade de inteligência forte no país. Os políticos e o governo acham remotos e distantes as questões do terrorismo no país, avaliam de forma errada o impacto do terrorismo na tríplice fronteira, que ao mesmo tempo é um banco de financiamento de ações terroristas espalhadas pelo mundo, como também pode ser foco de planejamento de ações.
O Brasil necessita urgente de um plano emergencial de inteligência e defesa, para por em prática (o que falta muito na Política de Defesa) as ações de proteção do Estado brasileiro.
A atividade de inteligência deve ser potencializada neste momento, pois o terrorismo no mundo só cresce, e o Brasil aparece no cenário como pólo de planejamento e financiamento das ações. Será que em um futuro próximo, isto não pode ser utilizado como justificativa para outras ações de Estados tidos como aliados?
A Tríplice Fronteira deve estar mais guarnecida pelos órgãos de inteligência, principalmente a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), com aparato tecnológico e humano ampliado, apoio maciço das Forças Armadas, principalmente do exército com suas tropas de fronteiras, além de uma aplicação mais forte de nossa Política de Defesa Nacional, e uma revisão das ameaças, ou novas ameaças que interferem no Estado Brasileiro.
Não podemos estar à mercê de ações de grupos clandestinos que acham que o território brasileiro é um território fraco com um governo frouxo, e um Estado medroso. A política de defesa deve ser colocada em prática em sua totalidade, pois o sistema internacional já aponta para tal questão.
A Amazônia, a questão da água, fronteiras e a tríplice fronteira devem ser questões de interesse e prioridade nacional. O Brasil deve estar mais atento, e os instrumentos para tal atenção são os serviços de inteligência e as forças armadas mais atuantes.
Pois é, quando é que as forças armadas vão enxergar o óbvio: que o inimigo é externo?
Seria interessante apontar quando ocorreu pelo menos um ataque do Hezbolah e do Hamas no Brasil, ou mesmo nos EUA. O terrorismo aqui é outro, onde morrem 50 mil por ano nas mãos da bandidagem comum.
A estória de que as Forças Armadas devem combater inimigo externo é, a meu ver, coisa do passado.
Não temos inimigos externos e muito provavelmente nem teremos (principalmente com um Presidente como o nosso, pacífico por demais em assuntos internacionais).
Ou as Forças Armadas ajudam a resolver nossos problemas internos de segurança ou não terão objetivo algum. Serão relegadas aos desfiles de 7 de Setembro.
As Forças Armadas não estão preparadas?
A Força Nacional de Segurança também não.
Como profissional de segurança pública, sou forçado a discodar de alguns dos comentários ao artigo acima. O texto do articulista é bem fundamentado e tem grande importância para o Brasil sim. O terrorismo não é uma prática localizada e sim mundial, a qual o Brasil se comprometeu a combater. Hoje já é indiscutível a presença na tríplicie fornteira de focos terroristas. Claro, que o Brasil não é um alvo preferencial das organizações terroristas internacionais, contudo tais organizações concentram algumas atividades em nossas fronteiras visando o financiamento de suas práticas e nós não podemos permitir este tipo de conduta em território nacional, sob pena de afronta ao direito humanitário internacional. Se as Forças Armadas vivem uma crise de identidade no país, talvez seja por que vivem desvirtuando a sua função constitucional, que é a defesa externa. Foças Armadas, por maior que seja o sentimento de insegurança que reina hoje na sociedade brasileira não é para combater o crime. É preciso repensar a função institucional das Forças Armadas no Brasil, racionalizar o seu efetivo e sua utilização e modernizá-las, visando a defesa externa do país. Enquanto isso, no plano interno, torna-se necessária a devida valorização das forças policiais, o combate à corrupção nestas instituições, o reaparelhamento das mesmas e a racionalização de nosso sistema penal.
Terrorismo não é só para fundamentalistas islâmicos, como "Tio Sam" quer que acreditemos. Terrorismo, também, é permitir alastrar-se a fome, os olvidos à soberania do Estado, principalmente pelo sucateamento das suas Forças de Defesa; o abuso de poder,inclusive pela tortura física e psicológica; a censura; o assalto ao erário pela corrupção; o perdularismo desvairado; o conluio com o crime e a impunidade; o incentivo ao racismo; a cizânia entre os concidadãos e fazer "vista gossa" diante do sangue e das lágrimas derramados; a pusilanimidade, o mercadejar sentenças judiciais, etc., etc., etc. É isso.
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