O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim como várias entidades e advogados, também manifestou seu apoio ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. A Corte Especial Administrativa aprovou, por unanimidade, uma moção de solidariedade ao ministro. O movimento foi proposto pelo desembargador Tourinho Neto. Absteve-se de votar o desembargador Aloísio Palmeira.
A manifestação foi motivada pelo vazamento de gravação telefônica na qual se vincula Gilmar de Melo Mendes a um esquema de corrupção deflagrado na Operação Navalha, da Polícia Federal. Pela similaridade do nome, foi o vice-presidente do STF, Gilmar Ferreira Mendes, quem passou a ser acusado de receber vantagens da Gautama.
Além do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a Associação dos Juízes Federais, a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul, a Associação dos Advogados de São Paulo e a Associação dos Delegados da Polícia Federal, além de advogados e ministros, apoiaram Gilmar Mendes.
Assim que soube da vinculação, Gilmar Mendes acusou a PF de “canalhice” e de uso de “método fascista” de investigação. Isso porque entende que seu nome só foi mencionado porque concedeu liminares que soltaram presos na Operação Navalha, contrariando o interesse da Polícia Federal.
A Operação Navalha foi deflagrada pela Polícia Federal contra acusados de fraudes em licitações públicas federais, prendendo mais de 40 pessoas. Com base nos direitos fundamentais, o ministro Gilmar Mendes concedeu liberdade para vários acusados.
O fato é ousado, sinistro e gravíssimo. No dia em que a PF conseguir intimidar ou constranger um juiz da Suprema Corte, significa que não haverá mais a quem recorrer. A PF ditará as prisões de quem quiser e quando quiser. Não haverá mais juízes capazes de conceder habeas corpus, contra a vontade do estado-policial. E olha que há juízes - e não são poucos - que guiam suas decisões pela pressão da polícia ou da mídia. São os chamados juízes tartufos. Mas ainda há juízes em Berlim.
Hahahahahahahahahahahahahaha.
E tem gente rindo de coisa séria. Não basta Bolívia e Venezuela nas nossas fronteiras? Há excesso de viúvas de Stalim.
Aos chicaneiros que insistem em esgrimir usando a mentira como arma:
"Porque é que, na maior parte das vezes, os homens na vida quotidiana
dizem a verdade? Certamente, não porque um deus proibiu mentir. Mas
sim, em primeiro lugar, porque é mais cômodo, pois a mentira exige
invenção, dissimulação e memória. Por isso Swift diz: «Quem conta uma
mentira raramente se apercebe do pesado fardo que toma sobre si; é
que, para manter uma mentira, tem de inventar outras vinte». Em
seguida, porque, em circunstâncias simples, é vantajoso dizer
diretamente: quero isto, fiz aquilo, e outras coisas parecidas;
portanto, porque a via da obrigação e da autoridade é mais segura que
a do ardil. Se uma criança, porém, tiver sido educada em
circunstâncias domésticas complicadas, então maneja a mentira com a
mesma naturalidade e diz, involuntariamente, sempre aquilo que
corresponde ao seu interesse; um sentido da verdade, uma repugnância
ante a mentira em si, são-lhe completamente estranhos e inacessíveis,
e, portanto, ela mente com toda a inocência". (Friedrich Nietzsche, in
'Humano, Demasiado Humano' )
A Polícia Federal e "Os Intocáveis"
Com a Operação Navalha, afirmam que a PF está "exagerando". Para estourar a boca de fumo, é chute na porta, barraco revirado
Desde que me entendo por gente, ouço dizer, sem poder discordar, que vivemos no país da impunidade. A polícia e a Justiça punem apenas os pobres passageiros atulhados nos porões deste imenso navio cargueiro chamado Brasil, que flutua nos mares do Sul. No convés, os camarotes vivem infestados de larápios, corruptos, estelionatários, sonegadores, contrabandistas, contratadores de trabalho escravo e toda sorte de bandidos, imunes e impunes.
Essa elite deletéria tem o poder de influir não apenas na elaboração das leis mas sobretudo na sua aplicação, pois indica juízes e promove togados, nomeia delegados e promotores, presenteia políticos e banca férias de magistrados em hotéis de luxo, o que lhes permite trafegar e traficar no mundo do crime com a mesma desfaçatez com que freqüentam os salões da República, os gabinetes de parlamentares e as festas em que o poder desfila e espelha seu incomensurável ego. Diante de tanta impunidade, Chico Buarque chegou a propor: "Chamem o ladrão, chamem o ladrão!".
No governo Lula, felizmente, as ingerências políticas foram afastadas da Polícia Federal. Como nunca se havia visto antes, as grades de sua carceragem se abriram para ex-governadores, juízes, donos de grandes empresas, gente graúda. Graças à imparcialidade do Ministério Público e ao sigilo das investigações, tubarões têm caído na rede. Pena que as nossas leis sejam tão frouxas, e o Judiciário, cheio de dedos para puni-los. [...]
[...]
Agora, diante da Operação Navalha, que corta a jugular de um dos esquemas para sugar os bilionários recursos do PAC (quantos outros não permanecem ativos?), há uma grita geral de que a Polícia Federal estaria "exagerando". Sobretudo ao vazar informações para a mídia. Ora, na hora de estourar a boca de fumo, é chute na porta, mãos para o alto, barraco revirado, e, se o preso perguntar pelo mandado do juiz, é bem capaz de levar umas bolachas...
Mas, em se tratando de bacanas, corre-se o processo sob segredo de Justiça. Claro, isso facilita o embate entre o Judiciário, refém da elite, e a Polícia Federal, que, infelizmente, não tem tanta autonomia quanto o Banco Central.
O "exagero" não está na Polícia Federal, senhores políticos! Está nos fatos que levam uma publicação como o "Financial Times" a dizer que o Brasil é o país do "rouba, mas faz" sem que o Congresso reaja à acusação.
O "exagero" reside nas CPIs abortadas sem punir ninguém; nos inquéritos paralisados que reforçam a impunidade; no volume de dinheiro público destinado a bolsos privados; no absurdo de micros, pequenos e médios empresários ficarem à míngua diante da porta do BNDES, obrigados a suportar elevadas taxas de juros dos bancos privados, enquanto os grandes empresários se fartam com dinheiro público barato.
O "exagero" é constatar que, diante de tanta denúncia de corrupção neste país nos últimos anos, nenhum corrupto se encontra cumprindo pena atrás das grades.
O "exagero" não é a Polícia Federal investigar e capturar, é aderir à perversa ideologia de que os meus amigos corruptos são menos corruptos que os meus inimigos... Por que rejeitar o jatinho do empresário amigo? Que mal faz um mimo? Recusar um presente não é uma ofensa?
É tanto ladrão graúdo preso e muitos ameaçados que o melhor é prender e calar a polícia... Isso lembra a história de Eliot Ness, o famoso agente "usamericano" que enfrentou a máfia, retratado na série "Os Intocáveis".
Sabe por que a série foi tirada do ar pela cadeia televisiva ABC? Primeiro, a comunidade ítalo-americana protestou. Sentia-se encarada como mafiosa. A viúva de Al Capone processou a emissora por uso indevido da imagem do marido e exigiu reparação de US$ 1 milhão. O FBI também se irritou, era ele que reprimia a máfia, e os méritos ficavam com Eliot.
Tudo se complicou em 1961, quando o líder sindical "Though Tony" Anastasia, ressentido com a denúncia do caráter mafioso de sua entidade, promoveu manifestação diante da ABC em Nova York e mobilizou os estivadores para manter "intocadas" as cargas de cigarros Chesterfield Kings, patrocinadora do programa. Afetada pelo boicote, a empresa Ligett-Meyers, produtora do cigarro, retirou o patrocínio e, meses depois, o programa saiu do ar.
E, no Brasil, quem são "os intocáveis", os policiais federais ou os bandidos de colarinho branco e rabo preso?
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Artigo de CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO, o Frei Betto, frade dominicano e escritor, é autor de, entre outras obras, "Treze Contos Diabólicos e um Angélico" (Editora Planeta). Publicado hoje na Folha.
O erro grosseiro da PF serve de alerta também para parte da imprensa que não tem tido o mínimo cuidado de conferir a veracidade das informações e se ocorre de se tratar de segredo de justiça.
Sarcastico, compartilho da manifestação de "www.professormanuel.blogspot.com (Criminal 31/05/2007".
Acabo de ler no Estadão de hoje: as sacolas que a PF ("com visão de raio X") disse haver dinheiro, na verdade eram cocadas da Bahia e vinhos. Falando em raio X, a PF ainda não explicou como intuiu que naquele envelope havia R$100mil. Ou, mesmo, que havia dinheiro. E, mais, por que se calou diante da acusação do juiz da Bahia que diz ter ocorrido "operação abafa", pois a navalha investigava PFs e foi desviada do foco. E se calou, também, sobre a canalhice. Canalhice pior do que a cometida com o caseiro.
Como não sou macaca de auditório, a mim vocês não enganam. Recuso-me a aplaudir esse lama toda.
Alguém poderia me informar o que ocorreu com os envolvidos na máfia das ambulâncias, dos sangue-sugas, do mensalão, dos vampiros, dos bingos, etc...
Quando veremos os petistas corruptos na cadeia, como por exemplo Zé Dirceu, Genoino e outros????
Quando isto ocorrer vou realmente acreditar que a PF está fazendo um trabalho isento...
O bom dessa história é que os balões de ensaio para candidatos a Hugo Chavez e Evo Morales tupiniquins está demonstrando que Dr. Ulysses Guimarães como Presidente da Constituinte nos deixou um legado mais sólido que os apologistas do estado policialesco pensaram encontrar.
O problema é se resolverem nas próximas indicações ao STF usarem a tática de colocarem juristas medíocres e novos, com saúde de ferro, e ideologizados para ficarem por vinte anos ou mais na Suprema Corte. Ai danou-se, perdemos tudo.
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