Resultado de uma investigação jornalística de dez anos, o livro 1808, do jornalista Laurentino Gomes, relata como a fuga da família real portuguesa mudou a história do Brasil e de Portugal. “É uma síntese histórica que brilha pela limpidez das explicações e pelo interesse de projetar o passado no presente” definiu a historiadora Mary Del Priore em resenha publicada na revista Veja.
O livro 1808 — Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, é um relato detalhado de uma parte fundamental da história brasileira. A obra mostra, em tom jornalístico, as razões e as conseqüências da fuga da família real portuguesa para o Brasil em 1807 e 1808.
Inspirada em uma pauta da revista Veja de 1997, a obra trata das razões que levaram a transferência da corte e suas conseqüências na História do Brasil e de Portugal. É dividida em 28 capítulos, com um total de 42 páginas. Dois cadernos-cor mostram 36 ilustrações de cronistas e pintores da época, como Debret, Rugendas, Henderson e Chamberlain.
Inclui ainda um mapa da viagem de D. João e uma “linha do tempo”, mostrando os principais acontecimentos no Brasil e no mundo entre a Revolução Francesa e a Independência brasileira.
Segundo o autor, o livro tem dois objetivos principais. O primeiro é resgatar a história da corte portuguesa no Brasil do relativo esquecimento a que foi confinada e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam duzentos anos atrás. O segundo objetivo do livro, segundo ele, é tornar esse pedaço da história brasileira mais acessível para leitores interessados nos acontecimentos do passado, mas que não estão dispostos a decifrar a rebuscada linguagem dos livros acadêmicos.
O livro também mostra que, ao mesmo tempo em que a chegada da Corte Portuguesa trouxe a criação do Supremo Tribunal Federal, a abertura dos portos, o início das importações e outros benefícios, alguns dos problemas brasileiros que julgamos tão atuais —, como corrupção, criminalidade, clientelismo, ineficiência na administração pública e desigualdade social — já estavam todos aqui em 1808 ou também chegaram junto com a Corte.
De acordo com o autor, se D. João e a família real não tivessem fugido de Portugal para o Rio de Janeiro, o Brasil não existiria como é hoje. “Provavelmente teria se pulverizado em pequenas repúblicas, como aconteceu com a América espanhola. Seria uma constelação de países irrelevantes na América do Sul, cuja liderança caberia à Argentina. D. João, portanto, criou o Brasil independente e gigantes que temos hoje, com todas as suas virtudes e defeitos”, enfatiza Laurentino Gomes.
A obra exigiu dez anos de pesquisas, nos quais o autor leu ou consultou mais de 150 livros e obras de referências em locais tão diferentes quanto a Biblioteca Nacional da Ajuda, em Lisboa, a Biblioteca Thomas Jefferson do Congresso Americano, em Washington, e a Biblioteca Mindlin, em São Paulo.
O autor
Laurentino Gomes é jornalista, formado pela Universidade Federal do Paraná com pós-graduação em Administração pela Universidade de São Paulo e cursos nas universidades de Cambridge, na Inglaterra, e Vanderbilt, nos Estados Unidos.
Tem 30 anos de experiência como repórter e editor de alguns dos principais jornais e revistas brasileiros. Trabalhou oito anos no jornal O Estado de S. Paulo e 15 anos na revista Veja. Atualmente dirige uma unidade da Editora Abril responsável pela publicação de 23 títulos.
Ficha técnica:
Livro: 1808 — Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil.
Autor: Laurentino Gomes
Páginas: 420
Editora: Planeta
Preço: R$ 39,90
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