Na CPI do Mensalão, um dos parlamentares mais críticos e ativos era o deputado federal Eduardo Paes (PSDB-RJ). Batia, questionava, expressava indignação, aparecia.Esta semana Paes trocou o PSDB pelo PMDB e declarou que, em caso de candidato ao governo do Rio de Janeiro, não abdicará do apoio de Lula. Hipocrisia? Sim. Mas absolutamente usual na política nacional.
Nos seus tempos de oposição, o PT esmerou-se em fazer tempestade em copo d’água para criar crises políticas artificiais ou reais. Como oposição, o PSDB faz o mesmo jogo, a ponto de aliar-se a uma ultra-direita barra –pesada. Petistas históricos, tucanos históricos estão órfãos. Mas para onde ir?
De seu lado, a chamada grande mídia usa politicamente os escândalos, denunciando de maneira seletiva. Exemplo? Denunciou-se o “mensalão” do governo federal. Depois, constatou-se que havia um “mensalão” mineiro.
Em breve será revelado o “mensalão” paulista, mostrando alianças entre o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin. O mesmo esquema controlou a Nossa Caixa e o BRB, financiou as mesmas ONGs e as mesmas publicações ligadas aos tucanos. E, possivelmente, o mesmo Marco Valério estava por trás do esquema Roriz – já que sua agência era uma das que serviam ao GDF (Governo do Distrito Federal).
É questão de tempo para o Ministério Público completar as investigações.
Todo esse estoque de escândalos fica guardado, como produtos em gôndolas de supermercados. Aí o jornal ou a televisão escolhe o alvo que quer atingir, vai na prateleira, tira o produto, desembrulha e transforma em escândalo.
Os atingidos reagem com a indignação dos inocentes; a oposição, com a indignação dos justos. E ambos sabem que tudo não passa de uma enorme marmelada.
A tragédia dessa história é que a hipocrisia chegou a tal nível que praticamente transfigurou os partidos políticos. Vinte e cinco anos após a redemocratização, não existem mais partidos políticos programáticos; não existem centros referenciais de pensamento político e econômico; e não existe uma opinião pública que sirva de referência – como ocorreu, bem ou mal, nos anos 80 até meados dos anos 90.
Essa falta de rumo abre espaço para chantagens políticas e jornalísticas de toda espécie. Suponha que, de repente, um presidenciável queira romper com o discurso mercadista e lançar uma nova bandeira. Imediatamente uma dessas grandes publicações irá até a prateleira, escolherá um escândalo novo ou velho, inédito ou conhecido, e transformará em arma para atingir o indigitado.
Com isso, têm-se hoje presidenciáveis que poderiam estar brandindo um novo discurso, e que quedam inertes, à mercê desse jogo hipócrita.
Parte da opinião pública se dá conta dessa hipocrisia. Mas para onde caminhar? Partidos políticos, não mais existem. A perda de rumo é total, entre outras coisas porque estão ocorrendo transformações profundas na sociedade brasileira, que irão resultar inexoravelmente em mudanças.
Que tipo de mudanças? Nem mesmo um oráculo poderá prever.
Artigo publicado originalmente, nesta sexta-feira (5/10), na Agência Dinheiro Vivo.
Agora, é que os Partidos comecerão a existir !!!
O colunista poderia e deveria restringir-se à "àrea econômica", que "diz conhecer" !!!!
É verdade que a força dos partidos é limitada e que apenas os cabeças parecem ter algum apego pela legenda, mas é inegável que muitos são eleitos pelo voto no partido e não no candidato (eu mesmo votei no partido nas últimas eleições para uma das vagas).
Talvez fosse melhor separar os que se elegeram por votação em nome próprio dos que precisaram da legenda, mas a verdade é que até os que receberam uma votação individual em muitos dos seus votos pesou a legenda.
Trocar de partido como quem troca de roupa é altamente reprovável, mas pior é notar o quanto alguns políticos trocam de lado, da direita pra esquerda com uma naturalidade incrível!
Ué... Ela voltou? Nem deu pra notar. A "demo(no)cracia dos petralhas é de tal forma que todos têm livre direito de escolha - desde que escolham o que eles querem. Haja vista o que aconteceu com a Sra. Heloísa Helena, que foi contra o "pensamento" do partido e foi expulsa. Essa é a democracia petralha.
Parafraseando um ilustre pensador (este sim, pensador - infelizmente, não me lembro do seu nome), os petralhas pensam da seguinte forma: "Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte a vossa expulsão do partido". Amenos que vós mudeis o vosso pensamento. Õ RAÇA!!!
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.
Democracia? Quem disse que isso já existiu no Brasil?
No Brasil, onde a classe política controla a tudo e a todos, e depois entrega esse controle na troca por dinheiro, a idéia é sempre o exercício da retórica, onde políticos e agentes do poder público prometem sempre o que sabem não irão cumprir, e o povo, que tem uma necesside intrínsica de ser enganado, mergulha de cabeça e mantém esses marginais como representantes no Senado Federal, onde hoje reija um CAPO QUE ENVERGONHA A TODOS OS BRASILEIROS, na Câmara de Deputados, onde reinam absolutos muitos que renunciaram recentemente e aí estão de volta, e "segue o baile".
Nas Câmaras de Deputados e Vereadores pelo Brasil afora, nos governos estaduais e prefeituras a história é a mesma: SÓ BANDIDOS, pelo menos na regra.
Vamos ser realistas: depois de longas históricas de ditaduras do Brasil, o que se espera dos homens públicos com essa cultura acumulada?
É óbvio que continuamos numa DITADURA, desta feita CIVIL, que, aliás, o Presidente João Figueiredo previu no seu discurso de saída da Presidência do país.
A única diferença é que a ditadura atual é mais perversa, porque ataca, diretamente, a dignidade do brasileiro, impedindo-lhe de ter consciência de cidadania.
Não tenham dúvidas: O DIA EM QUE O POVO TIVER CONSCIÊNCIA DE SUA CIDADANIA, OS POLÍTICOS E OS JUÍZES SERÃO TODOS IGUAIS.
Tambem penso como o senhor A G Moreira.
É a partir da fidelidade partidaria que os Partidos começaram a existir de fato.
Eu voto preferenciamente na pessoa do candidato DESDE QUE ele pertença a partidos DO Centro direita mais para a direita.
Cumprimentos à lucidez do renomado jornalista. www.ALLmirante.blgospot.com
Tenho opinião de fácil entendimento;
'O famoso e competente jornalista deveria se espelhar em sua companheira de profissão Salete Lemos', usando sua coluna, seu blog e sua profissão para imitando-a, construir e ajudar construir novos partidos políticos, enfim ,reformas sociais que carecemos com amor, ética, honradez, sem partidarismos de qualquer espécie, insurgir-se até mesmo se for o caso contra seu patrão, quando sua linha editorial for do desinteresse publico e do interesse do poder economico e político.
A imprensa tem muito mais para dar ao país e ao mundo, mas o que dão são parcelas mínimas da verdadeira e necessária informação. O senhor sabe disso.É a minha opinião
mario
Ora, se a tal "infidelidade" foi determinante na eleição de Tancredo Neves (nos livrando, de quebra, dos "bons préstimos" que Paulo Maluf poderia oferecer ao país caso fosse eleito presidente...), por que é considerada não prejudicial nos dias de hoje?!?
É tragicômico admitir, mas - a julgar pelo atual quadro partidário tupiniquim - a tal "fidelidade" só vai reforçar o coronelismo e a força dos "donos" dos partidos, afora raríssimas (ou quase inexistentes) exceções.
E só não enxerga isso quem não quer ver (ou é muito ingênuo)...
Depois de 1964 quando a revolução obrigou os politicos escolherem situação ou oposição cassando os verdadeiros politicos, criando filhotes de politicos para o "governo"; com a da derrocada da revolução e ainda com a carta de 1988 dando total liberdade aos politicos para transacionarem "seus votos" o que se poderia esperar. Os politicos de hoje são espertalhões em busca dos "meus bens". O eleitor, ora o eleitor..............
Não sei se é verdade, mas ja me disseram que tem deputado que quando lhe perguntam a que partido pertence, ele pega uma carteirinha na qual está escrita a qual legenda ele pertence antes de dar a resposta...
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