PM intima diretor de Tropa de Elite. Governador diz para ignorar

O diretor do filme Tropa de Elite, José Padilha, e o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Rodrigo Pimentel, co-roteirista do longa-metragem e um dos autores do livro que o inspirou, foram intimados pela Polícia Militar a prestar depoimento como testemunha em um Inquérito Policial Militar aberto pela corregedoria da corporação. O inquérito foi aberto no mês passado para apurar a participação de soldados do Bope e o uso de recursos materiais da polícia, como armas e fardas, nas filmagens de Tropa.

Padilha não quis comentar a intimação. Em nota, a Zazen, produtora do filme, informou que o diretor vai ignorar a intimação seguindo orientação que ouviu pessoalmente do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB). A assessoria do governador confirmou que ele orientou Padilha a não comparecer por considerar a intimação “uma inibição despropositada”.

Pimentel também teria faltado à primeira data marcada para o depoimento, que foi remarcado. Ele negou que a produção do filme tenha usado munição e armas do governo estadual e afirmou que se encontraria ontem com o comandante da PM, coronel Ubiratan Ângelo.

A Polícia Militar e a Secretaria de Segurança do Rio não quiseram fornecer detalhes sobre a investigação interna, que foi aberta pelo corregedor, coronel Paulo Ricardo Paúl, a partir da denúncia de um oficial da própria PM. O setor de relações-públicas da PM informou que Paúl não daria entrevista sobre o assunto. O coronel Pinheiro Neto, comandante do Bope, também foi convocado a prestar declarações e já prestou depoimento. Procurado pelo Estado, ele não quis comentar a denúncia.

O governador divergiu da PM porque não vê cabimento numa investigação que questiona a transferência de informações do Bope para os produtores do filme ou especula sobre a utilização de material público. No entanto, sua assessoria não soube informar se ele intervirá pelo arquivamento do IPM.

com Agência Estado

Fernando Queiroz disse:
12 de outubro de 2007 às 15:02

Se faz longo tempo o fatídico e tenebroso 13/12/1968. Seu fim surgiu com, em tese, com a nova república, isto também já no longinquo 1985.

Será que estes castrenses ainda não se deram conta. Hoje impera o ESTADO DEMOCRÁTICO DE (E DO) DIREITO.

Mauricio_ disse:
12 de outubro de 2007 às 15:09

Essas atitudes só demonstram que a desmilitarização da PM é algo urgente e inadiável.
O policiamente é uma atividade eminentemente civil, não havendo razões para que ainda exista no Brasil uma polícia militar, que talvez seja o último ranço da ditadura que ainda resiste ao Estado Democrático de Direito.
Pior ainda é vermos o movimento de oficiais da PM reivindicando para si funções exclusivas das Autoridades Policiais (Delegados de Polícia) e o ciclo completo de polícia, para que possam investigar cidadãos por meios de seus inquéritos policiais militares e prender civis no interior de seus quartéis.

José Henrique disse:
12 de outubro de 2007 às 15:22

O erro da corregedoria não permite ao governador desautorizá-la desta maneira. Deveria, sim, como chefe geral da bagunç, digo, da polícia ter solicitado o arquivamento do IPM.

dias disse:
12 de outubro de 2007 às 17:38

o corregedor está equivocado quanto a intimação do cineasta. Cabe a Polícia Cívil fazer tal intimação. caso o corregedor insista em usar a força policial (coercitiva) contra o referido cidadão, estará o policial cometendo os seguintes crimes: Art.350; Art. 61, II, g; Art. 92, I, todos do Código Penal, art. 653 do Código Processo Penal e ainda o Artigo 5º, XXXIV, "a" da CF, no qual responderá pelo seu ato ou seja o de abuso de autoridade.

Armando do Prado disse:
12 de outubro de 2007 às 18:31

Donde se conclui que a maldita redentora ainda está infiltrada em instituições públicas, poluindo e maltratando o Estado de Direito.

Comentarista disse:
12 de outubro de 2007 às 18:32

Legal!

Agora vamos ver "quem manda" no Estado: O coronel-corregedor ou o governador eleito pelo povo.

Obviamente, a PM poderia ter sido poupada de mais esse vexame público!

Hehehe...

Dijalma Lacerda disse:
12 de outubro de 2007 às 20:09

Gente,eu assisti o filme, e o fiz prestando muita atenção.
Não vejo, sinceramente, como transformar críticas que na verdade se direcionam ao sistema in genere, em deturpação do conceito da Polícia Militar, que aliás, pelo boom da película, continua tendo o respeito da populaça.
A Polícia Militar pode ficar tranqüila, que o povo sabe distinguir o que é bandido e o que é mocinho.
Fiquem tranqüilos senhores, qualquer organização possui os bons e os ruins, é só não concordar com estes últimos e expulsá-los, e prestigiar os honestos.
O Capitão Nascimento, com todos os seus erros, é honesto , e é isso que o povo quer.

MPE disse:
12 de outubro de 2007 às 22:17

BLOGO DO REINALDO AZEVEDO, FOLHAONLINE:
"A realidade, só a realidade – Marcelo Carneiro assina um texto em que aponta as razões do espetacular sucesso do filme: “[Tropa de Elite] não concede válvulas de escape ao retratar como a criminalidade degradou o país de alto a baixo. O pesadelo real ganha ainda mais nitidez. A sociedade brasileira, pelo jeito, ansiava por esse tapa na cara dado pelo capitão Nascimento, o policial interpretado magistralmente por Wagner Moura"

paulo disse:
14 de outubro de 2007 às 09:44

O filme é muito bom e mostra quem são os filhinhos de papai que financiam o narcotráfico e a hipocrisia das passeatas de protestos quando morre um vagabundo desses. A atitude da PM do Rio é uma piada. Enquanto a corrupção e o envolvimento dos policiais com o jogo clandestino e os traficantes corre à solta, eles abrem um inquérito para apurar repasse de informações e uso de material da tropa. É aquela historia do condenado a guilhotina, preocupando-se em fazer a barba...

Richard Smith disse:
15 de outubro de 2007 às 18:57

O Rio de Janeiro é um mundo à parte!

Parece aquele "mundo bizarro" dos antigos gibis do Super-Homem, aonde o super-herói ia cair de quando em quando e no qual tudo era invertido (rato corria atrás de gato, gato atrás de cachorro e por aí em diante).

O zé-mané da PM não tem poder para intimar ninguém, isso é atribuição da Polícia Judiciária ou no âmbito de um IPM na Justiça Militar.

Agora, o governador "aconselhador", não é o chefe da PM?!

Taqueu, é tudo virado mesmo.

Arre!

Sandra Paulino disse:
17 de outubro de 2007 às 17:24

A irritante mania de atacar tropas institucionais uniformizadas, é tão ruinosa quanto aquela que confunde "administrado" com "civil" e, para melhorar o grau de esclarecimento em ambos os lados, só mesmo um exemplar do CPPM. O Cmt da PM carioca sabe muito bem que deveria ter mandado "convite" aos civis. Aos seus subordinados, em qquer grau de hierarquia, ele determina "apresentação" mediante ofício a cada unidade. Aos civis ele não determina NADA, absolutamente NADA. Por isso, duvido que tenha, de fato, mandado INTIMAÇÃO, pq seria assinar um atestado oficial de incompetência. O Governador deveria, para dizer o mínimo, ter a delicadeza de chamar em particular o Cmt e informar-se acerca de eventual "erro de mensagem", aquele conhecido eufemismo usado para "aliviar" a responsabilidade do chefe que errou de propósito. Como queria estar na ribalta, desautorizou alguém que lhe responde sob hierarquia. Fácil. Como diz a moçada: "bico". Queria ver ele desautorizar alguém superior a ele em poder. Generalizar, como é sabido, é outro erro indesculpável, portanto, é, no mínimo, leviandade, dizer que todas as polícias não prestam, todo militar é torturador. Quando escuto essas bobagens fico pensando se estou diante de enorme má-fé cuja intenção é escondida, ou de uma máscara que acoberta covardia. As três únicas instituições policiais que existem no país (militar, civil e federal), têm, como todas as demais instituições, pessoas de induvidosa seriedade e moral. Nelas, infelizmente, também existe muito matéria orgânica encaixada sobre ossos, que só falta entrar em decomposição para ser enterrada. Para sermos considerados "humanos" temos que desenvolver outro tipo de atributo e habilidades, além daquelas meramente fisiológicas. Vergonha na cara já é um bom começo.

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