O doutor Lair Ribeiro é um sucesso que escreve sobre sucesso. Já vendeu milhares de livros vendendo fórmulas de sucesso. E está prestes a cravar mais um triunfo em sua carreira literária com sua nova obra Preparando-se para Concursos Públicos e para o Exame da OAB.
O doutor Lair Ribeiro, que deu este passo na companhia da advogada Cecília Cavazzani, não enrola. Logo na primeira linha da Carta ao leitor, à guisa de introdução, ele explica que 5 milhões de brasileiros tentaram a sorte em mais de 300 concursos públicos ou em exames de ordem feitos em todo o país. Para quem vive de livros, os números são mais do que suficientes para se escrever mais um. Resta saber, para que serve um livro destes para quem precisa passar num concurso público ou no exame da OAB para ganhar a vida.
Como todo livro de auto-ajuda, especialidade em que o autor é mestre, este também não passa de um tratado sobre o senso comum escrito em formato engenhoso e criativo. Nesse livro, prometem os autores na contra-capa, “você aprenderá a buscar motivação para o estudo, a desenvolver sua autoconfiança e planejar-se para a conquista de metas e, ainda, contará com estratégias e métodos de estudo altamente eficazes”.
Os autores abusam do gerúndio (“desamarrando as pedras do pescoço”, “cuidando da auto-estima”, “chegando lá”) e dos lugares comuns (“aprenda com seus erros”; “valorize suas qualidades”, “o passado já passou”) e simulam erudição científica com a citação de autores e pensadores mais ou menos confiáveis.
O guru da vez é o psicólogo inglês Tony Buzan, criador de um tal mind map, ou mapa mental, que seria “um método de anotação, de resumo e de memorização de informações”. A partir das descobertas de Buzan fica-se sabendo que ao ler um livro “o segredo é grifar o que é importante e não o livro todo”. Ah, bom.
Outro cientista a merecer destaque é o também psicólogo Howard Gardner, da Universidade de Harvard, especialista em decifrar a inteligência humana. Segundo o livro, Gardner é responsável por identificar oito tipos de inteligência: lingüística, lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica, muscial, interpessoal, intrapessoal e naturalista.
E para que um concursando precisa saber disso? Para saber que a “faculdade de ser inteligente é inata, mas a inteligência é passível de desenvolvimento”. Ou em outras palavras: se você teve uma formação sofrível ao longo de sua vida escolar, não desanime, nós ainda podemos desenvolver suas faculdades mentais.
Há citações também para Tolstoi (“Cada um pensa em mudar a humanidade, mas ninguém pensa em mudar a si próprio”), T. S. Elliott (“Só quem se arrisca a ir longe demais descobre quão longe se pode ir”) ou Nietzche (“Sem música, a vida seria um erro.”), mas o autor mais citado é ele mesmo Lair Ribeiro, que merece até mesmo a transcrição da orelha de um de seus livros, em versão inglesa, com sua simples biografia.
Aí fica-se sabendo que ele viveu 17 anos nos Estados Unidos, que foi pesquisador em Harvard e que escreveu 29 livros. Livros não, best-sellers. Do mesmo livro que deu a orelha biográfica (Succes Is No Accident, ou O Sucesso Não Ocorre por Acaso), mas agora em língua vernácula, é transcrito um capítulo para ser usado como teste de velocidade de leitura.
Para saber quem é Cecília Cavazzani, a co-autora da obra, só mesmo recorrendo à orelha do livro: é advogada, aprovada em primeiro lugar em concurso para cartório de registro civil de Minas Gerais, e no Exame de Ordem da OAB-SP. Neste caso, informa-se ainda que ficou em 125º lugar entre 27.724 inscritos.
Apesar de o sucesso não acontecer por acaso, os autores preferem arriscar. Assim, eles dão uma série de dicas para que o candidato acerte o “chute” em provas de múltipla escolha. Coisas mais ou menos óbvias (elimine os absurdos”) e outras de utilidade duvidosa (“quando a resposta é em números uma boa dica é calcular a média aritmética das alternativas”) ou decididamente aleatórias (“desconfie da letra “A”). O estelionato só não se consuma, porque ao final, vem o conselho óbvio: “o melhor mesmo é estar bem, conhecer a matéria e assim não precisar de nenhum truque na hora da prova”.
Mesmo assim, o espírito pragmático do auto-ajudante não resiste. E no capítulo especialmente dedicado aos candidatos a Exame de Ordem, os autores caem na tentativa fácil da lista. E fazem os “Dez mandamentos para passar na OAB”. Fácil como andar pra frente:
1. Pense como advogado
2. Aprenda ética e disciplina
3. Estude a letra da lei
4. Leia as questões com atenção
5. Escolha a matéria com a qual tem mais afinidade
6. Leve para a prova apenas o material necessário
7. Pratique as peças profissionais e sua redação
8. Divida o tempo da prova
9. Faça um roteiro de sua peça
10. Não identifique sua prova
Lair Ribeiro, com mais esta obra de gênio confirma o veredicto: livro de auto-ajuda só ajuda a quem o escreve.
Francamente! Chamem o Paulo Coelho para ministro da Educação. Não sei este país é fantástico ou um "probrema." Ou o reino da mediocridade.
ENGANAÇÃO DO GROSSA! E O PIOR É QUE TEM ENERGÚMENO QUE ACREDITA!
Simplesmente, risível. Só faltou mesmo o tal Lair Ribeiro colocar no livro algo do gênero: "Antes da prova, rezem um terço e peçam a Santo Expedito que sejam aprovados. Depois, caso consigam aprovação, não se esqueçam de colar cartazes nos postes com os dizeres - Agradeço a Santo Expedito pela graça alcançada".
Não sei o que é pior: quem escreve ou quem compra um livro desses.
Mas, num país em que consomem Paulo Coelho, Zíbia Gasparetto e acreditam no Jucelino da Luz, o que se pode esperar?
Não sou guru da auto-ajuda, mas, para quem interessar, tenho um método ortodoxo e eficaz de preparação para o exame da OAB.
Consiste no seguinte: Estudar, para aprender de verdade, durante os cinco anos do curso.
Método valioso. E revelado de graça.
Observada a influência da matéria, devo concordar que os autores excederam na exploração de idéias comuns, nada magníficas, surpreendentes ou inovadoras;
Todavia, o que me obrigou a comentar a matéria é a excessiva imparcialidade do autor da matéria. Não vejo com bons olhos, os leitores deste espaço têm senso crítico suficiente para tirar as próprias conclusões.
As matérias deveriam ser neutras e a imparcialidade reservada ao espaço de comentários.
Cuidado com a qualidade ConJur!
Infelizmente, vivemos a era das facilidades, onde o ser humano que buscar fórmulas pré-concebidas de sucesso, sem ter que se esforçar para alcançá-lo por seu próprio mérito.
Não só no concurso público e no mercado de trabalho, mas em quase todas as áreas, o brasileiro acostumou-se muito mal a querer que alguém resolva para ele, eximindo-se de suas responsabilidades, apresentando-lhe o resultado final, sem ter que sacrificar-se para alcançá-lo.
Está na hora do povo acordar e recuperar seu brio, sua dignidade.
Se pararmos para estudar a matéria ao invés de ficar lendo livros de auto-ajuda, a chance de sucesso em uma prova é muito maior.
E fica a indagação final: Em qual exame de ordem ou concurso que cai auto-ajuda?
Parabéns a todos. Ainda há gente inteligente. Acrescento:
Com Lair Ribeiro,é aprovado no exama da Ordem; com Santo Ivo; chega-se à advocacia; com uma sessão de "descarrego" faz-se concurso para juíz.BAH.
Não procede a crítica do comentarista Felipe Boaventura, infra.
A matéria do ConJur é uma crítica à obra do Lair Ribeiro, não tem NENHUM dever de imparcialidade.
Se, como disse, os leitores do Conjur têm senso crítico, deduz-se que sabem avaliar uma crítica com sua opinião pessoal.
Parabéns ao Maurício Cardoso, que teve coragem de mostrar a picaretagem em que consiste esse tipo de "literatura". Agora, pretender vender isso para universitários e bacharéis já é pretensão demais, não? Bem, nunca se sabe...
Não procede a crítica do comentarista Felipe Boaventura, infra.
A matéria do ConJur é uma crítica à obra do Lair Ribeiro, não tem NENHUM dever de imparcialidade.
Se, como disse, os leitores do Conjur têm senso crítico, deduz-se que sabem avaliar uma crítica com sua opinião pessoal.
Parabéns ao Maurício Cardoso, que teve coragem de mostrar a picaretagem em que consiste esse tipo de "literatura". Agora, pretender vender isso para universitários e bacharéis já é pretensão demais, não? Bem, nunca se sabe...
Lembro-me desse comentarista e de suas indagações. Eu próprio questionei também, em comentário, o bloqueio do Conjur em outra ocasião.
Foi excluído por isso? Estranho. Que os editores do site solucionem rapidamente esse problema, e retornem ao vigor da principal característica desse canal, que é o debate plural sobre os temas jurídicos que se apresentam.
Colega Márcio,
A imprensa é por muitas vezes o único meio pelo qual tomamos conhecimento dos fatos, todavia, por questões lógicas, a mesma jamais é capaz de retratar o exato contexto em que os mesmos se passam.
Se não clamarmos por imparcialidade nos meios de comunicação, seremos eternamente manipulados por intenções nem sempre claras. E nossas opiniões serão sempre motivadas por propósitos que eventualmente nem coadunamos.
Na minha acepção a imparcialidade não deve ser uma obrigação como você asseverou, mas sim um atributo de qualidade dos jornais, das revistas e dos sites que por isto prezarem. Um verdadeiro meio de dar boa credibilidade à mídia e valorizar seu leitor.
Em relação ao caso em específico, reitero, o ConJur como revista especializada que é, destinada a um público especializado, treinado por ofício a identificar falácias e falhas de construção lógica, deve ter mais comedimento em seus comentários que o editor de um jornal popular.
Como bem assentou Márcio, o autor, que para minha infelicidade é o Diretor de Edição da mídia, foi desrespeitoso, foi despropositadamente crítico; ora, se a obra é de tão baixa qualidade como o mesmo assevera, que simplesmente a ignore como certamente faz com dezenas de outras que devem ser diariamente submetidas ao seu crivo na esperança de conquistar espaço no site.
Volto a clamar por imparcialidade nas matérias, os comentários e as posições pessoais devem ser reservados aos leitores ou ao entrevistado, quando assim for apropriado.
Desculpem-me, referia-me ao colega George e não ao Márcio.
Caro Felipe,
Acho que você não entendeu o que o George quis dizer mas, como bom samaritano que sou, explico: a matéria do Maurício é uma resenha, entende? Eu disse R E S E N H A, não é uma matéria, uma nota jornalística.
E, como resenha, ele pode tecer críticas favoráveis ou desfavoráveis à obra, não tendo a necessidade da imparcialidade, meu caro.
Nos jornais impressos de domingo (Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo etc) há muitas RESENHAS de livros. Dá uma olhada lá.
O que muito me preocupa é que, daqui a pouco, vão querer imparcialidade em crônicas.
O George e o Ronnie têm razão. A resenha é modalidade de texto que tem caráter precipuamente opinativo. O resenhista discorre sobre suas próprias impressões acerca da obra, e ponto.
Mas em outras circunstâncias poderíamos ter uma resenha menos ácida. Talvez se a obra fosse patrocinada, digamos, pela UNIP ou pela Facamp...
Já dizia o profeta: "NASCE UM TROUXA POR MINUTO".
Deveriam publicar um livro com o seguinte titulo: advogado é aquele que nunca se submete ao imoral exame de ordem!!! "Antes leão por um dia que cordeiro por cem anos"
O Exame de Ordem é um instituto paramilitar imoral e sujo!!! OAB nunca foi e nem será escola, está no momento fedendo a ditadura que tanto combateu!!!
Fiz minhas,até porque já é veredicto meu, as palavras finais do ilustre Diretor de Redação,Dr.Maurício Cardoso: "livro de auto-ajuda, só ajuda a quem o escreve". Que seja mantido o rigor das provas de exame da OAB, pois quem ganha é a sociedade brasileira, com a colocação no mercado, dos melhores acadêmicos como tem contado a história. Ninguém adquire conhecimento sem o competente estudo/esforço.
Que seria da OAB sem os 115,00 reais dos trouxas que pagam cinco (5)anos de faculdade para que passem só uns com nomes bem grandes? Ou até mesmo aqueles que fazem faculdade de boteco? Esse tutu parece até a CPMF que o governo, esse mesmo do Lulinha que vivia achincalhando a vida dos outros que govenaram por sua aprovação... Tudo como antes no quartel de abranches...
mais um pra ganhar dinheiro com essa prática vergonhosa da ordem dos advogados do brasil (propositadamente minúsculas, assim como minúsculos os são).
Pessoal...
Sugiro boicote ao exame da ordem.
Estudo direito desde 2004, sei que qdo entrei na faculdade da Pucrs, sabia da existência de tal exame, mas isso não quer dizer que devo baixar a cabeça e ficar imóvel diante de certas inconstitucionalidades. Já li tantos absurdos em realção ao assunto, argumentos, teses, divagações, defesas, e etc...Mas só tem uma coisa a fazer, que é todos os bacharéis se unirem, e não fazer o exame, aí sim o negócio vai começar a pegar pro lado da OAB. Vejam bem, quantos de vocês navegam pela internet à procura do tema, e sempre constam nossas opiniões sem nenhum efeito sobre o assunto. Temos é que nos unir e boicotar o exame.
Abraços.
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