Cisco do Brasil informa que conduzirá investigação interna

A Cisco do Brasil, filial da americana Cisco System, divulgou nota afirmando que vai cooperar com as autoridades brasileiras no inquérito que investiga a suposta participação de dirigentes da empresa em um esquema de fraude no comércio internacional.

A posição da Cisco foi divulgada em nota oficial distribuída pela assessoria de comunicação da empresa. De acordo com a nota, não há dados que comprovem que a empresa tenha agido de forma inapropriada. Mesmo assim, está “cooperando plenamente com as autoridades e, paralelamente, conduzindo uma meticulosa investigação interna”.

A Cisco do Brasil foi alvo da Operação Persona, deflagrada em conjunto pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal, no dia 16 de outubro. Entre 40 pessoas presas durante a operação, estavam o atual presidente da Cisco Systems do Brasil, Pedro Ripper, e o ex-presidente Carlos Roberto Carnevali.

A empresa é líder mundial no segmento de serviços e equipamentos de alta tecnologia para redes corporativas, para internet e para telecomunicações e está sendo acusada de participar de esquema bilionário de sonegação de impostos no comércio exterior.

Os dois executivos da empresa são suspeitos de comandar o esquema de fraude em operações de comércio exterior. Segundo a nota, outros dois funcionários da empresa foram presos. A Cisco também informa que está prestando toda assistência para os familiares dos presos e demais empregados da empresa.

Leia a nota:

Sobre as questões levantadas a respeito da investigação em curso na Polícia Federal, a Cisco vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

A Cisco tem participado desde o início, e de forma decisiva, da construção da Internet no Brasil. A Cisco se orgulha de suas contribuições para a economia brasileira, fornecendo redes críticas de Internet, e de sua participação ativa na promoção da inclusão digital no País. Nossa ética, integridade e obediência às leis são os valores centrais de nossa empresa.

Analisando os fatos aos quais tivemos acesso, não acreditamos que a Cisco agiu de forma inapropriada. Destacamos que a Cisco não importa produtos diretamente para o Brasil. As importações são feitas por revendedores. A Cisco está cooperando plenamente com as autoridades e, paralelamente, conduzindo uma meticulosa investigação interna. Diante desse desafio, seremos fiéis à nossa política de transparência.

Neste momento estamos empenhados em compreender a situação atual em todos os seus detalhes. Dos 44 mandados emitidos pelas autoridades brasileiras, quatro se referem a funcionários da Cisco. Nossos esforços estão voltados aos quatro funcionários detidos e apoio às suas famílias, assim como ao bem-estar das centenas de profissionais da Cisco no Brasil e aos muitos outros que auxiliam no suporte aos nossos clientes.

A Cisco assumirá responsabilidade e tomará as medidas cabíveis assim que forem finalizadas as investigações dos fatos. A cultura e a integridade de nossa empresa impõem essa conduta. Até que os fatos sejam totalmente conhecidos, seria prematuro e irresponsável de nossa parte especular sobre a situação.

Estamos tomando todas as medidas necessárias junto aos nossos parceiros para garantir a continuidade e o bom atendimento aos nossos clientes no Brasil.

In Press Porter Novelli

Assessoria de Comunicação

A.G. Moreira disse:
19 de outubro de 2007 às 08:55

"É mais fácil um "camelo" passar pelo "fundo de agulha" , do que provarem , alguma coisa (sobre a acusação ) contra a CISCO !!!

Embira disse:
19 de outubro de 2007 às 12:48

Não gostei do nome dessa operação: Persona. Deveria ser Operação Cisco, embora digam que cisco nos olhos dos outros é refresco. A sistemática de importação via empresas laranja e outras fraudes fiscais deve ser tão disseminada que essa não passa de um cisco. Certa vez, eu viajava de trem e um conhecido meu disse que tinha entrado um cisco em seu olho. Lembrei que seria difícil, porque o trem era elétrico e, portanto, não tinha fornalha à lenha. Ele respondeu: então deve ter sido um quilowatt.

Ramiro. disse:
19 de outubro de 2007 às 23:29

Espero que a PF e o MPF não tenham errado como erraram feio em operações anteriores.

No mais escracho em cima de Nagi Nahas e Ali Mazloum é coisa de economia interna de Pindorama, não bate de frente com o nome, que é tido como patrimônio, de uma mega empresa que tem sede num país onde os lobbys são legais e fazem parte da tradição.

Há situações onde não se pode falhar, e essa me parece ser uma situação assim. Lobby da Cisco nos EUA não é história de boitatá.

Como nesta história não faço parte do problema e nem da solução, restou como opção, e escolha, fazer parte da paisagem, como observador.

Agora dizer que o Brasil não produz tecnologia de ponta em computação é coisa de quem não conhece o PESC-COPPE. Infelizmente foram os brasileiros que proibiram dinheiro estrangeiro em pesquisa no Brasil por longos anos.

E quem esvaziou os estudos pioneiros no mundo de computação em paralelo no CBPF não foi o Tio Sam. Foram políticos 100% nacionais. Escrachavam como gastar dinheiro com "supercomputadores dos pobres".

Eu até hoje lembro da invasão da gloriosa PF no Instituto de Física da UNICAMP apreendendo "computadores contrabandeados" com teses dentro, na USP laboratórios da área biomédica escondendo computadores, que nossas carroças da protegida reserva de mercado não davam conta de nada. Fazer um gráfico num XTreco era uma eternidade. Só quem viveu a experiência.

Só para dar um exemplo de uma descoberta geométrica de brasileiro, realizada no IMPA do CNPq e que não pode ser analisada a fundo à época por que a reserva de mercado não permitia computadores com capacidade para tal.

http://mathworld.wolfram.com/CostaMinimalSurface.html

Essa coisa da Cisco está lembrando mais o estilo Putin de tocar governo.

Armando do Prado disse:
19 de outubro de 2007 às 23:33

Ah, ah, ah, ah, ah, ah....

Ramiro. disse:
20 de outubro de 2007 às 12:41

Só a título de curiosidade, vendo a possibilidade de possíveis reclamações junto a CIDH-OEA por abusos, etc... fui verificar e na página em inglês encontrei a composição do orçamento.

ORGANIZATION OF AMERICAN STATES
CONTRIBUTIONS TO THE INTER-AMERICAN COMMISSION ON HUMAN RIGHTS
From January 1, 2006 to December 31, 2006
(in thousands of US$)

Donor Total

Member States:

Brazil 98.5
Chile 55.0
Costa Rica 3.0
Dominican Republic 25.0
Mexico 100.0
*United States 875.4*
Venezuela 120.0

Logo uma possível influência latino americana contra interesses americanos, visto que os EUA entram com mais de 50% do orçamento da Comissão, sem comentários.
Reafirmo, é torcer para o MPF e PF não terem errado. Os outros doadores são observadores europeus nada afins com estados policiais.

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