É de Saint-Beuve a célebre frase de que, “quando o destino de uma nação está no quarto de uma mulher, o melhor lugar para um historiador é a antecâmara”. A via-crúcis pela qual passa o presidente do Senado parece não ter precedência na longa história de vida da instituição. Da relação então experimentada, que é da condição humana, irrefreável tormenta desabou sobre seus ombros. De lá para cá, a imprensa, todos os dias, imperdoavelmente, tem noticiado, com manchetes de primeira página, episódios ligados à sua vida particular e pública. É o tributo pago por exercer alto cargo do escalão estatal.
Harriette Wilson, uma mulher charmosa, bonita e inteligente, era a mais procurada fornecedora de sexo da Londres do reinado de George 14. Em 1824, com 35 anos, já preocupada com as rugas do tempo, resolveu publicar suas memórias. Entre seus clientes contavam-se condes, duques, marqueses, membros da Câmara dos Comuns e dos Lordes, além de destacados homens de negócio e profissionais liberais.
Foi atrás de um livreiro para encarregar-se da publicação das memórias, ajustando com ele que os fascículos seriam editados em série. Acertou que ficaria com percentual remuneratório sobre as vendas. Reservou, contudo, para si própria o grosso do lucro. Viria de um estranho fundo cuja fonte de suprimento se constituiria dos recursos de chantagem armada contra seus clientes.
Antes da publicação de cada fascículo, os personagens envolvidos eram avisados de que, para evitá-la, teriam que fazer um depósito bancário, em nome de Harriette, de 200 libras esterlinas para cada contemplado. Com isso, conseguiu amealhar recursos que lhe permitiram viver o resto da vida em Paris, tranqüila e financeiramente abastecida.
Walter Scott, seu contemporâneo e emérito romancista, assustou-se quando deu conta de que Invanhoe, seu livro de sucesso, vendia menos do que os escandalosos fascículos de Harriette. Satisfeita, teria dito, referindo-se a Scott: “Agora somos as duas maiores pessoas da Europa! Scott do jeito dele, e eu do meu! Tudo o que vier depois de nós serão meras cópias”.
Sem pretender entrar no mérito do que está em apuração no Senado, o que se poderia indagar é se a conduta particular de certos personagens da vida pública nacional resistiria a tão pertinaz, insistente e torrencial campanha. Afinal, quantos não estão respondendo a ações, algumas com acusações graves, perante a Justiça? No entanto, estão aí sorrindo, felizes como se fossem imaculados. Resistiriam à metade da pancadaria que se abateu sobre o presidente do Senado?
Ninguém pode negar o papel de extrema relevância que a imprensa desempenha no contexto democrático dos países livres. É salutar que sua atuação continue sendo a de informar a opinião pública. No caso do senador, parece que a exacerbação do noticiário vem cansando a sociedade. A massificação de notícias que tem tido constância irrepreensível começa a enjoar parcelas da sociedade nacional.
Alguns semanários, obedecendo ao que dizem ser jornalismo investigativo, têm sido de desumana crueldade. Algumas matérias, de virulento conteúdo persecutório, se desmascararam por evidências posteriores. É o que resultou até agora da inexistência de comprovação de muitas das imputações conhecidas. No lugar de promover jornalismo investigativo, partiram para a agressão, algo bem distinto da informação em si a que deve merecer o leitor. Muito mais do que informar, transparece de tal circunstância o sentido de certa hostilidade de caráter pessoal.
Ao leigo de fora que assiste a tamanha crucificação, um fato deve ser registrado. Ao longo de todo o tempo em que se tornou a notícia número um da mídia nacional, a postura do presidente do Senado tem sido de impecável temperança. Na porta de casa, em frente ao gabinete, nos corredores ou no Plenário do Senado, enfim, por onde passa, é acompanhado por um batalhão de fotógrafos, cinegrafistas e repórteres. Nada contra. É dever deles. Mas o que deve se observar é que não se conhece qualquer descortesia que tenha praticado contra os que cobrem a notícia. Não é fácil conter a pressão a que se submete. É difícil supor se outro em seu lugar teria similar equilíbrio.
Arcou com a responsabilidade de seus atos. Teve a coragem de explicar-se em público. Bravamente, esse o advérbio certo, tem procurado responder a cada uma das imputações. Seus discursos têm sido moderados, corteses, embora se perceba a amargura de que padece. Isso não é fácil. Que digam os que já passaram por experiência parecida.
Se houvesse antes se afastado da presidência do Senado, quiçá não tivesse padecido do desgaste físico e moral até aqui sofrido. Não dá para saber se valeu a pena tanto sacrifício quando tudo poderia ter sido evitado.
Justiça seja feita. Renan não esmorece, luta; não se abate, levanta; não corre, combate; não desiste, persiste. Certo de que nada deve, espera serenamente que lhe tirem a “forca do pescoço”.
Artigo originalmente publicado no Correio Braziliense no domingo (9/9)
Será que eu entendi bem o texto? O ex-Ministro está a exaltar qualidades positivas do Sen. Renan Calheiros? Diriam os meus avós: o mundo está de ponta-cabeça ...
Logo vão querer canonizar o homem...
È, o poder economico da bandidagem faz milagres. O ex ministro do STF e ex-Senador da República Mauricio Correa, deve estar precisando de dinheiro. Mas ainda bem que amanhã termina a nossa agonia, com a cassação de Renan Calheiros. Mas não ficará desempregado, pois deverá virar Assessor na FIESP.
Quem Bom, saber que os "pecados" do Presidente do Senado, não se encontram em, nenhum , dos que irão votar pela sua "condenação" , tanto no Senado Federal , quanto na imprensa e nos usuários desta tribuna !!!
"Todos querem abeirar-se do trono; é a sua loucura - como se a felicidade estivesse no trono! - Frequentemente é o lodo que se senta no trono; e frequentemente também o trono está no lodo" Assim Falava Zaratustra - Friedrich Nietzsche.
Renan está sentado no trono do Senado, porém trata-se de um trono de lodo.
Fora Renan!!!!
Flávio Boniolo
Prezados leitores,
É certo que inúmeras pessoas são acusadas de diversos tipos de condutas ilicítas ou indecorosas, o que o seja ilicíto é por certo coercitivo pelo direito, mas, o que o é indecoroso moralmente, nem sempre em face as distâncias entre coerção e moral, se pode coercitivamente inibir, por vezes, se chega à liberação de pessoas por acusações diversas, mas isto, é simplesmente decorrência de viver-se em um estado democrático de direito, onde "os fins justificam os meios", mas, não estes àqueles, por tais, razões costumo ressaltar sempre que o direito como uma ciência possui organicidade própria, estando os direitos dos individuos erigidos à condições de garantias fundamentais, por se chegar à liberação de pessoas por acusações afins, não significa impunidade, mas, a relevância de observação criteriosa ao devido processo legal, premissa ímpar à um ordenamento jurídico democrático, à regra de que em direito processual administrativo ou judicial, a ausência do cabal ônus acusatório, a sentença de mérito é o 'in dubio pro reo', lembrando que o 'in dúbio pro societate', um dia levou cristo ao calvário, eis, o grande marco de arrependimento da opinião pública, que jamais poderá sanar a injutiça perpetrada, como brasileiro, apenas, uma reflexão; um dia nos idos de 1992, levaram o Presidente Collor, à renunciar o seu mandato presidencial, em face aos escândalos de corrupção do caso 'PC Farias', e depois, ele restou absolvido, e nos dias atuais a corrupção no PT é endêmica dos quarenta denunciados, lembra-se um seriado "HALLI BABÁ E OS QUARENTAS LADRÕES", porém, os "quarenta ladrões", assossiaram-se (Art. 288 CPB) para beneficiar um GOVERNO E ESTE GOVERNO TEM UM CHEFE, E ESSE CHEFE? É IMUNE AOS OBJETIVOS FINS DA QUADRILHA?
REFLITAM.
Senhores e senhoras,
Jamais abordaria adjetivações à criticar as opiniões aqui lançadas, em uma manifestação democrática de debates e opiniões, um espaço interessante para a reflexão de fatos e matérias cotidianas, ora, quero ressaltar uma frase 'Janista' de Jânio Quadros; "Só faz a história quem têm história", a minha particular ótica e opinião do Senhor Maurício Corrêa, é a de um homem público, de vastos serviços prestados ao seu estado e por extensão ao país, um homem de fibra, de quilate, de equidade, de coragem e caráter ímpar na luta pela construção de um estado democrático de direito, cuja conduta pública e jurista ao longo da história, faz jus ao pronunciamento do então 'in memorian', Presidente da República do Brasil Dr. Tancredo Neves, quando em seu discurso de posse lembrava das contribuições para a consolidação de um estado democrático de direito, disse;
Das Contribuições -
"A do Poder Judiciário, que se manteve imune aos casuísmos isolados, para na atual conjuntura fazer prevelecer os espírito de reordenamento jurídico democrático".
Por tais razões, em um passado remoto, o senhor Maurício Corrêa, que no Legislativo Federal, por suas ações de homem público, no Ministério da Justiça, por sua obra em favor do Brasil, vestido pela Toga, por suas lições, hoje vêm de retorno ao exercício da advocacia, a história e a trajetória do Senhor Maurício Corrêa, merece, por parte daqueles cidadãos brasileiros, que à conhecem na sua essência, os nossos sínceros agradecimentos e congratuações, essa é a minha pessoal opinião. Era o que tinha à escrever.
Selmo Santos.
Ainda bem que o Sr. Maurício Corrêa está aposentando do STF, não faz nenhuma falta. Agora ele quer que o Renan seja inoncentado porque outros senadores respondem a crimes mais graves do que o Renan. É bem verdade, tem Senador que respondeu a tráfico de drogas, e isso pode ser facilmente constatado por uma pesquisa no STF, caso alguém se interesse. Agora, falar que o Renan é inocente, sereno, é chamar os quase 190 milhões de brasileiros de burros, palhaços. O Renan é corrupto, e foi prepotente e arrogante ao não sair do trono para salvar a própria pele, imaginou ter um poder maior do que tinha. E pela justiça tem que ser cassado.
Assim como ocorreu no Caso Thales (http://conjur.estadao.com.br/static/text/59205,1), o nobre articulista, Dr. Mauricio Correa, também "esqueceu" de informar aos leitores do Conjur que é advogado contratado pelo Senador Renan para defender-se no processo de cassação, que será votado em plenário hoje.
é realmente estamos bem servidos no stf
É visível o despreparo dos grandes veículos de comunicação do país para lidar com a liberdade de expressão assegurada pela Constituição de 1988. Elege-se a “bola da vez” e perpetra-se uma saraivada de acusações aleatórias, sem que seja observado o princípio do contraditório. Transfere-se publicamente ao acusado o ônus de provar sua inocência.
É um tal de “teria feito isso...”, “poderia ter acontecido isso...”, “supostamente....” .
A imprensa, que se auto-intitula o quarto poder da nação, na verdade está fazendo o papel de PRIMEIRO e NEFASTO poder, porque acusa e profere julgamentos implacáveis, na primeira página dos jornais ou no primeiro bloco dos noticiários de TV.
O espírito jornalístico, que deveria primar pela seriedade e respeito (ainda que mínimo) ao acusado, cedeu lugar ao “furo” de reportagem e à raiva injustificável dos editores-chefes.
É provável que os defensores da imprensa irresponsável e sem fronteiras consigam manter essa postura somente enquanto não se tornarem a próxima vítima. Como bem disse o ex-ministro Maurício Corrêa, a imprensa tem o dever de informar, pois assim estará prestando um serviço relevante à sociedade. Mas da forma como age, está paulatinamente arruinando a credibilidade outrora conquistada. Não se pode subestimar a capacidade de discernimento do cidadão, que por mais simples que seja entende os excessos cometidos pelos conglomerados jornalísticos. Basta ver o resultado da última disputa para o cargo de presidente da república. Como o tempo é a matéria-prima da história, quem viver verá.
Parabéns ao articulista pelo conhecimento dos bas-fond freuqentado pelos legisladores inglêses dos idos de 1800.No Brasil, "os donos do poder" estigmatizados por Faoro, frequentam desfiles carnavalescos. Embriagados com a beleza de nossa mulatas ficam idem (de pileque). Ou alugam mansões em Brasília.
Harriete, a fornecedora de sexo aos lordes, foi viver tranquilamente com os rendimentos de suas memórias.Como relata o ex-ministro. No Brasil deste século, os donos de República compram sexo e consciências com facilidades. Não faltará um valério da vida para abastecê-los de grana.Quando as orgiais financeiras e sexuais brotam, não esmorecem, lutam; não sa abatem, levantam. Para manterem o status de sempre e usufruto da libidinagem. Com os impostos que nosso povo que de tanto trabalhar, não tem sequer um tempinho para uma trepadinha. Não há, aqui, valoração da moral. Tão somente o desvelo do grau de escárnio e hipocrisia a que chegamos.
Agora, ca entre nos (estou fora do Pais usando um teclado sem acentos)
O CONJUR julgou despiciendo informar que DD. articulista eh ADVOGADO DO INDIGITADO?!!
Nota dez ( 10) para o Dr. Mauricio Correia. Não sou advogado e nem amigo do senador Renan Calheiros, mas como cidadão e democrata que sou não posso assistir ao linchamento do referido senador sem me assustar com a posição truculenta e abusiva e ilegal de alguns " cardiaias do Direito " que têm assento no senado federal e que demonstram , na pratica, que são destituidos da cultura juridica que tanto arrotam diante das camaras e da midia.! Querem a cabeça do presidente Renan, não por uma questão moral ou civica, mas por uma questão politica. Caso aconteça a degola do senador atacado , um terrivel precedente surgirá : qualquer cidadão brasileiro ( e não apenas senador ou deputado federal), poderá ter seus direitos politicos cassados e ser encarcerado se contrariar determinada mulher ou a revista VEJA . Nota zero para a midia denuncista . Nota zero para a mulher vil !
Franz Kafka deve estar rolando no túmulo. É representação real de sua obra "O Processo".
Um processo neurótico, conduzido pelo próprio investigado em boa parte de seu curso. Nele foi possível constatar a verdadeira capacidade humanda de inverter maliciosamente e cinicamente os fatos.
Não me interessa com quem o Exmo. Presidente do Senado Federal vai para cama. Seja com sua esposa, sua amante, ou coisa que o valha.
Agora, interessa-me muito saber, por meio da imprensa, se for o caso, que as suas contas são pagas por lobista de construtora.
Interessa-me saber, por meio da imprensa, se for o caso, que o maior representante de um dos Poderes da República supostamente vende gado "fantasma" para empresas "fantasmas" em nome de "laranjas". E que tais transações são apresentadas como defesa perante o Senado Federal para justificar a sua renda e a sua capacidade financeira de arcar com a "pensão".
Enaltecer a conduta do Senador porque aguentou a pressão da imprensa até o final é a maior desfaçatez e cara de pau do mundo.
Enquanto isso, ele paralisou os serviços de uma das casas legislativas! Tivesse ele renunciado, teria feito melhor já que não tem como provar PORQUE LOBISTA PAGA AS SUAS CONTAS PESSOAIS E NEM A ORIGEM DOS SEUS RENDIMENTOS.
De sua suposta coragem, valentia e serenidade, fica apenas uma certeza: QUANTA SOBERBA!!!
Senador e respectivos defensores: agora só faltam culpar a criança, ou preservativo, quem sabe?
O (c/ acento circunflexo) "nao tenho" (nao tem mesmo!) e que nota voce dah para o SAFADO, ESCROTO, MENTIROSO e CRIMINOSO do Renan, hein?!
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login