Juiz sai de gabinete e faz audiência em zona rural

Para acelerar o julgamento de mais de 3 mil processos, um juiz do interior de Mato Grosso do Sul está mudando a rotina do Judiciário. As audiências estão sendo feitas bem longe do Fórum, no meio da comunidade, onde estão os problemas. Até um bar foi usado como sala de audiência. A reportagem é do portal de notícias G1.

Mais da metade da população de Terenos mora na zona rural. Como o acesso ao Fórum é difícil por causa das distâncias, o único juiz da cidade decidiu levar a Justiça até a comunidade. “Não há ligação do campo com a cidade regular para que a pessoa possa vir normalmente”, diz o juiz José Berlange.

Ele e os assessores saem do gabinete e enfrentam a estrada de terra. Até um vilarejo conhecido como Ponte do Grego, o trajeto tem 42 quilômetros. “Quando falaram que a Justiça viria até nós, achamos um fato inédito”, diz Zélia Flores.

Um dos processos julgados se arrastava há mais de 12 anos. Era uma disputa de terra entre um fazendeiro da região e posseiros. Em uma audiência que durou mais de quatro horas, na zona rural, foi tomada a decisão: o dono da área vai receber 20% do valor dos lotes e o restante em dez parcelas. Silvio da Cunha, que vive há nove anos em um dos lotes invadidos, aprovou o desfecho do conflito. “Agora é só pagar e usufruir”, diz ele.

A próxima etapa da Justiça de Terenos vai ser em um assentamento de reforma agrária onde 900 famílias brigam pela posse de lotes.

Maria Lima disse:
26 de setembro de 2007 às 19:19

Bendito seja esse Juiz!

Roselane disse:
26 de setembro de 2007 às 19:20

Excelente atitude!
Constata-se que esse Juiz tem a verdadeira vocação e não somente prestou concurso para fins de estabilidade, como vemos muitos por aí.
Que bom seria, se muitos tivessem essa visão em levar a justiça até o povo.

EduardoMartins disse:
26 de setembro de 2007 às 20:40

É isso aí, admiro isso, mas agora ele que abra o olho!

No Rio querem punir a juíza, se ele fosse do Rio com certeza seria outro processo disciplinar aberto, mas em Mato Grosso do Sul não sei como a banda toca e se eles lá são mais liberais e menos inflexíveis.

Dijalma Lacerda disse:
26 de setembro de 2007 às 21:05

Conheço Terenos, conheço Aquidauana (já advoguei lá, conheço Miranda (já advoguei lá), conheço Neuaque, conheço Guia Lopes, enfim, conheço a região.
Lá, em MS, a realidade é outra, com distâncias e obstáculos incríveis a serem rompidos, exigindo muita coragem das autoridades constituídas, principalmente no combate à "pistolagem" que pelo menos até ha bem pouco tempo por lá existia, e muito.
De maneira que, na minha leitura, parabéns ao trabalhador e corajoso Juiz.
Parabéns mesmo e auguro que continue assim.

Comentarista disse:
26 de setembro de 2007 às 21:27

Até que essa tal de "audiência no bar" parece ser uma boa idéia...

drnakatani disse:
27 de setembro de 2007 às 08:41

Concordo plenamente com os demais comentários, restando somente parabenizar o nobre magistrado pela digna atitude, que somente vem exteriorizar sua real vocação à magistratura. Agora realmente temos de torcer para que ele não seja punido como o magistrada carioca.

Marcelo Augusto Pedromônico disse:
27 de setembro de 2007 às 09:12

Um exemplo.

Antônio Carlos de Quadros disse:
27 de setembro de 2007 às 11:45

Olá, olhem que maravilha. É um exemplo a ser seguido, pois nem mesmo quando se peticiona para que procedam diligências os juízes costumam deferir, que dirá ele próprio sair do gabinete juntamente com o séquito.
Parabéns.

Miguel Godinho Bastida disse:
30 de setembro de 2007 às 16:05

Este juiz, José Berlange, prova, com isso, que a Justiça pode ser cega, mas não precisa ser tetraplégica, e que pode e deve fazer-se acessível à população, que paga, com pesada carga tributária, a manutenção da máquina jurídica, que mostra-se emperrada pelo excesso de processos somado à comodidade de alguns Meritíssimos que aquartelam-se em seus gabinetes, blindados contra a presença de populares, endeusando-se; ao invés de honrar a Jurisdição outorgada pelo Estado, usando a criatividade para solucionar questões que adormecem nas prateleiras dos fóruns nacionais. Este Juiz, José Berlange, mostrou, com sua atitude, que, com boa vontade dos juízes, a Justiça pode tornar-se ágil e ser alcançada por aqueles que a buscam para solucionar os conflitos gerados pelas relações sociais.

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