Livro de delegado federal esmiúça o crime organizado

O delegado da Polícia Federal Rodrigo Carneiro lança, na próxima semana, o livro O crime organizado na visão da Convenção de Palermo, pela editora Del Rey. A obra chega primeiro a Brasília e, depois, serão marcados lançamentos em Curitiba e São Paulo.

No livro, de 264 páginas, o autor trata da formação do conceito de crime organizado pela Convenção de Palermo, instituída como lei no Brasil pelo Decreto 5.015/04. Carneiro fala de cooperação internacional e de projetos de lei sobre o crime organizado, das suas formas de atuação, instrumento de prevenção, controle e repressão.

Segundo o delegado, o livro não foi concebido como ferramenta para a segurança pública, mas, provavelmente, também vai se prestar a isso. “A segurança pública não precisa de uma receita mágica, mas de integração das políticas existentes, cooperação entre as instituições públicas e políticas públicas sociais sérias e contínuas. Nada de novo na composição da fórmula, mas ainda não encontramos o gestor de segurança pública que conseguirá utilizar esses e outros ingredientes na quantidade correta e combiná-los de forma eficiente”, afirma Rodrigo Carneiro.

Ele tem, no seu currículo na Polícia Federal, além da participação em inquéritos da Operação Sanguessuga, que tramitaram no Supremo Tribunal Federal, o comando da investigação da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que ficou conhecido depois de relatar à CPI dos Bingos, em 2006, que o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci freqüentou casa de lobistas. Sua investigação culminou com a recente denúncia do ex-ministro, feita pela Procuradoria-Geral da República. Carneiro também é professor da Academia Nacional de Polícia, membro da Diretoria Executiva da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal e de sua Comissão de Prerrogativas.

O livro tem o prefácio do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda. Nas palavras de Lacerda: “Pela relevância de que se reveste no contexto atual e considerando a escassez de obras sobre o tema abordado, honra-me sobremaneira fazer a apresentação deste valioso opúsculo aos estudiosos e operadores do direito, na convicção que muito contribuirá para o engrandecimento da literatura penal brasileira”. A nota de apresentação do livro fica por conta do desembargador federal aposentado Vladimir Passos de Freitas, ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

O livro é resultado de encontros e reuniões com alunos e professores do curso de pós-graduação de Segurança Pública e Defesa Social (MBA) na União Pioneira de Integração Social, em Brasília.

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Leia o prefácio

Jamais na história do Brasil a coletividade sentiu tão de perto e intensamente como nos dias atuais os reflexos das ações nefastas do crime organizado. Não é exagero afirmar que as ações das organizações criminosas estão hoje disseminadas por quase todos os setores públicos e privados, causando irreparáveis danos ao País, ao povo e à vida produtiva nacional.

Dentro desse contexto, o estudo de todos os aspectos que envolvem o tema adquire vital importância na busca da compreensão desse fenômeno moderno, que tem preocupado a muitos países do mundo, em face dos grandes malefícios causados à tranqüilidade pública e à paz social.

O presente trabalho, de autoria do Delegado de Polícia Federal Rodrigo Carneiro, que de algum tempo vem se aprimorando, tanto no campo teórico quanto prático, no conhecimento das ações do crime organizado, reveste-se, portanto, de valor inestimável como instrumento de estudo dessa realidade altamente inquietante para a sociedade e para as autoridades responsáveis pela segurança pública.

Esta obra, preenchendo lacuna sobre um assunto a respeito do qual poucos se aventuraram a escrever, faz uma análise jurídica do crime organizado, sob os aspectos material e processual, tendo como foco central a Convenção das Nações Unidas contra o crime organizado transnacional, também conhecida como Convenção de Palermo, adotada em Assembléia da ONU, no ano de 2000, e promulgada no Brasil com a edição do Decreto 5.015, de 12 de março de 2004.

O autor utiliza-se de elegante e sistemática comparação da Convenção de Palermo com outras convenções e tratados internacionais nela mencionados, além de tipos penais e leis penais extravagantes. Ao contrário de proceder à rotineira transcrição de outros autores, faz inédita e criteriosa apreciação da matéria, além de propor interessantes mudanças em projetos de lei que tramitam no Congresso.

Questões como os requisitos para o pedido de cooperação jurídica internacional, a atuação do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional — DRCI e da Coordenação-Geral de Combate aos Ilícitos Transnacionais do Ministério das Relações Exteriores, assim como a jurisprudência, a atuação da autoridade central brasileira e o regime legal ao qual se subordina são trazidos a lume, proporcionando à obra o pragmatismo que faz de certos livros o companheiro inseparável dos profissionais bem-sucedidos.

A Interpol — Polícia Criminal Internacional e seu gigantesco banco de dados denominado I-24/7, que disponibiliza informações 24 horas por dia, 7 dias por semana, para todas as instituições dos diversos países que integram o sistema, também foi lembrada e comentada, em razão de sua importância no contexto do combate ao crime organizado.

Pela relevância de que se reveste no contexto atual e considerando a escassez de obras sobre o tema abordado, honra-me sobremaneira fazer a apresentação deste valioso opúsculo aos estudiosos e operadores do direito, na convicção que muito contribuirá para o engrandecimento da literatura penal brasileira.

Paulo Fernando da Costa Lacerda

Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência

Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal (2003-2007)

Rossi Vieira disse:
28 de fevereiro de 2008 às 13:14

Quando e onde será o lançamento do livro ? Parabéns ao jovem policial Carneiro, seu futuro na polícia federal está certo ! É ver para crer. Veremos, em muito breve, como chefe da polícia federal brasileira, ou cargo assemelhado de comando em outra Instituição. Abraço-o.

Otávio Augusto Rossi Vieira, 41
Advogado Criminal em São Paulo.

Luiz Carlos de Oliveira Cesar Zubcov disse:
28 de fevereiro de 2008 às 13:30

Parabéns Dr. Rodrigo pelo lançamento do livro e por sua performance libertária!
O homem é admirável ou medíocre pelos seus atos e não pela posição social ou cargo que ocupa.
E na polícia não poderia ser diferente, um medíocre pode chegar a diretor geral e um delegado no simples e importante cumprimento de seu dever pode se destacar, tanto no gerenciamento de investigações como em seus estudos, transformando-se assim em um grande prestador de serviço social.
À medida que o policial se aproxima do Direito ele se afasta das condutas abusivas, fica imune dos delírios do poder e passa a ser útil à sociedade e de pouco interesse da tirania.
Falei com o Dr. Rodrigo somente uma vez. Conheço-o, portanto, mais pelas suas manifestações jurídicas.
Entre os interesses do cidadão e os do Estado, não há dúvidas de que o Dr. Rodrigo sabe muito bem qual a sua opção.
As obras públicas e as grandes realizações da humanidade somente têm valor quando destinadas aos sonhos de liberdade.
O crime organizado em nosso país ainda é monopólio dos detentores do poder, entretanto, é para o homem comum que o cárcere é reservado.
Insisto, o desvio e a apropriação do receita pública é a principal causa de toda desordem social e das tragédias humanas.
E para reflexão, finalizo com o conhecido adágio: “Em um cano de esgoto também é possível encontrar filetes de água límpida”.

DPF Falcão - apos disse:
28 de fevereiro de 2008 às 15:23

Parabéns ao Delegado de Polícia Federal Rodrigo, que tanto honra e dignifica a nossa instituição.
Para não repetir matéria, faço minhas as palavras do Dr. Zubcov.

Armando do Prado disse:
28 de fevereiro de 2008 às 15:23

É ler para ver...

Moacyr Pinto Costa Junior disse:
28 de fevereiro de 2008 às 16:31

O Dr. Rodrigo foi, por demais,feliz em lançar esta Magnífica obra.Dr. Rodrigo, que o Sr. Faça muitos méritos na Polícia Federal, a exemplo de duas pessoas que conheço e tenho muita admiração e respeito: Dr. JOÃ0 CARLOS SANCHEZ ABRAÇOS e DR. PAULO LACERDA.
MOACYR PINTO COSTA JUNIOR.

DPF Adriano disse:
28 de fevereiro de 2008 às 17:14

Parabéns ao colega Rodrigo pela publicação de tão cara obra literária.
Como já foi dito antes:
"Luz... mais Luz!"

Iosef disse:
28 de fevereiro de 2008 às 21:54

Parabéns ao Dr. Rodrigo Carneiro, amigo, professor e pesquisador da ciência jurídica, pela sua obra. Grande abraço!

luciano disse:
29 de fevereiro de 2008 às 02:04

Parabens Dr. Rodrigo. Ciro dos Anjos que se cuide. Pode deixar que vou buscar o meu exemplar autografado.

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