Deixando de lado a visão tradicionalmente hipócrita sobre o tema, não é segredo para ninguém ser a gravidez indesejada freqüentemente interrompida em clínicas clandestinas pelas classes abastadas. Mais uma vez se pratica no Brasil uma brutal discriminação de poder aquisitivo: a mulher abastada tem condições de pagar pelo aborto, com segurança, higiene e cuidados, enquanto a mulher pobre e desesperada com a gravidez, em geral, entrega-se nas mãos dos chamados “carniceiros”, correndo enorme perigo de vida. No ano passado o Ministério da Saúde gastou mais de R$ 35 milhões com a internação dessas gestantes. E não foi ainda realizado estudo confiável visando determinar os verdadeiros custos para os cofres públicos gerados por essa prática incontrolada e insalubre.
Especialistas na matéria, no entanto estimam que as complicações do aborto clandestino costumem gerar custos 10 vezes maiores do que para o atendimento dos casos de aborto legal. É forçoso e lamentável se admitir que a interrupção voluntária da gravidez consista numa realidade cotidiana, clandestina e social nos países em que o aborto ainda não foi legalizado.
Afigura-se a criminalização do aborto, do ponto de vista jurídico e constitucional, um lamentável equívoco. Sua proibição expõe a mulher que decide abortar, repita-se, a severos riscos de vida e a seqüelas bem conhecidas pelo sistema de saúde brasileiro, já que a paciente recorre a expedientes duvidosos, especialmente se for pobre, sem assistência médica e sem os cuidados higiênicos básicos exigidos para a sua prática. Por esse motivo o aborto já é a terceira causa de morte materna no país.
Da forma como vem sendo tratada a matéria, ao contrário de tutelar a vida humana cria-se ameaças a outros bens jurídicos e constitucionais, como a saúde e a integridade pública das mulheres. Chega-se, assim, à seguinte conclusão: a criminalização do aborto não impede a sua realização. Proibir o aborto não acaba com ele. Assim como seria impossível proibir a existência de crianças de rua apenas baixando uma lei que isso determinasse. Por outro lado, o Brasil é recordista em abortos clandestinos (mais de um milhão por ano), além do elevado número de mortes e do comprometimento da saúde das mulheres em decorrência das péssimas condições em que são realizados entre nós.
Seria preciso que houvesse uma política do Estado de apoio, com médicos, psicólogos e assistentes sociais, voltada para o amparo da mulher carente a fim de que esta se sentisse mais segura e pudesse assim escolher pela realização ou não do aborto. Esta é uma decisão que cabe somente à própria mulher. Além disso, caso opte pela interrupção da gravidez deve ser assegurada a sua realização de forma digna e segura.
Descriminalizar a conduta penal a que está submetida à mulher e não discriminar o ser feminino, como vem ocorrendo na prática, é o caminho sensato, jurídica e sociologicamente correto. Buscar-se deslocar o tratamento jurídico tradicionalmente dado ao aborto do campo do Direito Penal, meramente repressivo, impondo à mulher o constrangimento de responder a uma ação penal e submetendo-a a pena criminal, para o campo da saúde, é dever do Estado (Constituição Federal, artigo 196).
O que aqui se advoga, assim, é a criação de condições de saúde e dignidade para os casos de abortamento inseguro provocado quando a mulher não se sinta em condições (sociais, econômicas, psicológicas ou médicas) de levar adiante uma gravidez indesejada. A opção e a decisão pela interrupção da gravidez indesejada devem, em última análise, recair sobre a própria mulher, seja no caso de estupro ou de risco de vida. Não cabe a ninguém ser contra ou a favor do aborto. O razoável é dizer que cabe à mulher e à medicina decidirem pela interrupção da gravidez indesejada.
Assim, a proposta é de descriminalização do aborto como legítima questão de Direitos Humanos segundo a qual devam ser respeitados os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da igualdade entre as mulheres de classes sociais diversas, buscando-se lembrar que a prática da interrupção da gravidez jamais deve ser imposta. O que aqui se defende, em última análise, é a opção para as mulheres que efetivamente não se sintam em condições de procriar, de forma salubre e responsável, o não exercício da maternidade e que isso não se constitua em crime, mas, ao contrário, que tal seja feito sob a égide e a correta orientação do Estado.
Eu nao compreendi a palavra direitos humanos no texto das advogadas, por acaso a criança em gestacao nao tem o direito a vida, nao e a criança uma pessoa humana e com Direito de viver como todos nos, conforme a nossa legislaçao. Se uma pessoa dirige a uma clinica para fazer aborto ela esta cometendo um crime gravissimo e por isso precisa ser punida e ponto final, inclusive, deveria ser proibido a previsao legal do aborto em caso de perigo para a mae e em caso de estupro; quem conhece alguma mulher que fez aborto sabe dos problemas que ela carrega, na alma, pois o aborto e algo tao anti natural que acarreta a destruicao moral da mae que matou o proprio filho. O Brasil e um pais de fundacao Crista e assim continuara, pois mudar a mentalidade brasileira nao sera possivel nem com rolo compressor. Comunistas nao graças a Deus.
De novo as velhas lorotas, falácias e mistificações!
Já houve quem dissesse que "centenas de milhares" de mulheres morrem no País em decorrência de complicações do aborto voluntário!
Hajam cemitérios para toda essa multidão, não? Hajam florestas para o papel de tantas certidões de óbito também!
No entanto, e segundo estatísticas SÉRIAS do Ministério da Saúde, essa "multidão" seria "apenas" em torno de UMA CENTENA E MEIA de mulheres em média, ao longo dos últimos dez anos.
"Problema de saúde pública" então? Não acho. Muito piores problemas seriam as endêmicas hanseníase, tuberculose e febre amarela que o (des)governo "que aí está" não tem mostrado condições (e competência!) para enfrentar.
Depois, a tal mortalidade derivaria, como conseqüência, de uma ESCOLHA PESSOAL da mãe abortante e não de um "acidente" imprevisível e inevitável.
Como corolário inevitável de tal equação, o (des)governo "que aí está" deveria DESESTIMULAR o aborto, como forma de evitarem-se tais mortes "maternas" e não - fiel aos seus compromissos assumidos com a chamada "Rede Feminista", sucursal da "multinacional da Morte", procurar a sua descriminalização (que somente faz aumentar o número de abortos, como comprovado no mundo inteiro que a adotou).
É como se procurar a descriminalização do roubo porque os pobres assaltantes vem sendo mortos nos seus assaltos!
Raciocínio pobre, torto e idiota (ou simplesmente MALICIOSO mesmo) e que vem sendo acolhido pela mídia como "válido", sem que haja ninguém para contestá-lo.
E no direito da pobre criança, INOCENTE e INDEFESA, quem pensa?
E amigo Lucas:
Corretíssimos TODOS os termos do seu comentário.
O "Estado de S. Paulo" traz as notícias que publica, favoráveis ao aborto (que me levaram inclusive ao cancelamento de minha assinatura de mais de 20 anos), na seção "Vida &", quando, por coerência, o deveria ser na seção "MORTE &", você não acha?
E o amigo já reparou que, na sua luta contra Deus, todos esses "humanistas" que defendem a MORTE de crianças INOCENTES e INDEFESAS, no seio de suas "mães" são os mesmo que são violentamente contrários à Pena de Morte para criminosos CULPADOS dos mais hediondos crimes de morte?
Não é muito coerente isso?
Um abração e parabéns pela sua coragem e destemor. Que Deus o abençõe.
Por oportuno, reproduzo abaixo o artigo de um promotor publicado no "Correio Braziliense":
Ladrões pobres morrem ao furtar
Maria José Miranda Pereira, Promotora de Justiça do Distrito Federal (Correio Braziliense)
O título acima é propositadamente cômico. Imagine que abaixo dele houvesse um artigo desse conceituado jornal lamentando que a morte atinja sobretudo os ladrões menos abastados, vez que os de sofisticadas quadrilhas, a exemplo dos navalheiros, mensaleiros, sempre conseguem escapar da condenação criminal. Com a liberdade que a Justiça tão agilmente lhes concede, podem usufruir a fortuna surrupiada e destruir provas do crime. Imagine ainda que houvesse estatísticas de quantos ladrões pobres morrem por roubar em “condições inseguras”. E, chegando ao cúmulo, imagine que o articulista propusesse a legalização do furto como solução para promover a isonomia entre ricos e pobres, e para acabar com a injusta morte dos larápios menos favorecidos.
Seria total absurdo. Mas não é menos absurdo do que artigos e reportagens que temos lido nessa feroz campanha para legalização do aborto. Um deles com o título “Mulheres pobres morrem ao abortar”, em vez de propor que as mulheres, ricas ou pobres, deixem de abortar para deixar de morrer (como seria normal propor aos ladrões que deixassem de furtar para evitar risco de morte), propõe que as mulheres tenham o direito de exterminar seus filhos “em condições seguras”. E lamenta que a morte atinja sobretudo as gestantes pobres, uma vez que as ricas podem cometer esse crime em “clínicas particulares”, que oferecem “melhor atendimento”. Em nenhum momento o articulista se refere à vítima do aborto, o bebê, que é sempre morto, não só quando o aborto é praticado em “clínicas clandestinas” e com “métodos caseiros”, mas também quando é feito em sofisticados ambientes dotados de potentes máquinas de aspiração e de afiadas curetas para esquartejamento.
O texto refere-se a dados publicados pela maior rede privada de abortos do mundo, a IPPF, conhecida pelo cognome “A multinacional da morte”, com filiais em 180 países (no Brasil, com o nome de Bemfam). A nefanda organização, segundo o artigo, publicou relatório intitulado “Morte e negação: abortamento inseguro e pobreza”. Além de todas as falácias denunciadas, o documento prima por fraudar dados e manipular informações, como é praxe no meio abortista. Baseando-se em uma bola de cristal, “estima-se” que, no Brasil, sejam realizados 1,4 milhão de abortos e “calcula-se” que 31% das gravidezes terminam em abortamento. Esses dados, baseados na mais científica chutometria, podem ser mudados de acordo com a conveniência do panfletador.
Em 1990, um jornal do Rio de Janeiro dizia que, segundo a ONU, o Brasil era recordista mundial de abortos, com uma taxa anual de 3 milhões. Afinal, são 3 milhões ou 1,4 milhão? Ou seriam 100 mil? Talvez 10 mil? A dra. Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança, assustada com a quantidade de abortos que se diziam praticar no Brasil “segundo pesquisas da ONU”, foi consultar a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, repartição regional da OMS) e recebeu a seguinte resposta em 1993: “Lamentavelmente, não é a primeira vez que, levianamente, se toma o nome da Organização Mundial de Saúde e/ou da Organização Pan-Americana de Saúde para dar informações que não emanam dessas instituições”.
Quanto às mortes maternas, faltou ao documento honestidade para dizer que seu número permanece estável ao longo dos anos em nosso país: 1.577 mortes em 2001, 1.655 em 2002, 1.584 em 2003 e 1.641 em 2004. Desse número, a quantidade de mortes maternas em gravidez que terminou em aborto nunca passou de 200. Seu ponto máximo foi 163 mortes, em 1997. Em 2001, 148 mortes; em 2002, 115 mortes; em 2003, 152; em 2004, 156. Detalhe importante: essa cifra engloba não só a morte materna devida a abortos provocados, mas também gravidez ectópica, mola hidatiforme, outros produtos anormais da concepção, aborto espontâneo, aborto não especificado, outros tipos de aborto e falhas na tentativa de aborto. Com uma gama tão abrangente, a cifra não chega a duas centenas, para tristeza dos abortistas (dados disponíveis na página do Departamento de Informação e Informática do SUS — Datasus).
No entanto, é possível também reduzir a zero esse baixo índice de mortes maternas por aborto. O caminho é exatamente o contrário ao proposto pela “multinacional da morte”: combater a lucrativa indústria do aborto, punir os aborteiros, fazer campanha de valorização da maternidade e da vida intra-uterina, dar assistência material e moral às gestantes em desespero e aos seus filhos nascituros.
É lamentável que governo e IPPF estejam unidos e usando os meios de comunicação social com argumentos falaciosos e falsas estatísticas para impor à população brasileira a aceitação do mais covarde de todos os assassinatos.
A criminalização do homicídio também não impede que ele seja feito. Definitivamente, a ótica das autoras é cômica e vesga.
Com camisinha e anticoncepcionais gratuitos, quem faz sexo desprotegido deve arcar com as consequências. E não venham com o argumento hipócrita de que é gente desinformada. Todos os que recorrem a uma clínica abortiva sabem o que é um anticoncepcional ou uma camisinha; e os que não sabem, certamente não tem acesso a clínicas de aborto. Portanto, os defensores do aborto não devem se cobrir pelo manto da pobreza daquelas coitadas que engravidam nas favelas, no agreste, etc. Não, não.
Quem defende o aborto, pra ter o mínimo de coerência, deve apoiar o ato desde a concepção até a hora do parto. Ou será que há 100% de vida no nono mês, 8/9 no oitavo mês, 7/9 no sétimo? Claro que não. E como pra mim um recém nascido não se diferencia de um bebê prestes a nascer, sou contra o aborto.
Existe, além disso, a idéia oca de que se o homem engravidasse, seria legal o aborto. Não passa, também, de vigarice mental. A mulher, quando decide abortar, o faz por não querer criar a criança, e menos por suportá-la nove meses; e esse motivo também vale pro homem que engravidou sua esposa ou namorada. Portanto, os motivos que fazem uma mulher abortar são os mesmos um homem.
E essa história de meter a Constituição no meio é coisa de gente antidemocrática, que não sabe o que significa aceitar as regras do jogo da democracia. Não há uma linha na CF que impeça o Congresso de proibir ou permitir o aborto. A população tem a liberdade de decidir pelo sim e pelo não, sem essa de blindar regra com cláusula pétrea, dizendo que é inconstitucional o crime de aborto. Só 15% da sociedade é favorável à excrescência. Assim, conformem-se com a regra atual.
É evidente que a criminalização de um ato não impede a sua comsumação (inclusive com relação ao homicídio, como bem lembrado, e a outro crimes não menos piores, como o estupro, o latrocínio, etc.)...
A questão central, data vênia, está no fato do Estado autorizar ou não o assassinato de crianças - inocentes e indefesas - que aguardam nas barrigas de suas mães o mais simples e elementar dos direitos, ou seja, nascer!
Simples assim!
E o resto é retórica e sofisma de quem quer dar outros nomes (ou adjetivos) a um crime tão bárbaro...
É evidente que a criminalização de um ato não impede a sua consumação (inclusive com relação ao homicídio, como bem lembrado, e a outro crimes não menos piores, como o estupro, o latrocínio, etc.)...
A questão central, data vênia, está no fato do Estado autorizar ou não o assassinato de crianças - inocentes e indefesas - que aguardam nas barrigas de suas mães pelo mais simples e elementar dos direitos, ou seja, nascer!
Simples assim!
E o resto é retórica e sofisma de quem quer dar outros nomes (ou adjetivos) a um crime tão bárbaro...
O tema disperta provocação. Entendo que a conduta humana de eliminar o fruto do novo ser,dentro de si, mulher, apesar de repugnante, deveria deixar de ser crime. O que a Dra Kátia e Glória defendem é condição de saúde e dignidade para o caso de abortamento inseguro. A opção por essa solução vem da própria mulher. Criminalizar tal conduta impede o atendimento seguro na Saúde pública, com metodologia adequada para realização da cirurgia. Nesse sentido o prejuízo é do Estado. No mais, nunca vi alguma mulher cumprindo pena de crime de aborto. Colocar a mulher numa tribuna de júri, ainda parece ser boa solução.Parabéns pelo texto e reflexão sobre complexo assunto.
Otávio Augusto Rossi Vieira,41
Advogado Criminal em São Paulo
O ABORTO HÁ MUITO TEMPO DEVERIA SER DESCRIMINALIZADO.
AS MULHERES QUE REJEITAM OS FILHOS, POR QUALQUER MOTIVO, DEVERIAM TER O DIREITO DE ABORTAR, SÓ ASSIM NÃO TERÍAMOS ALTOS ÍNDICES DE ABANDONO DE MENORES. ESTÁ EM TRAMITAÇÃO NO CONGRESSO UMA LEI QUE LIBERA O PARTO ANÔNIMO, ISTO QUER DIZER QUE ESTARÁ LIBERADO O ABANDONO, SEM QUE ISTO SEJA CRIME. PORTANTO, ENTENDENDO QUE ABANDONAR PODE, ENTÃO PODE TAMBÉM ABORTAR.
AOS QUE ACREDITAM EM DEUS, O QUE É PIOR ABORTAR OU ABANDONAR?
Impressionante os comentários abaixo.
Eivados de pré julgamento, na mais dura linha do tipo "sou contra, portanto, ninguém deve fazer o que eu acho errado".
Teve até um infeliz que disse que o Brasil é um país cristão!! Evoquemos então o Papa como imperador, o que te parece? Troquemos o "ordem e progresso" por "jesus cristo é o senhor".
Já ouviu a expressão "Estado Laico"?
Não me atirem pedras, sou contra a prática do ato abortivo, mas sou inteiramente a favor do direito de escolha.
Afinal de contas, quem sou eu para impor minha vontade só por não concordar com algo?
Com o perdão da expressão, tem que ser "português" para fazer uma matéria desta. Até o mais ignorante dos seres sabe que a permissão legal serve de incentivo para a prática desta decorrência de total irresponsabilidade para com a vida e de alívio para uma consciência que queira ser indiferente, egoísta, excludente e desumana. Estou acreditando que o CONJUR está assumindo o "lobby" em prol da liberação do aborto e da imposição da cultura do homossexualismo. Não somos nós do meio jurídico os que mais odiamos o aborto, mas é a maioria do povão que ama suas crianças com valores que preserva do poder do dinheiro. Querem o aborto as "patricinhas" e os "mauricinhos" que praticam o sexo consomindo o semelhante ou se dando por dinheiro e por "status", como se fossem meras coisas vazias, e que assim até ficam parecendo ser de verdade.
Existe uma outra absurda injustiça na liberação do aborto, além de ceifar vidas inocentes por um prazer egoísta e irresponsável, que seria ocupar os serviços do SUS para premiar egoístas criminosos e deixar para atrás nas filas aqueles que precisam de socorro urgente para salvar suas vidas.
Estamos convictos que chegaria a hora da execração total do poder público e do ostracismo irrestrito à classe política. Quem quiser ser bom terá de esquecer tudo que é público com sua cultura imoral anti-vida.
Explodam-se sozinhos!
Caro Dr. Flávio Boniolo:
Como cristão Católico e uma pessoa que já viu muita coisa nesta vida, posso afirmar-lhe com toda a segurança:
MATAR (e é disto que tratamos) é PIOR do que abandonar. Tanto para quem é morto, posto que perde qualquer chance (não pe isso que dizem acerca da Pena de Morte?) como para a mãe que mata!
E isso, na minha opinião, é de uma clareza tão cristalina que não pode comportar tergiversações.
O fulcro de toda a questão se fixa em dois pontos, entrelaçados:
a) O feto É UM SER HUMANO (jamais se viu sair do ventre de uma mulher, uma zebra, um babuíno ou um passarinho!). Para os abortistas e os "pro-choice", não;
b) Um mulher que disponibilize o seu corpo para que alguém o invada para MATAR a criança que abriga no seu ventre, PESSOA individual real e absolutamente diferenciada de sí mesma, viola da forma mais flagrante e anti-natural o instinto de preservação da espécie que faz, por exemplo, que encontremos sob os escombros de um desabamento o corpo de uma mão abraçada sobre o seu filho na tentativa de protegê-lo;
Resulta da conjunção dos dois fatos (a não consideração do feto como pessoa e da falta do senso de maternidade) um CRIME tão nefando, anti-natural e anti-social que somente poderia fazer repudiar, como de fato repudia a mais de 85% da população, de todas as classes sociais.
E assim acolheu o Legislador, tanto ordinário como o Constitucional ordinário.
E se a Sociedade, na forma do Estado, é incapaz de prover abrigo adequado aos menores abandonados e rejeitados (de resto como para tantas outras coisa, vide o recrudescimento da Febre Amarela) é um outro assunto e que pode ser resolvido a contento, mas nada pode justificar a concordância e leniência dessa mesma Sociedade, com o ASSASSINATO de seres humanos absolutamente INOCENTES e INDEFESOS no ventre de suas "mães".
Até porque, ao seguirmos o mesmo raciocínio deveriamos partir para o extermínio de velhinhos abandonados, de vítimas da seca abandonados nos seus secos rincões e a tantos outros abandonados da nossa Sociedade, como os mendigos, alienados e etc., - coisa a qual Hitler já tentou, com bastante afã.
Passar bem.
Os ricos querem para não dividirem fortuna com frutos do "azar", cujas mães, ou até pais, seriam inferiores e desprovidas. O mercado quer para que as nações evitem transferir investimentos para o "social", enquanto comercia livremente o sexo. Os governos querem para que o povo se divirta, alivie tensões e confrontos contra a administração, comprem sexo, sem encher as creches e exigirem escolas, multiplicando a população de pobres.
Os pobres querem porque "transar" faz esquecer a fome.
No fundo, é o "malthusianismo" totalmente ideologizado e manipulador que voltou para excluir a rodo, agora, correspondendo como nunca aos interesses do mercado e do individualismo consumista, egoísta e comodista!
Direito e saúde da mulher, coisa alguma, pois todos sabemos a contradição em relação aos elementos com os quais é constituído um direito, e não se pode querer saúde quem suprime a vida ou a chance de vida alheia!
Ocorrem, Sr. Chinaski duas coisas:
a) Ao povo brasileiro, fiel às suas origens CRISTÃS (porque não somos filhos "de chocadeira") o aborto repudia de forma violenta, ato absolutamente hediondo e covarde que é;
b) À determinadas pessoas defender os interesses e os direitos, entre eles o maior, à VIDA é imperativo, razão pela qual, entre tantos "relativistas" morais como o senhor (o senhor deve ser contra a Pena de Morte, para criminosos violentos, imagino) eles considerem a defesa de quem não pode se defender uma imposição moral ABSOLUTA.
E não vai aí nenhuma imposição, mas sim uma simples questão de coerência.
Passar bem.
Prezado Sr. Richard Smith,
ocorrem duas coisas:
a) Há sim parte inegável de cristãos no Brasil, como também temos mulçumanos, judeus, budistas, praticantes de candomblé, espíritas e outras denominações. Não ser adepto a nenhuma delas não significa ser filho de chocadeira.
Tal liberdade de crença e mesmo da falta dela nos é garantida pela constituição.
Legislação isenta de orientação religiosa não é direito e sim dever, portanto, a lei deve ignorar o que diz ou deixa de dizer uma ou outra religião e decidir o que é melhor para a sociedade brasileira, livre de dogmas e de preconceitos.
b) Se ser "relativista moral", tal qual Vossa Senhoria me taxou, significa não aceitar tudo o que um pastor, monge ou um livro me dizem sem contestar ou pensar por mim mesmo, então eu o sou com plena convicção.
Sobre a pena de morte, só sou contra no Brasil pois sei que apenas seriam condenados os pobres sem defesa, enquanto os Malufs, Lalaus e Zé Dirceus continuariam livres.
No entanto, se quiserem enforcar Fernandinho Beira-Mar, Maníaco do Parque ou líderes de facções criminosas-terroristas eu não me oporia.
Atenciosamente,
Chinaski
Caro Sr. Chinaski:
Creio que o senhor não me entendeu muito bem. Seguindo o grande Gilberto Freyre eu acredito numa "civilização brasileira", totalmente ímpar e, portanto, diferenciada dos demais povos, com os seus defeitos e qualidades próprios.
Resulta disso que temos sim, uma "identidade" e ela é fundamentalmente cristã. E, como tal (e como com tudo nessa vida) havemos então de ser coerentes com ela o mais possível.
Decorrente também dessa "identidade" é que temos princípios atinentes a uma moral nitidamente cristã, da qual inclusive (no que toca à tolerância, misericórdia, igualdade em dignidade, proteção aos mais fracos, etc.) fruem todas as outras pessoas que aqui se abrigam, independentemente de nacionalidade, etnia e credo religioso.
Em outras palavras: o cristianismo, com os seus valores, imprimiu uma marca indelével na nacionalidade brasileira e todos, pela Graça de Deus, podem dela fruir.
E, agredir esses valores, depois de deles sempre fruir no que interessa é, na minha opinião, "fazer no prato em que se come".
Não quis dizer portanto, que quem não é cristão, pessoalmente falando, é "filho de chocadeira". Apenas que nós brasileiros, não o somos, graças a Deus.
Depois, a Família precede à Sociedade e esta, ao Estado, posto que este último é construção formal daquela, para a melhor organização social e para o exercício do necessário governo, em nome de todos. Dessa forma, os valores familiares e de defesa da sociedade e de seus membros, notadamente os mais fracos e indefesos é sim, um dever moral.
Por fim, caro amigo, o relativismo moral do qual o "acusei" não é o de não seguir "monges" ou "padres", mas sim o de não atentar para o que eu mencionei acima. Pois "liberdade de crença" (ou de não-crença) não pode ser motivo jamais para o abandono de princípios morais que norteiam a humanidade há séculos (todas as sociedades pagãs antigas puniam o aborto, até com a pena de morte) e que foram aperfeiçoados pelo Cristianismo.
Pois pergunto novamente: que crime mais hediondo que o do assalto ao ventre materno com vistas ao ASSASSINATO de uma criança absolutamente INDEFESA?
Um abraço.
p.s. pelo seu sobrenome, seria o amigo descendente de poloneses?
Sr Smith,
Entendo seu ponto de vista, inclusive sua devoção às crenças cristãs/católicas.
Creio, diferentemente de Vossa Senhoria, que valores morais são como os dentes, cada um tem os seus e há inclusive quem não os tenha. Sendo assim, querer imprimir um padrão moral para toda a sociedade de um país de dimensões continentais me parece utópico e simplista, sobretudo nos grandes centros onde a mistura de credos e convicções é enorme.
Não há dúvida que o cristianismo imprimiu uma marca indelével na sociedade brasileira, seja para o bem, seja para o mal.
Só acho que, juridicamente, querer impor essa "moral cristã" a todos é inconstitucional.
Resumindo, acho temerário querermos impor nosso ponto de vista. Mais uma vez sou contra o aborto, assim como sou contra o uso de drogas mas sou favorável à liberdade de escolha.
Atenciosamente,
Chinaski
PS> o nome não me pertence, peguei emprestado de um personagem de um livro.
Quanto ao assassinato temos aí questão de interpretação. Quando há vida? Desde a concepção? Um óvulo fecundado já é um ser vivo?
Note que países muito evoluídos, como por exemplo a Inglaterra, que inclusive tem religião oficial, aceita o aborto, salvo engano até a oitava semana após a fecundação.
Caro amigo Chinaski:
Em primeiro lugar queira desculpar-me a falta de reconhecimento do seu "nickname", mas lí Bukowski uma vez só e o achei chato demais. "Perdidos" por "perdidos" prefiro Dostoievsky.
No mais caro amigo, você labora em um erro fundamental: moral pessoal é uma coisa, o conjunto de normas sociais geralmente aceitas (não roubar, não mentir, não matar, não afogar velhinhas, etc.), conhecidas como moral social é outra.
Já imaginou cada um, agindo de acordo unicamente com a sua moral "pessoal" (supondo-se esta como exótica e descolada daquela)?
Você raciocina únicamente através de um viés "libertário" distorcido que parce enxergar nas normas uma certa "opressão". Teriam os seus pais o oprimido definindo o seu sexo, ou impondo-lhe mamadeira ou vacinas? Por quê não esperaram você começar a falar para dizer se preferiria leite Ninho, Nestogeno ou algo diferente?
Estamos falando aqui da responsabilidade do Estado, organizado pela Sociedade e com poderes por ela concedidos para cuidar do bem comum e ente eles o maior: a vida.
E em assim sendo, essa organização haverá (espera-se!) de definir regras e normas, de acordo com aquela moral social mais geral, você não acha?
Então, se o suicídio é proibido e a sua tentativa mal-sucedida é apenada como crime, como permitir/incentivar (porque é disso que se trata) o abuso de uma "mãe" no ASSASSINATO de uma criança indefesa ainda não-nascida?
Isso seria uma odiosa "imposição"? É claro e lógico que não, senão ser-nos-ia dado querer eliminar um desafeto que nos incomodasse, não? No entanto isso não é permitido pela lei.
Quanto à questão da vida, creio que você exagerou, pois ninguém nega que o feto seja VIVO. Negam os abortistas/relativistas que ele seja um SER diferente da mãe. Negam-lhe sim, a condição de SER HUMANO "apenas".
E falsa e maliciosamente apenas, como já o comprovaram todos os avanços da bilogia molecular que comprovam que num feto existem TODAS as características de um ser, único e diferenciado da mãe que o hospeda.
E, voltando-se ao que foi dito: do ventre de uma mulher já saiu alguma vez um gato ou um hipopótamo? Não, haverá de sair sempre um SER HUMANO, vivo ou não.
E se sim, esse ser está sujeito à alguma condição de "download"? Se com nove meses completos, 9/9 de um ser humano; se com sete meses, apenas 7/9 e assim por diante?
Tal visão é absurda, contraria à logica e à ontologia das coisas e dos seres.
E ainda que assim não o fosse e apenas podendo ser, você esquece que no nosso ordenamento jurídico existe a plena presunção sempre a favor do réu.
Seria então o feto o único "réu" a que tal princípio não se aplicasse?
E você, caro amigo, é extremamente relativista sim em ser "pessoalmente" contra o aborto (por quê?) mas admitir a hipótese de sua prática. Uma incongruência absoluta.
Um outro abraço para você.
Ora, ora, ora. O homicídio, a despeito de sua penalização, também é fartamente praticado no Brasil. A seguir a lógica símia das autoras, o homicídio também deve ser descriminalizado. Que coisa, hein? A inteligência é realmente algo em falta no Brasil.
Ô, amigo Fernandojr., ô!
São, na verdade "raciossímios" quando não coisa pior!
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