Entenda como os negócios de Dantas o levaram à cadeia

No emaranhado de ramos em que se reparte a mal denominada Operação Satiagraha, da Polícia Federal, não fica claro que crimes os investigadores querem patentear em nome do banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Opportunity. A pergunta que não quer calar é: qual o objeto da apuração?

O relatório parcial, apresentado pela delegada Karina Murakami Souza ao juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, publicado com exclusividade pela revista Consultor Jurídico, afirma genericamente que a “organização criminosa liderada por Daniel Valente Dantas, está envolvida na prática de delitos contra o sistema financeiro e o mercado de capitais, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção”.

Para encontrar correspondência entre essas tipificações e fatos concretos — ou seja, o que significam esses delitos na vida real — é preciso voltar no tempo e conhecer os negócios em que se meteu Daniel Dantas nos últimos anos. O itinerário é traçado por um disco rígido de computador, ou Hard Disk ou “HD” como preferem os técnicos.

O HD do Banco Opportunity foi apreendido pela Polícia Federal em 2004 no transcorrer da Operação Chacal, que investigava uma ação de espionagem da empresa Kroll, contratada pela Brasil Telecom.

O Opportunity entrou na mira da PF e do Ministério Público Federal quando se descobriu, pelo final dos anos 90, que ele criara um mecanismo para que investidores brasileiros pudessem aplicar no Brasil como se residissem no exterior. Com isso se candidatavam a ser remunerados com os altos juros pagos no país, sem pagar os impostos cobrados aos brasileiros, dos quais eram isentos os investidores estrangeiros.

Como diz o relatório da delegada Karina Murakami, “o Opportunity Fund, uma offshore disponível para investidores estrangeiros, tem como principal objetivo investir recursos de estrangeiros e pessoas que não sejam residentes no Brasil, em valores mobiliários de empresas brasileiras”. E lembra que essa operação é ilegal.

O Opportunity abriu outro ramo de complicações quando resolveu entrar pesado no jogo das privatizações, em 1998, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso. Para enfrentar os desafios dessa nova frente de negócios associou-se com o Citigroup, então a maior instituição financeira do mundo, com os fundos de pensão das principais estatais brasileiras (Petrobrás, Banco do Brasil, Telebrás e outras), e com a Telecom Itália, um dos mais poderosos grupos de telecomunicações da Europa.

Apesar de ser o menorzinho da turma, o Opportunity ficou com o controle da Brasil Telecom, que juntos os sócios arremataram no leilão das teles. No leilão, Daniel Dantas levou também a Telemig Celular e a Amazônia Celular, duas operadoras de telefonia móvel.

Mas a situação durou pouco. Os sócios todos brigaram com Dantas e o tiraram do controle da Brasil Telecom. Na disputa feroz travada entre o Opportunity e a Telecom Itália, acabou explodindo o escândalo da Kroll. Dantas, dizendo-se roubado, contratou a empresa internacional de espionagem empresarial para investigar seus adversários italianos, mas quem surgiu na mira dos espiões foram comissários petistas que iriam integrar o governo Lula, como o secretário de Comunicação do governo federal, Luiz Gushiken.

Foi no decorrer da apuração desse caso de espionagem que foi posta em movimento a Operação Chacal. Oportunidade ideal para botar as mãos no HD do Opportunity — embora o alvo formal da PF fosse a Brasil Telecom. A Polícia Federal fez a busca e apreensão do HD do Opportunity, que na verdade não é um mas cinco discos rígidos de computadores com todos os dados contábeis do banco de Daniel Dantas e de seus clientes.

O Opportunity colocou em campo seus advogados na tentativa de impedir que fosse quebrado o sigilo bancário com a abertura do HD. Final de 2006, a ministra Ellen Gracie, então presidente do Supremo Tribunal Federal, deu ordens para lacrar os dados. Entendeu-se que o investigado era Dantas, não seus clientes.

Enquanto isso acontecia, a Telemig Celular e a Amazônia Celular, de Daniel Dantas, surgiam como grandes anunciantes clientes da agência de publicidade de Marcos Valério. E são acusadas de estar entre as principais financiadoras do mensalão, o esquema de pagamento de propinas a parlamentares armado pelo PT para garantir a fidelidade da base aliada do governo petista.

O encontro da Operação Chacal, que investiga as bisbilhotagens da Kroll a mando de Daniel Dantas, com o Inquérito 2.245, que investiga as falcatruas do mensalão, acabou, de certa forma, deflagrando a Operação Sagatiba, ou melhor, Satiagraha. Novamente o alvo é o HD. Ao tocar em São Paulo o inquérito do mensalão no que toca aos acusados que não têm foro especial, o Ministério Público Federal conseguiu o HD do Opportunity. Era preciso saber o que havia ali sobre as doações das operadoras de celular do grupo — Telemig e Amazônia Celular — ao valerioduto.

As confusões a partir desse ponto passam a correr por conta da Justiça, do MP e da PF. A partir da abertura do HD, a juíza da 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Sílvia Maria da Rocha, que trata do caso do mensalão, entende que, havendo crime financeiro, o caso deveria ser tocado pela vara especializada. E o processo vai parar na 6ª Vara Federal Criminal, especializada em crimes financeiros, do juiz Fausto Martin De Sanctis. O HD, que estava afeto ao processo da Operação Chacal, que corre na 5ª Vara Federal Criminal resvala, em uma espécie de empréstimo, para as mãos do juiz.

Para o advogado Nélio Machado, que defende Daniel Dantas, trata-se de completa ilegalidade o uso dos dados do HD, já que tanto o STF como o TRF-3 haviam decidido pela inviolabilidade desses dados. Afinal, os clientes do Opportunity não eram objeto da investigação. Dele saem as informações que no relatório da PF são mescladas com suposições delirantes que vão do Banco Central americano ao alto comando do Exército passando por uma rede de jornalistas que, na cabeça dos delegados, trabalham para Dantas.

Ao ler na Folha de S. Paulo reportagem da jornalista Andréa Michael sobre um novo processo que se somava à lista de outros processos que já o incomodavam, Daniel Dantas acionou seu advogados para se certificar do que estava acontecendo. Nélio Machado entrou, então, com pedido de Habeas Corpus preventivo.

Quando o pedido chegou ao TRF-3, a desembargadora Cecília Mello considerou os fatos gravíssimos e consultou os juízes federais de primeira instância de São Paulo se havia alguma investigação em curso contra Daniel Dantas. Os juízes, os mesmos que em peso se solidarizaram com De Sanctis em seu posterior confronto com o presidente do Supremo, se mobilizaram para negar esclarecimentos à desembargadora.

Cecília Mello, ao suspeitar que a peça pertencesse a outro quebra-cabeça, declinou de sua competência. O caso foi redistribuído para a desembargadora Ramza Tartuce. Ramza negou a liminar, segundo Nélio Machado, por ter sido informada pelos juízes de que o HD continuava protegido. O caso vai ao Superior Tribunal de Justiça, onde o ministro Arnaldo Esteves reconhece que a reportagem da Folha tem credibilidade, mas que não há urgência para conceder a liminar. O STJ interpela De Sanctis. Ele responde que o pedido de informações do ministro deveria trazer junto cópia do pedido de HC. Nada informou.

Os advogados recorrem ao Supremo. Daniel Dantas é preso. O HC preventivo é transformado em HC liberatório. Gilmar Mendes concede o HC e começa uma outra confusão. Desta vez, Daniel Dantas é apenas o alvo. Os protagonistas são o juiz Fausto Martin De Sanctis que manda prender, e o ministro Gilmar Mendes, que manda soltar.

Para o advogado Nélio Machado, “na origem de tudo isso está o ressentimento dos que não se conformam com o fim do litígio na disputa das teles”. Um pequeno parágrafo do relatório da delegada Murakami dá uma pista de que o advogado pode estar com a razão. Lá está dito que um novo procedimento investigatório deve ser aberto para apurar a participação de Daniel Dantas na venda da Brasil Telecom para a Oi.

Maurício Cardoso

é diretor de redação da revista Consultor Jurídico.

Gilberto Aparecido Americo disse:
16 de julho de 2008 às 10:42

A revista Consultor Jurídico desconhece quais crimes estão sendo investigados no inquérito em questão. Todavia, o pessoal do Opportunity parece saber exatamente de que se trata. Caso contrário não teriam oferecido a "módica" quantia de um milhão de doláres ao delegado Victor Hugo.

olhovivo disse:
16 de julho de 2008 às 10:59

Se qualquer cidadão, seja banqueiro, traficante ou estuprador, precisa ingressar com HC para saber se há algo contra ele na Justiça, estamos em plena era kafkiana. A propósito, o juiz Fausto prestou informações corretas nos HCs?

Émerson Fernandes de Carvalho disse:
16 de julho de 2008 às 11:00

Primeiro foram alvos das arbitrariedades os advogados. Hoje os jornalistas já sentem as presas do Estado Policial em seus calcanhares. Será que agora vamos ter um debate razoável sobre a importância de se preservar as prerrogativas dos profissionais, sejam eles quem for?!

Robespierre disse:
16 de julho de 2008 às 11:04

....Com o escândalo Opportunity era para a diretoria do BC cair integralmente, e depois ser presa na forma da lei e julgada. Mas o presidente do BC ainda vai ao Senado para debochar dos Senadores...

...ah se a PF tivesse a autonomia que goza o BC.

Felipe Lira de Souza Pessoa disse:
16 de julho de 2008 às 11:08

Este é um artigo, por assim dizer, "sui generis". Mistura hipóteses igualmente falsas ou verdadeiras e infere delas conclusões legítimas. Esse jogo de argumentos misturado com fatos e intenções parece convencer, mas há nós que necessitam de ser resolvidos, a razão pela qual foi oferecido suborno é um deles, como diz o adágio popular, quem não deve, não teme.

paecar disse:
16 de julho de 2008 às 11:38

A versão contada no artigo é claramente pró-Dantas. Não merece crédito.

caiçara disse:
16 de julho de 2008 às 11:41

O pior é que encontraram um calhamaço de documentos "emparedados" no ap de DD no Rio.
Tudo fato novo, listas de propinas, nomes de quem foi e quando comprado....Vamos ver se isso vai pro limbo ou se teremos mais novidades no front.
Em que pese terem conseguido o afastamento do delegado (ponto para DD e GM) o juiz e os procuradores continuam os mesmos.
Para o bem das investigações o Juiz De Sanctis deveria abrir o sigilo das investigações e mostrar as agendas e dados de quem foi comprado, é o único jeito de garantir a lisura do processo.
E não me venham dizer que documentos "emparedados" no apartamento do cara não eram dele (comom quiseram fazer com o bilhete do Hilton) porque ninguém é burro.
Esse argumento é tão fraco quanto o dos homonimos (adorado por GM) e o de que "não sabiam de nada", petrificado por Lulla.

acdinamarco disse:
16 de julho de 2008 às 11:50

O maior problema nisso tudo é que, depois de Márcio Thomaz Bastos, jurista de escol, ter que aguentar uma anta do calibre de Tarso Genro, doe bastante. A diferença é monstruosa !
acdinamarco@aasp.org.br
(PS: criticar Tarso Genro, pode ; criticar repórter, não).

Sunda Hufufuur disse:
16 de julho de 2008 às 12:22

Matéria excepcional. Meus parabéns.

Clarísismo o que já era de conhecimento dos que acompanham o caso, ou seja, que Dantas esbarrou nos calcanhares de integrantes do PT quando a Kroll começou a espionar os italianos.

Há notícias de que uma investigação intaliana também tem nomes de petistas envolvidos nisso e que uma CPI (a do grampo?)requereu o nome dos petistas envolvidos. Fica a dúvida: se há mesmo integrantes do PT favorecendo os italianos, o fizeram por qual razão?

Outras dúvidas exsurgem da excelente matéria:
1)por que a investigação não alcança o braço forte do PT se comprovadas estão doações vultuosas das empresas de Dantas ao Valerioduto?

2) Por que petistas de renome não tiveram suas casas invadidas pela PF com a casa de Dantas e de Eike Batista?

3) Como é possível que, segundo a notícia da VEJA, a empresa do filho de Lula receba 100.000,00 mensais por algo no mínimo estranho?

A autofagia que tentaram com Roberto Jefferson ao jogar nele toda a culpoa e termiar por experimentar a mácula da imagem do PT parece estar em andamento neste caso, mas...algo cisca em nossos olhos a indicar que as hostes palacianas já movimentam-se para evitar a repetição dos acontecimentos,não?

Reconheça-se que Dantas, seja o que for, sabe jogar e guerrear bem num terreno pantanoso onde os respingos são letais.

Sunda Hufufuur

Robespierre disse:
16 de julho de 2008 às 12:47

....Com o escândalo Opportunity era para a diretoria do BC cair integralmente, e depois ser presa na forma da lei e julgada. Mas o presidente do BC ainda vai ao Senado para debochar dos Senadores...

..como disse o paecar, o artigo é descaradamente pró-DD. Sem crédito.

olhovivo disse:
16 de julho de 2008 às 13:00

"Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo", como dizia o velho narrador de futebol. Mas, logo que começaram a aparecer certos personagens (Grenhald, Dirceu, G. Carvalho e Cia.), pulou-se rápido para o "fecham-se as cortinas e termina o espetáculo". Estavam saindo muitos gols contra. Hehehe...

MUDABRASIL disse:
16 de julho de 2008 às 13:19

Eu gostaria que o Conjur nos ajudasse a entender como os negócios de Dantas o TIRARAM (duas vezes) da cadeia!!!

Ronaldo dos Santos Costa disse:
16 de julho de 2008 às 13:52

Como é, Patuléia? "deve ser presa na forma da lei e julgada"? Agora entendo sua defesa apaixonada pelas ações da PF! Você é adepto do PRIMEIRO PRENDE-SE, DEPOIS PROCESSA-SE. Ou melhor, primeiro prende-se, depois solta-se, pois se rpendeu indevidamente, depois pede-se para sair, no melhor estilo Capitão Nascimento, já que se sente envergonhado das traquinagens feitas no desastroso IPL, que mais parece uma obra de ficção.

Erick Siebel Conti disse:
16 de julho de 2008 às 14:17

Minha torcida é que Daniel Dantas comemore sua liberdade e seja detido em uma blitz. Assim, Gilmar Mendes declararia de logo, monocraticamente e ex tunc, a inconstitucionalidade da "lei seca", fazendo a alegria dos boêmios, proprietários de bares e mulheres feias em geral.

Gabriel disse:
16 de julho de 2008 às 14:41

É cada um por si meus caros. Não confiem em ninguém, só confio na minha mãe, meu pai e minha namorada.

Armando do Prado disse:
16 de julho de 2008 às 15:02

...a folha de hoje publica que os 2 HC's de DD são exceções. De um total de 4.089 HC's pedidos, o STF concedeu apenas 385, ou seja, 9,2%!! Noves fora, HC apenas, pelo visto, para os amigos.

...ronaldo já tomou seu prozac? Se estiver comemorando junto com quadrilheiros, não esqueça que bebida com prozac é perigoso...

...quá, quá, quá, quá...

Armando do Prado disse:
16 de julho de 2008 às 15:17

O bom desafio foi feito hoje pelo senador Simon: que se divulguem os conteúdos dos HD's. Vamos ver quem tem garrafas vazias para vender!

João G. dos Santos disse:
16 de julho de 2008 às 15:18

Por que será que, quando o relatório do delegado (desconhecido da cúpula) mencionou nomes do (ou ligados ao) PT, a poeira baixou? Por que será que nenhum deles foi incluído nessas prisões ou buscas, já que o trabalho da polícia foi perfeito? Por que será...

Armando do Prado disse:
16 de julho de 2008 às 15:33

... e as comemorações nas hostes dantistas e dantescas continuam...
...para que parem de falar que é partidário: e tem petistas, como o dr. "gomes".

ANS disse:
16 de julho de 2008 às 15:58

Vem vindo mais um banqueiro:"Salvatore Cacciola"será que vai ficar preso?...(rsss)

Victor disse:
16 de julho de 2008 às 17:08

Fico impressionado com certas observações feitas por advogados e jornalistas. Esta reportagem indaga sobre o objeto da investigação. Pelo visto, não é pergunta que mereça resposta. Basta ler o relatório policial para entender o "emaranhado de ramos".

Bem, a direção superior da PF conseguiu o que queria: afastar o delegado responsável pelas investigações. De fato, ele não conseguiu agradar muita gente (é só ler a reportagem da revista Veja, citada no documento). É no mínimo lamentável a tentativa de desqualificação do trabalho da PF, quando sabemos que é umas das poucas instituições que ainda funcionam neste país (ressalvadas as ingerências "ocultas").

De qualquer modo, os fatos estão postos, e o pior, Dantas deu azar. O inquérito acabou caindo nas mãos de um juiz honesto. Se tentasse comprá-lo, provavelmente não lograria êxito. Além de honesto, vivo, pois negou a existência das investigações policiais quando provocado pela desembargadora.

Foi uma manobra genial, digno de quem conhece as nuances do crime organizado e está disposto a combatê-lo.

Palmas ao magistrado, à PF e ao MPF, que ainda não desistiram de limpar as sujeiras desse país.

Pancho Villa disse:
16 de julho de 2008 às 17:39

(continuação 1) ...
Quem atua em São Paulo não desconhece a disputa política que travam os magistrados federais para deterem o controle do TRF-3. É briga encarniçada. A Desembargadora Cecília Mello foi boicotada por não integrar o grupos a que pertencem os juízes que se mobilizaram e sonegaram-lhe informações. Quanto à Desembargadora Ramza Tartuce, não sei dizer se pertence a esse grupo ou não, mas pode-se presumir que sim, pois ela não foi alvo de boicote e sói decidir convalidando as decisões que proferem. A exceção da verdade está aí para quem quiser conferir. Basta analisar os processos, as sentenças e os acórdão relatados por ela para verificar a sempre coincidente convergência de decisões e entendimentos. Transformam pura fantasia e delírio do MPF e da PF em hipóstases (ficção ou fantasia considerada como se fosse realidade), julgam discursos em vez de fatos, e condenam pessoas sem elementos concretos mínimos razoáveis, baseados sempre em relatórios da PF.

A situação não é apenas esdrúxula. É insólita, preocupante. Uma justiça que julga sobre hipóstases e menoscaba todos os argumentos analíticos deduzidos pelas defesas, em que ficam patentes os imbróglios e os desvarios da PF e do MPF, mais que preocupa. Exige intervenção do CNJ.

Zorro

Pancho Villa disse:
16 de julho de 2008 às 17:40

Excelente resenha feita pelo ilustre jornalista Maurício Cardoso, diretor de redação da Revista Consultor Jurídico. A lucidez com que traduz as idas e vindas das mais de 200 páginas do prolixo relatório elaborado pela Polícia Federal, mostram seu poder de síntese, atendo-se ao que realmente é importante e relevante para entender o caso.

Uma coisa, porém, chamou-me a atenção. Em dado momento afirma que a Desembargadora Federal Cecília Mello, sorteada livremente como relatora do habeas corpus preventivo impetrado pelo advogado Nélio Machado, por considerar a gravidade dos fatos — a devassa do HD apreendido no Banco Opportunity, contrariando as decisões já proferidas pelo próprio TRF-3 e pelo STF, o que mais uma vez demonstra o vezo de alguns juízes criminais de primeira instância da Justiça Federal de São Paulo em não respeitar o que as instâncias superiores decidem, o que atenta contra a hierarquia das decisões e contra o Estado Democrático de Direito — solicitou informações aos juízes de primeiro grau. Estes juízes, OS MESMOS QUE SE SOLIDARIZARAM com o juiz federal Fausto Martin De Santis, negaram-se a prestar os esclarecimentos requisitados pela Desembargadora, em mais um ato de afronta hierárquica dentro do Poder Judiciário, mais precisamente da Justiça Federal de São Paulo, o que se classifica como insubordinação absurda, para dizer o mínimo. A Desembargadora declinou sua competência para o caso, que foi redistribuído para a Desembargadora Ramza Tartuce.
... (ver continuação 1)

Robespierre disse:
16 de julho de 2008 às 18:19

...lido numa parede desta Banânia:

"Quando a banca e o Estado se juntam, quem dita sentença é o diabo".

...o povo tem uma grande sabedoria. O diabo costuma ter nomes parecidos com os dos humanos...

Sunda Hufufuur disse:
16 de julho de 2008 às 21:12

Matéria excepcional. Meus parabéns.

Clarísismo o que já era de conhecimento dos que acompanham o caso, ou seja, que Dantas esbarrou nos calcanhares de integrantes do PT quando a Kroll começou a espionar os italianos.

Há notícias de que uma investigação intaliana também tem nomes de petistas envolvidos nisso e que uma CPI (a do grampo?)requereu o nome dos petistas envolvidos. Fica a dúvida: se há mesmo integrantes do PT favorecendo os italianos, o fizeram por qual razão?

Outras dúvidas exsurgem da excelente matéria:
1)por que a investigação não alcança o braço forte do PT se comprovadas estão doações vultuosas das empresas de Dantas ao Valerioduto?

2) Por que petistas de renome não tiveram suas casas invadidas pela PF com a casa de Dantas e de Eike Batista?

3) Como é possível que, segundo a notícia da VEJA, a empresa do filho de Lula receba 100.000,00 mensais por algo no mínimo estranho?

A autofagia que tentaram com Roberto Jefferson ao jogar nele toda a culpoa e termiar por experimentar a mácula da imagem do PT parece estar em andamento neste caso, mas...algo cisca em nossos olhos a indicar que as hostes palacianas já movimentam-se para evitar a repetição dos acontecimentos,não?

Reconheça-se que Dantas, seja o que for, sabe jogar e guerrear bem num terreno pantanoso onde os respingos são letais.

Sunda Hufufuur

J. Ribeiro disse:
16 de julho de 2008 às 22:07

Este é mais um fruto da engenharia genética do Estado. Foi criado para uma ocasião, mas tudo indica foi longe demais e com muita sede ao pote (I think you´re rushing things). A laranja cresceu mais que o esperado e a agora ... se apertar ...

Cidadã brasileira disse:
16 de julho de 2008 às 22:55

Me impressiona como o Conjur defende Danile Dantas de forma tão descarada. Ver o Márcio Chaer ontem no Observatório da Imprensa foi revoltante. Ele debatendo o caso com Marcelo Beraba. Diga-se de passagem, os dois do Grupo Estado. Parecia um jogo de vôlei. Um levantava e outro cortava. Só não se abraçavam depois "do ponto" pq um estava no Rio e outro em Sampa. Mas elogios não faltaram. Debate que é bom, nenhum. O Conjur, melhor, o Grupo Estado, ignora a origem dessa operação. Foi o PGR que mandou o caso para apuração. Qdo começa a sair um resultado... Bem, a gente está vendo o que acontece. Enquanto isso, DD continua rindo e lucrando!!!!

LUÍS disse:
16 de julho de 2008 às 23:04

Trecho interessante: "Apesar de ser o menorzinho da turma, o Opportunity ficou com o controle da Brasil Telecom, que juntos os sócios arremataram no leilão das teles." Realmente, tudo leva a crer que o acusado agia ilegalmente, era "operador" junto ao Governo FHC e depois no Governo Lula buscou conchavo. Mas, a partir daí, de vilão passa a vítima por causa dos justiceiros, pessoas que ocupam cargos públicos mas não respeitam as regras da justiça. Prova disso é que, para atingirem a qualquer custo a pretensão punitiva, não pouparam jornalistas nem advogados no exercício da profissão, e desrespeitaram até mesmo uma Desembargadora. Excelente artigo. Brilhante!

Cidadã brasileira disse:
16 de julho de 2008 às 23:08

SUNDA SEI LÁ O QUE, vc vive nas arábias né? Helloou! Não dá para partidarizar isso. Daniel Dantas é o elo entre FH e Lula, PT e PSDB. Privatização e mensalão. Veja e Conjur. Acho que o senhor ficou muito tempo fora do país e perdeu parte da história. Irmã do DD sócia da filha de Serra em empresa pra lá de suspeita em Miami. A rede de Daniel Dantas é COSMOPARTIDÁRIA!!! Pega tudo!!! Tem como defenso Héráclito Fortes (DEMo) no Senado e Cardozão do PT na Câmara.

Sunda Hufufuur disse:
17 de julho de 2008 às 00:00

Ser um "Pobre Mortal" não justifica a pobreza da argumentação. Ora, o efato de Dantas deter possíveis ligações com o governo FHC elimina seus vínculos como PT? Até onde se sabe, meu caro, tentaram tudo contra FHC, no caso Eduardo Jorge e era tudo mentira. O caso, meu caro, é que em tempos de Lula Dantas pagou a Valério 150 milhões..nenhuma empresa de filho de FHC recebe de Dantas, como a empresa do filho de Lula 100.000,00 mensais. O que nos assusta nesse caso é a ação de execração pública promovida por um,governo internamente de esquerda que, não obstante, não toca os seus filhos. Apavora-nos esse Estado-gendarme constituído pelas escutas telefônicas e um judiciário que servilmente faz o jogo do totalitarismo ao mancomunar-se com MP e polícia quando deveria simplesmente julgar...um judiciário que procura fato novo onde ele não existe, desacatando, sim, a instância superior para viabilizar a qualquer custo o triunfo de uma prisão e valendo-se, ainda, nisso, do jogo demagógico da luta de classes. Você mesmo, meu caro, se insere nessa polarização maniqueísta.que embriaga o vulgo ao tecer loas à prisão de Dantas sem no entanto exigir o desmonte dos tentáculos palacianos atrás de tudo isso. O que nos assusta, meu caro, é que quando vemos que a corrupção da direita é só corrupção enquanto na esquerda o que há sempre é justificado ou justificável como acidentário e bem intencionado, algo dirigido somente à fatalidade histórica que é a implantação de uma ditadura social. Basta, aliás, olhar para Dilma ou Dirceu e entenderemos que o PT apenas tolera a tolerância.

MUDABRASIL disse:
17 de julho de 2008 às 00:08

O pobre mortal tem razão. O super-mega-blaster-ultra-banqueiro conseguiu a proeza de se 'aproximar' (eufemismo maior não consegui) tanto de FHC/PSDB(com quem possivelmente tem maiores afinidades) quanto do PT de Lula.E já era figura comentada no pré-governo Collor! E, certamente, não seduziu os maiores partidos do país com 'belos olhos'. Banqueiros são como o Roberto Carlos, têm um MILHÃO de amigos....

Robespierre disse:
17 de julho de 2008 às 00:16

...tudo é aceitável, mas começa a dar nojo quando vemos operadores do direito que, tem tese, foram treinados para defender a justiça fazendo contorcionismos firulentos e chicaneiros para justificar o imoral e insustentável.

...como pode advogados de um Estado de Direito defender quadrilheiros que com usa ações prejudicam todo o Estado e, conseqüentemente, milhões de brasileiros? Só o oportunismo regado a muito dinheiro pode explicar tanto cinismo e hipocrisis.

Cidadã brasileira disse:
17 de julho de 2008 às 00:18

SUNDOWN, não tampe o sol com a peneira. Ninguem mais segue essa linha que o senhor denfenda com unhas e dentes, de partidarizar a influência dantesca. Não vou falar de FHC mais explicitamente. Respeito o luto, pelo qual sou imensamente solidária. Lamento profundamente. Mesmo! (O Sr. não deve saber, mas D. Ruth faleceu! O que encheu o país de tristeza.)Eu não falei em eliminação de vínculos. Foi o senhor que partidarizou a questão citando só o PT. Só alertei que não existe essa de só PT. As falcatruas de Daniel Dantas envolvem todos. Começou com as privatizações no gov FHC e explodiu no mensalão. Talvez tenha começado ainda antes, na ditadura. Não sei. Pq vc acha que Alckmim não se pronunciou, Serra se finge de morto?

Robespierre disse:
17 de julho de 2008 às 09:48

...pobre mortal, sem essa de conversa mole, Dona Ruth, coisa nenhuma. Para v. Dra. Ruth, pois ela detestava essa demonstração de machismo tupiniquim. E mais, conversa mole, porque v. o tempo todo fica dando uma no cravo e outra na ferradura, decida-se homem: ou defende a lei e a democracia ou fica do lado do autoritarimso dos gilmares da vida. Conversa mole que tenta seduzir com apelido humilde. Vá lamber os dantas!

Cidadã brasileira disse:
17 de julho de 2008 às 10:24

PATULÉIA, vc é doida?!
1º) Ruth Cardozo era chamada em Brasília de Dona Ruth. Era assim até nos jornais, sem nenhuma demonstração de desrepeito. Só advogado tem esse apego a história de "dotor" para cá, "dotor" pra lá. Isso sem ter nem pós-graduação, imagine um doutorado.
2º)Essa questão era muito pontual e contextualizada. Só toquei no nome de D. Ruth para explicar pq era aceitável deixar FHC em paz na história Daniel Dantas, em respeito ao luto dele.
3º)Nunca demonstrei duas posições antagônicas. Sempre critiqui explicitamente Gilmar Mendes, insisti na Súmula 691, elogio o trabalho da PF e do juiz Sanctis.
4)Nos últimos comentários, apenas defendi o ponto de vista que a influência de DD envolve gente de todos os partidos. Nessa história, não há distinção entre governo e oposição. PT, PSDB e DEM, todos estão na parede da Dantas.

NÃO ENTENDI O SEU CHILIQUE!

Axel Figueiredo disse:
17 de julho de 2008 às 12:36

não estranhe.
como bom petralha, o PTléia está muito nervoso ultimamente.

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