Segundo gravação, Protógenes quis deixar direção

A Polícia Federal divulgou nesta quinta-feira (17/7) três trechos da gravação da reunião que discutiu a saída dos delegados Protógenes Queiroz, Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro do comando da investigação da Operação Satiagraha.

Na reunião que aconteceu segunda-feira (14/7), o delegado reconhece ter criado um problema e manifesta interesse em colaborar na continuidade das investigações, mas diz não querer mais presidir o inquérito. A divulgação foi feita a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-interino da Polícia Federal, Romero Menezes.

A gravação reproduz um diálogo entre Protógenes e o diretor de Combate ao Crime Organizado, Roberto Ciciliati Troncon Filho. A PF afirma que optou por fazer uma edição da gravação para evitar a publicidade de dados sigilosos sobre o futuro das investigações. Inicialmente, a PF havia informado que não divulgaria as gravações, mas voltou atrás.

A PF informou que a manutenção de Protógenes no comando do inquérito, como defendeu na quarta-feira (16/7) o presidente Lula, depende apenas de um gesto pessoal do delegado. O delegado teria de abrir mão de um curso presencial de formação em que está matriculado, com início previsto para a próxima segunda-feira (21/7).

De acordo com a gravação divulgada, o delegado Protógenes quis continuar no inquérito, mas não mais presidi-lo. Pediu para deixar o comando: “Minha proposta é: eu fico até o final da operação, eu criei um problema para os meus colegas delegados, um grande problema, e para você [Troncon] também. Então minha proposta é essa, permanecer minha vinculação ao seu gabinete, à sua disposição até o final do trabalho, para não ficar aquela pecha de que Brasília vem fazer operação nos estados e deixa no meio do caminho. As minhas nunca ficaram e a exemplo dessa, não vai ficar, mas com um diferencial: eu não vou ficar presidindo, não pretendo presidir nenhuma investigação, mas ficar coletando dados, analisando”.

Em resposta, Troncon condiciona a permanência do delegado à conclusão do inquérito antes de ele iniciar o curso.

Troncon: “Se eventualmente, dentro do desdobramento natural desse inquérito que você instalou, se você conseguir concluir antes do período de você ir para a academia, sem nenhum problema. Agora, se não conseguir dentro da melhor técnica, e isso requerer maior tempo e maior análise, aí a gente passa para um dos colegas”.

Em outro trecho da reunião, Protógenes agradece o apoio recebido dos seus superiores e faz uma autocrítica em que admite falhas na condução da operação, especialmente sobre a presença da imprensa no momento das prisões.

Protógenes: “Não preciso nem falar com relação ao doutor Troncon, que é um chefe ímpar, que me deu toda essa… Eu devo praticamente 100% da execução dessa operação a dois homens de bem dessa Polícia Federal. Primeiramente eu destaco o doutor Troncon. Em seguida, o doutor Leandro [Daiello, superintendente da Polícia Federal em São Paulo] e em terceiro, como coadjuvante dos dois, eu não poderia esquecer aqui o dr. Luiz Fernando Côrrea, a quem prezo e tenho um carinho muito grande. Então ele era sabedor dessa operação e correu tudo bem. Aqui hoje é uma avaliação de erros para nos corrigirmos e nos policiarmos. Então houve a presença da imprensa aqui em São Paulo? Houve. Quem falhou? O Queiroz [delegado se refere a ele mesmo]. Falhou porque o Troncon me depositou [confiança] e eu firmei compromisso com ele, mas falhou o meu controle”.

Em outro trecho da gravação, perguntam ao delegado se ele conseguirá concluir o relatório até sexta-feira. O delegado responde que só faltava ouvir Humberto Braz, suspeito de ter tentado subornar a Polícia Federal a mando do banqueiro Daniel Dantas. Ex-presidente da Brasil Telecom, Braz entregou-se à PF no fim de semana. “Se o Humberto se apresentou, acredito que não tenha óbice”, respondeu.

HERMAN disse:
17 de julho de 2008 às 21:48

Uma reunião de três horas é resumida num trecho vazado de quatro minutos??
Quem pensam que irão enganar? O País está esgotado destas manobras fuleiras concatenadas pelo Poder Executivo, que quer agora, acabar com um Delegado que estava servindo aos propósitos e por "lápso" incorporou gente que não devia nas investigações, e o pior, a mídia, não se sabe porque$$ vem ajudando a divulgar uma pseudo verdade pinçada de um contexto diverso.

lu disse:
17 de julho de 2008 às 21:52

Que palhaçada! Essa história de divulgar trechinho de gravação é muito esquisita!

Axel Figueiredo disse:
17 de julho de 2008 às 22:55

É o mesmo método quando vazam investigações para a imprensa, não é?
Só exibem o q interessa.

Armando do Prado disse:
17 de julho de 2008 às 23:23

Na verdade, os fatos não estão "fechando" com as versões.

Robespierre disse:
18 de julho de 2008 às 10:13

..."Mas o tal delegado Protógenes não era messiânico, a acreditar empenhado "na luta do bem contra o mal"? W. Maierovich

acdinamarco disse:
18 de julho de 2008 às 11:20

Alguém já ouviu falar em montagem ?
Como obra do PT de Lula...
acdinamarco@aasp.org.br

Ronaldo dos Santos Costa disse:
18 de julho de 2008 às 14:12

Ora, ora! Degravar apenas os trechos que interessam nos inquéritos presididos pela PF PODE!!! Degravar apenas os trechos que interessam na conversa com Delegado trapalhão ÑÃO PODE? A pop~ulação tem uma visão ingênua e romântica de que a PF está acima do bem e do mal, que não erra. Sendo assim, quando fazem interpretações forçadas para induzir Juízes ao erro e transcrevem apenas alguns minutos de milhares de horas de gravações a massa aplaude. Quando se faz o mesmo com o Delegado com mania de perseguição vêm as vaias. Afinal, pode ou não pode?

PAULO FRANCIS disse:
18 de julho de 2008 às 14:22

Quanto mais o governo age, mais a coisa fica inexplicável. São gravações republicanas. Só sai a parte do governo.

Comentarista disse:
19 de julho de 2008 às 13:01

Boa patuléia (outros),

De fato, juntamente com o desobediente, ele provavelmente deveria estar se achando "o justiceiro" ou "o último honesto" deste país, verdadeiro paladino da ética e da moral (sic).

Basta ler o seu relatório para se ter uma idéia do quanto ele "se achava"...

Mas o bravo e destemido Gilmar Mendes "botou ordem" na casa, devidamente auxiliado pelo "chefe-maior", ou seja, o Sapo Barbudo.

Aliás, em matéria de "otoridade", ninguém mais neste país parece mandar mais que o Sapão, que diz o que quer, onde quer e para quem quiser ouvir.

Coisa, talvez, de quem realmente tem autoridade moral, pois - dentre os envolvidos na "revolta das notinhas de apoio" ao desobediente - o presidente é o único eleito pelo povo e com o mais alto índice de aprovação popular da história nessa altura de governo.

Ou seja, quem pode manda e quem tem juízo obedece (ou simplesmente se cala).

Um abraço.

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