Grupo é denunciado na Itália por espionar Daniel Dantas

A Procuradoria de Milão, na Itália, denunciou na segunda-feira (21/7) um grupo de 34 pessoas acusado de participar de um esquema de espionagem em diversos países. Oito deles atuariam no Brasil. Segundo os procuradores italianos, a ação do esquema começou com a disputa entre sócios da Brasil Telecom pelo controle da empresa, informa o jornal O Estado de S.Paulo.

A briga teve origem em 2000. Segundo os procuradores italianos, a Telecom Italia induziu a Brasil Telecom a comprar a empresa CRT por um “preço considerado exorbitante em relação aos valores acertados”. A pedido do Banco Opportunity, de Daniel Dantas, a Kroll investigou as razões de a TI ter tentado induzir a BrT a comprar por um preço US$ 100 milhões a mais do que o acertado. A Telefônica, dona da empresa, teve de se desfazer da CRT depois de adquirir em leilão, em 1998, a Telesp e a Telerj celular.

O primeiro preço combinado, em janeiro de 2000, pelos acionistas da BrT era de US$ 750 milhões. Meses depois, a TI teria fechado acordo com a Telefônica por US$ 850 milhões. No final, o negócio saiu por US$ 800 milhões.

Na denúncia, a Procuradoria de Milão lista centenas de pessoas espionadas pelo esquema, que seria comandado por Giuliano Tavaroli, ex-chefe da segurança de Telecom Itália.

No Brasil, os espiões teriam invadido e-mails de agentes da Kroll e da executiva Carla Cico, ex-presidente da BrT indicada por Dantas. Também foram espionados os e-mails do Grupo Opportunity, da BrT, de advogados e jornalistas italianos.

O advogado de Dantas, Nélio Machado, já falou da importância do inquérito italiano para a defesa do banqueiro no processo que responde na Operação Satiagraha. Machado questionou a imparcialidade do Ministério Público Federal do Brasil ao ignorar os depoimentos dados na Itália, incriminando desafetos do banqueiro.

No processo de Milão, não foi apurada a suposta espionagem feita pela Kroll, a mando de Dantas, contra seus desafetos e autoridades brasileiras, alvo em 2004 da Operação Chacal, da Polícia Federal.

Segundo a apuração de Milão, o grupo de Tavaroli teria interceptado e-mails e pago propina para ter acesso a informações confidenciais. Eles teriam fraudado relatório produzido pela Kroll, a pedido de Dantas. O objetivo seria plantar provas contra o banqueiro e a Kroll, que negam a espionagem. Por esses crimes, além da Tavaroli, foi denunciado o ex-chefe de segurança da TI na América Latina, Angelo Jannone.

Além dos 34 acusados, a Telecom Itália e a Pirelli foram denunciadas, com base na lei italiana sobre responsabilidade administrativa de empresas por crimes cometidos por funcionários. Eles pagariam propina a policiais e agentes do serviço secreto italiano para obter acesso a bancos de dados. Marco Tronchetti Povera, ex-presidente da TI, não foi denunciado.

Em novembro do ano passado, a revista Consultor Jurídico publicou entrevista com a brasileira Luciane Araújo, que confirmou para a Justiça italiana o esquema de espionagem ilegal montado pela Telecom Italia no Brasil. Segundo ela, levou o caso à Polícia e, depois de prestar depoimento, foi seguida e ameaçada por um desconhecido (Clique para ler).

Em depoimento à Polícia italiana, nos dias 4 e 24 de outubro, Luciane disse que foi contratada por Mario Bernardini, ex-chefe de segurança da Telecom Italia, para fazer traduções das conversas telefônicas interceptadas ilegalmente no esquema de espionagem montado pela empresa contra o Opportunity e Daniel Dantas.

“A minha missão era unicamente a de traduzir CDs de áudio contendo interceptações telefônicas em português entre altos dirigentes da Brasil Telecom e Telecom Italia a respeito de operações de balanço falsificadas, informações pessoais de caráter privado, movimentações financeiras sobre eventuais empreitadas, identificação de testas-de-ferro”, declarou Luciane à Polícia.

olhovivo disse:
22 de julho de 2008 às 19:27

Quer dizer que, pelo que se apurou na Itália, a hitória não é bem assim? E quem era o João da PF? Não seria o caso de o Judiciário brasileiro pedir cópias dos depoimentos aos italianos? Quem sabe o caso Dantas fica melhor instruído, com a busca da verdade real verdadeira.

Comentarista disse:
22 de julho de 2008 às 21:14

O que será que o desobediente pensa disso, héim?!?

Hehehe...

kELSEN disse:
22 de julho de 2008 às 22:13

A circunstância de haver bandidos do outro lado da disputa não confere ao Sr. DD autorização para expionar ninguém no Brasil.
Ou será que, por ter muito dinheiro, ele pode fazer tudo aqui no Brasil?
O ideal é aprofundar a investigação e pegar todos os picaretas envolvidos, quer os ligados ao PSDB, quer aqueles vinculados ao PT.

Thiago Nunes disse:
23 de julho de 2008 às 13:18

sim... vamos "colar" o processo italiano, diga-se de passagem, cheio de nulidades, ao processo brasileiro envolvendo o grupo do DD. Vamos dar uma força para o Dr. Nélio Machado. eheheheh

Luiz Edmundo Germano Alvarenga disse:
23 de julho de 2008 às 19:49

O que se deprende com essa notícia, é que esse elemento é um tranbiqueiro internacional. Daqui a pouco será uma "celebridade" e teremos uma matéria da prestigiosa revista Caras com as do Daniel Dantas, homem de muitas caras de pau !

Silvio Curitiba disse:
24 de julho de 2008 às 02:51

Plagiando o/a 'Santa Inquisição':
- Já que não há virgem na zona, cadeia prá todo mundo! Com direito a pau de arara, simulação de afogamento e otras cositas más.

Vinícius Campos Prado disse:
08 de agosto de 2008 às 18:35

Curioso. Segundo o tal Nélio, há um complô internacional contra seu cliente, processado na Itália e no Brasil, investigado nos EUA e cuja decretação de prisão preventiva teve apoio dos magistrados brasileiros, da Polícia Federal em peso e do Ministério Público Federal, além da sociedade. Parece que o causídico pensa que o quadro está na posição correta, a casa é que está torta.

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