O presidente da OAB, Cezar Britto, qualificou como “um escândalo torpe, intolerável, que reclama providências drásticas e imediatas” o envolvimento de militares do Exército no assassinato de três jovens moradores do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, neste fim de semana.
Para Britto, mesmo que fossem criminosos, não cabe ao Estado — nem a ninguém — “assumir papel de justiceiro, igualando-se aos delinqüentes em atos de tortura e execução sumária”. O advogado chama de tragédia de horrores a rotina de violência imposta aos moradores mais pobres do Rio.
Segundo o presidente da OAB, a situação indica a necessidade de “reforma estrutural urgente no aparelho de segurança pública do Rio de Janeiro, que o moralize e o torne apto ao cumprimento de sua missão”.
Já o presidente da OAB do Rio, Wadih Damous, afirma que o episódio mostra o equívoco do Exército fazer o papel de polícia. “O Exército não foi concebido para isso.”
Para Damous, o Exército se envolve em episódios que fazem parte das atribuições da polícia e assume um papel negativo nos casos de corrupção, assassinatos e seqüestros. “Esperamos que esse episódio sirva de reflexão para as autoridades públicas brasileiras no sentido de concluírem que esse não é o papel do Exército”, afirma. Para ele, o Exército deve apresentar uma rápida explicação à sociedade.
Os três jovens foram encontrados mortos em um lixão da Baixada Fluminense horas depois de terem sido abordados por militares. A suspeita é de que os militares teriam vendido os jovens aos traficantes do Morro da Mineira, no Rio. Eles eram de facções rivais.
Em nota, o Exército informou que o Comando Militar Leste determinou a instauração de um inquérito policial militar (IPM) para apurar o ocorrido. O delegado da 4ª DP, Ricardo Dominguez, vai pedir à Justiça a prisão temporária dos supostos envolvidos: sete soldados, três sargentos e um oficial do Exército.
Nesta segunda-feira (16/6), três militares se entregaram e confessaram a participação no episódio. Eles estão presos no 1º Batalhão da Polícia do Exército, no Rio.
Leia a nota
O quadro de conflagração nas favelas e periferia do Rio de Janeiro, decorrente da omissão histórica do Estado brasileiro, acaba de produzir novas vítimas. O assassinato de três jovens, este fim de semana, depois de detidos por militares do Exército, na subida do Morro da Previdência, extrapola a rotina macabra da região. Arranha a imagem do Exército brasileiro, ali chamado no papel de pacificador dos conflitos impostos à população trabalhadora pela presença nefasta de traficantes, milícias para-militares e polícia, freqüentemente tão agressiva e predadora quanto os delinqüentes.
Ao adotar o padrão que deveria mudar, torna-se o Exército mais um protagonista nocivo, na tragédia de horrores imposta aos moradores. O assassinato dos três jovens, cujos corpos foram encontrados num lixão da Baixada Fluminense, é um escândalo torpe, intolerável, que reclama providências drásticas e imediatas. Ainda que criminosos fossem, não cabe ao Estado – nem a ninguém – assumir papel de justiceiro, igualando-se aos delinqüentes em atos de tortura e execução sumária.
O aparelho de segurança pública do Rio de Janeiro reclama reforma estrutural urgente, que o moralize e o torne apto para o cumprimento de sua missão. Caso contrário, prosseguiremos no ambiente de guerra civil, a que espantosamente nos acostumamos, produzindo mais vítimas fatais que países em guerra formal, como Iraque e Afeganistão. Basta de violência e impunidade!
Pronunciei-me nesta prestigiosa Revista, revelei a minha indignação diante de fato tão perverso.
Espero, tenho certeza, que o Exmº Sr. Ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o Exmº Comandante do Exército, punirão exemplarmente esses maus soldados que pretenderam conspurcar a grandeza da tropa.
Este verdadeiro absurdo a céu aberto chega a ser dificil ate de acreditar que possa ocorrer em pleno ano de 2008 . Diria mesmo que o nosso Exercito esta literalmente com uma "granada sem pino" no colo que pode detonar a qualquer instante, os desdobramentos deste incidente torpe são inumeros e os protagonistas vão realmente ficar de saia justissima. Historicamente arriscaria traçar um paralelo com a outra imundicie historica perpetrada pelo igualmente IMUNDO filinto muller que entregou Olga Benario para ser morta pelos nazistas.Como o Brasil de hoje não esta mais nas mãos de "toupeiras" arrogantes como o nefasto general valter pires que certa vez declarou que "enquanto for ministro , nenhum dos NOSSOS sentará no banco dos reús", lembram desta perola? Certamente que não , se é que alguns ja ouviram falar disto no "auge da democracia" no Brasil . A bomba ja esta armada , fiquemos agora de olho nos desdobramentos. Se o Exercito quiser tentar algum tipo de "solução caseira" via esses IPM's feitos sob medida, acho que a chapa esquenta e rapido. Desconfortavel tambem a posição do Nelson Jobim que adora roncar grosso mas agora com certeza vai piar com voz de Ney Matogrosso , afinal todo cuidado é pouco e a milicada ja anda indocil e insatisfeita a um bom tempo.Acredito que o mais certo seria um IPM rapido , expulsão sumaria e entrega automatica nas mãos da Justiça para que se comece o processo pertinente. Falta ainda se pronunciar aquele que "nunca sabe de nada o tempo todo", com certeza a molecada da USP que prepara suas notas e discursos deve estar no acabamento final do pronunciamento oficial, Só não vale diminuir o ocorrido porque eram pretos e pobres. Triste Brasil que alem dos nardonni da vida ainda tem que aturar esta podre novidade.
O policiamento é uma atividade eminentemente CIVIL e não deve ser realizada por MILITARES.
Enquanto nossos legisladores não compreenderem o exato sentido desse conceito e não o aplicarem na formulação das normas que compõem nosso ordenamento jurídico, fatos como esses infelizmente poderão se repetir.
Punir esses militares é importante, mas o fundamental é criar mecanismos para que tais atrocidades não voltem a ocorrer.
O policial deve enxergar a população como algo a ser protegido e não ver em cada civil um inimigo em potencial.
tempos atras atletas cubanos, fugiram da concentração, para refugiar-se no brasil, entretanto o governo brasileiro, devolveu eles para a democratica cuba.
Mostra-se que as forças armadas, devem ficar quietas nos quarteis, porque o que ocorre no rio e uma guerra que eles não estão preparados.
Em bagda, afeganistão ou haiti a coisa e mais facil que no estado carioca.
Imagino o que não acontecia na didatura e tem gente que ainda tem saudades.
Até quando preto e pobre serão vistos como "suspeitos" ou "inimigos perigosos" pela sociedade dominante? E atos como esse serão tolerados pela omissão?
Ontem, na Globo, o "Jornal Nacional" mostrava as imagens dos soldados do Exército na favela e, em seguida, Fátima Bernardes "esclareceu" que se tratava de bandidos, com passagem pela polícia, como que quisesse dizer que os jovens morreram por serem bandidos, ou, por serem bandidos, mereceram morrer.
Espero que esse caso tenha a mesma repercussão que teve o caso Isabela.
Será que quero demais?!
Essa situação é muito mais complexa do que se pode imaginar. A verdade nua e crua é que se não estivéssemos anestesiados, esta realidade seria escandalosa.
Seja lá o que tenha acontecido, não tem lógica o ocorrido.
Sou totalmente contrário ao bandido da favela, mas se vivemos essa realidade de violência, que nos traumatiza, sentimentos de impotência e insegurança, a retração nos contatos com desconhecidos, os muros internos erguidos pelo medo; a culpa é de quem cheira, de quem fuma; que alimenta o tráfico de drogas.
Inoperante para combater o comércio de entorpecentes, o poder público não pode atirar no culpado que consegue enxergar.
Claro, o exército realmente não é para executar este tipo de tarefa: policiamento! E isso só ocorre em razão de gestões e gestões de incompetentes.
Agora, ao que parece, ou a mídia está passando a informação pela metade, ou os valores realmente estão muito invertidos.
Se "eram de facções rivais", entendo que se tratavam de bandidos.
Se bandidos, acho que família, comunidade etc, já deveriam estar preparadas para o fim que tivera, ou seja, é o risco do negócio.
Agora, o que mais me surpreende, é que ninguém falou em procurar aqueles que realmente torturaram e mataram, os traficantes.
Por que? Estavam eles no estrito cumprimento do dever? A conduta deles era lícita?
Não me conformo...
Foi um erro tremendo colocar militares para fazer o trabalho da polícia.Uma exposição desnecessária,a qual pode destruir a estima de uma das poucas instituições respeitadas pela população.O Rio de Janeiro,graças a incompetência de seus governantes,está desestabilizado.
O erro não é usar militares ; o erro é não termos, na Constituição Federal, a pena de morte !
acdinamarco@aasp.org.br
Pior que a torpeza do ato praticado pelos marginais de farda é o apoio público que alguns boçais fazem questão deixar bem claro. Isso mostra, entre outras, que somos tratados pelo resto do mundo como merecemos, ou seja: a escória do planeta, que vive do desprezo e do asco dos cidadãos do mundo civilizado.
Quanto ao nosso exército, ele não fez nada que sua história "gloriosa" não lhe autorizasse moralmente...
Basta relembrarmos a guerra do Paraguai, por exemplo, para constatarmos que o nosso maior "herói" e patrono do exército, o Duque de Caxias, capitaneou a matança de milhares de crianças, mulheres e velhos, dizimando moralmente a então ascendente sociedade paraguaia.
Portanto, parabéns ao nosso glorioso exército, bravíssimo na missão de executar mulheres, velhos e crianças (sem falar, é claro, na usurpação do poder através de golpes militares)!
Não acho justo atribuir ao "Exército" como um todo o despreparo demonstrado pelos militares envolvidos no episódio. Este discurso vem para jogar água fria na idéia, a pouco louvada por grande parte da população, inclusive em vias de regulamentação no congresso, de pôr o exército nas ruas para colaborar na segurança pública. O caso, pra mim, é isolado. Ademais, não podemos nos esquecer que o crime organizado estabeleceu uma verdadeira guerra nas ruas das grandes cidades - é guerra mesmo o que enfrentamos - basta ver os números, são pires do que os da guerra do golfo - esqueceram-se dos ataques e assassinatos a policiais em São Paulo e Rio; os ataques a postos policiais, delegacias, comércio, etc. Este discurso que visa retrair a idéia de pôr o exército em colaboração na segurança pública somente favorece aos bandidos. Tudo bem, que se corrijam os desvios, mas não vamos pôr todo o Exército como instituição incompetente. Me lembro bem que a segurança da ECO-Rio 92 contou com sobrelevada colaboração do Exército e teve pleno êxito.
Não acho justo atribuir ao "Exército" como um todo o despreparo demonstrado pelos militares envolvidos no episódio. Este discurso vem para jogar água fria na idéia, a pouco louvada por grande parte da população, inclusive em vias de regulamentação no congresso, de pôr o exército nas ruas para colaborar na segurança pública. O caso, pra mim, é isolado. Ademais, não podemos nos esquecer que o crime organizado estabeleceu uma verdadeira guerra nas ruas das grandes cidades - é guerra mesmo o que enfrentamos - basta ver os números, são pires do que os da guerra do golfo - esqueceram-se dos ataques e assassinatos a policiais em São Paulo e Rio; os ataques a postos policiais, delegacias, comércio, etc. Este discurso que visa retrair a idéia de pôr o exército em colaboração na segurança pública somente favorece aos bandidos. Tudo bem, que se corrijam os desvios, mas não vamos pôr todo o Exército como instituição incompetente. Lembro-me bem que a segurança da ECO-Rio 92 contou com sobrelevada colaboração do Exército e teve pleno êxito.
A OAB tel falado muito e agido muito pouco em relação, sobretudo, aos direitos humanos daqueles cidadãos de bem, assassinados por marginais. Casos em que o holofote dá visibilidade parece ser o foco da entidade. Atenção, oab.
Parabéns ao nosso exército, privatizado - de fato - pelo crime organizado.
E dá-lhe oficial servindo de empregadinho de traficante, por que executar jovens desarmados sempre foi muito fácil.
Última "grande vitória" do nosso exército em "batalhas internacionais":
Em 16 de agosto de 1869, na Batalha de Campo Grande (ou Nhu-Guaçu), o nosso exército deu fim à Guerra do Paraguai dizimando milhares de "combatentes" paraguaios inimigos (a tropa paraguaia era toda formada por velhos e crianças, que foram queimados vivos em um campo seco e incendiado pelos brasileiros, que os havia acuado).
Essa "façanha" do nosso exército (devidamente apoiado pelos argentinos e uruguaios, é claro), ainda é bem lembrada pelos paraguais, que comemoram o 16 de agosto com o "dia de los niños" (ou dia das crianças), não se esquecendo ainda, obviamente, do restante dos mortos pelo glorioso exército capitaneado pelo nosso "herói" e patrono do exército, que dizimou nada menos que 90% (noventa por cento) da população civil paraguaia.
Portanto, oficial servindo de empregadinho do Comando Vermelho nada mais é que um refresco (pra não se dizer outra coisa) para o nosso tão "glorioso" exército.
Com a palavra, os defensores dos milicos de plantão.
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