OAB critica ameaça de onda de ações contra a imprensa

A OAB nacional considera lamentável a declaração do presidente da Força Sindical e deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), de que pretende iniciar uma onda de processos contra jornais. Os alvos são veículos que publicaram reportagens dizendo que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, se beneficiou com convênios milionários de entidades não-governamentais ligadas ao PDT e à central sindical.

“Recorrer ao Judiciário com o interesse de dificultar a defesa ou apenas incomodar a outra parte não é um princípio defensável. É inadmissível”, declarou o presidente da OAB, Cezar Britto. Ele rejeitou aquilo que classificou como “uso da máquina do Judiciário para tentar coibir a liberdade de imprensa”.

O presidente da OAB comparou a ameaça do deputado à “recente manobra da Igreja Universal do Reino de Deus”. Fiéis ligados à igreja, ajuizaram processos judiciais, simultaneamente, em diversos pontos do país. As ações contra o jornal Folha de S. Paulo pediam indenização por danos morais. Na ocasião, a OAB também criticou duramente a campanha da Universal, classificando-a como uma “forma oblíqua de censura por meio de pressão econômica”.

Para Cezar Britto, o direito do cidadão de recorrer à Justiça não deve se sobrepor ao direito de liberdade de expressão, que beneficia toda a sociedade: “A melhor forma de conjugar os direitos é não permitir que um abuse sobre o outro. O deputado e o PDT deveriam refletir melhor para não fazer moda dessa prática de intimidar a imprensa na Justiça.”

Ele lembrou, ainda, que abrir ações simultâneas sobre o mesmo caso em diversos estados pode caracterizar litigância de má-fé. “Isso não pode virar moda. O Judiciário não pode ser usado como instrumento de perseguição política ou de capricho de quem quer que seja.”

O deputado, conhecido como Paulinho da Força, afirmou a alguns veículos de imprensa que se as reportagens não cessarem, a orientação é que cada um dos milhares de dirigentes da central que se sentirem prejudicados entre com processos por danos morais contra os autores das reportagens.

Eri Coelho - Jornalista disse:
07 de março de 2008 às 17:17

Acho que a OAB está na contramão, pelo menos por dois motivos:

1. Os advogados ganham o seu sustento promovendo ações em defesa de seus clientes, cada advogado, pelo menos em tese, deve abter-se de ajuizar ações temerárias. Isto é o advogado que deve analisar, caso a caso, e não a OAB no atacado.

2. Por outro lado, quem vai dizer em última análise se as ações propostas são temerárias ou não é o Poder Judiciário.

Vale salientar que a OAB deve respeitar o trabalho dos advogados e deixar de dar palpites infelizes, principalmente fazendo prejulgamentos.

ANS disse:
07 de março de 2008 às 18:21

Essa OAB atual é uma vergonha!
Se as pessoa não recorrerem ao judiciario, vão recorrer para quem?
A OAB tem que parar com essa mania de favorecer a essa grande mídia que favorece apenas alites, poderosos...que sai falando o que quer, sem ter responsabilidade nenhuma!

MUDABRASIL disse:
07 de março de 2008 às 20:22

Parabéns à OAB nacional, que deve velar pela liberdade de imprensa.

Pirim disse:
08 de março de 2008 às 03:02

Data vênia, mas esse Senhor Presidente da OAB, quis de forma "oblíqua", dar sua opinião ôca, sem objetividade, atrapalhada!!! Tá na hora da sociedade cobrar dos políticos, o fim do quinto, "dos infernos".

Comentarista disse:
08 de março de 2008 às 05:57

E engraçado ver a OAB defendendo que não se proponham ações judiciais...

Por outro lado, voltemos à pergunta que não quer calar: QUANDO A OAB VAI INSTITUIR O VOTO DIRETO (DEMOCRÁTICO PELA SUA PRÓPRIA NATUREZA) NAS ELEIÇÕES À PRESIDÊNCIA DO CONSELHO FEDERAL?!?

Luís da Velosa disse:
08 de março de 2008 às 15:12

Este ano eleitoral será de grandes espetáculos.
Nessa prática de intimidacão, como bem diz o eminente Dr.César Brito, a Matadeira pode engasgar...
Não vejo nada salutar.

Sandra Paulino disse:
08 de março de 2008 às 16:18

A OAB precisa olhar mais para sua própria imagem, antes de criticar o direito que todos têm de submeter à apreciação judicial a lesão/ofensa/ameaça a direito. Lei é para todos, inclusive para a entidade que se diz defensora de tudo e todos. Mas só quando lhe convém. Dizer que é uma “forma oblíqua de censura por meio de pressão econômica” é quase piada, se considerado que a mesma entidade não aceita controle externo mas o prega a todos indistintamente. E os milhões que entram no caixa da Ordem todos os anos e que agora começam a sair pelo ralo que pagará -- de modo justo e legal -- as ofensas, por exemplo, aos juízes, promotores e outras autoridades, só pq uma inteligência luminar resolveu dizer que estariam em uma lista pintadinha, listradinha, colorida, preta, negra, sei-lá-o-quê? Faça-me o favor hein kBritto, macaco se senta em cima do rabo...

Mauro disse:
08 de março de 2008 às 16:51

"Para Cezar Britto, o direito do cidadão de recorrer à Justiça não deve se sobrepor ao direito de liberdade de expressão, que beneficia toda a sociedade".

Se assim for, então está instaurada neste país a ditadura da mídia a ponto de o cidadão não poder arguí-la judicialmente.
A questão não é a de um direito se sobrepor a outro porque assim a própria CF 88 seria contraditória em relação ao direito de informar e o direito do cidadão de recorrer ao judiciário. A questão é; qual é o direito que se aplica ao contexto de cada litígio? Se todas as vezes que alguém for ao judiciário contra a imprensa for considerado cerceamento de liberdade, teremos a invertida; o direito a liberdade de imprensa é que se sobreporá ao direito do cidadão de recorrer a justiça.
O conflito de direitos em um país democrático tem duas causas; a primeira são as leis mal elaboradas e a segunda são as leis mal aplicadas. Neste país, legisladores e juristas precisam com urgência rever seus conceitos sobre filosofia do direito, lógica, análise de discurso e até mesmo sobre interpretação de texto.

Galvão disse:
09 de março de 2008 às 17:22

Quer dizer então que para a OAB, a imprensa e os jornalistas, estão acima da lei? É o que dá colocar na presidencia da ordem "advogados de porta de cadeia".

ANS disse:
14 de março de 2008 às 14:54

A OAB quer ser o quarto poder?
Está OAB atual... realmente vem maculando a imagém do Advogado!

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