Não sou juíza do Supremo para expressar minhas crenças

[Entrevista da ministra Elle Gracie, presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça ao jornalista Carlos Graieb publicada nas páginas amarelas da revista Veja desta semana (12/3)]

Ellen Gracie Northfleet encerra, no próximo dia 26, seu período de dois anos como presidente do Conselho Nacional de Justiça. Um mês mais tarde, ela também deixa a presidência do Supremo Tribunal Federal. Seu mandato à frente das duas instituições foi movimentado. Denúncias sobre nepotismo e a necessidade de ajustar os salários dos magistrados ao teto do funcionalismo público puseram o Judiciário sob crítica. O STF esteve no centro do noticiário ao acolher a denúncia contra os envolvidos no mensalão e também ao impor aos políticos a fidelidade partidária — o que causou atritos com o Legislativo. Na semana passada, outra causa polêmica entrou em pauta: aquela que vai decidir sobre a validade dos artigos da Lei de Biossegurança que autorizam a pesquisa científica com embriões humanos. O julgamento foi adiado, mas Ellen Gracie antecipou seu voto, rejeitando a ação de inconstitucionalidade. A ministra, de 60 anos, se define como pragmática. Nesta entrevista, mostra sua paixão pela “carpintaria administrativa” que permitirá à Justiça superar os seus gargalos e se modernizar.

Veja — Na semana passada, a senhora considerou que a lei que autoriza o uso de embriões humanos na pesquisa científica é constitucional. Qual a justificativa desse voto?

Ellen Gracie — Eu não enxerguei, nos artigos da Lei de Biossegurança que falam sobre embriões, nada que ferisse a ordem constitucional. Meu raciocínio parte do princípio de que nosso sistema jurídico protege duas entidades, o “nascituro” e a “pessoa”. Esses conceitos têm um significado muito preciso no direito. O nascituro, a criança que aguarda o nascimento no ventre da mãe, tem algumas expectativas de direito — no campo da herança, por exemplo. Já a pessoa, do ponto de vista do nosso ordenamento, só passa a existir no instante do nascimento com vida. É aí que surge a personalidade jurídica, segundo o nosso Código Civil. Ora, o embrião criado in vitro não é nascituro, pois não foi implantado no útero da mãe, nem pessoa, no sentido técnico. Ele não desfruta as garantias que se aplicam aos dois casos. Quanto ao princípio constitucional do direito à vida, eu creio que ele não é ferido no caso das pesquisas com embriões que seriam descartados ou permaneceriam congelados indefinidamente. Essas pesquisas, a médio ou a longo prazo, devem resultar em benefício para um grande número de pessoas. Elas também têm o objetivo de proteger a vida — uma vida íntegra e saudável para portadores de doenças. Sigo aqui uma linha de raciocínio que tem uma longa história no campo jurídico — aquela que, no conflito aparente entre normas, opta pelo bem maior, produzido com o menor sacrifício possível.

Veja — Em algum momento no curso desse julgamento a senhora se viu num dilema por causa de convicções religiosas?

Ellen Gracie — Eu sou católica, estudei em colégio de freiras. Mas não sou juíza do Supremo para expressar minhas crenças religiosas, e sim para analisar as leis à luz da Constituição e do restante do sistema jurídico.

Veja — Outro caso complexo sob análise do STF é o do mensalão. Procede a idéia de que o tribunal não tem estrutura para lidar com um processo desse tipo, que envolve uma extensa coleta de provas?

Ellen Gracie — A idéia de que o Supremo não atua bem em causas penais é falsa. Na verdade, somos um foro criminal muito célere. Atualmente, temos 81 processos penais nesta casa, 70% com menos de um ano de tramitação. O processo do mensalão vem transcorrendo de maneira ágil. Uma das principais razões para isso se deve ao fato de estarmos digitalizando todos os seus documentos. Já são mais de 70.000 páginas escaneadas. Imagine o que aconteceria se não tivéssemos feito isso. Cada vez que o advogado de um dos réus pedisse vista do processo, haveria uma delonga. E estamos falando de quarenta réus. Com a digitalização, todos os envolvidos podem ter acesso aos autos simultaneamente. Além disso, estamos conduzindo a fase de depoimentos de maneira rigorosa. Recebi vários pedidos de adiamento durante o mês de fevereiro, mas julguei que nenhum deles era procedente. Logo deveremos encerrar a oitiva dos réus.

Veja — Nas próximas fases do processo, haverá dezenas de testemunhas a ouvir. E os advogados de defesa certamente usarão todos os recursos disponíveis para retardar o momento da sentença. Teremos um festival de réus livrando-se do processo por causa da prescrição?

Ellen Gracie — Esse é um risco que faz parte do jogo. Podemos criticar nossas leis processuais pelo número exagerado de recursos à disposição dos advogados. Mas, enquanto as regras forem essas, não haverá o que fazer. Mais do que a faculdade, os advogados têm o dever de lutar pelo interesse de seus clientes usando todas as armas da lei. E o Poder Judiciário não pode saltar etapas em um julgamento nem agir de maneira que desrespeite o devido processo legal. Todos gostaríamos que o processo no Brasil fosse mais ágil e enxuto. Para que isso aconteça, é preciso reformar a legislação.


Veja — Quando a denúncia contra os “40 do mensalão” foi apreciada, alguns ministros sugeriram que a imprensa e a opinião pública punham “uma faca no pescoço do Supremo”. A atenção do público incomoda?

Ellen Gracie — O tribunal está acostumado com isso. Nós atuamos de portas abertas, o que é raríssimo: só acontece na Suíça, no México e no Brasil. Temos um canal de televisão que transmite os julgamentos, e até nossas sessões administrativas são franqueadas aos interessados. Isso deixa espantados juízes estrangeiros que vêm nos visitar. Se o tribunal não tem segredos, não há por que temer a atenção do público, mesmo nos momentos em que ela é mais aguda.

Veja — Na semana passada, o presidente Lula disse que seria muito bom se o Poder Judiciário “só metesse o nariz” nos seus próprios assuntos. O Judiciário brasileiro avança na seara dos outros poderes?

Ellen Gracie — O Judiciário é um poder inerte. Ele só age quando provocado pelas vias legais. Quando recebemos uma ação, contudo, temos de dar uma resposta — e isso às vezes significa estabelecer uma regra, ou ampliar o escopo de uma lei que já existe. Foi o que fizemos recentemente, por exemplo, ao aplicar às greves do serviço público as normas que valem no setor privado. Ou ao afirmar que o mandato de um parlamentar pertence ao seu partido. Seria mais confortável para nós não ter de lidar com esse tipo de dificuldade. Mas às vezes as questões se arrastam por anos no Congresso e acabam desaguando no Judiciário. Esse fenômeno da judicialização da política não acontece só no Brasil. É uma tendência em muitos lugares, um resultado da dificuldade de obter consenso sobre certos temas no plano do Legislativo. Outra fonte de tensão entre os poderes nasce da troca de opiniões em público. Alguns presidentes falam bastante, outros são mais quietos. O mesmo vale para juízes e parlamentares. Tudo bem — não se faz democracia com pensamento único. Enquanto a tensão entre os poderes for pontual, ela será saudável. É isso que acontece no Brasil.

Veja — O presidente Lula já nomeou sete ministros da corte. Notadamente, substituiu os últimos ministros indicados pelo regime militar. Isso significou uma mudança profunda no perfil do STF?

Ellen Gracie — Eu considero muito injusta essa divisão entre os nomeados pelo governo militar e os nomeados pelos governos posteriores. Mesmo durante a ditadura, a corte seguiu funcionando. Submetida a pressões, soube garantir os direitos do cidadão. Há um trabalho acadêmico interessante sobre o papel do Judiciário nas ditaduras na América Latina. Ele conclui que o número de vítimas da repressão no Brasil foi menor porque aqui os conflitos eram judicializados, ou seja, havia espaço para que eles fossem tratados no âmbito institucional. Recordemos o caso Herzog, em que um jornalista preso por razões políticas foi encontrado morto em sua cela. Em pleno período militar, foi um juiz federal de primeira instância que comandou o julgamento e condenou a União. O Brasil tem esse diferencial e deve valorizá-lo. Em 2008, comemoramos os 200 anos de Judiciário independente no Brasil. Com a vinda da família real portuguesa para cá, nossos tribunais deixaram de se submeter a Lisboa. Eu diria que é isto que estamos celebrando: um Judiciário isento e autônomo na pessoa dos seus juízes. Novos integrantes sempre virão ao Supremo, cada um com sua bagagem. Mas o que eu vejo é uma grande continuidade.

Veja — Pensando no futuro, qual o maior desafio para o Judiciário brasileiro?

Ellen Gracie — É o de se reestruturar. Já está provado que não adianta simplesmente aumentar o número de juízes e o número de varas. A longo prazo, a tática do “mais do mesmo” não torna o Judiciário nem mais ágil nem mais moderno. Só com a criação de novos procedimentos encontraremos uma saída para os nossos problemas. E estamos vencendo esse desafio. Às vezes, mexer só um pouquinho nas praxes dá um resultado imenso. Por exemplo, decidimos que a presidência do STF poderia descartar recursos com vícios formais. Desde que a medida foi tomada, descartamos 26.000 processos. Ao impedirmos que eles avançassem, poupamos tempo e mão-de-obra. Isso sempre é importante, se lembrarmos que 70% do tempo de um processo é gasto com burocracia. Outro exemplo de mudança estrutural, mais ambicioso, está na criação dos juizados especiais. Eles têm se mostrado muito eficientes. Sua taxa de congestionamento é de 33%, contra 75% da Justiça comum. Eu diria que um segundo desafio é levar a população a uma mudança de mentalidade. Num país de 186 milhões de habitantes, temos 34 milhões de causas pendentes. É uma litigiosidade altíssima. Por isso lançamos no ano passado uma campanha pelo uso de meios alternativos de solução de conflitos, como a conciliação e a mediação.


Veja — Recentemente foi criado o processo judicial eletrônico. Qual o impacto dessa medida?

Ellen Gracie — Enorme. Creio que esse projeto, batizado de Projudi, é o mais revolucionário na alçada do CNJ. Sem exagero, eu diria que ele tem potencial para mudar a face da Justiça brasileira, tão criticada pela lentidão. O sistema é bastante inteligente e flexível — podemos, por exemplo, reparar facilmente o software a distância. E alguns dos juizados eletrônicos estão em lugares de difícil acesso. Onde implantamos o sistema, o tempo médio entre o ajuizamento de uma ação e a sentença de primeiro grau tem ficado em 33 dias, o que é extraordinário.

Veja — A adoção das súmulas vinculantes, que obrigam as demais instâncias do Judiciário a seguir o entendimento do Supremo num determinado tema, foi saudada como um avanço, no sentido de diminuir o volume de processos nos tribunais. Mas em 2007 o Supremo só promulgou três súmulas. Ele foi tímido no uso da ferramenta?

Ellen Gracie — Tímido não, cauteloso. Analisamos oito temas no ano passado e concluímos que só em três deles o consenso era maduro o bastante para ser traduzido em súmula vinculante. Sabemos que a ferramenta é poderosa, mas o enunciado tem de ser muito claro e preciso para que os resultados sejam os melhores. Ao tornar-se obrigatória não apenas para as diversas instâncias do Judiciário, mas também para a administração pública, uma boa súmula pode de fato diminuir o número de processos. Na medida em que vincula o poder público a um certo entendimento em questões tributárias ou previdenciárias, por exemplo, ela diminuirá os casos em que o contribuinte sentirá necessidade de recorrer à Justiça. Gostaria de ressaltar que a súmula vinculante também aumenta a segurança jurídica. Acabam aquelas situações em que, num mesmo assunto, um cidadão recebe uma sentença e o seu vizinho, a sentença oposta.

Veja — No ano passado, uma reportagem de VEJA revelou que ministros do Supremo temiam ser alvo de escutas ilegais. Como esse episódio influiu na rotina da corte, e na sua em particular?

Ellen Gracie — Creio que alguns colegas tiveram maior cautela nas suas conversas telefônicas. E isso foi tudo. O mais importante é que o país está enfrentando essa questão no âmbito de uma CPI, cujo objetivo é dar segurança a todos os cidadãos, coibindo o uso das escutas indevidas, que a certa altura pareceu estar fora de controle. Como integrante do Supremo, reitero o óbvio sobre esse assunto: nenhuma prova obtida de forma ilícita tem valor em juízo.

Veja — Criado há cerca de três anos, o Conselho Nacional de Justiça logo se tornou uma espécie de arena para brigas administrativas. Foi para isso que ele foi criado?

Ellen Gracie — Num primeiro momento, juízes e funcionários que tinham alguma reclamação contra órgãos do Judiciário inundaram o CNJ com demandas e o transformaram, de fato, numa espécie de segunda instância administrativa. Quando percebemos essa tendência, passamos a combatê-la. Querelas individuais não estão mais sendo julgadas, só aquelas que têm alcance geral. A idéia de um conselho no Brasil foi uma tentativa de copiar o que já existia em muitos países da América Latina, bem como na Espanha e em Portugal. Ocorre que nesses lugares o Judiciário não é considerado um poder de estado. Ele é altamente vinculado ao Executivo ou ao Legislativo. Nesse contexto, um conselho tem o papel de aliviar a pressão dos outros poderes sobre a magistratura. No Brasil, o Judiciário é um poder autônomo. Por isso, creio que a melhor vocação do conselho é ser uma instância de reflexão e planejamento para o Judiciário. E é isso que ele está se tornando.

Veja — O Judiciário apareceu sob luz negativa nos últimos tempos por causa de casos de nepotismo e pela resistência de diversos magistrados e tribunais a enquadrar salários ao teto do funcionalismo. Esses problemas estão superados?

Ellen Gracie — Nesses dois assuntos, o Judiciário fez a sua parte. Houve investigação e houve depuração. Os casos de nepotismo correspondiam a apenas 1% de nossa força de trabalho. Eles foram identificados e expurgados. Ficou claro, além disso, que esse tipo de apadrinhamento não será mais aceito daqui por diante. Quanto aos altos salários, concluímos, ainda no ano passado, uma análise das fichas financeiras de todos aqueles cuja remuneração ultrapassava o teto. Isso feito, o CNJ encaminhou determinações a todos os tribunais para que se fizessem os cortes necessários. Tanto na questão do nepotismo quanto na dos salários, o Judiciário estabeleceu um precedente importante, que merece ser seguido pelo resto do funcionalismo.

Richard Smith disse:
08 de março de 2008 às 14:20

Que coisa mais insensata (se coisa pior não for!).

Toda a nossa civilização ocidental baseia-se no cristianismo, embora cada vez mais, um número, também cada vez maior o repudie.

Ser cristão é ser um ser humano integral e LIVRE, absolutamente livre. Livre de preconceitos, livre do pecado e de superstições ("venham a Mim, porque o meu fardo é leve e o meu jugo, suave").

E ser cristão significa também ser COERENTE, fazendo-se uma opção radical pela vida!

Ou fato de alguém não ser cristão permite-lhe matar? Ou ser morto?

Por cabotinismo ou simples ignorância, não se percebe tudo o que está em jogo nesta questão.

Admitir-se que os embriões FECUNDADOS - que nunca deveriam ter sido CONCEBIDOS, repita-se - não possuam o direito à vida ou que se tratem de meras "coisa", disponíveis para o uso em pesquisas da cura de doenças (pesquisas essas que até o momento não produziram resultado algum, também repita-se) é "coisificar" o Ser Humano, dando-lhe destinação meramente utilitária e contrária à sua natureza Absoluta, no concernente ao seu direito à vida.

Hoje são os embriões "excedentes". Amanhã será o quê?

O direito à Vida e dignidade humanas é absoluto e inviolável.

E poucas, pouquíssimas, pessoas se apercebem disso.

A grande tragédia dos tempos "modernos".

RWN disse:
08 de março de 2008 às 18:43

1) Haverá o tempo em que, todo aquele que nega as suas crenças, desdizendo à própria formação declarada, enfrentará o Justo!
2) Queira-se ou não, o vilipêndio a embriões humanos atenta contra a dignidade dessa condição e é, por isso, protegido pela Constituição Federal de 1988. Os problemas bioéticos decorrentes dos experimentos irresponsáveis feitos no passado (criogenia, fertilização 'in vitro')não podem ser apagados por soluções pragmáticas construídas comodamente para eliminar arbitrariamente os seus vestígios, a dizer, a vida humana.

Robespierre disse:
08 de março de 2008 às 23:09

...insensata é fundamentalistas seguidores do ex-hitlerista ratzinger quererem garrotear a ciência. Acham que estão na idade média quando ditavam as regras para os viventes. Ciência não se confunde com trevas e crenças frutos da ignorância e de equívocos.

...fiquem com suas crenças anacrônicas e deixem os demais com a dúvida e a ciência.

Radar disse:
08 de março de 2008 às 23:13

Lapidar a entrevista da Ministra Ellen Gracie. Como magistrada, ela mantém suas convicções religiosas no âmbito privado, como deve ser, ciente de que nem todo mundo comunga com as mesmas.

Com efeito, não se impõe ao magistrado que não tenha religião, ou a negue. Inadmissível é que sua visão particular de mundo interfira, explicitamente, com sua missão de julgar, mormente em se considerando que o nosso Poder Judiciário é uma das faces do Estado brasileiro, que é laico.

Ademais, a tarefa do STF, frente aos fatos que lhe foram apresentados, corresponde a verificar se a Lei objetada contém ou não, ofensa direta à Constituição. Ela não encontrou tal ofensa. Penso que acertou.

Portanto, Ministra Ellen, parabéns! Se, desde o começo do mundo, tantas nações se esfacelam em função de suas convicções religiosas, nada mais Cristão que julgar com imparcialidade.

J. Ribeiro disse:
08 de março de 2008 às 23:51

Muito boa a entrevista e as respostas da Ministra.
Talvez apenas num ponto pecou a Ministra, e ai está uma questão lamentável da mentalidade de alguns magistrados, ao responder que quando presidente da Corte descartou recursos com vícios formais e desde então teria descartado cerca de 26.000 processos.
Neste ponto ao impedir que esses processos avançassem certamente também contribuiu com um grande número de injustiças.
É preciso entender que não existe justiça formal. A sociedade civil não tem interesse e nem deseja que isso ocorra.
É lamentável. Coisa para inglês ver mesmo. São coisas do Brasil...

Richard Smith disse:
09 de março de 2008 às 00:44

PeTralha CALOTEIRO, heterônimo (procurar no dicionário, se você tiver um) do "fessô" PeTralha, fujão, borra-cuecas, mistificador, anti-clerical, mentiroso, abortista, infantil e escrôto (ou simplesmente da mesma laia mesmo!):

Como diria o personagem do saudoso Otello Zeloni na antiga "Família Trapo":

Uma "pernacchia" para você, que é muito mais do que você merece, com "raciossímios" como o abaixo "obrado".

Richard Smith disse:
09 de março de 2008 às 00:50

Caro Radar:

O probelam não é negar a religião, mas ser incoerente com ela própria. Simples assim.

Os chamados "livre-pensadores", adorariam domesticar a Igreja, restringindo-a à sacristia ("sois o sal da terra") e tornando a Religião um simples e anódino conjunto de normas morais.

Ocorre porém, e que muitos esquecem, a religião cristã (= Católica) é resultante de um encontro PESSOAL com Deus Jesus Cristo, e que exige mudanças radicais no modo de viver e de pensar.

E, COERÊNCIA...

Um abraço a você.

André Moreira disse:
09 de março de 2008 às 14:23

Fiquei muito orgulhoso com a menção da Ministra Ellen Gracie ao Projudi nesta entrevista. O Projudi começou como um projeto de conclusão de curso de dois estudantes de Ciência da Computação da Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba. Eu e um colega e amigo, Leandro Lira, com o total apoio do Juiz Antônio Silveira, que na época era titular do 2o. Juizado Especial Cível de Campina Grande, desenvolvemos o Projudi sem nenhuma referência de projetos anteriores e implantamos o sistema no Tribunal de Justiça da Paraíba, que o usa até hoje, mudando o nome para E-Jus. Nós doamos o sistema ao CNJ, em 2006, e lá trabalhamos na adaptação para que o sistema fosse distribuído aos vários Tribunais de Justiça pelo Brasil. Leandro Lira ainda trabalha no CNJ (hoje eu estou no TRT da 13a. Região), coordenando as mudanças no sistema, que hoje é de código aberto, e auxiliando os Tribunais na sua implantação. Nós sempre acreditamos que a informatização do Judiciário desempenharia um papel importantíssimo na busca pela celeridade, que aí residia o futuro, e sempre vimos no nosso sistema o potencial para essa mudança. Por isso, é de uma satisfação enorme ver que a Ministra compartilha dessa nossa visão e que o Projudi tem se mostrado capaz de enfrentar esse desafio.

André Moreira

Mauri disse:
09 de março de 2008 às 16:02

E onde mais deveria estar a religião, senão na sacristia? Nas leis? Ou no governo, me empurrando goela abaixo uma doutrina que não reconheço?
Fui educado segundo valores cristãos, mas tenho livre arbítrio e não preciso da igreja para me dizer o que pensar ou fazer. Essa questão deveria ser objeto de uma consulta popular, para mostrar de uma vez por todas o que o povo quer.

Ramiro. disse:
09 de março de 2008 às 18:57

A teoria concepcionista vem de 1804, antes de anestesia a éter, antes de se conhecer o DNA, e ainda colocam microbiologista, a CNBB, para dar parecer como autoridade em neurociência, e o que acontece? Argumento de autoridade totalmente inadequada, fraco, inconsistente, por que invade o campo das neurociências, e nenhum neurocientista sério falaria com tanta certeza o que a CNBB colocou como laudo técnico no seu parecer, predestinação calvinista na ciência?

Tenho a impressão que o pedido de vistas pode durar até a aposentadoria de Ministro, como aconteceu com o CDC e os bancos.

Ramiro. disse:
09 de março de 2008 às 19:04

Um desafio, provem que um embrião congelado em nitrogênio líquido, com seus próprios recursos, tem condições de evoluir, sem intervenção do engenho humano, à condição de autopoiético, senciente e autoconsciente, e pode se pensar em afirmar haver vida no caso.

Vamos acabar com a inseminação in vitro? Então vamos acabar com a engenharia de DNA recombinante que permite que bactérias produzam hormônio do crescimento humano, que antes era retirado da hipófise de cadáveres, e de vez em quando matava um paciente de meningite, e vamos igualmente acabar com as bactérias modificadas que produzem insulina humana, e volte a se utilizar para os diabéticos insulina bovina ou suína.

E também suspenda-se a aplicação de todos os antibióticos e demais produtos da ciência. E quando as pestes vierem construam-se catedrais para implorar a "misericórdia de Deus".

E não nos esqueçamos que só na segunda metade do século XX João Paulo II reconheceu oficialmente em nome da Igreja Católica que Galileu Galilei não era um herege, e que a Terra é redonda e gira em torno do sol.

Um tempo razoável para reconhecer um erro né?

Ramiro. disse:
09 de março de 2008 às 19:13

Para dar um freio nos fundamentalistas, CIDH-OEA

http://www.cidh.org/annualrep/2007sp/Mexico161.02sp.htm

Armando do Prado disse:
09 de março de 2008 às 22:34

Vejo que a louca "consultor" com nome grigno mordeu a isca do(a) "patuléia". É isso aí, fascismo e opus dei, floresceu lá na Espanha franquista. Hoje, aqui em "terrae brasilis" queremos democracia e ciência com possibilidades para todos, não para poucos privilegiados.

Armando do Prado disse:
09 de março de 2008 às 22:35

digo, nome gringo, lá da terra do Bushinho.

veritas disse:
09 de março de 2008 às 22:57

O PROBLEMA PRECISA SER VISTO COM MUITA CAUTELA, POIS QUANTOS OS "AVANÇOS" SURGIRAM PARA A CONDENAÇÃO DO PRÓPRIO HOMEM.
QUE DEUS E JESUS NOS MOSTRE O QUE É CERTO E O ERRADO.

Ramiro. disse:
09 de março de 2008 às 23:00

Uma questão bem objetiva. A primeira e mais peculiar característica de toda e qualquer forma de vida é a capacidade de autopoiese. Vida gera vida. A diferença entre matéria orgânica e vida, e entre vida e qualquer máquina, é fundamentalmente que só os seres vivos são máquinas que geram máquinas iguais a si mesmos ou melhorados, entrando conceitos como mutações aleatórias, deriva genética, pressão seletiva, e uma série de conceitos de biologia evolutiva, que anda na moda em livros que querem negar a existência de Deus.

Há autopoiese sem senciência e autonsciência, como nos poríferas, esponjas do mar, algumas espécies destas tem reprodução sexuada. Mas não existe vida que possa se dizer humana sem senciência e autoconsciência.

Autopoiese foi uma ilumunação científica de Biólogos chilenos, PhD por Harvard, neurocientistas, na segunda metade do século XX, logo muito depois de 1824.

Não são conceitos inacessíveis ao profissional da área jurídica. Não hoje.

No mais a Igreja Católica demorou séculos demais para reconhecer oficialmente que a Terra é rendonda e gira em torno do Sol. No papado de João Paulo II.

Richard Smith disse:
10 de março de 2008 às 02:52

Não, caro "fessô" Petralha/Patulléia.

É que idiotice demais, às vezes enche o saco.

Só isso.

Richard Smith disse:
10 de março de 2008 às 02:55

Caro Ramiro:

Desculpe-me dizer-lhe isto, mas o pior ignorante é aquele que pensa que sabe.

De Igreja e de História, inclusive da própria, você não sabe nada.

Passar bem.

Jacir disse:
10 de março de 2008 às 09:37

Olhe só a frase do ""jogador profissional de bingo de igeja "" ....hahahahahahahah

"""Desculpe-me dizer-lhe isto, mas o pior ignorante é aquele que pensa que sabe."""

Cabe bem no perfil dele......haahahahahahahaa

Richard Smith disse:
10 de março de 2008 às 12:42

Caro Jacir:

Que bela argumentação! haahahahahahahaa

Seria você talvez, um daqueles que acham que Galileu foi "executado pela Inquisição", como consta do "Estado" do dia de hoje (página A.14 em baixo, à direita)?

Passar bem.

Jacir disse:
10 de março de 2008 às 14:08

Olá Antonio, o meu comentário saiu logo acima do teu, mas não é uma resposta para vc.....aliás , concordo com boa parte do vc escreveu (no 1° comentário).....ok ?

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Jacir disse:
10 de março de 2008 às 14:14

Richard, com vc não há necessidade de argumentação....a sua posição se baseia sempre nas mesmas premissas (mesmo na possibilidade das mesmas estarem erradas).

1- Igreja católica é a verdadeira e única representante de DEUS na Terra.

2- Não importa que o seja feito pelo governo....ele está errado.

Tem mais ....mas estou sem tempo de pesquisar agora.

Richard Smith disse:
10 de março de 2008 às 15:58

(continuação) Transubstanciação das Espécies na Santa Missa (fenômeno de ordem mística e não física e, portanto, fora de sua alçada de cientista!).

Galileu foi condenado, por seu AMIGO, o Papa Urbano VIII, a três anos de prisão. Pena esta, logo comutada. Passou então CONCO MESES "preso" na residência de seu discípulo e admirador, o arcebispo de Sienna, Piccolomino, retornando após a Roma.

Uau! Que pena cruel, não?

Finalmente, quanto à sua segunda afirmação: você acha mesmo que este (des)governo "que aí está" e que, na Economia, se refastela na "herança bendita" recebida de seu antecessor, faz tudo certo mesmo?!

Fico à sua disposição para quaisquer outras informações.

Passar bem.

richardsmith@ig.com.br

Richard Smith disse:
10 de março de 2008 às 16:01

Caro Jacir, calma, muita calma:

Quanto à sua primeira premissa, SIM, é nisso que eu creio, pelo menos até o momento no qual você puder me provar que eu estou errado...

Depois, não vou forçar a sua cabecinha, obrigando a fazer nenhuma pesquisa. passo-lhe então alguns dados e você depois procure comprová-los ou não:

a) A Igreja nunca foi contra a Ciência! (procure saber acerca das universidades fundadas pela Igreja);

b) Tanto porisso, a Igreja nunca foi contra investigação científica, HONESTA;

c) A igreja trata da Fé e das coisas invisíveis, operadas nos planos préternatural e sobrenatural, enquanto que a Ciência trata dos fenomenos visíveis, operados no plano natural, não podendo haver oposição assim, entre Fé e Ciência;

d) No caso Galileu, sempre maliciosamente explorado pelos anti-clericais e cultores da oposição Fé x Ciência, os fatos são so seguintes:

.1) O sistema geocêntrico era adotado pela Igreja por causa de Aristóteles (o "pai dos que sabem"), porque aparentava (sofisma) estar mais de acordo com figuras poéticas (que procuravam demonstrar a importância ímpar do mundo para Deus, ante ao Universo) da Escritura e porque não haviam outras hipóteses COMPROVADAS, (embora o heliocentrismo já tivesse sido definido por Aristarco - no sec.III a.c.! - e por Nicolau Copérnico). De fato o heliocentrismo só foi cientificamente comprovado por Foucault em 1851 na famosa experiência do pêndulo!

Galileu foi condenado por seu Amigo e admirador, o Papa Urbano VIII, por instigação do chamado "partido aristotélico" e por ter desobedecido à instrução de publicar a sua teoria, como uma teoria "a comprovar". Pesou contra ele também, um artigo no qual punha em dúvida, indiretamente, a possibilidade da Transubstanciação das Espécies (segue)

Mauro disse:
11 de março de 2008 às 23:43

"Herança bendita" dogmático gringo Richard? Chamas um país quebrado e endividado de herança bendita? Não sou petista, mas a cada dia que passa noto que os psdebistas de cultos e bem informados não tem nada. São um bando de desmemorados. Fazem parte da massa. Não se lembram ou não querem lembrar das mazelas sob a (con)gestão FHC.

Edy disse:
12 de março de 2008 às 05:43

Logo depois do Dilúvio, Deus deu à humanidade leis sobre a santidade da vida, o assassinato, a pena capital e o consumo de sangue. (Gênesis 9:3-6) Jeová condenou fortemente o adultério durante o incidente que envolveu Abraão, Sara e Abimeleque, rei de Gerar, perto de Gaza. — Gênesis 20:1-7.

9 Naqueles dias, os chefes de família atuavam como juízes e tratavam dos problemas legais. Jeová declarou a respeito de Abraão: “Fui familiarizar-me com ele, para que ordenasse aos seus filhos e aos da sua casa depois dele que guardassem o caminho de Jeová para fazer a justiça e o juízo.” (Gênesis 18:19) Abraão mostrou altruísmo e discernimento ao resolver a disputa entre seus próprios pastores e os de Ló. (Gênesis 13:7-11) Atuando como chefe e juiz patriarcal, Judá condenou sua nora Tamar a ser apedrejada até morrer e a ser queimada, acreditando que ela fosse adúltera. (Gênesis 38:11, 24; compare com Josué 7:25.) Quando soube de todos os fatos, porém, declarou-a mais justa do que ele mesmo. (Gênesis 38:25, 26) Quão importante é saber primeiro todos os fatos antes de tomar uma decisão judicial!

Edy disse:
12 de março de 2008 às 05:57

Logo depois do Dilúvio, Deus deu à humanidade leis sobre a santidade da vida, o assassinato, a pena capital e o consumo de sangue. (Gênesis 9:3-6) Jeová condenou fortemente o adultério durante o incidente que envolveu Abraão, Sara e Abimeleque, rei de Gerar, perto de Gaza. — Gênesis 20:1-7.

9 Naqueles dias, os chefes de família atuavam como juízes e tratavam dos problemas legais. Jeová declarou a respeito de Abraão: “Fui familiarizar-me com ele, para que ordenasse aos seus filhos e aos da sua casa depois dele que guardassem o caminho de Jeová para fazer a justiça e o juízo.” (Gênesis 18:19) Abraão mostrou altruísmo e discernimento ao resolver a disputa entre seus próprios pastores e os de Ló. (Gênesis 13:7-11) Atuando como chefe e juiz patriarcal, Judá condenou sua nora Tamar a ser apedrejada até morrer e a ser queimada, acreditando que ela fosse adúltera. (Gênesis 38:11, 24; compare com Josué 7:25.) Quando soube de todos os fatos, porém, declarou-a mais justa do que ele mesmo. (Gênesis 38:25, 26) Quão importante é saber primeiro todos os fatos antes de tomar uma decisão judicial!

Edy disse:
12 de março de 2008 às 06:00

Envelhecimento e Morte. Todas as formas de vida vegetal, bem como de vida animal, são transitórias. Uma pergunta de longa data entre os cientistas tem sido: Por que envelhece e morre o homem?

Alguns cientistas propõem que toda célula tem uma duração de vida geneticamente determinada. Em apoio disso, apontam para experimentos nos quais se verificou que células cultivadas em ambiente artificial pararam de dividir-se depois de cerca de 50 divisões. Outros cientistas, porém, afirmam que tais experimentos não elucidam por que organismos inteiros envelhecem. Oferecem-se diversas outras explicações, inclusive a teoria de que o cérebro produz hormônios que desempenham um grande papel no envelhecimento e na subseqüente morte. Que é preciso ter cautela quanto a aceitar uma ou outra teoria é sugerido pelos comentários de Roy L. Walford, M.D., que disse: “Não é motivo de alarme ou mesmo de surpresa que o paradigma de Hayflick [a teoria de que o envelhecimento é inerente na genética da célula] no fim possa mostrar-se falso ou ser substituído por um melhor, mas, por fim, igualmente falso paradigma. Tudo é verdade no seu próprio tempo.” — Maximum Life Span (Duração Máxima da Vida), 1983, p. 75.

Ao tomar em consideração as descobertas e as conclusões dos cientistas, deve-se notar que

Edy disse:
12 de março de 2008 às 06:01

Ao tomar em consideração as descobertas e as conclusões dos cientistas, deve-se notar que a maioria deles não atribui a vida a um Criador. Eles esperam, pelos seus próprios esforços, descobrir o segredo do envelhecimento e da morte, a fim de estender indefinidamente a vida humana. Desconsideram que o próprio Criador decretou a sentença de morte para o primeiro casal humano, implementando esta sentença dum modo não plenamente entendido pelo homem; de maneira similar, ele oferece o prêmio da vida eterna àqueles que exercem fé no Seu Filho. — Gên 2:16, 17; 3:16-19; Jo 3:16.

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