Já era tempo do país ter um banco competitivo mundialmente

O dia começava quando a notícia da fusão dos bancos Itaú e Unibanco surgiu. E se alastrou como um raio, antes mesmos da abertura dos mercados de ações. Inúmeras análises e notícias se seguiram e na hora em que este comentário estava sendo escrito eram poucas as informações: exceto que o banco que virá será o maior do Hemisfério Sul, e, por hora, tudo continua como antes, até que a inevitável sinergia traga as mudanças que se espera culminando com um banco no lugar de dois para concorrer no mercado de consumo financeiro.

Os acionistas pulverizados, ao que indicam as Bolsas, ficaram felizes com a idéia e estão vendo as suas ações serem valorizadas.

E o consumidor? Como se sentirá? Aparentemente há um misto de sensações: os que ficam satisfeitos com a idéia de serem correntistas de um banco maior e provavelmente mais sólido (quem busca guarida num banco desse porte está atrás de maior segurança), especialmente neste cenário de crise mundial. E os que se assustam com uma possível submissão a regras abusivas do novo líder do mercado.

Os grupos de proteção ao consumidor, precavidos, na sua maioria se manifestam contrários, já prevendo o que sequer aconteceu: o risco do domínio do mercado.

Do ponto de vista prático e individual, num primeiro momento, nada muda. A orientação já foi dada pelos bancos. Mas, a médio prazo, certamente algumas alterações virão: mudanças de contratos, denominação da empresa etc. Afinal uma só empresa tem uma só conduta mestra.

Não há o que temer quanto à postura do novo banco. Ambas as instituições que se fundiram são conhecidas e estão em constante contato com as autoridades de proteção ao consumidor, buscando adequar suas condutas à legislação. Aqueles que acham que esse novo grupo tentará impor padrões ilícitos fiquem certos que isto não acontecerá. Não é da tradição de nenhum dos antecessores.

Mas decerto mudanças virão, principalmente no que se refere ao fato de que agora os seus correntistas ou usuários de seus serviços estão tratando com um dos maiores bancos do mundo que, para manter-se nessa posição deverá se esforçar para não perder clientes. Afinal, quem tem o Unicard, Itaucard e Hipercard não quer perder a posição de liderança no mercado de cartões de crédito, por exemplo. Afinal essas empresas já eram líderes, isoladamente. Ainda assim a sua participação no mercado de cartões permanecerá abaixo de uma posição controladora. Ou seja: não terá percentual significativo, já que são centenas de administradoras.

Isto leva a outra preocupação que é a redução da concorrência. Como se sabe a concorrência é saudável num sistema de livre iniciativa, como o nosso. Mas, a participação do mercado financeiro em geral da nova instituição não é elevada: algo em torno de 20%. Essa informação já consta no comunicado que os bancos apresentaram ao mercado. A competição ficará mais acirrada, com os “menores” tentando galgar posições.

E, temos um banco brasileiro competitivo com os bancos estrangeiros que atuam no Brasil (alguns maiores que o novo banco que se forma), o que permite uma competição saudável à sombra de grandes corporações.

Enfim, o que se vislumbra é um futuro mais agradável ao consumidor brasileiro e um banco nacional competitivo mundialmente, com os maiores grupos financeiros. Já não era sem tempo.

Francisco Fragata Júnior

é sócio de Fragata e Antunes Advogados, escritório especializado em relações de consumo.

Carlos disse:
03 de novembro de 2008 às 21:46

Dr. Francisco Fragata Júnior,

Provalmente o senhor defende algum banco (Itaú ou Unibanco...)

Objetivamente, qual a vantagem para o consumidor? Por enquanto não consegui vislumbrar nenhuma.

É igual a situação, quando o Lula diz que o Brasil é auto suficiente em produção de petróleo. Só que a maioria dos brasileiros não sabe que isso na prática não quer dizer NADA. A gasolina do Brasil é a MAIS CARA DO MUNDO...

Já imagino, o senhor não terá resposta para a minha pergunta...

Carlos Rodrigues
Especialista em Direito do Consumidor
berodriguess@yahoo.com.br

José Carlos Guimarães disse:
04 de novembro de 2008 às 03:06

O Dr, Carlos Rodrigues acertou na mosca: o escritório Fragata defende o Banco Itaú.
José Carlos Guimarães
Jornalista e Consultor Defesa do Consumidor

Gilberto Serodio Silva disse:
04 de novembro de 2008 às 08:51

Dr. Fragata Junior:

Podia esclarecer: banco competitivo mundialmente como se os grandes e famosos estão sendo estatizados?

Drixa elegerem o novo presidente dos USA que vamos assistir a derrocada final. Lula está certo: FMI, BIRD e outros não servem para mais nada.

Precisamos sim valorizar o Capital Trabalho que agrega valor e produz riquezas, e hoje não vale nada comparado com o Capital Financeiro seja no forma de dinheiro eletrônico ou papel pintado.

Importante: quando o FED trocou 30 bilhões de inflacionadíssimos dólares por 30 bilhões de dflacionadíssimos Reais, passou a lastrear nossa moeda, mas isso nenhum desses economistas explica. Eles fingem que nos enganam e nós fingimos que somos enganados.

Podia explicar como os juros ao consumidor são de 180% ao ano? Tecnicamente impossível, risco total emprestar dinheiro a esse preço. Dá até para projetar por regressão geométrica o bias e número da inadimplência inevitável. Sobrevem crise financeiros quebramos todos, morremos todos abraçados com esses apátridas filhotes de banqueiros e bancões.

Armando do Prado disse:
04 de novembro de 2008 às 10:34

?!?!

Carlos disse:
04 de novembro de 2008 às 11:23

Senhores leitores e operadores do direito,

O Dr. Francisco Fragata Júnior, não tem respostas para o inexplicável.

Todos sabem que o consumidor no final NÃO será beneficiado.

Ele não irá responder. Deixei meu e.mail particular. Como responder se foi artigo feito de forma voltada exlcusivamente, s.m.j., para o marketing.

Especialista em consumidor, mas nas ações atua contra o consumidor. Sem problema algum. SÓ NÃO VEM AQUI DIZER QUE O CONSUMIDOR SERÁ BENEFICIADO QUE NÃO FICA BEM DR. Francisco Fragata Júnior...

Carlos Rodrigues
berodriguess@yahoo.com.br

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