MP investiga reunião de assessores e advogados de Dantas

Um ofício da procuradora Lívia Nascimento Tinoco demonstra que a Procuradoria da República, no Distrito Federal, investiga um suposto jantar entre assessores do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, e advogados do banqueiro Daniel Dantas em um restaurante de Brasília.

Segundo a revista IstoÉ, o documento — ofício número 33/2008, MPF/PRDF/LT — foi assinado pela procuradora no dia 16 de setembro, uma semana antes de ela ter negado à revista que estivesse investigando assessores de Gilmar Mendes. Por causa do foro de prerrogativa de função, um ministro do STF só pode ser processado pelo procurador-geral da República.

Lívia Nascimento Tinoco faz parte do grupo de três procuradores do grupo de controle de atividade policial que investiga o caso do grampo que gravou uma conversa de Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

A procuradora disse para a revista que o delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, mostrou uma série de fotos que seriam do jantar. Segundo a procuradora, Protógenes disse que as fotos foram feitas com a câmara de um telefone celular. O delegado teria afirmado, ainda, que aquelas fotografias não foram incluídas no inquérito porque não identificara todos os presentes ao jantar, entre eles uma mulher loira.

Lívia Nascimento Tinoco diz que não ficou com as fotos porque investigar a reunião não seria de sua competência. Mas, o oficio prova o contrário. O documento é dirigido ao gerente do restaurante Original Shundi. Nele, a procuradora faz dois pedidos. No primeiro, solicita que seja apresentado o nome completo, o CPF e o endereço atualizado do gerente que trabalhou ali até o início de agosto deste ano.

No segundo, requisita o vídeo do circuito interno do dia 11 de junho de 2008, desde as 18h30 até o fechamento do restaurante. Na semana passada, o disco rígido do computador que administra o sistema de segurança do restaurante foi remetido à procuradora. Segundo a assessoria do STF, não foi o tribunal que pediu para que fosse feita uma apuração sobre o caso.

O jantar teria acontecido no dia 11 de junho. Na oportunidade, os advogados de Dantas já sabiam que seu cliente era investigado pela Polícia Federal. No Grupo Opportunity corria a informação de que a prisão temporária do banqueiro e de seus sócios poderia ser pedida a qualquer momento pelo delegado Protógenes ao juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara da Justiça Federal em São Paulo.

No dia do encontro, os advogados de Dantas entraram com o pedido de Habeas Corpus preventivo no Supremo. O ministro Eros Grau não se pronunciou sobre o HC até o dia 8 de julho quando Dantas foi preso. Como o STF estava em recesso, a questão foi julgada pelo ministro Gilmar Mendes no dia seguinte ao da prisão. O presidente do STF nega que o encontro tenha ocorrido.

A versão apresentada por Protógenes à procuradora demonstra uma tentativa de encobrir a participação de agentes da Abin na Satiagraha em monitoramento ilegal sobre assessores de Gilmar Mendes. A IstoÉ tinha revelado que os arapongas teriam espionado a reunião.

O presidente do STF, que na semana anterior havia recebido da desembargadora Suzana Camargo, do Tribunal Regional Federal 3ª Região (São Paulo), a informação de que tinha escuta no seu gabinete, recorreu ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza. Procurou saber se estava em poder da Procuradoria a fita gravada pelos agentes da Abin no restaurante e se estava em curso alguma investigação de que ele ou seus assessores fossem alvo.

O procurador negou a existência da fita e também qualquer tipo de investigação. Disse que tinha controle total sob a Procuradoria e que nenhuma apuração envolvendo autoridades era feita sem passar pelo crivo legal do STF. O ministro, então, dirigiu-se ao ex-diretor da Abin Paulo Lacerda, que também negou que agentes da agência estariam a serviço de Protógenes, fato desmentido dias depois pelo próprio Lacerda, na CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas.

Agentes da Abin ouvidos pela revista disseram que Protógenes lhes assegurou que ainda em junho policiais da PF estiveram no restaurante e apreenderam as imagens do circuito interno de tevê para evitar que a participação dos arapongas fosse descoberta. A direção do restaurante negou ter recebido a visita de policiais.

Submundo da operação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em por fim à crise deflagrada com os grampos ocorridas durante a Operação Satiagraha. No dia 16 de setembro, Lula promoveu uma discreta homenagem a Gilmar Mendes, informa a IstoÉ. Além de Lula e de Gilmar Mendes, estiveram presentes em um jantar oferecido pelo governo na casa do advogado- geral da União, Antônio Toffoli, os ministros Tarso Genro, da Justiça, Dilma Rousseff, da Casa Civil, e o chefe de gabinete Gilberto Carvalho. Do STF, participaram Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto e Carlos Menezes Direito.

O empenho do presidente, no entanto, não tem encontrado ressonância entre seus principais auxiliares nas áreas de informação e inteligência. Diretores da PF e da Abin, assim como os ministros Nelson Jobim, da Defesa,e o general Jorge Armando Felix, do Gabinete da Segurança Institucional, continuam protagonizando uma série de contradições que contribuem apenas para dificultar a identificação dos responsáveis pelos grampos.

No dia 17 de setembro, em depoimento à CPI do Grampo, Nelson Jobim recuou. Duas semanas antes, ele confrontou o general Felix e afirmou, na presença do presidente Lula, que a Abin havia comprado junto maletas capazes de fazer escutas ambientais e telefônicas. Diante da CPI, Jobim condenou o fato de a Abin ter participado da Satiagraha e apresentou apenas um manual do equipamento retirado da internet. Feito o recuo, o ministro voltou baterias contra a imprensa.

No dia seguinte, perícia entregue pela PF assegurava que os equipamentos da Abin apenas fazem varreduras, mas não podem ser usados para gravar. Como a discussão era sobre a viabilidade das maletas fazerem escutas ambientes, a CPI entendeu que o laudo não é definitivo. O deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), afirmou que vai remeter os equipamentos da Abin para nova perícia, na Unicamp.

Na Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência do Congresso, Paulo Lacerda, diretor afastado da Abin, e Luiz Fernando Correa, diretor da PF , voltaram a divulgar versões contraditórias. Lacerda, que início da crise, negava a participação da Abin, recuou de vez. “Dentro da Abin houve a solicitação para que agentes participassem da Satiagraha”, assumiu.

“Se na PF isso não ocorreu, eu lamento”, afirmou minutos depois de Correa dizer ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI) que na PF não havia nenhuma informação sobre a participação da Abin na operação. Jorge Felix se fez de desentendido. “Acompanho as operações e não as cooperações”, afirmou. O ex-agente do SNI, aposentado pela Abin, Francisco Ambrósio Nascimento, confirmou que fazia ponte entre o delegado Protógenes Queiroz e os mais de 50 agentes da Abin.

A.G. Moreira disse:
29 de setembro de 2008 às 14:52

Quem pode acreditar e confiar em investigações, em que os investigadores ( PF + MPF ) , são pegos em contradições e mentiras , no afã de desmoralizar o Presidente da Suprema Corte ? ? ?

olhovivo disse:
29 de setembro de 2008 às 15:44

Em qualquer país decente, quando algum servidor graduado é pego na mentira, a casa cai. Aqui, o mentiroso ainda mantém pose de herói perante a massa composta majoritariamente de ignorantes. Este é o país do carnaval.

Eneas disse:
29 de setembro de 2008 às 15:52

Pois é olhovivo!! O país inteiro sabe que o Min. Gilmar Mendes é o inimigo n. 1 do Ministério Público do DF em razão de vários depoimentos do Ministro que expõem o uso indevido do cargo por membros do MP! Agora querer pegar os pobres assessores, o lado mais fraco da história!! Tenha paciência! Quem decide é o Ministro. É muita leviandade achar que os assessores estariam negociando decisões em nome do Presidente da Suiprema Corte.

A Dra. Lívia Nascimento deveria o mínimo de responsabilidade. Vai arruinar desses servidores sem razão. Ainda que jantar houvesse, isso não prova nada.

Republicano disse:
29 de setembro de 2008 às 16:48

Procuradora investigar ministro do STF? Ora, a culpa é do próprio STF que permite isto acontecer no Brasil ao não por em pauta de julgamento a decisão que vai confirmar a CF/88 de que quem investiga no sistemna acusatório é a polícia e o MP acusa, cabendo ao juiz julgar. Tão só.

João G. dos Santos disse:
29 de setembro de 2008 às 17:16

Se algum assessor do ministro for amigo do advogado e estivesse, de fato, jantando com ele, a pergunta é: e daí? Seria um crime previsto no CP? Na certa, em mentes propensas a construções insano-elucubrativas não faltariam teses para a transformação do suposto fato em "escândalo".

Ramiro. disse:
29 de setembro de 2008 às 20:04

O MPF pode estar colocando os pés descalços num braseiro que talvez adiante não saiba, ou mesmo não tenha como sair.

Silvio Curitiba disse:
29 de setembro de 2008 às 22:41

JOAO (Outros),
Gostei de sua tese e peço permissão para valer-me dela, em minha defesa, quando digo - e minha mulher não acredita - que fui ao bordel somente porque lá a cerveja é mais gelada, que aquilo prá mim é um circo, etc. e tal.

Senhora disse:
30 de setembro de 2008 às 22:43

Não, o MPF não está investigando um almoço (supondo que essa história de investigção seja verdade, por que acreditar em Isto é e cia é quase como acreditar em papai noel). O MPF deve estar investigando a relação existente entre Gilmar Mendes e Daniel Dantas. Alguém ainda se lembra desta criatura? Pois é, aquele mesmo que foi solto duas vezes pelo Exmo. Ministro em menos de 48 horas...
Não achei que tivesse que explicar isso, será que preciso desenhar?

Vinícius Campos Prado disse:
02 de outubro de 2008 às 15:47

Falta de competência para investigação? Isso é alguma piada ou é produto do que a sociedade tem produzido quanto a operadores jurídicos? Ao investigar um jantar entre assessores do Ministro do Supremo e os comparsas do banqueiro, a investigação ainda não concluiu sobre a participação de ninguém. E se fossem apenas os assessores envolvidos? Assessor do STF tem prerrogativa de foro? Mas parece que o medo de Gilmar Mendes impede que qualquer fato que surja atinente às suas relações com o banqueiro possa sequer ser comentado. Como, no entanto, estamos em uma democracia, pouco se nos dão os pavores e culpas do Presidente do Supremo. Investigação é para qualquer um que extrapolou suas funções. Isso, sim, é Estado Democrático de Direito.

Vinícius Campos Prado disse:
02 de outubro de 2008 às 15:49

O mais divertido é que a reportagem do Conjur não está noticiando que pode ter ocorrido o almoço. Está é indignada por poder ter havido uma prova legítima e autorizada legalmente. Assim, tenta o velho truque de desqualificar o oponente antes de ele demonstrar a verdade dos fatos. Os maus hábitos nunca acabam, hein?

Vinícius Campos Prado disse:
02 de outubro de 2008 às 15:52

Igualmente curiosas são as opiniões que lemos. " É proibido um assessor do Ministro ser amigo do advogado que impetrou habeas corpus para seu cliente, que será julgado pelo chefe do assessor amigo"? Diria que é bem estranho e merece uma investigação. Quando se trata de defender correligionários ou pessoas que defendem os mesmos interesses, não existe lei, Direito ou indícios. Tudo é permitido. Mas se for o oposto...e é a isso que querem chamar Justiça?

JUSTIÇA VIVA disse:
09 de outubro de 2008 às 23:50

NÃO ACOMPANHAREI MAIS O CONJUR!

SERIA MUITA FALTA DE VERGONHA DEPOIS DE LER UMA REPORTAGEM TÃO SEM CARÁTER COMO ESTA

SALTA AOS OLHOS QUE O CONJUR ESTÁ TENTANDO MUDAR A VISÃO CRISTALINA DOS FATOS.

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