Termina nesta quinta prazo para saída de não-índios de reserva indígena

O prazo para que os não-índios saiam da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, termina nesta quinta-feira (30/4). Para o Supremo Tribunal Federal, não há possibilidade de permanência de rizicultores ou pequenos agricultores na área. O STF rebate o argumento de que não tenha existido notificação. Segundo a Corte, todas as partes envolvidas no processo foram notificadas oficialmente e a ata da decisão foi publicada no Diário da Justiça. As informações são da Agência Brasil.

O presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargador Jirair Mengueriam, esteve na reserva e conversou com as 36 famílias de não-índios, que ainda permaneciam na região. Uma parte aceitou transferência para casas populares em um bairro na periferia de Boa Vista. Às outras, foram oferecidos lotes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto de Terras de Roraima (Iteraima). “Tecnicamente não há motivos para não deixarem a área”, disse o desembargador. Ele negou que tenha havido coação das famílias para que assinassem o compromisso de saída da reserva. “Ninguém foi coagido. Tudo foi feito de acordo, conversado”, garante.

Parlamentares, que também visitaram o local, relataram a situação de famílias que não teriam para onde deslocar um rebanho de cerca de 12 mil cabeças de gado. O desembargador afirmou que o suposto impasse “parece justificativa para não se cumprir a decisão do STF” e afirmou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) vai garantir a guarda do rebanho até que os proprietários possam removê-los do local. Segundo o TRF, são 8,5 mil cabeças de gado.

“A Funai está contratando vaqueiros que cuidarão desse gado, até que os donos possam retirá-lo da área. O governo vai assumir responsabilidade de guarda e as pessoas vão lá, com escolta da Funai, se for preciso, para retirar o gado no tempo que for necessário”, afirmou.

Mengueriam também cita como opção a compra do rebanho pelo governo e posterior distribuição entre os indígenas, hipótese menos provável até agora. Em relação ao arroz plantado e utilizado como argumento para que o STF estendesse o prazo de retirada até o fim da colheita, em maio, o desembargador reafirmou que o governo pretende comprar a produção. “A Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] está realizando levantamento, vai realizar a colheita e os proprietários serão indenizados”, afirmou.

A retirada dos não-índios será acompanhada pelo presidente do TRF-1 e mais dois juízes auxiliares. O desembargador pretende atuar pessoalmente para convencer os que insistirem em descumprir a decisão do STF.

O dono de duas fazendas no interior da reserva, Paulo Cesar Quartiero, está sendo acusado de destruir parte das benfeitorias que serão deixadas para trás. Mengueriam afirmou que o caso deverá ser levado à Justiça, já que a Funai depositou em juízo o valor referente à desapropriação dos bens.

“Tenho dúvida se o que ele está destruindo é dele ou se está destruindo bens da Funai. Isso obviamente vai parar na Justiça”, disse. “Em 30 anos de magistratura nunca vi um expropriado destruir o bem que está sendo desapropriado”, completou.

O desembargador espera uma saída pacífica, mas não descarta a participação da Polícia Federal na retirada, caso haja resistência violenta por parte dos ocupantes.

Em caso de reação violenta dos ocupantes, Mengueriam disse que tomará as medidas previstas em lei para o cumprimento da decisão judicial. “Ou seja, a execução forçada da decisão, que não necessariamente será feita pela Polícia”. A ação policial só será requisitada em caso de “resistência com violência”. A Polícia Federal e Força Nacional de Segurança já estão na área para atuar em caso de conflito durante a retirada.

Roland Freisler disse:
30 de abril de 2009 às 14:12

Gostaria de saber por que não agem dessa maneira com os sem terras (MST)? será mêdo? conivência? O fato é que, com esses bandoleiros do MST ninguém pode e ninguém faz nada.

Rodrigo Zampoli Pereira disse:
30 de abril de 2009 às 15:11

Dificil entender esta decisão do STF. O mínimo que o Executivo deve fazer, e, parece-me que não fez, é indenizar os Agricultores com valores justos e préviamente, e, não só benfeitorias, indenizar a terra toda de quem tem escritura e registro no CRI de cada Municipio. Isso parece que não estava acontecendo.
Porque tirar trabalhadores de suas terras que colocam o pão de cada dia em nossa mesa? Agricultores estes que foram incentivados a ir a aquele Estado para produzir riquezas, sonhos e colaborar com a região norte? Porque então emitiram escrituras e registros de suas terras? Os mesmos possuem registro de suas terras e mesmo assim são despejados, humilhados, brasileiros estes que precisam ter muita fé em DEUS para não desanimar e recomeçar tudo de novo. Deixo aqui o meu respeito a todos os Agricultores e Agricultoras de nosso país e do mundo todo. Força gente...
Rodrigo Zampoli Pereira - Água Boa - MT
OAB-MT 7198

Lucas Janusckiewicz Coletta disse:
30 de abril de 2009 às 15:16

Esta demarcação foi feita propositadamente para prejudicar a iniciativa privada e implantar o socialismo do Simon Bolivar. O governo usa do dinheiro dos impostos que foram pagos por mim para fazer revolução. Nós brasileiros devemos ter feito algo muito grave para Deus que está nos castigando. Logo logo eu terei que deixar minha casa no meio da cidade porque há quinhentos anos um bando de indios que passou por aqui por serem nomades deixou um vasilhame de barro... Estamos caminhando para o fim do direito de propriedade no Brasil e o pessoal só tomando cervejinha, sem nenhuma reação. Quero aproveitar este espaço para prestar homenagem ao jornalista Nelson ramos Barreto pelo seu livro Tribalismo Indigena 30 anos depois publicado pelo Paz no Campo.

Eri Coelho - Jornalista disse:
30 de abril de 2009 às 18:37

De um lado os tolos que sustenta essa máquina governamental perversa e ideológica, de outro, os oportunistas que tiram vantagem da situação.
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Assisti na televisão e li o sensato voto do ministro Marco Aurélio, é lamentável que os demais - seguindo o ministro Joaquim - deram seus votos antecipadamente.
A demarcação contínua relatada pelo ministro poeta foi algo que não deveria ter acontecido, brevemente estarendo perdendo aquela parte do território brasileiro, ou melhor já perdemos, pois nós "não índios" nem podemos entrar.
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Tenho vergonha de ser brasileiro ao saber que o Brasil fez, faz e vai continuar fazendo, tanta injustiça com os fazendeiros e moradores "não índios" da região.
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Fossem eles bandidos seria tratados com dignidade e "direitos humanos".

Eri Coelho - Jornalista disse:
30 de abril de 2009 às 18:40

Onde se lê: Fossem eles bandidos seria tratados com dignidade e "direitos humanos".
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Leia-se: Fossem eles bandidos seriam tratados com dignidade e "direitos humanos".

Zerlottini disse:
01 de maio de 2009 às 14:01

E quem é que vai tirá-los de lá? Podiam contratar alguns quadrilheiros do Rio, de São Paulo, pessoal do Fernandinho Beira-Mar, do PCP, etc. Ou então, do MST... Porque eles já disseram que não vão sair. E, como neste país as leis NORMALMENTE são feitas para não serem cumpridas...
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.

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