Reportagens de O Globo flagram desapreço à lei pelo cidadão comum

O jornal O Globo começou nesta sexta-feira (10/7) uma série de reportagens intitulada “Ilegal. Eu?”. As reportagens pretendem retratar o grau de lassidão moral que perpassa o comportamento do cidadão comum e que não diferencia muito da crise moral que é atribuída pela opinião pública como característica exclusiva às classes dirigentes.

Todo mundo está cansado de saber que político é corrupto; que deputado ganha para não fazer nada; que o governo gasta mal o dinheiro dos impostos que arrecada; que a Justiça não funciona; que está tudo errado, menos eu. A partir dessa crença do senso comum, O Globo pergunta: “Você é daquelas pessoas que acham que o Rio tem muita coisa errada? Basta sair às ruas e ver. Mas de quem é a culpa? Quem avança os sinais, anda pelos acostamentos ou dirige em alta velocidade?”

A série de reportagens “Ilegal. Eu?" Vai discutir a responsabilidade de cada um. A primeira reportagem da série mostra flagrantes de “bandalhas” de motoristas na estrada Lagoa-Barra. Para fugir do congestionamento da via que liga a Zona Sul à Barra da Tijuca, o motorista anda de marcha-ré ou entra diretamente na contramão da rampa de acesso à estrada por cerca de 100 metros. Num plantão de três horas na última segunda-feira (6/7), informa o jornal, foram flagrados “25 carros e três motos cometendo a ilegalidade, sem que nenhum guarda atrapalhasse a farra”.

O jornal informa ainda que são frequentes os acidentes no local. O secretário municipal de Ordem Pública, Rodrigo Bethlem, acha que falta mais do que um guarda no local. “As pessoas pedem organização, mas na hora de fazerem sua parte, não fazem. O mínimo que se pode pedir é educação”, declarou ele a O Globo.

A lei, ora a lei
O desapreço à lei como característica de comportamento do cidadão comum, na verdade, tem suas raízes nas próprias entidades encarregadas de fazer e de aplicar as normas de convívio social. Como revelou levantamento feito pelo Anuário da Justiça 2009, 75% das normas legais analisadas pelo Supremo Tribunal Federal em 2008 foram consideradas inconstitucionais.

O levantamento inclui tanto leis como atos do Executivo e decisões judiciais, nas esferas federal e estadual. Desde que o levantamento foi feito pela primeira vez, no Anuário da Justiça 2007 com dados referentes a 2006, a taxa de inconstitucionalidade tem-se mantido acima de 75%.  Em 2007, chegou a 80%. A situação é mais grave no nível dos estados, onde 86% das leis estão em desacordo com a Constituição.

Entre os poderes, o Executivo é quem mais desafia a carta magna, com 80% de reprovação. O Legislativo, encarregado de produzir as leis, contribuiu com 71% das inconstitucionalidades constatadas e o Judiciário, a quem cabe fiscalizar a aplicação das leis, com 44% de decisões também inconstitucionais.

Macedo disse:
10 de julho de 2009 às 16:50

No trânsito brasileiro vigora a lei da selva e o pedestre é a presa.
Nas ruas do Brasil os direitos humanos são violados constantemente e motoristas agem como verdadeiros carrascos nazistas, totalmente indiferentes com a vida e integridade do próximo.

Luiz P. Carlos (((ô''ô))) disse:
10 de julho de 2009 às 18:56

A matéria do Conjur pegou no cerne da questão com o levantamento feito sobre a constitucionalidade das normas e leis vigentes nos estados e município.
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Não ha porque obedecer absolutamente nada no perímetro urbano, as leis e normas são feitas tipo casa de prostituição onde quem manda é cafetão obedece quem tem juízo senão leva bofetão sem direito a reclamação.
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Obedecer normas de BANDIDOS travestidos de CHOQUE DE ORDEM, que matam nos hospitais, que são os primeiros a estacionar em cima da calçada, que criam milícias, que implantam o terror fiscal e administrativo, que organiza o CRIME DE EXTORSÃO.
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Cada povo com sua reação, se o que PODRE PODER JUDICIARIO, aliado ao MP, as AL, aos TC, fizessem dessas num pais estrangeiro, em alguns casos seus responsáveis estariam decapitados, e nos menos agressivos o País já teria parado em greves e revoltas popular.
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Mas aqui, no Brasilzinho sem vergonha e sem povo de caráter, vale o cinismo, arma do covarde, então dane-se o futuro da nação, dane-se o exemplo as crianças, dane-se tudo...
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Por outro lado a REDE GLOBO também tem sua parte de culpa, canso de ver seus veículos estacionados a moda bandalho, sem falar na omissão dos crimes que são de interesse relevante da empresa, porque sustentam a empresa nesse momento de dificuldades financeiras ou porque pode piorar sua situação se mexer no vespeiro...

Espartano disse:
10 de julho de 2009 às 20:14

Somos animais. Racionais, mas animais. Nossa racionalidade consiste no fato de ter a consciência de entender o motivo de seguir as regras. Nada de mais, já que animais irracionais, quando treinados, também as seguem, muito embora não entendam o porque. O treinamento é geralmente baseado em recompensa e castigo. Recompensa-se o animal quando acerta, castiga-se quando erra.
Com os humanos não é diferente. O castigo do adestrador serve para colocar a conduta nos eixos, já que nem todos demonstram ser capazes de seguir as regras somente por entender o que é certo e o que é errado. E no papel do adestrador, temos o Estado.
Quanto mais pessoas dispostas a ignorar a conduta moral esperada pelo senso comum, mais regras coercitivas o Estado é obrigado a impor.
O problema é que temos um Estado omisso em diversas áreas, somado a uma Constituição Federal que acredita mais na natureza humana e na bondade do homem do que elas merecem. Aí cria-se o circulo (ou o circo): Estado fraco e omisso acredita na bondade humana. O "lobo do homem" aproveita-se do laxismo e ataca a sociedade, que exige ação do Estado. O Estado tenta criar meios de castigar os infratores, e é impedido pelo Judiciário e pela CF, que considera a conduta reativa inconstitucional, fazendo o Estado fraco e omisso... e por aí vai.
O incrível é que ninguém discorda que a criminalidade e a impunidade beiram o caos. Mas sempre existem vozes prontas para defender a inocência de tudo e de todos e o cerceamento do empenho punitivo do Estado. Só queria que alguém me explicasse como pode haver tanto crime sem que existam criminosos. E pior: como controlar o crime sem castigo, já que muitos aqui defendem o abrandameto das penas e a aplicação do direito penal mínimo. Estou cansado de dar a outra face.

Espartano disse:
10 de julho de 2009 às 20:14

Somos animais. Racionais, mas animais. Nossa racionalidade consiste no fato de ter a consciência de entender o motivo de seguir as regras. Nada de mais, já que animais irracionais, quando treinados, também as seguem, muito embora não entendam o porque. O treinamento é geralmente baseado em recompensa e castigo. Recompensa-se o animal quando acerta, castiga-se quando erra.
Com os humanos não é diferente. O castigo do adestrador serve para colocar a conduta nos eixos, já que nem todos demonstram ser capazes de seguir as regras somente por entender o que é certo e o que é errado. E no papel do adestrador, temos o Estado.
Quanto mais pessoas dispostas a ignorar a conduta moral esperada pelo senso comum, mais regras coercitivas o Estado é obrigado a impor.
O problema é que temos um Estado omisso em diversas áreas, somado a uma Constituição Federal que acredita mais na natureza humana e na bondade do homem do que elas merecem. Aí cria-se o circulo (ou o circo): Estado fraco e omisso acredita na bondade humana. O "lobo do homem" aproveita-se do laxismo e ataca a sociedade, que exige ação do Estado. O Estado tenta criar meios de castigar os infratores, e é impedido pelo Judiciário e pela CF, que considera a conduta reativa inconstitucional, fazendo o Estado fraco e omisso... e por aí vai.
O incrível é que ninguém discorda que a criminalidade e a impunidade beiram o caos. Mas sempre existem vozes prontas para defender a inocência de tudo e de todos e o cerceamento do empenho punitivo do Estado. Só queria que alguém me explicasse como pode haver tanto crime sem que existam criminosos. E pior: como controlar o crime sem castigo, já que muitos aqui defendem o abrandameto das penas e a aplicação do direito penal mínimo. Estou cansado de dar a outra face.

Zerlottini disse:
13 de julho de 2009 às 01:03

Mas o exemplo vem de cima. Esse negócio de "faça o que eu mando e não faça o que eu faço" é papo furado. Se quem faz as leis, quem deveria fazê-las cumprir e quem julga os infratores vive infringindo TODAS as leis, o povo também tem direito, ora bolas.
Leis, neste país, são feitas para serem desrespeitadas. Não há quem as faça cumprir. Os legisladores se acham no direito de fazerem o que querem e bem entendem. O executivo, pela mesma forma. Ora, então, eu também quero. Como diria o Estanislau Ponte Preta, "ou todos se locupletam ou reinstaure-se a moralidade". Ou, como dizia um amigo meu: "já estou cansado de segurar no chifre. Também quero passar pras tetas".
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.

Gil Reis disse:
13 de julho de 2009 às 01:59

É muito comum, neste país, fazer-se reportagens sobre comportamentos sem a análise de suas causas.
Não conheço o problema abordado na matéria, entretanto, refere-se a trânsito e o trânsito aqui é caótico, fruto do mau planejamento ou inexistência do mesmo, não que eu concorde com a ilegalidade, entretanto, quando o poder público não resolve ou resolve mal um problema, a tendência do cidadão é tentar corrigir de uma forma ou de outra.

Gil Reis disse:
13 de julho de 2009 às 02:00

É muito comum, neste país, fazer-se reportagens sobre comportamentos sem a análise de suas causas.
Não conheço o problema abordado na matéria, entretanto, refere-se a trânsito e o trânsito aqui é caótico, fruto do mau planejamento ou inexistência do mesmo, não que eu concorde com a ilegalidade, entretanto, quando o poder público não resolve ou resolve mal um problema, a tendência do cidadão é tentar corrigir de uma forma ou de outra.

Gil Reis disse:
13 de julho de 2009 às 02:09

Por outro lado tomar o comportamento de alguns e tentar dar a entender que é generalizado, como se todo o povo o copia é de uma má fé sem limites.
O Brasil tem problemas com ilegalidade nas várias camadas sociais, entretanto, a sociedade, como um todo, não pode e não deve ser responsabilizada, alguns desses problemas são comuns no mundo todo e alguns são peculiares a nosso país.

Gil Reis disse:
13 de julho de 2009 às 02:16

A crítica sempre é boa, seja feita pela Globo ou por artigos e comentários deste site, todavia, partir para a generalização não é de bom alvitre..
Reconheço que existem homens exercendo o poder que são corruptos e tem comportamento, muitas vezes, de verdadeiros bandidos comuns, até porque o são.

Gil Reis disse:
13 de julho de 2009 às 02:18

Este é o preço da Democracia em um país tão grande como o nosso, vota-se sem conhecer o verdadeiro caráter do candidatos, que após eleitos nos surpreendem com suas atitudes.
Nem por isso pode-se dizer que a Democracia e o povo são maus.

Silmário Sousa disse:
13 de julho de 2009 às 08:19

Pensei que a nossa Constituição não diferenciava os tipos de "cidadãos", comum e especial. Tem isso, é?

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