Embora corra o risco de ser trucidado pelos antitabagistas da praça, vou defender os fumantes. Diferente de gente que persegue quem fuma e ignora quem fabrica cigarros, tenho posição diferente: sou a favor dos fumantes e contra os fabricantes… Não entendo por que governos criam leis que punem quem fuma e permitem a existência de fábricas… Tá certo, elas são fontes de impostos, alertam que seus produtos são prejudiciais à saúde, que podem causar câncer e até impotência… Mas, se a moda é radicalizar, é incentivar cruzadas a favor da saúde, as tais mensagens poderiam ser colocadas também nas garrafas de bebidas alcoólicas, nos invólucros dos alimentos gordurosos e em tudo o que faz mal ao ser humano. Mas preciso pensar em mim: sugiro que proíbam, também, os restaurantes de servir torresmo com caipira, e carne de porco com farofa, sem falar no mocotó e na feijoada com bacon, paio e linguiça gorda… Essas coisas fazem mal à saúde, sou vítima delas, pois não resisto quando degustam essas iguarias perto de mim, acabo comendo — viro um guloso passivo…
Quando observo a histeria contra os fumantes em São Paulo, não consigo deixar de lembrar de alguns fatos acontecidos na nossa história: lembro dos “fiscais do Sarney”, que fechavam lojas nas frentes das câmaras cantando o hino nacional… Agora a “lei do cigarro” incentiva a delação. Logo veremos “fiscais” cantando hinos em frente a boates, bares, botecos e outros “templos” da boemia. Exibicionistas e delatores me fazem mal, me fazem lembrar de um episódio acontecido durante a “revolução” de 64. Numa reunião do Conselho de Segurança Nacional, o vice-presidente da República, Pedro Aleixo, resistia ao AI-5, resistia em concordar com algo que suprimia as liberdades individuais, instituía a censura e abolia o habeas corpus. Contam que ele discutiu com veemência com o ministro da Justiça da época, que argumentava: “Vossa Excelência está contra a posição do presidente, não acredita na maneira correta que ele vai conduzir esta situação?”. A resposta do vice-presidente foi antológica: “Confio no presidente, senhor Ministro. Eu tenho medo é do guarda da esquina — é muita autoridade!”. Vejo com preocupação os guardas da esquina aí, de novo, delatando, caçando fumantes…
Deixo claro que não fumo. Abandonei esse hábito quando me convenci de que ele é prejudicial à saúde, mas fico assustado quando vejo a mídia assumindo a tutela da cidadania, constrangendo fumantes. Depois de duas ditaduras, não posso apoiar delações de brasileiros apenas porque eles estão consumindo um produto cuja fabricação é legal. Fumante passivo? Queiram ou não, é apenas uma hipótese, há controvérsias, os estudos científicos estão aí para confirmar. Já li argumentos dos dois lados. Não pode beber, não pode fumar. É um passo para outras proibições. Não concordo, ninguém pode nos negar o direito de ser a favor ou não, seja lá do que for, é inerente à democracia. Alguém vai dizer: Isto é bom para você! Talvez. Mas eu quero escolher, não sou obrigado a concordar com quem se identifica com processos repressivos. Outro absurdo: punir dono de bar que admitir fumo. Pergunto: Se alguém ficar nu no mesmo bar, o proprietário vai ser punido? Não. Isso só vale no caso do cigarro — é expressamente proibido!… Verdade! No Brasil, temos o proibido e o expressamente proibido… Leis? Minha irmã e minha filha são fumantes. Sem que eu exija, quando me visitam, fazem questão de fumar ao ar livre. Isso é consciência, mas alguns acham que podem corrigir qualquer coisa com leis.
Nesta semana, um jornal da cidade em que resido noticiou em letras garrafais: “Nova lei poderá liberar o plantio de maconha em casa”. Em casa! Querem me enlouquecer! Agora existe gente defendendo a liberação da maconha e exigindo a proibição do cigarro… O argumento usado para a liberação da maconha é o de que “se a pessoa plantar para consumo próprio, automaticamente se quebra o vínculo dela com o crime”. Ah! Então tá!… Querem liberar o proibido e proibir o que é legal… É uma pretensão, não entro no mérito, só espero que façam a mesma cruzada santificando ou satanizando as duas “tribos” — não deixem o cigarro sozinho, na condição de vilão… Ultimamente, não tenho notado ninguém delatar quem usa maconha, com certeza deve existir algum “estudo” que “prova” que fumaça de baseado faz bem a saúde… Mais: o argumento de que o governo desperdiça recursos curando doentes com moléstias provocadas pelo tabaco, também deveria valer para os alcoólatras, pois além das inevitáveis brigas e agressões, eles lotam hospitais da rede pública com gente ferida nos acidentes de trânsito que provocam.
A proibição de certos hábitos sempre foi algo difícil na história da humanidade, pois exercer a tutela de homens livres é algo discutível. Os Estados Unidos mostraram ao mundo o que acontece quando isso ocorre. Eles proibiram a venda de bebidas alcoólicas instituindo a famosa “Lei Seca”. Foi o que bastou para este período transformar-se na “época de ouro” da bandidagem e de todo tipo de crime. Até hoje o cinema faz filmes enfocando a vida de gangsteres que viraram lenda abastecendo o mercado, burlando a proibição. Quanto ao cigarro, a convivência organizada, com lugares específicos para todos os segmentos parece algo óbvio, pois cada cidadão deve respirar o ar que mais lhe agrada. Se fosse possível “impor” saúde através de leis, estaria tudo resolvido, mas a educação ainda é a melhor solução, melhor ainda se ela estiver acompanhada da consciência e distante da intolerância.
Alguém já disse um dia que “ideias não são metais que se fundem” — estou de acordo. Ninguém é obrigado a concordar comigo, faz parte do jogo. Mas não comungo com patrulhamentos e fanatismos, não aprecio exageros, não gosto da tal cruzada contra a fumaça. Considero isso uma violência. Poderes arbitrários distribuídos a granel é algo perigoso, não combinam com democracia, não combinam com liberdade.
Em tempo: “Lei antifumo paulista é inconstitucional, diz AGU” – Segundo a Agência Estado, a Advocacia-Geral da União (AGU), órgão que defende e representa a União principalmente em ações no Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu parecer no dia 19/08/09 que considera a lei antifumo paulista inconstitucional.
Comparação sem fundamento: o torresmo não sai voando do prato do seu vizinho de mesa e entra na sua boca ou na do garçon, quer queiram, quer não. Já a fumaça do cigarro não deixa escolha.
A bebida não sai flutuando do copo de ninguém para pousar no fígado ou no cérebro de quem quer que seja. Só sofre os efeitos quem quer beber. Já o cara normal (normal sim, porque anormal seria nascer com um cigarro na mão), fumante passivo, não tem como fugir da fumaça porque não dá para deixar de respirar (sério, já tentei e não deu).
Já o carro do bêbado, esse sim, pode sair voando e aterrisar na sua cabeça, daí porque o combate ao alcoolismo e direção tem todo fundamento.
Quer viver em sociedade? Respeite a maioria ou se isole.
Comparação sem fundamento: o torresmo não sai voando do prato do seu vizinho de mesa e entra na sua boca ou na do garçon, quer queiram, quer não. Já a fumaça do cigarro não deixa escolha.
A bebida não sai flutuando do copo de ninguém para pousar no fígado ou no cérebro de quem quer que seja. Só sofre os efeitos quem quer beber. Já o cara normal (normal sim, porque anormal seria nascer com um cigarro na mão), fumante passivo, não tem como fugir da fumaça porque não dá para deixar de respirar (sério, já tentei e não deu).
Já o carro do bêbado, esse sim, pode sair voando e aterrisar na sua cabeça, daí porque o combate ao alcoolismo e direção tem todo fundamento.
Quer viver em sociedade? Respeite a maioria ou se isole.
Já postei inúmeros comentários, com o mesmo enfoque, mas este texto TRADUZ A ESPERANÇA DE QUE NÃO SEJAMOS ABATIDOS COVARDEMENTE PELOS DITADORES DE PLANTÃO...e o Sr. Serra, com esta Lei, apresenta-se como tal, já copiado pelos outros representantes que legislam sob a saudade aos regimes de EXCEÇÃO. Parabéns pelo excelente texto, pois nos faz crer que a DEMOCRACIA é possível; que o ser humano, socializado, existe à margem da intolerância e da violência ao DIREITO À CONVIVÊNCIA. Acima de tudo, textos como este colocam em cheque a nossa covardia coletiva, pois nos remetem às cobranças por um ESTADO voltado às garantias de SEGURANÇA, SAÚDE, EDUCAÇÃO E, FUNDAMENTALMENTE DOS DIREITOS CONSTITUCIONAIS DE NÃO VIOLAÇÃO ÀS LIBERDADES. Obrigado.
Num restaurante um fumante ficou muito chateado com um sujeito que resolveu expelir os seus gases intestinais ali mesmo, bem próximo à sua mesa, obviamente obnubilando a fruição do seu "filet aux poivre vert". Ficou aborrecidíssimo com o ato fisiológico tão natural e incontrolável do cidadão, a ponto de querer chamar a polícia! O ser humano é mesmo uma graça.
Com todo o respeito, mas quem já se inteirou um poquinho do assunto, indo além da propaganda anti-tabagista da mídia e dos governos, buscando fontes primárias, sabe que a tese do fumo passivo é ciência da escolinha do professor raimundo.
O autor bota o dedo na ferida ao falar da situação paradoxal que vivenciamos: de um lado, a perseguição implacável, com cores nazistas - aliás o primeiro regime anti-tabagista da história -, dos tabagistas; de outro, a leniência, verdadeiro apoio e simpatia, à maconheiros e cocainômanos.
Belo artigo. Meus parabéns ao autor.
Em 1º. lugar, NINGUÉM pode proibir os cidadãos de se reunirem (em seus "clubes fechados") , para fumarem, beberem e xingarem e meterem o pau" em todos os que os perseguem ! ! !
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Em 2º. lugar, se fumar matasse, a raça humana já teria sido extinta, há milhares de anos. ! ! !
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Em 3º. lugar, os "incomodados" que se mudem ! ! !
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Em 4º. lugar, o governo fedderal não fala nada, porque os fumantes pagam mais de 600% (seiscentos por cento de impostos), enquanto os "pinguços" não pagam mais de 200% pela bebida ! ! !
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Está certo que, estamos vivendo o momento dos ambientalistas que, com toda a IGNORÂNCIA, que lhes é peculiar ( veja-se o ministro ), não se dão conta que comer um, simples, morango (que as mamães dão para as criancinhas) é muito mais nocivo do que fumar 1 cigarro ! ! !
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Tentem averiguar o volume de agrotóxico que está impregnado no morango e na maioria, absoluta, dos "alimentos saudáveis", que comemos, diariamente ! ! !
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