
Primeiro livro
"Sempre tive uma leitura defasada, mas minha avó se preocupou em relação à literatura infantil." Os livros dos Irmãos Grimm e de Monteiro Lobato marcaram a infância do professor. Sobre O Pequeno Polegar, um dos livros que mais gostou, ele conta que especula-se ter tenha sido inspirado na história hebraica do pastor Davi, que depois virou rei dos hebreus. Na obra, Davi era o filho caçula dentre os sete pastores hebreus. Mas, "talvez esta seja uma simples suposição em função da semelhança entre as histórias".

O Poço do Visconde, de Monteiro Lobato, também faz parte da história do professor. O livro conta a descoberta, entre os livros de Dona Benta, de um tratado de Geologia pelo Visconde de Sabugosa e pôs-se a estudar essa ciência — a história da terra, não da terra-mundo, mas a terra-terra, da terra-chão. Mesmo sendo um livro infantil abordou um tema significante nos dias atuais. Pois, na época, pessoal do Sítio do Picapau Amarelo queria escavar um poço de petróleo. Sua publicação sofreu críticas, visto que o livro afirma que havia petróleo no Brasil enquanto que os técnicos do governo diziam que o Brasil não tinha nem poderia ter petróleo. "As afirmativas de Visconde não passavam de heresia."
Livros de literatura
"Gosto de romance, mas nada exagerado. No momento estou lendo o Itinerário Teológico de Ratzinger, e, ao mesmo tempo relendo Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoiévski." O livro retrata o embate entre pai e filho. Além de conversar com o leitor, a narrativa é onipresente e também indica ou infere os pensamentos dos incontáveis personagens.

Os Mandarins, de Simone de Beauvoir, está entre os seus prediletos. "Este livro é bom porque explora a vida pessoal dos outros de uma forma interessante, sem invadir o pessoal." O título se refere aos altos funcionários públicos da China Imperial. Os personagens por vezes se veem como "mandarins" ineficientes ao tentar discernir qual papel caberá aos intelectuais na influência do cenário político após a Segunda Guerra.
Assim como em outras obras de Simone de Beauvoir, temas como feminismo, existencialismo e moralidade pessoal são explorados enquanto os personagens navegam não apenas pelo cenário intelectual e político, mas também através de seus relacionamentos instáveis entre si. "Este livro me fez entender um pouco mais do universo das mulheres", brinca.
Livros didáticos
Na sua formação, influenciaram Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado, Celso Furtado e Darcy Ribeiro, "que me ajudaram a entender o Brasil e suas contradições". Na formação jurídica cita como "básico" Hans Kelsen, Pierre Marie Nicolas Léon Duguit, Friedrich Carl von Savigny, Gaston Jèze, Maurice Duverger, Jean-Luc Picard, Giuseppe Chiovenda, Hermes Lima, Reale, Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda, Raul Machado Horta, Temístocles Cavalcanti e Artur Machado Paupério.
O livro Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda, aborda e analisa os mitos edênicos acerca do descobrimento e colonização da América. "Além de falar de política, economia da época também compara com a bíblia", conta.
Livros jurídicos
Não deixo de ler sempre alguns autores, aprendendo com eles desde sempre: Miguel Reale, Goffredo Telles, Pontes de Miranda, Pinto Ferreira, Manoel Gonçalves, Franco Montoro.
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