Advogados de SP defendem manutenção de serviços durante greve na Justiça

A Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) pediu, em nota pública, que os serviços essenciais da Justiça Federal, do Trabalho e Estadual, no Estado de São Paulo, sejam mantidos, como determinou o Supremo Tribunal Federal. A manifestação da entidade decorre da greve instaurada na Justiça há cerca de um mês.

Segundo a Aasp, “nada justifica que o exercício do direito de greve ocorra mediante negação do acesso à Justiça, pelo fechamento de alguns setores indispensáveis à população”.

A instituição afirma, ainda, que já solicitou a suspensão dos prazos por meio de ofícios encaminhados aos presidentes das respectivas Cortes. Mas como isso não ocorreu, decidiu expressar sua preocupação diante dos inúmeros prejuízos que vêm sendo causados à advocacia e, por consequência, aos jurisdicionados de forma geral. diz a instituição em nota pública.

Leia a Nota pública sobre a greve no Judiciário:

A AASP, tendo em vista a manutenção, por semanas a fio, de movimentos de greve dos servidores dos Judiciários Federal, do Trabalho e Estadual, no âmbito do Estado de São Paulo, vem a público manifestar apreensão quanto à suspensão de serviços essenciais à cidadania e ao exercício de direitos e garantias constitucionais.

Independentemente do respeito ou até mesmo da solidariedade que suscitam as reivindicações que fundam a deflagração dos movimentos paredistas em questão, nada justifica que o exercício do direito de greve ocorra mediante negação do acesso à Justiça, pelo fechamento de alguns setores indispensáveis à população. Processos não podem ser examinados; guias de levantamento de verbas de natureza alimentar não vêm sendo expedidas; enfim, inúmeros atos e providências judiciais estão sendo postergados, com inequívoco prejuízo aos jurisdicionados.

Por mais ponderáveis que sejam os interesses coletivos dos servidores grevistas, é inaceitável que o modo pelo qual se exerce o direito de greve implique desrespeito à decisão judicial da Suprema Corte, que impõe a observância da legislação que assegura a manutenção dos serviços considerados essenciais.

Agrava a situação, no âmbito da Justiça Estadual, a abstenção, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, no que se refere à edição de regra legal, geral e abstrata de suspensão dos prazos processuais em curso, uma vez que se relegou a regulação da matéria aos magistrados de cada unidade judiciária.

Essa circunstância incentiva a gestação de uma miríade de normas individuais e gera enorme insegurança jurídica aos advogados e jurisdicionados.

Igualmente merece registro a postura do Governo do Estado de São Paulo que, ao tratar da greve dos servidores do Poder Judiciário local, adota atitude assaz contraditória e incompatível com a responsabilidade inerente aos seus atributos: de um lado, afirma que a questão dos servidores deve ser tratada pelo Judiciário e, de outro turno, busca abrigo em filigranas orçamentárias para justificar as indevidas amarras patrimoniais entre os dois Poderes da República (Judiciário e Executivo).

A AASP espera a retomada imediata dos serviços essenciais e exorta as autoridades judiciárias para que compreendam a urgência da situação e adotem as medidas necessárias ao restabelecimento da segurança jurídica e dos serviços que, num verdadeiro Estado Democrático de Direito, não podem ser interrompidos.

Associação dos Advogados de São Paulo

Eliseu disse:
28 de junho de 2010 às 14:05

A greve foi a atitude desesperada dos servidores do judiciários para fazer valer um direito líquido e certo que é a reposição da inflação oficial pela cúpula do TJ, que é desrespeitado há mais de 02 anos, descumprindo lei estadual em vigor e CF. É um paradoxo, o TJ aplica a legislação somente para os outros.....Joga a culpa no governo estadual e vice-versa, nessa queda de braço quem sai perdendo são os advogados, partes e os servidores (os que carregam o piano). Quanto aos juízes...estão com os salários atualizadíssimo, recebendo toda a sorte de auxílios, indenizações e férias em pecúnia, inclusive alguns receberam verba irregular, fato esse comprovado pelo CNJ. Até na Assembléia Legislativa paulista existe pedido de instauração de CPI do judiciário, face as inúmeras irregularidade e denúncias existente contra a cúpula do judicário. A justiça não se faz somente com os magistrados. Não só eles e suas famílias necessitam de ter salários atualizados. A greve está demonstrando que os "carregam o piano" (servidores) fazem falta. Está precisando de uma atitude urgente (pagar o que devem), dos poderes executivo, legislativo e judiciário.

Antonio Grandi Filho disse:
28 de junho de 2010 às 17:10

Fico deveras preocupado!!!!!
A justiça é uma coisa extremamente lerda...Agora só quando ha um movimento dos funcionários que se pedem que a justiça funcione!!!!
E o resto do ano? Não precisa funcionar?..Quando se suspende expediente por causa de emenda de feriados a justiça não atrasa? Juiz que chegam 13 horas no forum e vão embora as 17 horas, não atrasam o expediente?
Acho que precisamos descutir o judiciário de forma mais profunda e não com a demagogia de alguns orgãos de advogados. E é bom dizer que vários destes orgãos que se dizem representar os advogados, são criticadas brutalmente por seus representados..
Falam de serviço essencial, mas o que tem de essencial, um serviço que em finais de semana e feriados, faz um plantão das 9:00 horas às 13:00 horas, com um juiz e meia duzia de funcionário...O que tem de essencial neste tipo de plantão...Precisamos discutir o judiciáro com mais profundidade e mais respeito a população.....Basta da Hipocrisia dos governos e Advogados e seus orgãos de repesentação...e por que tbem não dizer, por vários servidores....Vamos ser sérios, pelo bem do Poder Judiciário...Um abraço

Fernanda Fernandes Estrela disse:
28 de junho de 2010 às 20:34

É simples assim:
"Daí a César o que é de César".
Deve, paga e acaba com esta palhaçada. Se eu fosse da cúpula do TJ, eu estaria envergonhada por saber que pretende-se instaurar uma CPI contra a instituição, eu estaria muito preocupada e mais envergonha por ser objeto de representação no CNJ.
E eu não gostaria de ver o nome da minha instituição nos jornais todos os dias como uma "empresa" que faz o que o TJ tem feito com os funcionários.

Guilherme G. Pícolo disse:
01 de julho de 2010 às 15:34

O Judiciário está chegando ao ponto em que as pessoas até preferem compactuar com o inimigo que lhes oprime a cruzar as portas de um tribunal e clamar por justiça (sobretudo pelo custo e incrível lapso temporal que leva o deslinde de qualquer processo).
Preferem uma lesão injusta, porém calculada, a uma lesão maior em troca de um eventual benefício póstumo.
Não pretendo ofender ninguém, nem critico os grevistas, mas é o desabafo de algo que não desce na garganta...

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