“O advogado da União jovem é concurseiro não por diletância, mas porque quer aproveitar o ritmo de estudo para passar em concursos para cargos que pagam melhor”. A afirmação é de Marcos Luiz da Silva, presidente da Associação Nacional dos Advogados da União (Anauni). Em nota, o advogado disse que “os advogados da União estão deixando a carreira para assumir cargos na magistratura, Ministério Pública, Procuradorias Estaduais e Municipais, o que significa que a AGU paga uma das piores remunerações do país aos seus advogados”.
Em reportagem publicada na quarta-feira (21/12), a Consultor Jurídico afirmou que a advocacia pública brasileira é exercida por homens jovens, que ingressaram na carreira na última década e acham o trabalho excessivo e, em sua maioria, pretendem seguir outra carreira jurídica. Apesar disso, no momento, não estão estudando para um novo concurso. A base das conclusões foi o I Diagnóstico da Advocacia Pública do Brasil, feito pela Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, com dados coletados em questionários em 2009 e 2010.
Em resposta à reportagem, a Anauni reconhece que “efetivamente a AGU tem servido como degrau para outras carreiras, pois a remuneração, a despeito de ser bom, é bem inferior às carreiras do Ministério Público Federal e da magistratura, sendo ainda inferior à grande maioria das Procuradorias Estaduais, e mesmo em relação a alguns municípios”.
“A AGU somente irá se fortalecer e conseguir manter os seus profissionais se alcançar dois objetivos: autonomia institucional; isonomia remuneratória com as demais funções essenciais à justiça. Isso estancaria a evasão de Advogados da União e permitiria a manutenção dos quadros da carreira em sua grande maioria”, diz a nota.
A entidade informa também que “a demanda processual dos Advogados da União é bem alta, e muitos colegas são obrigados a trabalhar à noite e nos fins de semana. Desestimula os colegas ainda trabalharem lado a lado com Advogados não concursados, ocupantes de DAS, especialmente nas consultorias jurídicas em Brasília, em que ainda é bem comum situações desse tipo”.
O levantamento
Responderam às perguntas de múltipla escolha do I Diagnóstico da Advocacia Pública do Brasil 1.394 advogados da Advocacia-Geral da União (AGU), de um total de oito mil (incluindo advogados da União, procuradores federais, procuradores da Fazenda Nacional e procuradores do Banco Central).
Pelo que se pode notar a partir dos dados, a advocacia pública tem prazo curto e, muitas vezes, serve de degrau para outras carreiras. Dos advogados públicos federais em atuação hoje, 80,1% têm menos de 40 anos e apenas 11,4% ingressaram na AGU antes do ano 2000.
Apesar dos bons salários — 50,7% recebem de R$ 14 mil a R$ 16 mil por mês—, a vontade de deixar a profissão é grande. Mais de um terço dos atuais advogados pretendem mudar de carreira, prestando outro concurso público. Entre estes, 65% querem ser juízes federais. O perfil de “concurseiro”, aliás, é comum. Antes do concurso que serviu para ingressar na AGU, 96,5% deles realizaram outros certames para cargos públicos.
A vontade é crescer imediatamente. A promoção, tão visada na carreira pública, é esperada por 51,1% nos próximos cinco anos. Uma das principais reclamações sobre a carreira é o excesso de trabalho. Apenas 20,4% consideram a demanda de atividades adequada.
A ascensão acadêmica, porém, é pouco almejada. São poucos os “doutores” que possuem doutorado — 0,9%. A maioria — 67,8% — não está estudando atualmente e 44% não realizaram nenhum curso de capacitação/aperfeiçoamento ofertados ou custeados pela instituição em que atuam nos últimos dois anos.
A pesquisa também foi realizada com 852 advogados de procuradorias estaduais, autárquicas e de fundações e 489 de procuradorias municipais. Os resultados podem ser conferidos aqui.
Leia abaixo a íntegra da nota:
1 – Efetivamente a AGU tem servido como degrau para outras carreiras, pois a remuneração, a despeito de ser bom, é bem inferior às carreiras do Ministério Público Federal e da Magistratura, sendo ainda inferior à grande maioria das Procuradorias Estaduais, e mesmo em relação a alguns Municípios. Os Advogados da União estão deixando a carreira para assumir cargos na Magistratura, Ministério Pública, Procuradorias Estaduais e Municipais, o que significa que a AGU paga uma das piores remunerações do País aos seus Advogados;
2 – O Advogado da União jovem é concurseiro não por diletância, mas porque quer aproveitar o ritmo de estudo para passar em concursos para cargos que pagam melhor, conforme assinalado no item 1.
3 – Há, realmente uma grande demora nas promoções na carreira, que está engessada há vários anos. Além disso, a demanda processual dos Advogados da União é bem alta, e muitos colegas são obrigados a trabalhar à noite e nos fins de semana. Desestimula os colegas ainda trabalharem lado a lado com Advogados não concursados, ocupantes de DAS, especialmente nas consultorias jurídicas em Brasília, em que ainda é bem comum situações desse tipo.
4 – A demanda por capacitação é grande, mas em face do contingenciamento de recursos implantando pelo Governo Federal poucos Advogados da União tiveram acesso a essa capacitação. Além disso há grande dificuldades para os Advogados da União participarem de cursos, pois o volume de processos é grande e em muitos casos a saída de um profissional irá implicar em dificuldades para o bom funcionamento da unidade. Além disso os estímulos concedidos pelo Governo Federal para que esse Profissional busque especializar-se não tem atraída os membros da carreira, que normalmente são contemplados apenas com a manutenção da remuneração no período de estudo, o que nem sempre é suficiente, uma vez que a grande maioria possui família e já utiliza esses recursos para as despesas ordinárias.
5 – Por fim, entendemos que a AGU somente irá se fortalecer e conseguir manter os seus profissionais se alcançar dois objetivos: autonomia institucional; isonomia remuneratória com as demais funções essenciais à justiça. Isso estancaria a evasão de Advogados da União e permitiria a manutenção dos quadros da carreira em sua grande maioria.
Cordialmente,
Marcos Luiz da Silva
Advogado da União

Falta vocação, querem apenas dinheiro ! Terceirização já !
É justa a equiparação dos salários dos advogados da União aos Juízes Federais e ao Procuradores da República porque todas essas funções tem igual relevância. Essa equiparação, aliás, deve ser estendida aos procuradores estaduais e municipais também.
Tudo que foi dito sobre os advogados da União é aplicável, com razão muito maior, em relação aos membros da Defensoria Pública da União.
Além de ter remuneração desequiparada a magistratura e MP federais (subsídios idênticos a dos membros da AGU), a DPU é notoriamente a carreira com estrutura (física e de pessoal) mais deficitária dentre todas as carreiras federais essenciais a função jurisdicional do Estado.
No Senado Federal foi divulgado concurso onde o analista ou técnico tem salário de R$23 mil, logo por qual razão um Advogado da União não poderia fazer jus a subsídio identico? Percebam que todos querem ganhar bem, então porque a nação não equipara todos (promotores, advogados da união, defensores, auditores, procuradores, peritos, delegados federais, etc) com subsídio de juiz já que todos usam o subsídio de juiz como parametro. Se o povo não acordar o Brasil vai ao fundo do poço. Ninguém sai as ruas para reclamar sobre isso, e quando o povo acordar será tarde, até porque vão invocar o direito adquirido e ai tchau.
Vejamos a DPU (defensoria) está de recesso por quase 20 dias, e se fosse terceirizada não haveria esta mamata.
Além disso, a DPU fica querendo aparecer na mídia em questões como CHEVROn (meio ambiente) e outras, pois parece que não tem serviço ou pobre para atender,logo não faz sentido o Brasil gastar mais com DPU.
As afirmações da entidade de classe são justas, nada justifica os servidores da AGU não ter os mesmos subsídios e prerrogativas dos membros do MP e da Magistratura.
A Constituição próprio fala que os advogados são igualados a juízes e membros do MP.
Enquanto alguns Procuradores Estaduais e Municipais ganham "por fora" exercendo a advocacia privada, os coitadinhos servidores da AGU tem que contentar com R$ 14.000,00 (uns 11.000,00 líquidos) e ainda morar fora do seu estado de origem, muitas vezes pagando para trabalhar (gastos com hospedagem, alimentos, viagens ida e volta para cidade natal).
Já a Defensoria Pública, trata-se de uma orgão "coitadinho", não tem incentivo, os pobres precisam dos serviços, mas não há recursos, concursos e iniciativa por parte do poder público, e ainda mais, o orgão tem feito papel de bobalhão nos ultimos tempos, se metendo em casos que não diz respeito a seu papel, que é dar assitência jurídica aos POBRES.
Igualdade já !
As afirmações da entidade de classe são justas, nada justifica os servidores da AGU não ter os mesmos subsídios e prerrogativas dos membros do MP e da Magistratura.
A Constituição próprio fala que os advogados são igualados a juízes e membros do MP.
Enquanto alguns Procuradores Estaduais e Municipais ganham "por fora" exercendo a advocacia privada, os coitadinhos servidores da AGU tem que contentar com R$ 14.000,00 (uns 11.000,00 líquidos) e ainda morar fora do seu estado de origem, muitas vezes pagando para trabalhar (gastos com hospedagem, alimentos, viagens ida e volta para cidade natal).
Já a Defensoria Pública, trata-se de uma orgão "coitadinho", não tem incentivo, os pobres precisam dos serviços, mas não há recursos, concursos e iniciativa por parte do poder público, e ainda mais, o orgão tem feito papel de bobalhão nos ultimos tempos, se metendo em casos que não diz respeito a seu papel, que é dar assitência jurídica aos POBRES.
Igualdade já !
Se esse povo fosse advogar ai iriam perceber o quanto teriam que trabalhar para ganhar adequadamente... Esse povo não sabe o que e trabalhar.
Se esse povo fosse advogar ai iriam perceber o quanto teriam que trabalhar para ganhar adequadamente... Esse povo não sabe o que e trabalhar.
É uma pena que a nobre carreira de Advogado da União seja maculada por pedido de salários, porque, tal qual a carreira de juízes, MP e outras carreiras públicas, é uma vocação.
No entanto, vemos um representante de uma associação de advogados, dentre as 4 ou 5 da AGU, culpando diversos fatores, menos a sua falta de vocação, cidadania e compromisso com a defesa dos interesses da União.
Cada passo que damos em nossa vida é carregado de toda responsabilidade, esforço, riscos e compromisso. Eis que está claro que não existe mais carreira pública no Brasil para o articulista e a associação que se manifestou, mas, somente, um polpudo salário (se tiverem comissões, mesmo que custe o emprego e o esforço de outrém, tudo bem!).
Claro que na nossa vida a evolução dever ser uma busca incansável para a nossa satisfação, mas quando se ingressa em uma carreira pública, pensamos no patriotismo, valor e aquilo que nós defendemos, os interesses de toda sociedade brasileira e da União Federal.
As ADIn´s intentadas pela própria ANAUNI com o objetivo de afastar quaisquer advogados que não sejam de seus quadros não tiveram êxito e agora estão tentando dar justificativas ao "trampolim" na carreira que alguns fazem uso. No entanto, falta amor à profissão e quem perde com isso é a União Federal, ou melhor, toda sociedade brasileira.
Em 2011, vimos vários escândalos em órgãos públicos e ministérios que poderiam ser evitados ou minimizados com concentração e dedicação ao trabalho. Em outros países causaria vergonha a todos.
Quando fazem o concurso para ingressar na carreira já sabem o que enfrentarão, daí tomam a vaga de quem alimenta o sonho de atuar e ainda ficam insatisfeitos... em um país aonde os salários não são altos.
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